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1985
Foi o ano que eu não vivi, segundo a senhora minha mãe. Acordava às 7, ia para o glorioso colégio São Francisco de Assis em Pelotas, ficava lá 4 horas e meia de olhos bem abertos e prestando muita atenção (eram as únicas horas em completa consciência do dia), voltava para a casa da Vó Nininha - onde morávamos todos – almoçava lautamente e me recolhia para a sesta que durava invariavelmente das 13 às 18:30 na melhor hipótese. Levantava, tomava banho, circulê, uns deveres de casa quando havia, jantar e de novo para o alto do meu beliche (Facelo dormia na parte de baixo – I love ser a mais velha) normalmente antes das 21:30. Lembro só de ter tido caxumba e catapora – bons motivos para faltar aula e ficar em casa dormindo (bota ano estranho nisso) e de mais nada.
O fato é que em dezembro de 1984 eu media 1,55 de altura e em janeiro de 1986 eu contava com incríveis 1,66m. Minha hipófise me nocauteou para me deitar em berço esplêndido enquanto eu crescia, crescia, crescia. Não percebi os ossos esticarem como magirus, não tomei conhecimento da pele que se rasgava – as estrias longitudinais estão aqui para provar pelo séculos dos séculos, amém – não senti as articulações fazendo força para não se desprenderem. Cresci e pronto.
Só que não é mais tão fácil. Crescer agora dá trabalho, no hipófise for you, darling. Crescer agora é um exercício de manter os olhos bem abertos e atentos, de pensar até não agüentar mais, de analisar e reanalisar as coisas (até os sonhos), de varar noites insones e de deixar-se doer, acolher as dores – das mais insignificantes e ridículas (mas não menos horripilantes) até as lancinantes que dão vontade de ficar debaixo da cama encolhida feito um gato, olhá-las bem de perto, entendê-las, localizá-las – ainda que amanhã ela vão se instalar em novo lugar.
As articulações não dóem, os ossos não se quebram, as pele não rasga, mas a minha impressão é de que eu estou em plena expansão.
Em tempo: 1985 - 2009 (será que tem retorno de algum planeta parrudão?)
ver tabela de smileys:
aqui
Mme. Irmã comentou:
E eu que dormi, dormi e não cresci nadinhaàs 10:32 de 12.11.2008