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O moço do sonho
E então ele chegaria, já muito tarde. Se num dia de semana, de uma reunião, ou um jantar; se num fim de semana, algum encontro com amigos, e chegaria cansado e exaurido, pensando em horas a menos de sono, água quente, dia seguinte, coisas que não deram tão certo e o que fazer para consertar, e chegaria devagar e manso, muito silencioso para que eu não despertasse, e me encontraria adormecida e segura de que em algum momento da noite ele estaria de volta e amanheceria a meu lado. Ele sentaria na cama e observaria os fios de cabelo encostando em minha sobrancelha, os cílios espessos, minha primeiras rugas, sorriria de notar a boca levemente aberta, o rosto todo outro e no entanto o mesmo de todas as noites até ali. Teria vontade de me despertar num beijo, mas teria pena, ajeitaria o lençol sobre os meus ombros porque saberia que ali sempre tenho frio, deitaria a meu lado e não desejaria estar em nenhum outro lugar, com nenhuma outra pessoa, e seria completamente feliz.
Há de haver algum lugar, um confuso casarão, onde os sonhos serão reais e a vida não
Por ali reinaria meu bem com seus risos, seus ais, sua tez
E uma cama onde à noite sonhasse comigo, talvez
Um lugar deve existir, uma espécie de bazar, onde os sonhos extraviados vão parar
Entre escadas que fogem dos pés e relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar meu amor, não voltava jamais
(
Edu e Chico, A Moça do Sonho)
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Michelline comentou:
ai...que coisa mais linda!bjo!
às 09:59 de 01.03.2009