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Sem itinerário ou paradeiro.
Cris Carriconde
Dia de chuva tem sempre isso. Não sei bem se é o cinza, se é o lodo, se são os vidros embaçados dos automóveis, as barras das calças sujas das poças, os semáforos estragados, os grandes morcegos empalados sobre todas as cabeças. Sei que toda saudade aumenta, toda tristeza existe mais, úmida e aderente, todo o desânimo pesa mais um tanto encharcado sob as marquises onde procura-se proteger o que sobrou aos cotovelos. Pode ser que sejam apenas os meus pés molhados, mas isso não explica meus olhos morrendo por dentro cada vez que chove e eu volto àquela noite.
Uns versos - Adriana Calcanhotto.
Sou sua noite, sou seu quarto/ Se você quiser dormir/ Eu me despeço/ Eu em pedaços/ Como um silêncio ao contrário/ Enquanto espero/ Escrevo uns versos/ Depois rasgo/ / Sou seu fado, sou seu bardo/ Se você quiser ouvir/ O seu eunuco, o seu soprano/ Um seu arauto/ Eu sou o sol da sua noite em claro,/ Um rádio/ Eu sou pelo avesso sua pele/ O seu casaco/ / Se você vai sair/ O seu asfalto/ Se você vai sair/ Eu chovo / Sobre o seu cabelo pelo seu itinerário/ Sou eu o seu paradeiro/ Em uns versos que eu escrevo/ Depois rasgo.
E eu ouço essa música e não consigo parar de chorar.
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Kika-bh comentou:
bom dia ticcia querida..engraçado como pessoas como você, ainda que virtuais, acabam fazendo parte da vida daqueles que a acompanham. hoje, apesar do sol que cobre bh, meu dia amanheceu cinza, e desde quando cheguei no trabalho estou acessando o blog para ver qual será o seu recado para mim... como uma luva...
um beijo, fique com deus!
às 11:25 de 05.03.2007