Aprenda como me fazer aqui
Olha só. Foi só escrever que faria inferências e injunções logo mais, por escrito, e pronto, caiu tudo e ficava só um jacaré mastigando um "H" com cara de espertalhão. Eu olhando para ele e pensando 'esse jacaré é algum vírus nefasto e está é comendo todos os arquivos, a começar pelos que contém a letra "H", demonstrando uma peculiar idiossincrasia alfabética'. Mas não estava, e a Dominatrix que chicoteia os scripts desse blog parece que fez tudo a contento, já que está todo mundo (todo mundo = todos os posts) aqui, cansado de guerra mas presente.
Isso é uma lição, amiguinhos. A pessoa não diz que vai fazer uma coisa: a pessoa já sai fazendo a coisa ou então mantém sua boca fechada. A um, pela síndrome da religião oficial, de confissão e penitência, que implicitamente prevê que, se a pessoa confessou - portanto, se a pessoa falou - então está tudo feito e ela está perdoada. Quanta boa intenção que não sai da palavra, aquela que o vento leva, não é mesmo? Tá avisado e quem avisa amigo é: pare de gastar latim e saliva com seus planos/sonhos/conjecturas e passe a despender mais esforços efetivos para a coisa deixar o mundo das hipóteses e passar para o mundo dos fatos. Anos de experiência credenciam esta que vos escreve para fazer semelhante declaração.
Vocês viram a cara de begificado do ser ilustrante do post? Tampouco ele sabe o que foi que aconteceu. Provavelmente, também perdeu o sono com o réptil mastigante mascando eternamente a letra 'H'. Repare na carinha de siderado do infeliz.
Se eu sei o que se passou? Tá brincando? Eu só limpo aqui. Pergunta pra Madama, ou pra Dominatrix dela.
Você se lembra, Leitor Amigo, de quando estava assistindo a mega-bobagem (a novela) daquela caixa de bobagem, (a televisão), e de repente não mais que de repente caía tudo e ficava um chuvisco, voltando alguns minutos (ou horas, uma vez demorou horas) uma tela preta e uma voz grave de loucutor de rádio, 'estivemos fora do ar para troca de equipamentos técnicos, assista agora ao capítulo inédito da novela XYZ' ? Duvido mutchíssimo que fosse equipamento técnico. Aquilo ali era alguma coisa que a censura tinha deixado passar e depois se arrependeu e ligou mandando tirar do ar.
Kinda receitas de bolo ou tarjas pretas no meio do jornal.
Onde é que quero chegar com isso? A censura, por mais detestável que fosse, criava para o jovem que a vivenciava, uma situação deveras romântica. Você, jovem, quando completar dezoito anos, terá o direito de se alistar nas forças armadas, mas não de ler o que quiser e fazer as livres associações que preferir. E aí nascia na cabecinha de milhares de jovenzinhos e pré-jovenzinhos e mesmo jovenzinhos
to be a idéia romanticíssima de ser um paladino da liberdade. Em suma, havia algo pelo que se lutar. E havia uma seara proibida que se queria desvendar.
Hoje, não tem censura. O que é bom. E não tem bom-senso. O que é péssimo. Não tem mais curiosidade, porque não precisa. Está tudo lá, enfiado na sua cara com uma tal veemência que você não escolhe se vai se expor a ele ou não, você tem é que se desviar do negócio para poder se preservar de ser atingido. O sonho das jovenzinhas deixou de ser a Malu Mulher para ser a modelo, a supermodelo, a modelo-e-atriz e, finalmente, a tchutchuca do
reality show.
Veja bem, não quero a volta da censura. Censura é péssimo sempre. Seria ótimo, porém, uma dose (elefantina) de bom senso. Pois a impressão persistente que o conjunto da obra passa é que, chegando na bifurcação, fizemos a escolha errada: desvendamos em rede nacional o que deveria ser desvendado na vida privada e deixamos de voltar nossos olhos para o que realmente precisava ser decifrado.
Enquanto isso, assistindo involuntariamente a esse
trash freak show, não consigo deixar de ficar com a mesma cara do Sr. Olhos Esbugalhados ali em cima. Seria isso inocência, ingenuidade ou idealismo? Tenho receio de chegar ao final do caminho e descobrir que passei todo o tempo combatendo moinhos de vento.
E do amanhã já não falo mais nada. Não falemos e sim façamos.
O que será o amanhã, responda quem o fizer.
O que irá nos acontecer, nosso destino será como cada um quiser.
Vejo você amanhã, vizinho.
Maria Eduarda comentou:
Que alívio! E eu achando que o jacare era um vírus do meu pc.Que bom que agora está tudo bem.
às 20:52 de 11.01.2008