25.11.2009

dia internacional pelo fim da violência contra as mulheres

Oi! É a Belly!

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Ando terrivelmente, incrivelmente, bizarramente ocupada.
Mas vi no blog da Cynthia Semíramis que hoje é o Dia Internacional pelo Fim da Violência contra as Mulheres e vim aqui bater (ÔPA!) na minha mesma tecla de sempre.

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Bizarramente ocupada, vou ser ainda mais curta e grossa do que de costume.
Então, sejam gentis como de hábito: relevem.


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Tenho uma desconfiança e agora vou apostar fundo nela: eu acho que há uma parte da violência contra as mulheres que decorre das próprias mulheres. Decorre da rivalidade histórica atávica e não-declarada entre as mulheres que, como não eram líderes dos seus clãs, e sim subordinadas aos homens, precisavam galgar postos de formas subrreptícias, mediante a preferência de quem efetivamente liderava. Decorre do fato de que o erotismo e a libido femininas estão em grande parte em perceber-se desejada muito mais do que em perseguir o objeto do seu desejo, e isso, no contexto do mundo ocidental moderno e contemporâneo, guarda relação direta com a capacidade de estimular visualmente o parceiro (ou a parceira) mediante apresentação de parâmetros físicos pessoais aproximados ao padrão vigente.

Ser mulher nunca foi fácil, em época alguma. Arrisco dizer, porém, que agora é um pouco mais difícil. Não só temos que fazer tudo, dar conta de tudo, e tudo muito bem, como ainda conviver diariamente com a competição acirrada entre nós mesmas. Pois, seja sincera comigo: vai me dizer que o relacionamento com a sua mãe, com a sua filha, é fácil? Pode ser bom, pode ser gratificante, mas fácil não é. Vai tentar me convencer que fica se sentindo contente e satisfeita porque mulheres mais velhas como Demi Moore e Madonna chegaram a uma certa idade depois de mais de um filho, em grande forma, com muito dinheiro e namorando caras mais jovens, lindos e loucos por elas? Claro que não! É evidente que não! A gente não fica feliz, a gente se sente é terrivelmente cobrada e fica pensando que se não tem aquela cara e aquele corpo aos trinta, muito menos terá aos cinquenta.

E as meninas mais jovens? Ah. É um caso à parte. As meninas mais jovens, essas não podem nada. Elas não podem experimentar. Elas não podem errar. Especialmente nesses tempos de internet e de zero privacidade, em que tudo o que se faz tem alguém fotografando e vai logo parar em alguma página pessoal. Se estiver de shorts e botas antes dos vinte anos, é bisca. Se estiver usando um vestido que não favoreceu no evento, é brega. Se o namorado foi fotografado com outra, é mal-amada. Se confessar uma ignorância, é burra. Se errar a ortografia, é analfabeta. Chovem críticas de todos os lados, a mulherada toda tem um minutinho para largar o seu trabalho e ir correndo para a internet tocar pedra na Geni.

Você, que está lendo aqui, com certeza está pensando, não, não é de mim que ela está falando. Não é mesmo. Estou falando não daqui especificamente, mas do que vejo por aí. Estatisticamente, o número de mulheres apedrejando outras mulheres, pela internet afora e mesmo em aparentes relações de amizade na vida real, é de cair o queixo. A constatação a que chego é que, se é tão fácil agredir o seu igual, é porque é realmente muito fácil você agredir a si mesma. E eu fico pensando em todas as milhares de milhões de agressões que essas mulheres, e nessas me incluo, e incluo você também, fazemos a nós mesmas na frente do espelho todos os dias, ao vermos nossas caras, nossos corpos, nossos cabelos. Fazemos a nós mesmas ao ver os resultados dos nossos esforços depois de termos feito até mais do que era possível e ainda assim não nos darmos por satisfeitas e achar que dava para fazer mais e melhor. Fazemos a nós mesmas ao não aceitarmos os cumprimentos por um serviço bem executado, pois, afinal, nos ensinaram que ser modesto é tão bonito. Fazemos a nós mesmas quando não aceitamos quem somos e insistimos em deixar que terceiros, que ao fim e ao cabo só querem vender produtos e encher seus bolsos e contar seu vil metal, venham nos dizer quem é que devemos querer ser.

A não-violência contra a mulher é uma luta longa. E nós não vencemos ainda nem a primeira batalha, que é contra nós mesmas.
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 20:19 de 25.11.2009
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Não Discuto


Não é incrível? Quase um ano depois, tem coisa nova no Não Discuto.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 10:08 de 25.11.2009
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