Taí, muito bem dito. @cafein disse no twitter que não finge felicidade. Eu também não. Não finjo, não simulo, não emulo, não faço de conta, não atuo, não forjo, não fraudo, não minto. Não sou uma pessoa de arroubos de felicidade histriônica, não sou arroz de festa, não tô em todas, não gargalho alto, não topo tudo, não tô sempre a fim, não to aí para o que der e vier, u-hu. Até porque eu canso, encho o saco, me irrito, desgosto das coisas e das pessoas, perco a paciência. Não, não acho tudo espetacular, lindo, maravilhoso, fantástico, único, especial, incrível, oh, que emoção e não faço a mínima questão de demonstrar o contrário, muito pelo contrário. Desculpem-me os sensíveis e carentes, minha fidelidade e meu respeito são, sobretudo, a mim mesma. Além do mais, felicidade para mim tem a ver muito mais com estar confortável e ter paz de espírito. Às vezes, pode até ser num lugar barulhento onde todos estejam falando bem alto e festejando, mas confesso que esta é a exceção das exceções . No geral minha felicidade é quieta e pacífica, mansa e calma, uma satisfação interna que é muito mais um calorzinho na barriga do que um saltitar alucinado, muito mais um aconchego bom da vida e uma satisfação pura por estar ali naquele momento do que um festejar contínuo de suas maravilhas. Podem me chamar de bola murcha, sem graça, blasé, eu realmente não me importo. Não tenho dúvida que eu não preferiria ser a entusiasmadinha ou a felizinha da Atma.
Melhor descoberta do programa Diga não ao Barrigão foi o circuito intensivo de pilates (CIP). Alterna esteira, bike, jump e transport com exercícios bem puxados de pilates de solo. Umas 400 calorias em 45 min... nada mal. E hoje, depois do CIP, farei uma aulinha normal de Pilates, ou seja, desejem-me sorte.
Mais uma receita maravilhosa e simples do livro da Diane Seed, Os 100 melhores molhos para massa. Essa receita é ótima porque é daquelas que a gente faz quando acha (só acha) que não tem nada em casa que possa resultar num molho decente. Mas se você é prevenido suficiente para ter cebola e creme de leite (e massa, claro, né, benhê), seus problemas acabaram!
Já vou ajeitar os passinhos para você otimizar o tempo de preparo (momento Jamie Oliver 20 minute 30 minute meals):
1. Panelão no fogo, com bastante água (para cozinhar a massa).
2. Canecão no fogo com 1/2l de água e um caldo de galinha (se você tiver o seu próprio caldo congeladinho, vai aqui minha reverência).
3. Pique três cebolas médias enquanto vai derretendo meio tablete de manteiga numa panelinha.
4. Coloque as cebolas na manteiga e deixe amolecer (não doure).
5. Coloque três conchas de caldo de galinha (que já deve estar fervendo) e abaixe o fogo. Tampe e cozinhe em fogo brando por 20-25 minutos. Aqueça a travessa em que será servida a massa (eu encho de água e coloco no microondas).
6. Amasse bem as cebolas com um garfo ou passe por uma peneira. Eu uso o mixer que faz menos sujeira. Neste caso, separe 1/3 das cebolas e triture o resto, para que fiquem pedacinhos no molho.
7. Coloque a massa para cozinhar no panelão com água fervendo + sal.
8. Junte 1/2 caixinha de creme de leite às cebolas, pimenta do reino, sal e noz moscada.
9. Escorra a massa, passe para a travessa aquecida e junte o creme. Espalhe parmesão ralado. Pronto.
Serve muito bem 2 pessoas.
Ingredientes:
3 cebolas médias
100g manteiga
100ml de creme de leite
200g de massa seca
1 cubo de caldo de galinha
sal, pimenta, noz moscada
Então eu fui hoje visitar os domínios gaúchos de La Reina Madre e, súditos, acreditem, tanta coisa linda, modeuso. Saí de lá lindérrima com casaco preto e branco, bolsão prata looosho e carteira de vinil holográfico bapho total. Amanhã tem mais (a partir das 10h) e djo voy encarnar la empacotadera real. Borá lá? Convitinho tá ali embaixo.
***
Adivinhem do que eu já vou começar a reclamar? Sim. O verão terminou. Tô achando um saco e já tô espirrenta e entupida. ÓDIO. Eu já deveria saber disso: passei frio, passei mal. Simples assim.
***
Eu e Paulinha fomos visitar o Jardim Botânico (amtes do dilúvio). Contei pro namorido que íamos fazer um piquenique e lá fomos as duas. Piqueniquezamos e tals, com direito a sanduichinhos do Talho, coquinha, cangas estendidas na grama, tudo. Na volta contei que uns funcionários passaram, apontaram e riram. Só aí ele contou que piquenique é proibido. Que vergonha, meu deus. (Mas que tava bão, tava).
***
Tem coisas que despertam meus mais baixos instintos, aqueles de Bob Jefferson. Mulherzinha se fazendo de sonsa e se atirando para namorado alheio de conhecida é um deles. Já começa logo a tocar a trilha de psicose na minha cabeuça.
***
Tô com vontade doida de baixar os guarda-roupas (sim, você ouviu bem, amiga irmã caminhoneira, plural) para promover a minha sessão pré-mudança de total desapego aos bens materiais. Projeto Ticcia Essential Glamours está por começar. Consigo vislumbrar a carinha de satisfação de Paula Antoniete.
***
Eu lamento por você, irmã desastistida, que não tem um Alex na sua vida. Eu tô aqui ouvindo RedHot+Rio, que ganhei de aniversário. Mais um motivo no mundo para eu não trocar meus 37 anos pelos meus 17.
***
Se es…lo que se es
Lo que siempre se ha sido
Se siente…lo que se siente
En el centro del centro silente
Tenga o no tenga evidente sentido
Y rara vez se es… tal y como se quiere
Se llora lo que se llora
Uno no elige de quien se enamora
Ni elige que cosas a uno lo hieren
Y en lo mas sutil de los cuerpos sutiles
Lejos de la noria de causas y efectos
Se tiene el corazon que se trae por defecto
Asi como Aquiles por su talon es Aquiles
La sed…aquella sed
La que el agua no cura
La cruz de un presentimiento
Que nos suelta hacia los cuatro vientos
Con el mandamiento de buscar a oscuras
Aquiles por su talón es Aquiles, Jorge Drexler, Amar La Trama, 2010.
Bom, filhos, tenho a dizer que, apesar da minha resistência e de ser totalmente contra tudo aquilo que eu acredito, me filiei a uma nova religião, recentemente fundada pelo Carlos Dória, o Sudbrackismo. Não há como não sair do RS convertido. Do pãozinho com manteiga, bombinhas de queijo, terrinezinha (e ainda nem tínhamos começado a brincadeira) até o café coado do Paulinho - o café coado baiano perfeito, com direito a sorriso, mimosice e carinho.
O Roberta Sudbrack é um templo, onde se fala baixo, mas pode-se gargalhar, onde a decoração não é besta, onde os talheres parecem ser aqueles que você cobiça na casa da sua avó e a trilha sonora é a coisa mais deliciosa e eclética que eu já ouvi. Tudo é bom gosto.
E a comida? A comida é mágica, irmãos e irmãs, em verdade vos digo. O aspargo em gema crocante é indecifrável, uma gema dentro de uma trouxinha crocante (suspeito que ela use uma varinha mágica em vez de panela ou frigideira) que se espalha sobre aspargos picadinhos assim que você faz croc com o garfo. Ai. Depois vieram as tartines de sardinha marinada (que eu havia acompanhado a limpeza pelo twitter @RobertaSudbrack) e só posso agradecer a dedicação cirúrgica dos cozinheiros. Estavam fantásticas, aquele gosto nórdico, perfeito. Depois Atum confit em panzanella, o atum quase cru sobre tomates em fitinha, um azeite fenomenal, levemente picante. Quase morri.
E aí a coisa ficou (mais) séria ainda... lagostim em lâminas de chuchu e leite de amendoim. Quase chorei. Roberta é dos poucos chefs que compartilham comigo a paixão pelo chuchu. E olha, paixão mesmo. Que cheiro, pelamordedeus, que gosto, que consistência dos lagostins. E então o raviloli de abóbora assada e parmigiano. A delicadeza encarnada massa, com crocantinhos, com sabor de... satisfação. Para encerrar... momento Babette: codorna com escarola defumada. E eu estava convertida.
Os Destemperados estavam lá e não me deixam mentir!! Aguardem que nos próximos dias eles devem contar o que acharam...
Do queijo da serra da canastra com a melhor broa do mundo (morninha) e do sorbet de carambola eu nem vou nem falar, porque o post tá enorme e eu ainda tenho que falar dele, aquele com quem eu despertei na memória hoje: bomboloni de leite maltado. Indescritível... o gosto... o creminho... ai, acho que é a melhor sobremesa que eu já comi. E para meu desespero o namorido tá de aniversário e Dona Roberta, depois de receber toda a nossa babação e testemunhar a nossa total reverência, nos manda um tartelette de chocolate belga derretendo... bom, pensei em me acorrentar na porta e não ir embora nunca mais. Vocês aceitam noviças? Posso me internar aqui em regime de clausura?
O namorido fez melhor: reservou dois lugares para o almoço de hoje! A minha sexta-feira vai ser santa e vai ser de paixão, não tenho dúvidas.
Certos fatos são como os círculos concêntricos que se formam quando a proverbial pedra cai no proverbial lago. Têm um significado imediato e têm as conotações que se alastram, com significados cada vez maiores. Essa questão dos padres pedófilos, por exemplo. No seu centro há o drama individual de um homem e sua compulsão doentia, e das suas vítimas. O significado seguinte é o da condição anti-natural do homem, obrigado ao celibato ou condenado à hipocrisia, que se vale da presunção de inocência que o voto de castidade lhe dá para praticar seu vício. Outro significado maior é o do poder que a religião tem sobre seus fiéis, para o bem ou para o mal, expressa na imagem do pastor guiando seu rebanho, mas sem nenhuma garantia do caráter do pastor. E se você quiser continuar seguindo estes círculos sucessivos de implicações fatalmente chegará à neurose sobre o sexo que está na base de toda ideia de clausura e renúncia às tentações da carne, e - o circulo seguinte - na base da nossa civilização. A demonização do sexo e a misoginia são constantes da cultura judaico-cristã e o islamismo não fica atrás, com suas regras de abstinência e sua sonegação à vista pública de qualquer parte do corpo feminino.O celibato protege o padre do contágio do mal pelo contato com a mulher, descendente de Eva, a primeira desencaminhadora. Os padres pedófilos, com sua preferência por meninos, poderiam muito bem alegar que sucumbiram a demônios menores.
O último dos círculos irradiados tem a ver com a Igreja e seus costumes, como a demora em reconhecer seus erros. Entre o acobertamento e a omissão, a hierarquia da Igreja tem muito a ver com os crimes praticados por seus sacerdotes, que destruíram a vida de tanta gente. Mas nada disto afetará sua majestade. Ela sobreviveu à Inquisição, à perseguição aos judeus, à resistência obscurantista a todas as revelações da Ciência e à cumplicidade com tiranos, e pediu desculpas. Ainda hoje dita o comportamento sexual de milhões de pessoas, apesar da sua posição retrograda na questão dos anti-concepcionais, mas um dia pedira desculpas por isto também. E pela sua responsabilidade nas vidas destruídas. O que é eterno não precisa ter pressa.
Um Chico Buarque coçando o dedão e um Edu Lobo estalando de novo e de lindo, porque bailarinas não precisam se preocupar com nada, dá tudo sempre certo e elas seguem cada vez mais e mais lindas.
E ela esperou e esperou e esperou que a chuva cessasse, que o dia amanhecesse, que o sol abrisse. No peito a paz e a guerra, o medo e o vão, o pulo e o chão, o ar e o aço, esta contradição de felicidade aterrorizada que têm sempre todos os seus começos. A noite lhe trouxe de volta o abraço dos irmãos em sonho, um avô que acenava de longe de partida para a pescaria, a voz do pai, o cheiro da casa da avó, a mãe dividindo com ela uma omelete de batata frita. E mesmo em sonho ela soube, bem lá no fundo de si, antes de qualquer coisa, antes da primeira claridade do dia, que a vida recomeçava mansa e ainda débil, recém parida. E veio a manhã, tímida e cinza, úmida e com cheiro de plantas, cheia de pássaros e sons de dia. A chuva parou e o sol irrompeu quente e grandioso e tomou a vida nova nos braços. Ela abriu os olhos e fitou a paisagem por muito tempo. Queria ter certeza de lembrar desse momento para sempre.