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Carta da Pri, uma leitora querida
O quanto uma vida pode ser modificada pela música?
A resposta para mim é difícil, já que faz pouco menos de um ano que mergulhei nesse mundo. Uma novata, nada mais do que isso. Mas mesmo em tão pouco tempo, a música já efetuou mudanças profundas em mim e na minha rotina.
Tenho 29 anos, e até último aniversário meus planos estavam fechados: fazer faculdade de Engenharia, pós-graduação em Gerenciamento de Projeto e ter o meu próprio negócio, uma Consultoria de Planejamento. Isso foi antes da inscrição na Camerata da empresa que trabalho e da sugestão do Maestro Luis Maurício Carneiro - regente, arranjador e professor, um Maestro multitask! - da referida Camerata: “Que tal a Viola? Pelo tamanho da sua mão e estrutura corpórea, você vai se adaptar melhor do que ao Violino.” Até então, minha única experiência musical tinha sido com uma flauta doce, bem baratinha, nos idos de 1980 e alguns, nas aulas de música da escola primária.
Da entrada da Camerata pra cá, no entanto, vieram meses de dedicação, descobertas e um estado de felicidade permanente, aumentado por três aulas diferentes por semana e por pelo menos uma hora de estudo diários. Isso porque meu horário de serviço é de 7:00h as 17:00h. Não quero mais fazer Engenharia, não quero mais pós- graduação, não quero mais Planejamento. Quero me dedicar inteiramente à música.
Na vida pessoal, as coisas vão de bem a melhor: mais tranqüila, dormindo melhor, mais disposta, mais criativa. Coisa de gente apaixonada, né?
Incentivada pelo mesmo Maestro que escolheu pra mim a Viola, me inscrevi no Centro de Cultura Musical de Campos dos Goytacazes - RJ (CCMC), escola que é referência em música no Estado. O Centro fica em um casarão antigo, e eu me senti no meio de um filme: crianças e jovens correndo de um lado pro outro, mães confabulando nos bancos, sons diferentes saindo de cada sala de aula e um ar assim, meio diferente. Eu estava respirando música, e o meu amor triplicou naquele lugar.
Não demorou pra descobrir que o CCMC era também sede de uma ONG: a Orquestrando a Vida. Essa ONG é ligada diretamente ao “El Sistema” de Orquestras Infantis e Juvenis da Venezuela, sistema esse que ganhou o IMC-UNESCO International Music Prize, em 1993. Foi desse mesmo “El Sistema” que veio o hoje internacionalmente conhecido Maestro Gustavo Dudamel. É um projeto incrível, fundado por José Antonio Abreu em 1975, muito pouco conhecido aqui no Brasil, mas que tem um vasto alcance social naquele país. Basicamente, eles mudam a vida de pessoas e comunidades, tendo o ensino formal e profissional da música como catalisador.
Aqui em Campos são mais de 1.100 crianças participantes, todas vindas da rede pública, comunidades e Projeto Casa Lar (os orfanatos da cidade). Eles são divididos bascamente em três orquestras completas (Infantil, Infanto-Juvenil e Jovem), diversos coros, cameratas e bandas sinfônicas.
Tive a oportunidade de vê-los logo depois numa apresentação de aniversário do CCMC (19 anos!) no Teatro Trianon e tremi nas bases. Foi emocionante ver desde os mais miúdos - alguns menores do que seus instrumentos – aos mais velhos, fazendo vibrattos, tocando algumas músicas até sem partitura, muito compenetrados e orgulhosos de estarem ali na frente de todos nós.
Notei a massiva presença e incentivo das famílias dos integrantes das orquestras: mães, pais, tios, tias, primos, irmãos, ex-alunos, colegas de aprendizado que não estavam tocando (Como eu! Mas no meu caso, por um nível bem mais baixo de aprendizado. Hahaha.) e amigos numa algazarra barulhenta, igualzinho a uma torcida de futebol. Notável também o capricho dos uniformes dos alunos e das roupas das famílias: parecia missa de domingo.
A Orquestra Infantil apresenta “Yellow Submarine” dos Beatles, regida pela Maestrina Fernanda. Dá pra ver no fundo o sorriso do Maestro Mauricio? Fonte: Acervo pessoal.
Eles tocam de clássicos à música popular. Nos números finais, o Maestro sai de cena e seguindo a velha máxima, “quanto o gato sai... ”, os metais tocam trechinhos de marchinhas de carnaval e o restante do grupo faz um baile com confete, serpentina e fantasias! O público vai à loucura!
Tenho me aproximado pouco a pouco dos mais velhos, especificamente o naipe das violas (porque sim, nós somos bairristas e unidos! Hahaha) da Orquestra Jovem por motivos financeiros: eles se organizaram para juntar dinheiro e comprar as próprias passagens para um festival em La Paz – Bolívia, festival o qual foram a única orquestra brasileira a ser convidada.
A ONG não dispõe dos recursos necessários para bancar essa oportunidade, mas eles não desanimaram. Todos os naipes estão em POLVOROSA fazendo rifas, festas, pedindo patrocínio de porta em porta, vendendo guloseimas em suas escolas e faculdades.
Estou ajudando eles com algumas questões organizacionais de planejamento, arranjei alguns prêmios pra rifarem e exercito meus dotes culinários fazendo muffins pra que vendam (e como vendem! Hahaha). Penso com os meus botões que, na idade deles, jamais tive ou teria a iniciativa de me organizar ou vender coisas para alcançar alguma coisa que desejasse muito.
É importante frisar que não sou representante legal desta ONG, mas me responsabilizo social e judicialmente com relação a qualquer problema relacionado às doações feitas por meu intermédio.
Duas formas de doações podem ser feitas:
Dinheiro: Qualquer valor faz uma diferença imensa. Os depósitos podem ser feitos diretamente na conta da ONG e eles estão totalmente disponíveis pra mandar comprovantes, pros que precisam disso pra Imposto de Renda e tal. A ONG é idônea e tem toda a papelada legal pra receber (e comprovar) doações e eles estão inteiramente à disposição pra qualquer pergunta que seja necessária. Para receber o número da conta, entrem em contato comigo no e-mail informado abaixo;
Passagens: essa é a opção ideal pra quem não puder ajudar com dinheiro e /ou tem milhas que estão pra vencer, mas não poderão aproveitá-las. 10.000 milhas rendem um trecho da passagem (20.000 milhas garantem a ida e volta) e pode-se retirar essa passagem diretamente no nome dos integrantes da Orquestra, sem maiores complicações, segundo a operadora do trecho.
Em qualquer um dos casos, a conta de correio para contato é violistasojc@gmail.com. Sou eu, pessoalmente que atenderei qualquer pessoa que tenha interesse em nos ajudar.
Ah! Os (as) Violistas prometem um presente de agradecimento para todos que derem uma forcinha!
Muito obrigada!
E agora vocês me respondam: O quanto uma vida pode ser modificada pela música?
Abaixo, alguns links pra quem quiser saber mais sobre a ONG Orquestrando a Vida: Blog da ONG Orquestrando a Vida
Um videozinho síntese do projeto
A Orquestra Jovem e a Infanto-Juvenil sendo regidas pelo Maestro Marcos Rangel (o mesmo que deu um depoimento emocionado no vídeo síntese do Projeto)
Site do CCMC
Página da Orquestra Jovem na Dell’arte
Priscila Braga (futura violista)
Eu achei a história linda. Vamos ajudar?
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