11.01.2010

vinte-dez

if the future is looking dark
we're the ones who have to shine

if there's no one in control
we're the ones who draw the line

though we live in trying times
we're the ones who have to try

though we know that time has wings
we're the ones who have to fly

(Rush, Everyday Glory)


Que em vinte-dez
não falte a ninguém a coragem suficiente e necessária para traçar seu próprio caminho.

Seja o caminho que for. Desde que seja o seu. Pessoal e intransferível.

Love, always,
Belly



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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 00:51 de 11.01.2010
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27.11.2009

os filhos do Brasil, por César Benjamin

Holas. Fala-vos a Belly.

O texto que segue não é meu. É do César Benjamin.

Está reproduzido na íntegra porque é na íntegra que recomendo sua leitura.

Não tem solução fácil. E, sobretudo, não existe almoço grátis.

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São Paulo, sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Os filhos do Brasil

CÉSAR BENJAMIN
ESPECIAL PARA A FOLHA

A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de "boi"; a única água disponível era a da descarga do "boi". Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade.
Um dia a equipe de plantão abriu a porta de bom humor. Conduziram-me por dois corredores e colocaram-me em uma cela maior onde estavam três criminosos comuns, Caveirinha, Português e Nelson, incentivados ali mesmo a me usar como bem entendessem. Os três, porém, foram gentis e solidários comigo. Ofereceram-me logo um lençol, com o qual me cobri, passando a usá-lo nos dias seguintes como uma toga troncha de senador romano.
Oriundos de São Paulo, Caveirinha e Português disseram-me que "estavam pedidos" pelo delegado Sérgio Fleury, que provavelmente iria matá-los. Nelson, um mulato escuro, passava o tempo cantando Beatles, fingindo que sabia inglês e pedindo nossa opinião sobre suas caprichadas interpretações. Repetia uma ideia, pensando alto: "O Brasil não dá mais. Aqui só tem gente esperta. Quando sair dessa, vou para o Senegal. Vou ser rei do Senegal".
Voltei para a solitária alguns dias depois. Ainda não sabia que começava então um longo período que me levou ao limite.
[clique aqui para ler o texto na íntegra]
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 16:38 de 27.11.2009
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25.11.2009

dia internacional pelo fim da violência contra as mulheres

Oi! É a Belly!

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Ando terrivelmente, incrivelmente, bizarramente ocupada.
Mas vi no blog da Cynthia Semíramis que hoje é o Dia Internacional pelo Fim da Violência contra as Mulheres e vim aqui bater (ÔPA!) na minha mesma tecla de sempre.

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Bizarramente ocupada, vou ser ainda mais curta e grossa do que de costume.
Então, sejam gentis como de hábito: relevem.


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Tenho uma desconfiança e agora vou apostar fundo nela: eu acho que há uma parte da violência contra as mulheres que decorre das próprias mulheres. Decorre da rivalidade histórica atávica e não-declarada entre as mulheres que, como não eram líderes dos seus clãs, e sim subordinadas aos homens, precisavam galgar postos de formas subrreptícias, mediante a preferência de quem efetivamente liderava. Decorre do fato de que o erotismo e a libido femininas estão em grande parte em perceber-se desejada muito mais do que em perseguir o objeto do seu desejo, e isso, no contexto do mundo ocidental moderno e contemporâneo, guarda relação direta com a capacidade de estimular visualmente o parceiro (ou a parceira) mediante apresentação de parâmetros físicos pessoais aproximados ao padrão vigente.

Ser mulher nunca foi fácil, em época alguma. Arrisco dizer, porém, que agora é um pouco mais difícil. Não só temos que fazer tudo, dar conta de tudo, e tudo muito bem, como ainda conviver diariamente com a competição acirrada entre nós mesmas. Pois, seja sincera comigo: vai me dizer que o relacionamento com a sua mãe, com a sua filha, é fácil? Pode ser bom, pode ser gratificante, mas fácil não é. Vai tentar me convencer que fica se sentindo contente e satisfeita porque mulheres mais velhas como Demi Moore e Madonna chegaram a uma certa idade depois de mais de um filho, em grande forma, com muito dinheiro e namorando caras mais jovens, lindos e loucos por elas? Claro que não! É evidente que não! A gente não fica feliz, a gente se sente é terrivelmente cobrada e fica pensando que se não tem aquela cara e aquele corpo aos trinta, muito menos terá aos cinquenta.

E as meninas mais jovens? Ah. É um caso à parte. As meninas mais jovens, essas não podem nada. Elas não podem experimentar. Elas não podem errar. Especialmente nesses tempos de internet e de zero privacidade, em que tudo o que se faz tem alguém fotografando e vai logo parar em alguma página pessoal. Se estiver de shorts e botas antes dos vinte anos, é bisca. Se estiver usando um vestido que não favoreceu no evento, é brega. Se o namorado foi fotografado com outra, é mal-amada. Se confessar uma ignorância, é burra. Se errar a ortografia, é analfabeta. Chovem críticas de todos os lados, a mulherada toda tem um minutinho para largar o seu trabalho e ir correndo para a internet tocar pedra na Geni.

Você, que está lendo aqui, com certeza está pensando, não, não é de mim que ela está falando. Não é mesmo. Estou falando não daqui especificamente, mas do que vejo por aí. Estatisticamente, o número de mulheres apedrejando outras mulheres, pela internet afora e mesmo em aparentes relações de amizade na vida real, é de cair o queixo. A constatação a que chego é que, se é tão fácil agredir o seu igual, é porque é realmente muito fácil você agredir a si mesma. E eu fico pensando em todas as milhares de milhões de agressões que essas mulheres, e nessas me incluo, e incluo você também, fazemos a nós mesmas na frente do espelho todos os dias, ao vermos nossas caras, nossos corpos, nossos cabelos. Fazemos a nós mesmas ao ver os resultados dos nossos esforços depois de termos feito até mais do que era possível e ainda assim não nos darmos por satisfeitas e achar que dava para fazer mais e melhor. Fazemos a nós mesmas ao não aceitarmos os cumprimentos por um serviço bem executado, pois, afinal, nos ensinaram que ser modesto é tão bonito. Fazemos a nós mesmas quando não aceitamos quem somos e insistimos em deixar que terceiros, que ao fim e ao cabo só querem vender produtos e encher seus bolsos e contar seu vil metal, venham nos dizer quem é que devemos querer ser.

A não-violência contra a mulher é uma luta longa. E nós não vencemos ainda nem a primeira batalha, que é contra nós mesmas.
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por Sua Criada, às 20:19 de 25.11.2009
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30.10.2009

a misoginia nossa de cada dia nos dai hoje

Oi, é a Belly e seus assuntos nefastos, espinhosos e indigestos de sempre.
Tá indo para um bom final de semana, um lindo feriadão? Não leia. Simples assim.

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Ando alienada do mundo e fiquei sabendo do episódio Uniban agora. Tem um texto fenomenal da Marjorie Rodrigues, aqui, e o vídeo com comentários mais pop você vê aqui.

Esse é o tipo da coisa que tira toda a fé na humanidade. Passa o tempo, passa a água por baixo da ponte e os fósseis viram petróleo nas camadas do pré-sal, mas o ser humano do sexo feminino, independentemente de conquistas econômico-sociais, continua sendo primordialmente vista e sentida como alguma coisa entre objeto integrante do acervo patrimonial e semovente burro de carga. Sim, a legislação veio reconhecendo o ser feminino como sujeito de direitos, a começar pela Constituição Varguista que permitiu a participação no escrutínio, seguida quase trinta anos depois do Estatuto da Mulher Casada (porque, veja bem, nos anos 60 a mulher só é alguém se tiver conseguido agarrar um marido). Objetivamente nós temos direito à liberdade, igualdade, fraternidade, viva viva ó Constituição Federal de 1988, inciso I do art. 5o. e art. 226. E curiosamente percebidas como ser vivo de segunda categoria no aspecto subjetivo do imaginário sociológico, do inconsciente coletivo.

Confesso que entendo um pouco o fascínio e terror que o feminino provoca. O mundo feminino sempre foi haram, fechado e proibido, como a própria conformação das partes femininas: guardadas, secretas. Durante os anos da minha formação, tive muito mais contato com homens do que com mulheres, pelo que o mundo feminino em muitos aspectos permanece um mistério para mim (também): todas as múltiplas nuances de voz, a cuidadosa colocação das palavras, os olhares, as atitudes. Uma mulher se comunica com cada ínfimo pedaço de seu ser, e em várias camadas de consciência. Essa superabundância de sinais me confunde e admito, eu não sei me comunicar com tamanha riqueza de atributos. Pelo que não sou sutil, e as sutilezas e, por conseguinte, gentilezas, da vida em sociedade me escapam. MAS, eu disse, MAS, a minha incapacidade não me fez desdenhar a complexa comunicação feminina ou desejar menos o mundo feminino: sou tão humilde na minha ignorância quanto sincera nos meus propósitos e assim penso que se houver real (boa) vontade de todos os envolvidos, a comunicação será possível.

Todo esse repúdio ao feminino para mim só encontra explicação no medo. Foi necessário permitir que o feminino saísse às ruas e visse a luz do sol, e agora, um pouco menos franzino depois do ar puro, seu vigor assombra e assusta e, apavorados, queremos todos trancá-lo de volta no porão de onde quiçá jamais devesse ter saído.

Pois que outra é possível no fato de uma mulher jovem, vestida com uma roupa que evidenciava atributos e chamava a atenção, receber tamanho repúdio? A turba ensandecida uivando seu ódio, eles pela impossibilidade de consumar o desejo sexual despertado, elas pelo fato de não serem o objeto do desejo. Pois não tenham dúvidas, a misoginia impera ESPECIALMENTE entre as próprias mulheres. Não são as próprias mulheres que escaneiam o corpo da outra de cima a baixo, atrás de traços de pseudodefeitos que a façam sentir mais confortável consigo mesma, numa atitude extremamente competitiva? As mulheres, meus caros, são as primeiras a afirmar que não gostam de trabalhar chefiadas por outras mulheres, e nisso até há alguma razoabilidade, por uma série de motivos, que vão desde a angústia da mulher-chefe em ‘mostrar serviço’ até a necessidade de se impor enquanto chefia perante terceiros, passando pelo receio de tornar suas relações com os subordinados – especialmente subordinadAs – excessivamente pessoais. Quando uma mulher atraente ingressa no recinto, automaticamente a maioria das outras mulheres acompanhadas passa a estudar o parceiro, para verificar se ele não vai manifestar interesse – e ai dele se manifestar, pois ele só pode ter olhos para a parceira (pobre sujeito). E se houver interesse, ah. Então a mulher atraente é uma p*ta.

Não é à toa que “o” (artigo masculino) arcanjo Gabriel pisa na cabeça “da” (artigo feminino) serpente.

A misoginia nossa de cada dia nos dai hoje, e livrai-nos de todo mal. Amém.

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por Sua Criada, às 12:48 de 30.10.2009
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02.10.2009

absolute beginners



Ontem à noite voltei no tempo quinze anos sem por um minuto deixar de estar aqui. No novo endereço, ambiente maior e quase do lado do anterior, a mesma comida no mesmo lugar. Os mesmos olhos. Os mesmos cheiros. Marcas do tempo nos rostos, marcas em cada pequena expressão, que perdeu a inocência naïf ganhando profundidade e dimensão.

Um monte de dor, um monte de aprendizado; várias realizações, várias histórias para contar: sempre igual, sempre diferente.

Permeando tudo isso, aquilo que me faz ficar acordada com grandes olhos brilhantes durante a noite, aquilo que te faz permanecer em movimento inercial incessante: a incapacidade de desistirmos de nós mesmos.




After all, we still absolute beginners.

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As long as you still smiling /
It's all I really need


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Forza, Italia!


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por Sua Criada, às 14:12 de 02.10.2009
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23.09.2009

sem figurinha

Sou a Belly e este é um post sem figurinha.
Salvo as criadettes para pontuar e isso não virar o completo caos.

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OI!
Sentiram minha falta? Hem? Hem? Hem? Hem?
Eu senti falta de vocês, mas não tinha nada que prestasse pra dizer. Nem ao menos o mau humor estava prestando, assim, total lack of everythingness.

Agora eu até tenho. É sobre sapato. E bolsa. Duas coisas que falam à alma da mulher.
Falam tanto que o purgatório deve ser um lugar com os sapatos mais desconfortáveis e horrendos. E as bolsas, furadas, e para bem purgar é preciso enchê-las e caminhar com elas, equilibrando-se no sapato horrendo e horrendamente desconfortável, e evitar que as coisas caiam da bolsa. Para cada coisa que cair, o sapato diminui um número. Não é lindo? É quase o que muitas mulheres fazem na vida real.

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Queria dizer que não simpatizo com as criações do Monsieur Lasboutines. Nenhum motivo. É uma antipatia sem explicação. Talvez sejam as melhores criações sapatófilas do universo, maravilhosas, belíssimas, confortáveis. Eu não vi ao vivo, não experimentei e não gostei. É burro isso? E se for? Vai me dizer que o paradigma de inteligência é colocar dois, três, quatro, cinco, dez mil dinheiros num SAPATO? Que tem um salto gargantuesco e, por conseguinte, provavelmente não pode ser usado bem usado e bem pisado, que é para que os sapatos servem?

Veja bem, moça amante de Lasboutines: não estou dizendo que você não é inteligente. Estou é de antemão questionando quem quer que seja que venha questionar meu pré-conceito. Porque essas coisas de gosto, você sabe, é como rosquinha. Cada um tem a sua, cada um come de um jeito.

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As bolsas do mundo coureiro-calçadista.

Certa loja fez uma cópia da Birkin. È evidente que é uma cópia com cara de cópia, porque, se você já viu ao vivo e com as suas mãozinhas uma cria da casa Hermès, sabe que certas coisas são incopiáveis. Eu nunca vou ter uma Hermès, pela razão muito razoável de que o preço é irreal. E, se algum, dia pela insanidade de alguém ou por acasos malucos do destino, uma Hermès passar a minha posse e propriedade, vou vende-la e viajar com o dinheiro. Sim, eu vou. Ou vou comer tudo em Ambrósia da Tia Dinah.

Se você, moça bonita, tem mais apreço pelo design de uma Birkin do que eu, mesmo que seja uma cópia, dá uma olhada.

Nas proximidades, vi uma outra bolsa, com uma cor maluca, surreal mesmo. Entrei. Peguei. Pensei: aháá, borracha! Mas a vendedora candidamente insistia que era couro de cabra. Eu não sei se fiquei mais aturdida com a possibilidade de alguém de fato acreditar que aquilo pudesse ser couro, e de cabra, ou se com a possibilidade da vendedora crer piamente que seria capaz de me convencer de que aquilo não só era couro, como era proveniente de uma cabra. O meu aturdimento se estampou nos meus olhos como um enorme carimbo por demais carregado de tinta que fosse vazando, vazando, e se espalhando pelo rosto todo, pelo corpo.
Aí eu disse a única coisa que a mente embotada conseguiu engendrar: “ó que pena que é couro de cabra, se fosse de borracha eu comprava. É que não uso nada que tenha crueldade animal”. E saí correndo da loja.
E tive uma crise de riso dez segundos depois.

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Talvez fosse couro de cabra. De uma cabra que mamou em uma seringueira e ficou com o couro supertecnológico hibridizado. Que é que eu sei, não é mesmo?

Eu só sei que nada sei, Doutor Sócrates.
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por Sua Criada, às 00:36 de 23.09.2009
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31.08.2009

batalhas

Bom dia!
Que linda segunda de sol aqui no Southern South!


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Segue um post umbiguista da Belly, na primeira pessoa do singular.
Você foi avisado.


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Num dia da semana passada, peguei um ônibus cujo itinerário estava parcialmente bloqueado, o que forçou o motorista a fazer um desvio. Um dos passageiros teve um megaxilique por conta disso, e começou a dizer impropérios muito ofensivos para o cobrador e o motorista. AOS BERROS. E foi improperiando AOS BERROS que o passageiro xiliquento postou-se ao meu lado no ônibus e permaneceu AOS BERROS. Respirei fundo, tentei me concentrar, mas depois de um minuto e meio de BERROS não consegui me conter e falei com o passageiro, tentando chamá-lo à razão: "olha, não é o cobrador ou o motorista que decidem o itinerário do desvio, é a empresa. não é culpa deles. e o senhor está incomodando todo mundo dentro do ônibus, se acalme". Acho que ele discordou veementemente, porque voltou-se para mim e BERROU "vá tomar no c*!"

Alguma coisa fez 'clic' dentro de mim e, enquando uma vozinha débil lá nas profundezas da mente sussurrava desesperada "nãovánãolevantevoltevoltesentesenta!quieta!muda!calada", o corpo pulou sozinho do banco para cima do passageiro e a boca teve vontade própria e falou com uma voz que não reconheci: "COMO É QUE É? QUEM VAI TOMAR O QUE ONDE?" e aí não sei se pelo meu tamanho ou pela expressão de fúria, mas o passageiro se aquietou e concordou em pedir desculpas, desculpas, desculpas para os demais passageiros, desculpas para o cobrador e o motorista, desculpas para o Menino Jesus da Cartolinha. Mas, quem disse que eu estava satisfeita? Toda uma enorme fome e fúria despertaram e AHAHAHAHAHA, e agora, Sr. Passageiro? Então fiquei ali em cima do passageiro, vociferando coisas hediondas e expelindo perdigotos, enquanto o passageiro, à guisa de escusa, explicava "eu tenho 40 anos! eu estou atrasado!" e os demais observavam, estarrecidos.

A coisa se resolveu sem mortos ou feridos. Ninguém foi para a DP e segui caminho para meu local de trabalho com a adrenalina rugindo nas veias.

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E fiquei pensando em todas as batalhas que – essas sim – preciso lutar contra eu mesma, diariamente, diuturnamente, e que me vejo sem ‘clic’ que consiga me iniciar.
Quando era muito jovem, meu pai me ensinou a um caro custo que nem toda briga é para ser brigada, nem toda batalha é para ser batalhada e, de certa forma, por não saber viver em sociedade, fui me furtando ao conflito direto e encontrando vias transversas de conciliação. Provavelmente foi muito mais produtivo, para mim e para os outros, só que o efeito colateral parece ser que aquela batalha que é para ser batalhada, aquela, aqui dentro, eu não luto. Porque, ossos do ofício, calos da profissão: de tanto conciliar, conciliar, conciliar, acabei conciliando tudo muito demais, principalmente aqui dentro, comigo mesma.

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Get ready, Isabel: the bitch is back.


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por Sua Criada, às 10:45 de 31.08.2009
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26.08.2009

o máximo de segurança é a escravidão*

Por que então os clichês são tão populares? Porque são seguros, é o que disseram gente brilhante como H.L. Mencken e Hannah Arendt. Ao repetir uma ideia velha, o que foi dito e redito por tantos antes de nós, nada sai do nosso controle. Também nada acontece. Uma nova ideia é sempre um risco, não sabemos aonde ela vai nos levar. E, na falta de ousadia, o que nos sobra é medo.


Clicando no link acima, você vai ser deliciosamente teletransportado para a coluna da jornalista Eliane Brum, nesta segunda com Vida de Clichê. A jornalista é também autora dos livros A Vida Que Ninguém Vê, ganhador do Prêmio Jabuti 2007, e O Olho da Rua.


Eliane Brum me surpreendeu. Pela coragem de olhar o cotidiano com afiados olhos críticos, por aceitar o desafio, por pensar além da primeira pessoa do singular. Surpreenda-se você também. E não permita que a eventual extensão do texto - nesse mundo onde tudo se tornou rápido e telegráfico - o afugente: quando você começar, não vai querer parar.



*Roberto Freire: "Risco é sinônimo de liberdade. O máximo de segurança é a escravidão."
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por Sua Criada, às 20:31 de 26.08.2009
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21.08.2009

cara de cool

Andando pela rua escura, fria, chuva. Quase dez da noite. O pedinte, o mesmo da manhã, no mesmo lugar, na mesma posição, "tia, ei tia". Ele, que a chamava de tia, tinha pelo menos dez anos mais do que ela. De onde se conclui que tia não é uma posição alcançada pela idade e sim pelo status quo, e que raio de status quo seria esse, senão o imediatamente superior àquele do suposto sedizentemente sobrinho? "Que cara mais mal-humorada", vaticinou o pedinte, em bom som. E nela a fúria subiu junto com uma gargalhada e ambas embolaram na garganta, onde ficaram entaladas, abraçadas. Sequer os olhos mexeram. Os passos não se alteraram. Mas ficou pensando, desde ali até onde ia pegar o filho para depois passar no supermercado para enfim chegar na sua casa e lavar limpar escovar espanar organizar cozinhar atender empilhar para finalmente poder dormir - e aí quem é que diz que o sono vem, embora isso já seja um outro problema e os problemas precisam ser compartimentados, cada um na sua caixinha, para poderem ser resolvidos, senão fica uma bagunça infernal, mais ou menos como querer assar o boi inteiro. É preciso carnear os problemas, limpá-los e aí então resolvê-los. Vá tentar resolver problemas com excesso de banha e aponevrose. Não tem quem consiga digerir um problema assim. Voltemos: pensando ficou, no veredito do seu juiz outorgado pelas circunstâncias pouco explicáveis do acaso, naquela máscara de impassividade que vinha vestindo desde que descobrira que armaduras e couraças são por demais pesadas e que disfarces são mais leves e muito, muito mais eficazes na selvageria de espelhos da convivência em sociedade. Trazia desde então cuidadosamente aplicada por sobre a face a cara de cool, que movia somente os músculos certos para informar ao respeitável público as emoções adequadas. Sendo que, quando não havia emoção adequada, por intensa divergência sobre o que seria socialmente correto, a cara de cool repousava no seu aspecto default, 'cool': quase tão enigmática quanto a esfinge. Era o próprio botox emocional, aprender a desligar os músculos lisos de forma que as emoções não perpassassem as feições de imediato, sendo cuidadosamente filtradas e selecionadas pelo intervalo do coador do socialmente aceitável. Permitia-se o politicamente incorreto, mas não o socialmente repudiado: não sabia viver em sociedade, não podia correr riscos.

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por Sua Criada, às 11:47 de 21.08.2009
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17.07.2009

mio mao - um post de aniversário



Olá. É a Belly. Especializando-se em posts de aniversário.

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Foi assim: nasci vinte dias antes dele, no mesmo hospital, e passamos a vida nos cruzando. Sempre um de nós meio atrasado, provavelmente olhando para o outro com uma cara de 'eu não quero chegar perto disso daí nem se for pelo meu peso em ouro'. Mas isso tudo vocês já devem saber, porque provavelmente já contei.

O que não contei ainda é que na idade de três anos eu tinha verdadeira fascinação pela animação de massinha de modelar Mio Mao que passava na TV Globinho. Era difícil conseguir assistir TV Globinho, porque passava no final da tarde e durante a tarde toda (final inclusive) eu estava na escolinha maternal Pato Donald (é, era esse o nome da minha escolinha, e era muito bom lá) então era só algumas vezes, quando vínhamos direto para casa, sem passar em mercado, padaria ou qualquer outro lugar, que eu conseguia assistir Mio Mao.

Eram momentos de profundo deleite. Naquela hora, não enxergava mais nada pela frente a não ser Mio Mao. Cada ínfimo detalhe era apreendido pelos meus olhos de criaturinha de três anos: as minúcias do cenário, a maneira como a massinha se enrolava e desenrolava e enroscava o vermelho e o branco quando os gatinhos brincavam. Tanto que, veja você, trinta e um anos se passaram e a lembrança e o afeto não esmoreceram, não amarelaram, mantiveram-se ainda mais intactos e prístinos do que o do Totó pelos filmes em Cinema Paradiso.

É que na verdade sentia que o gato branco era uma gata, e o gato vermelho, um gato, e que eles eram os melhores amigos que os amigos podem ser: eram amigos para a vida toda, amigos talvez para além da vida. E eu cobiçava aquilo. Era aquilo que queria para a minha vida, com certeza, com tanta certeza como decidiria um ano mais tarde (aos quatro) que a vida não é completa sem um filho, e que eu teria um e que ele se chamaria Antonio sem acento. Como dá para perceber, fiz planos muito, mas muito cedo, e acabei sendo muito fiel a eles. Nenhum dos meus planos incluiu tornar-me uma grande cientista/médica/advogada/filósofa/whatever, ou ficar milionária, ou célebre: dizia para meus pais que queria estudar no lugar X ou Y para que eles ficassem orgulhosos e cheios de esperança e, assim, eu pudesse obter mais amor. A verdadeira verdade nua a meu respeito, e eu a senti claramente desde a mais tenra infância, é que minha grande busca é descobrir o que é (e de preferência, obter de montão) o amor, a paixão, a vontade, essa gama de sentimentos que se encaixa no catálogo das ‘ganas’ e que constitui a vida. Pois às vezes a vida abandona os corpos e ainda assim eles continuam sobrevivendo, desprovidos de amor, paixão, vontade, alegria. Been there, felt that e não pretendo voltar por NADA nesse mundo. Quer dizer. Por certas pessoas, eu voltava. Mil vezes.

Mas então, eu vinha vivendo e levando as coisas da minha forma empírica de ser, pensando que ao menos jamais poderia pensar que não tinha tentado, quando cruzei caminho com o menino aquele do berçário. Aquele que chegou atrasado para as minhas circunstâncias – porque nem mesmo trinta e quatro anos atrás as crianças ficavam vinte dias na maternidade, a menos que nascessem com alguma dificuldade, o que não foi meu caso. Tivemos um reconhecimento mútuo inexplicável (embora ele não tenha tido os mesmos insights que eu assistindo Mio Mao em 1978 ), e tão logo quanto possível passamos a nos comportar como a dupla de gatos de massinha. Uma das coisas mais felizes do mundo é ter alguém que entende a nossa língua e rola conosco enrodilhado até perdermos a noção de quem é um e quem é o outro.





Só que nem tudo na vida são flores de massinha de modelar. Os relacionamentos soem ter espinhos. Às vezes, espinhos, perebas, colite, úlcera duodenal, flatulência incontinente e tumores (benignos ou não) de toda sorte. Aí você começa a pensar se aquela relação lhe serve, se é capaz de lidar com as mazelas que dela decorrem. Porque existem coisas que machucam e com as quais somos capazes de lidar, e existem moléstias por demais enraizadas na própria essência da criatura, de sorte que não há como dissociar uma da outra.

O curioso é que depois de termos contemplado dentro dos olhos um do outro toda a vasta extensão de terra arrasada e de termos ficado devidamente empedernidos por um momento ou dois, não resistimos e voltamos a brincar como os gatos de massa de modelar que efetivamente somos. Maleáveis e deliciosamente tolos.

Hoje completam-se 34 anos que ele chegou no berçário do Hospital Moinhos de Vento com exatos vinte dias de atraso. Chegou muito loiro e branco, com olhos mais verdes que a esmeralda que brilham de longe, mas que só quem vê bem de perto enxerga que de fato eles são é azul com amarelo. Passou a primeira infância barbarizando no high society com suas atitudes extremamente autênticas e lúdicas – como não largar o jogo Merlin nem para tirar as fotos de Natal, de modo que não há uma única foto daquele Natal em que apareça a cara dele, somente a parte traseira do jogo Merlin. Comeu toda a padaria do diabo por ser quem era e estar onde estava. Arregaçou as mangas e foi à luta quando percebeu que a mão amiga era mesmo aquela no final do seu próprio braço. Sempre foi amigável, simples e honrado, e com isso trouxe muito mais glória para o nome de sua família do que aqueles que o escreveram nos anais da História. Conhece minha real natureza, sabe como ninguém que eu não sou uma boa pessoa e se recusa a tecer juízos sobre minhas escolhas e sentimentos. Talvez porque pressinta alguma doçura junto ao azedume, e eu vos digo, ele é um apreciador contumaz de balas azedinhas.

Feliz Aniversário, Orodorado.
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 22:22 de 17.07.2009
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05.07.2009

brimo

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Na ordem: verão '10 e inverno '09












Verão, inverno, tanto faz. O sr. Metsavaht sempre encontra pelo menos um jeitinho de me fazer sofrer.






















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por Sua Criada, às 22:48 de 05.07.2009
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26.06.2009

a talk about nothing

Então que travei contato com familiares e ohpuxavida, parenti serpenti, eu não aprendo.

Daí vim aqui para talk about nothing com vocês. Melhor que mimimimimi, não é mesmo? Eu acho.

Dá licença? Obrigada.

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Essa vai ser uma conversa bem mulherzinha. BEEEM mulherzinha.

Cavalheiros, podem pular esse. Não vai ter nada interessante pra vocês.

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A pele do rosto oleosa tem se mostrado feliz com Normaderm. O creme noturno para dormir, o creme com FPS 15 para o dia. Assim, uma *aligria*. E meses e meses se passaram e tubos e tubos de Normaderm se foram.

A curiosidade é um (germe? verme?) à espreita, e ele me mordeu (vermes mordem?) sob a forma do fluido ultra matificante da L'Occitane, pois só eu sei como a minha carinha necessita de uma matificada. E que um monte de óleo besuntando a testa não significa uma pele hidratada, somente uma pele bem besuntada com excesso de oleosidade.

Bem, eu cedi ao apelo da L'Occitane. Nunca provei nada, eu disse NADA ruim da L'Occitane, então por que diabos o fluido matificante deveria de não ser bom? Pois se a L'Occitane faz uma das coisas mais maravilhosas do mundo, que é a Eau de Toillette Verveine (não a Citrus Verveine, NÃO!).
Na primeira aplicação, desdém e cara de pouco caso, 'yep, I should have known better'.
Segunda tentativa - porque tudo e todos merecem uma segunda chance: voilá. Fica bom! O efeito matificante é mais duradouro que o do Normaderm Dia e o rosto fica luminoso. Viçoso. Quase como se fosse uma jovenzinha.
Maaaaas - porque tudo tem um maaaaaaas - com os mesmos dinheiros que você usaria para comprar um L'Occitane, você leva os dois Vichy pra casa. O diurno e noturno.

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Melhor cor de batom minha-boca-é-descolorida, para o meu Pantone, é a cor Tarim, da Natura. Não pergunte de que linha. Como a Natura batiza os produtos com nomes peculiares que não se repetem, a coisa fica relativamente simples: basta procurar o Tarim. Interessante para quando a moglie está numa vibe minimalista - mas não tão minimalista que dispense blush ou lápis.

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Tão bom escrever um monte de futilidade, já me sinto bem melhor.
O que me faz pensar: tem proliferado por aí montes de blog sobre esmalte, maquiagem, cabelo. Será que todas as moças ficam na maior angústia e, nada podendo fazer a respeito da fonte direta de seus dissabores, põem-se a tergiversar sobre essas deliciosas frescuras do universo feminino? Ou será que sou eu que sou muito, mas muito freak, e uso isso como válvula de escape?

Em contrapartida, jamais iria num cabeleireiro para 'relaxar'. Qual é o relaxamento que se tem numa estética, num salão de beleza? Para mim não tem nada de relaxante um monte de gente mexendo em mim, puxando, esticando, apertando, cortando, picotando, esfregando, aplicando e gerundiando a valer. Relaxante é ler um bom livro até quase desmaiar de sono, depois virar pro lado e dormir.

(provoque seu sono até não aguentar mais, depois acabe com ele.... dormindo!)

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Confesso que para alguns procedimentos estéticos, preciso de concentração prévia. Não é a depilação. Para a depilação vou bem contente e faceira. Nem o corte de cabelo. Pois faço esses dois serviços sempre com as mesmas duas profissionais. Elas já me conhecem, já sabem que não há nada que eu ache mais desagradável do que pessoas tentando ser agradáveis. O problema são todos os outros, cujas prestadoras não conheço e que ficam tentando me agradar. E deve ser por isso que não os faço.

Se ao menos elas fizessem bem feito o seu serviço e me ignorassem completamente. Eu virava cliente fidelíssima e indicava pra todo mundo. Tudo o que eu quero é um serviço bem executado e ser completamente ignorada. Como se não existisse.

Porque, sabe o que acontece? Termina que *eu* preciso ficar tentando ser agradável com elas. É que as moças vêm conversar comigo sobre coisas que eu absolutamente desconheço, como todo e qualquer programa de televisão e qualquer coisa relacionada com celebridades. Quando admito minha total ignorância, as moças, penalizadas, tentam me atualizar dos acontecimentos mais recentes, e isso é um martírio. Então, o que faço? Pergunto a elas sobre suas vidas. Porque as pessoas adoram falar sobre si mesmas. Cada um é de si mesmo o assunto preferido, salvo exceções como eu - só que, como você já deve saber, sou freak, estranha, bizarra, misantropa e esquisita. Então, exceções à parte (que não são muitas), você vai acertar na mosca e a pessoa terá um manancial infindável de assuntos para lhe presentear, com a vantagem extra de que você não precisa saber nada previamente, afinal, você não conhecia a pessoa até aquele momento. O resultado disso é que conheço várias vidas de várias pessoas, algumas superficialmente, algumas com detalhes que preferia não conhecer. E tudo isso por quê, minha gente? Porque não assisto novela.

Vá vendo: a vida é a maior novela que há.

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O que eu particularmente sei é que a minha novela pessoal seria peculiarmente ridícula. Em especial a quarta dia 24 de julho de 2009, quando meu maxilar descarrilou e andei por todos os prédios do meu local de trabalho com a boca escancarada. Até chegar no Setor Médico, onde tivemos um momento Grey's Anatomy, com o médico me convencendo a fechar a boca(!) porque senão ele teria que fechar a minha boca no tranco e isso seria MUITO PIOR.

Eu confiei nele e chorando de dor, fechei a minha própria boca. Olha só que simbólico.

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Pai, afasta de mim esse cale-se.
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 00:48 de 26.06.2009
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23.06.2009

postsecret

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Este não é, em absoluto, um desejo altruísta;
é um desejo bastante egoísta.









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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 10:48 de 23.06.2009
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21.06.2009

verdades nuas das noites de domingo, a série que não é

desta alma pequenina
a verdade comezinha
que me habita de menina
é que não sei gozar sozinha

é preciso, do outro, o gozo
o júbilo, o gosto, o regozijo

para na composse um do outro
numa brincadeira de troca infinita
ele despoje-se de si nos meus braços
e faça de mim mulher bonita


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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 23:50 de 21.06.2009
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17.06.2009

verdades nuas das noites de domingo, special editon de novo novamente






Gostaria de pensar que sou virtuosa e boa menina, mas no fundo no fundo no fundo no fundo gosto mesmo é de vadiagem. De ficar zanzando por aí e aproveitando a vida em horário comercial enquanto todo mundo trabalha desesperado como se não houvesse amanhã. Temos tão pouco tempo, e o tempo passa tão rápido e os sentimentos às vezes se volatilizam no ar e a gente fica pensando se aquilo realmente aconteceu ou se foi tudo imaginação.




Tenho uma fome de vida parecida com asma: quanto mais vida tenho, mais vida quero, porque aí mesmo é que parece que vida nenhuma estou vivendo. Se devidas cautelas não forem tomadas, ainda me encontram sufocada por excesso de vida.




É por essas tento me manter abaixo do limite de captura do radar. Low-profiling, uma sombra de mim mesma. Porque, se for dar vazão à fome, vai ser um salve-se-quem-puder. E muito poucos poderão, a começar por essa que vos escreve.



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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 12:39 de 17.06.2009
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