Bom dia!
Que linda segunda de sol aqui no Southern South!
Segue um post umbiguista da Belly, na primeira pessoa do singular.
Você foi avisado.
Num dia da semana passada, peguei um ônibus cujo itinerário estava parcialmente bloqueado, o que forçou o motorista a fazer um desvio. Um dos passageiros teve um megaxilique por conta disso, e começou a dizer impropérios muito ofensivos para o cobrador e o motorista. AOS BERROS. E foi improperiando AOS BERROS que o passageiro xiliquento postou-se ao meu lado no ônibus e permaneceu AOS BERROS. Respirei fundo, tentei me concentrar, mas depois de um minuto e meio de BERROS não consegui me conter e falei com o passageiro, tentando chamá-lo à razão: "olha, não é o cobrador ou o motorista que decidem o itinerário do desvio, é a empresa. não é culpa deles. e o senhor está incomodando todo mundo dentro do ônibus, se acalme". Acho que ele discordou veementemente, porque voltou-se para mim e BERROU "vá tomar no c*!"
Alguma coisa fez 'clic' dentro de mim e, enquando uma vozinha débil lá nas profundezas da mente sussurrava desesperada "nãovánãolevantevoltevoltesentesenta!quieta!muda!calada", o corpo pulou sozinho do banco para cima do passageiro e a boca teve vontade própria e falou com uma voz que não reconheci: "COMO É QUE É? QUEM VAI TOMAR O QUE ONDE?" e aí não sei se pelo meu tamanho ou pela expressão de fúria, mas o passageiro se aquietou e concordou em pedir desculpas, desculpas, desculpas para os demais passageiros, desculpas para o cobrador e o motorista, desculpas para o Menino Jesus da Cartolinha. Mas, quem disse que eu estava satisfeita? Toda uma enorme fome e fúria despertaram e AHAHAHAHAHA, e agora, Sr. Passageiro? Então fiquei ali em cima do passageiro, vociferando coisas hediondas e expelindo perdigotos, enquanto o passageiro, à guisa de escusa, explicava "eu tenho 40 anos! eu estou atrasado!" e os demais observavam, estarrecidos.
A coisa se resolveu sem mortos ou feridos. Ninguém foi para a DP e segui caminho para meu local de trabalho com a adrenalina rugindo nas veias.
E fiquei pensando em todas as batalhas que – essas sim – preciso lutar contra eu mesma, diariamente, diuturnamente, e que me vejo sem ‘clic’ que consiga me iniciar.
Quando era muito jovem, meu pai me ensinou a um caro custo que nem toda briga é para ser brigada, nem toda batalha é para ser batalhada e, de certa forma, por não saber viver em sociedade, fui me furtando ao conflito direto e encontrando vias transversas de conciliação. Provavelmente foi muito mais produtivo, para mim e para os outros, só que o efeito colateral parece ser que aquela batalha que é para ser batalhada, aquela, aqui dentro, eu não luto. Porque, ossos do ofício, calos da profissão: de tanto conciliar, conciliar, conciliar, acabei conciliando tudo muito demais, principalmente aqui dentro, comigo mesma.
Get ready, Isabel: the bitch is back.
Vica comentou:
É, amiga, acho que sei o que queres dizer. E eu que praticamente nunca tenho clic pra nada? De tanto conciliar...às 11:14 de 31.08.2009