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Tchãnanam
É fato que um relação se constrói. É fato que não há amor à primeira vista que vá se sustentar assim nas alturas, nos píncaros da emoção pelo felizes para sempre dos séculos amém. Não vai. Vai chegar uma hora que a idealização toda que a apaixonite provoca vai embora e você vai enxergar quem é aquele verdadeiro ser. Com suas limitações, com suas feiúras, com suas, vamos lá, monstruosidades. E talvez - talvez, veja bem - você vá amar esse ser, não apesar de tudo isso, mas especificamente por isso tudo: por sua humanidade, fragilidade, coragem, superação, capacidade de lidar com as limitações insuperáveis, bom humor diante do incontornável. E é só depois de ver a feiúra toda, ou boa parte dela, que o amor pode se habilitar.
É fato, também, que nem toda relação se constrói. Há as que não tem material em comum para serem construídas; há as que têm material em comum mas não tem o tchãns. Tchãns, sabe? Todo mundo sabe. Mas de que ele é feito? Pois meus amigos, é um dos grandes mistérios do universo, par e passo com a santíssima trindade e o cabelo da Hebe. O Tchãns é uma combinação química de feromônios e surpresas, de expectativa e correspondência, da dobrinha embaixo do lábio com o erre pronunciado de um jeito que ninguém mais fala, de um tremor adolescente na parte interna do joelho com uma vontade de contar como a capa daquele livro me lembrou você. Isso e muito mais.
O que também é fato é quem sem tchãns, não rola. Ou rola - maaaaal pra caramba e por pura teimosia, ou seja, por pouquíssimo tempo, ou muito tempo, depende do seu conformismo e/ou patologia. Por mais que a gente queira finalmente gostar de quem gosta da gente, valorizar quem nos dá valor, amar quem declara seu amor aos 4 ventos, fica sempre a sensação de que o mundo ao redor é de plástico. Fosse fácil assim, né, a gente decidia a critura e pronto. Mas não, tem o tchãns. Ou não.
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Renata Carvalho comentou:
Perfeito. Como sempre!às 12:59 de 15.09.2008