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O hiper-texto

Uma coisa tem me chamado atenção e quero dividir com vocês, para que vocês me digam se é algo que vocês também já perceberam ou se a partir de agora podem se ligar e perceber.

«Acima» de quase todo diálogo/conversa/papo, rola um meta diálogo/conversa/papo que não diz quase nada a respeito do assunto específico discutido, mas sim a respeito do posicionamento daquelas pessoas diante uma da outra e/ou do tema genérico que ali está sendo tratado (ainda que imperceptivelmente).

Esta deve ser uma ferramenta muito utilizada pelos analistas/terapeutas, claro, que são treinados para captar o meta papo (inclusive - e principalmente) da gente com a gente mesmo. Mas eu confesso que as coisas que eu tenho «ouvido» são bem inquietantes, já que as pessoas acabam revelando o que não revelariam, muito possivelmente nem para si mesmas.

Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 10:37 de 12.08.2009

Mari comentou:

Por isso nossas relações nunca são simples.
Sem falar da questão dos "espelhos": algumas pessoas nunca ouvem o que falamos ou entendem o que somos... elas nos veem através de um filtro de toda a sua experiência.
Uma atitude minha pode desenterrar um fantasma seu e vc me avaliar através dos traumas que vc tenha dessa sua experiencia anterior e nao da sua vivencia comigo!!!
Somos muito complexos!!!
Mari
às 11:21 de 12.08.2009

Marcinha comentou:

Assista Bones, na Fox, e preste atenção no psiquiatra.
Marcinha
às 13:24 de 12.08.2009

Alvaro comentou:

Essa idéia das meta-mensagens é realmente bem interessante.

De fato, em um processo de comunicação, não existe apenas a mensagem que está sendo ostensivamente transmitida: A forma como a mesma é transmitida, em que tom, seu contexto, quem a transmite, em que situação, a linguagem corporal do Emissor, de tudo isso se pode depreender várias outras mensagens, com vários outros significados. Às vezes confirmando a mensagem principal, às vezes a complementando, por vezes até a negando.

E a percepção dessas múltiplas mensagens torna o processo como um todo muito mais rico.

Mas existe um fato a ser considerado: é que uma mensagem, na realidade, nunca é recebida de forma neutra por seu destinatário. Toda interpretação é tendenciosa.

Assim, cada Receptor recebe e interpreta cada uma dessas múltiplas mensagens de acordo com a sua bagagem, seus valores, seu conhecimento prévio do assunto, seus conceitos (e preconceitos). E nessa interpretação entram ainda seus traumas, seus medos, seus sonhos.

Assim, essa decodificação pode ser a esperada pelo Emissor; por vezes, inclusive, esta pode ser especialmente rica, e se depreender o que este não pretendia voluntariamente transmitir.

Mas às vezes a leitura e interpretação é incompleta ou falha, ou parcial e tendenciosa. Ou mesmo é contrária à mensagem que este queria (voluntaria ou involuntariamente) transmitir.

Comunicação é mesmo um processo complexo... Como pontificou Chacrinha no passado, "quem não se comunica, se trumbica".

E de fato, tudo isso vale para o papo da gente com a gente mesmo.

Os terapeutas podem ajudar nesse desvelar de significados. Se bem que eles, apesar da formação e treino, também são humanos, e portanto tampouco serao totalmente neutros no processo...
Alvaro
às 17:52 de 12.08.2009

lu olhosdemar comentou:

eu entendo o q vc quer dizer e esta coisa 'meta' me cansa... tudo podia ser mais simples....nao??
lu olhosdemar
às 21:15 de 12.08.2009

Gabriela comentou:

Ticcia, eu percebo isso tb, direto, seja qual for a conversa, o tema, os interlocutores, se eu tô participando ou não. É muito interessante...
E eu sempre caio nas armadilhas da minha terapeuta. Bem, é e esse o processo...
Concordo contigo, Alvaro. Mas vou ficar por aqui, pra vcs não ficarem me analisando. hohoho
Gabriela
às 23:32 de 12.08.2009

Ana Paula comentou:

Alvaro e a aula de semiologia. Gostei!
Ana Paula
às 09:10 de 13.08.2009

Luciana RN comentou:

Já notei. O difícil é interpretar o que está "por trás".

Tb já sabia que no site livro era mais barato... Um cara da loja uma vez falou que era por causa dos custos da loja, no site não tem isso. Mas, quando eu estou podendo, eu pago pelo prazer de comprar na loja.
Luciana RN
às 13:39 de 13.08.2009

coisadelilly.wordpress.com comentou:

ticcia
por isso eu acredito muito na tal agenda escondida...
são as intenções que se escondem por tras de um papo/artigo/cronica.
não é teoria de conspiração não...ma acredito que por tras de uma frase inocente pdoe haver uma intenção.
coisadelilly.wordpress.com
às 16:38 de 13.08.2009

Si = ) comentou:

Oi, Ticcia!
Muito interessante sua colocação. Realmente, a gente sempre fala uma coisa querendo dizer outra. Tive um professor na UnB que também era psicanalista que sempre dizia "a fala é uma falta, sempre." Ou seja, não importa sobre o que estamos conversando, estamos falando sobre o que nos falta. Interessante, não? Desde que ouvi isso comecei a reparar no que está por trás do que as pessoas falam e realmente, é estranho perceber o que na verdade estão dizendo... Já aquilo que o Álvaro falou, sobre os diferentes modos de pensar uma situação dependendo de experiências faz muito sentido pra mim também. Na literatura, existe um termo para isso: horizonte de expectativa. Diz-se que o horizonte de expectativa varia de leitor para leitor, ou seja, o modo como cada leitor recebe e interpreta uma obra depende de suas experiências anteriores. Acho que na vida o que acontece é isso mesmo: cada um interpretando a realidade a partir de seu horizonte de expectativa...
Si = )
às 18:34 de 13.08.2009
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