30.10.2009
a misoginia nossa de cada dia nos dai hoje
Oi, é a Belly e seus assuntos nefastos, espinhosos e indigestos de sempre.
Tá indo para um bom final de semana, um lindo feriadão?
Não leia. Simples assim.
Ando alienada do mundo e fiquei sabendo do episódio Uniban agora. Tem um texto fenomenal da Marjorie Rodrigues,
aqui, e o vídeo com comentários mais pop você vê
aqui.
Esse é o tipo da coisa que tira toda a fé na humanidade. Passa o tempo, passa a água por baixo da ponte e os fósseis viram petróleo nas camadas do pré-sal, mas o ser humano do sexo feminino, independentemente de conquistas econômico-sociais, continua sendo primordialmente vista e sentida como alguma coisa entre objeto integrante do acervo patrimonial e semovente burro de carga. Sim, a legislação veio reconhecendo o ser feminino como sujeito de direitos, a começar pela Constituição Varguista que permitiu a participação no escrutínio, seguida quase trinta anos depois do Estatuto da Mulher Casada (porque, veja bem, nos anos 60 a mulher só é alguém se tiver conseguido agarrar um marido). Objetivamente nós temos direito à liberdade, igualdade, fraternidade, viva viva ó Constituição Federal de 1988, inciso I do art. 5o. e art. 226. E curiosamente percebidas como ser vivo de segunda categoria no aspecto subjetivo do imaginário sociológico, do inconsciente coletivo.
Confesso que entendo um pouco o fascínio e terror que o feminino provoca. O mundo feminino sempre foi
haram, fechado e proibido, como a própria conformação das partes femininas: guardadas, secretas. Durante os anos da minha formação, tive muito mais contato com homens do que com mulheres, pelo que o mundo feminino em muitos aspectos permanece um mistério para mim (também): todas as múltiplas nuances de voz, a cuidadosa colocação das palavras, os olhares, as atitudes. Uma mulher se comunica com cada ínfimo pedaço de seu ser, e em várias camadas de consciência. Essa superabundância de sinais me confunde e admito, eu não sei me comunicar com tamanha riqueza de atributos. Pelo que não sou sutil, e as sutilezas e, por conseguinte, gentilezas, da vida em sociedade me escapam. MAS, eu disse, MAS, a minha incapacidade não me fez desdenhar a complexa comunicação feminina ou desejar menos o mundo feminino: sou tão humilde na minha ignorância quanto sincera nos meus propósitos e assim penso que se houver real (boa) vontade de todos os envolvidos, a comunicação será possível.
Todo esse repúdio ao feminino para mim só encontra explicação no medo. Foi necessário permitir que o feminino saísse às ruas e visse a luz do sol, e agora, um pouco menos franzino depois do ar puro, seu vigor assombra e assusta e, apavorados, queremos todos trancá-lo de volta no porão de onde quiçá jamais devesse ter saído.
Pois que outra é possível no fato de uma mulher jovem, vestida com uma roupa que evidenciava atributos e chamava a atenção, receber tamanho repúdio? A turba ensandecida uivando seu ódio, eles pela impossibilidade de consumar o desejo sexual despertado, elas pelo fato de não serem o objeto do desejo. Pois não tenham dúvidas, a misoginia impera ESPECIALMENTE entre as próprias mulheres. Não são as próprias mulheres que escaneiam o corpo da outra de cima a baixo, atrás de traços de pseudodefeitos que a façam sentir mais confortável consigo mesma, numa atitude extremamente competitiva? As mulheres, meus caros, são as primeiras a afirmar que não gostam de trabalhar chefiadas por outras mulheres, e nisso até há alguma razoabilidade, por uma série de motivos, que vão desde a angústia da mulher-chefe em ‘mostrar serviço’ até a necessidade de se impor enquanto chefia perante terceiros, passando pelo receio de tornar suas relações com os subordinados – especialmente subordinadAs – excessivamente pessoais. Quando uma mulher atraente ingressa no recinto, automaticamente a maioria das outras mulheres acompanhadas passa a estudar o parceiro, para verificar se ele não vai manifestar interesse – e ai dele se manifestar, pois ele só pode ter olhos para a parceira (pobre sujeito). E se houver interesse, ah. Então a mulher atraente é uma p*ta.
Não é à toa que “o” (artigo masculino) arcanjo Gabriel pisa na cabeça “da” (artigo feminino) serpente.
A misoginia nossa de cada dia nos dai hoje, e livrai-nos de todo mal. Amém.
28.10.2009
Salpicão fake
Minha nova invenção, inspirada numa salada do Gula-Gula no Rio, que alimenta bem e é pouco calórica (apesar da batata palha)!
100g de peito de frango cozido desfiado (100 cal)
1 xícara de cenoura crua ralada
5 folhas de alface americana cortada em tirinhas
2 col sopa de passas de uva
2 palmitos
1 col sopa de iogurte natural desnatado
1 col sopa de maionese light (30 cal)
sal, pimenta do reino
20g (meia xícara) de batata palha extra fina (tem uma premium da Yoki) (100 cal)
Misturar todos os ingredientes, menos a batata palha. Colocar em um prato, fazendo um montinho arredondado e depois espalhar a batata por cima. Temos só 300 calorias e um buchinho cheio e felizzzzzzz.
Meu note na UTI
Seguinte, fofoilos. Meu note está com sintomas de envelhecimento atroz, o visor escureceu-se e os moços da assistência técnica tão vendo SE há peças e SE houver peças, se o $ é viável. Modos que esta que vos fala está com seríssimas dificuldades de manter esse cafofo um pouco menos abandonado.
Mas vam' que vam'.
*** (Neste exato momento tô aproveitando uma cochilada do firewall daqui do trabalho que não se sabe bem porquê, desbloqueou o acesso ao MMe.) (Shhhhhhh, falem baixo e não contem pra ninguém).
26.10.2009
Direto do Ridjanêro
Tempinho esquesitiol nesta segunda feira, com direito a sinfonia obrística no andar de baixo, maaaas nem isso é capaz de abalar meu humor tepeêmico depois do final de semana gostosíssimo.
Por partes.
Primeiro teve
minhas duas netas gatas. Sim. Sim. Simmmmm. Tenho netas gatas de dois meses que, como se não bastasse serem de uma fofice tal como só gatos bebês são, elas ainda são mini-Hildas, exatamente do mesmo rajado, tudo, tudo igual, como se fossem filhinhas. DUAS: Zelda e Zilá, uns mimos. Terríveis, fofas, amadas, queridas, amorosas, dormiram na minha barriga fazendo ronron, brincaram com as duas dúzias de brinquedinhos que a avó sem noção trouxe e mais ainda consigo mesmas e uma com o rabo da outra.
E já estão doutrinando o avô dela em benefício da irmã mais velha. Já atacaram as franjas das mantas do sofá, escalaram intrepidamente as poltronas de palhinha favoritas, mastigaram plantas, afiaram garrinhas nos tapetes, espancaram violentamente almofadas e... tarammmm... tomaram conta da poltrona de leitura dele
("mas eu não me importo, não, depois eu sento e elas vem pro meu colo..."). Ou seja, missão cumprida com louvor 5 estrelinhas medalha de honra ao mérito golden super special felino.
(Aqui as fotcheeenhas)
Depois teve
Carlota, claro, ou vocês acharam que eu não iria me dar nem um recreiozinho essa semana nó porque eu consumi um múltiplo de milhar de calorias em São Paulo na semana passada? Rá. Perderam, playboys. Almocei salada, oras. Bora pro Carlota. E eis que Dona Carla Pernambuco não decepciona as pessoas. Eu queria muito experimentar o Mix Pernambuco de petiscos brasileiros, mas o garçon avisou que era imenso e com frituras... errr, bom, aí fiquei nos rolinhos tradicionais que jamais me fazem infeliz. Provei depois o gnochi de batata (
com manteiga- abafa ) e camarões GRELHADOS (olha que saudável). Mas a loucura total foi a sobremesa: uma mil folhas de chocolate com morangos de fazer ta TPM fugir aparvalhada. E, pronto, descobri que no Carlota tem grapa gelada para tomar junto com o café. Foi o que bastou para que eu pudesse ser convencida de que em vez de voltar me arrastando para casa eu deveria ir... dançar... na...
ESTUDANTINA! E lá fui eu. O que eu posso dizer? Se você ainda não foi, vá. Dançam todos, amigavelmente, moços e moças com os dotes artístico-dançantes de um Carlinhos de Jesus ao lado de gente não tão bem desempenada como eu, simples mortal, que mal e mal me remexo um cadim e é delicioso. Vá, mesmo que você só vá sentar e assistir, porque é mesmo um show. O lugar, as pessoas, o clima, tudo. Um bom humor, um clima delicioso de um tempo que a gente acha que não existe mais, uma maravilha. Recomendo muitíssimo.
E ontem teve exposição do
Chagall no Museu Nacional de Belas Artes, uhuuu. Sim, é verdade que não vieram ao Rio 17 telas que foram a BH, mas ainda assim vale. E vale muito o documentário sobre a vida daquele homem, meu deus, que prova em carne e osso que houve alguém no mundo que achava que o amor é o que vale a pena.
"Se você tem uma mulher que você ama, isso é tudo." E eu saí com os olhos rasos d'água, porque o que mais explicaria um ser daqueles, frágil, artista, judeu, ter atravessado um século tão horrendo, a revolução russa, duas guerras mundiais, ter sido desterrado tantas vezes e ter vivido tanto e por tanto tempo (ele faleceu aos 97 anos), tão intensamente, que não uma capacidade inabalável de amar, amar ainda quando só restasse amor dentro de si mesmo, amar ainda quando tudo ao redor fosse morte, destruição e loucura? Cada pincelada, cada traço, cada cor vale ser observado atentamente. Há um milagre ali.
22.10.2009
Alô, alô Bento Gonçalves!
Pessoas amadas do meu coração, favor enviar sugestões das melhores vinícolas, queijarias, etc. para visitar no Vale dos Vinhedos e de restaurantes muito ótimos na região. A família obesa e alcoólatra agradece.
21.10.2009
Ainda Sampa
Fui a três exposições: Virada Russa, Matisse e Cartier Bresson. Todas valem a pena.
Na
Virada Russa tem o meu primeiro Chagall ao vivo, logo
La Promenade que eu amo tanto e que me emociona tanto e que lá, grandão, tem outro sentido, outros detalhes, outro tudo. Além de Chagall tem outros artistas belíssimos e doidões e um documentário muito emocionante que dá uma leve idéia do horror que foi a revolução de 1917 para quem, enfim, não era um defensor dela.
Matisse tem muito, muito material, é uma delícia. Desde desenhos até grandes telas com direito a esculturas, colagens, etc. e ainda o trabalho de artistas franceses influenciados por ele. E fotos. Um banho de cor e singeleza genial.
Cartier Bresson: nem precisaria falar. É «o» cara, maravilhoso e tem documentário também, maravilhoso. Vá muito.
19.10.2009
NoTíccias do front
Não, povo, não morri. Desapareci porque a semana foi suuuper agitada e terminou em Sampa, onde consumi calorias suficientes para alimentar um pequeno país africano por três meses. Agora é fazer exercícios TODOS os dias, claro, e limitar-me à fotossíntese como meio de nutrição.
Mas para os felizes moradores da megalópole latino americana, ficam as dicas:
Ruella. Enfie o pé na jaca e peça o drink que leva o nome do bistrô (se a encalacração for séria, eles vendem litro e meio - sério) e o pout-pourri da Dahoui. Feito isso, viage no cardápio. A dica é que o melhor prato da casa é o risoto de bacalhau (que eu não pedi e fiquei de olho comprido para as mesas ao redor). Fui de Confit de pato, que é muito mais difícil de achar aqui nessa terra esquecida por deus e, claro, chafurdei nas sobremesas.
Também provamos o
Maní,
maravilhosamente acompanhados. As caipirinhas são um acinte, a comida é toda delicadeza (me vinguei e pedi bacalhau) e gostosura e para quem está totalmente para o pecado, tem degustação de brigadeiro. Ambiente lindo, lindo, lindo, fiquei encantada.
09.10.2009
Há mais de 8 anos
Hoje lembrei que o fim de semana começava oficialmente para mim e para o então marido com a musiquinha das imagens da semana no Bom Dia Brasil, com café e suco de laranja.
08.10.2009
Pequeno dicionário idiossincrático da memória, 34 e 35
Maggie Taylor
Ignorância, s.f., é uma menina sorridente e cega que acha que enxerga tudo dançando anestesiada em um salão repleto de armadihas em garra.
Maggie Taylor
Consciência, s.f., é uma velha sofrida e cheia de dores que tem por olhos imensas lupas caminhando lentamente e com muita atenção por uma estrada que ela tem certeza de que não sabe onde vai dar.
07.10.2009
SOS MMe elegante
Alguma indicação de costureira competente em Porto Alegre?
Lasanha de beringela super light
Tá, não é exatamente uma lasanha, mas quebra o galho. Continuando o meu caso de amor com este lindo vegetal, fiz o seguinte: primeiro, fiz um molho de tomate super leve, refogando em duas colheres de sopa de azeite de oliva, uma cebola bem picadinha e três dentes de alho. Junto três latas de tomate pelado esmagado com garfo, tempero com manjericão, pimenta do reino, sal e um galhinho de manjerona. Depois fatiei três beringelas grandes e firmes ao comprido, o mais fininho possível. Monto uma camada de beringela, uma de molho, uma de beringela, uma de molho, uma de muzzarela light, mais uma de beringela, uma de molho, uma de muzzarela light, etc., finalizando com molho e parmesão light por cima. Pode-se substituir a muzzarela light por ricota, ou suprimi-la, para ficar ainda menos calórico.
Uma das variações é acrescentar carne moída ao refogado do molho de tomate e transformar em molho à bolonhesa, o que garante um upgrade da lasanha de acompanhamento para prato principal.
Ingredientes:
3 beringelas grandes
3 latas de tomate pelado
1 cebola média
3 dentes de alho
majericão, pimenta do reino, sal, manjerona
200g muzzarela light
50g de parmesão light
300g de carne moída (opcional)
SOS Mme sem-vergonha
Alguém indica uma boa creperia em Porto Alegre?
Depois que Pipa fechou O Francês, na Tobias da Silva, eu tô órfã.
Lá não tem olimpíada
Lá não tem moças douradas expostas, andam nus pelas quebradas teus exus, não tem turistas, não sai foto nas revistas. Lá tem Jesus e está de costas.
Pois é. Vamos ver se sobra uma grana para essa parte do Rio também.
06.10.2009
Certificada pelo Inmetro, my ass
Felizinha da Silva, soy djo: o fato é que a despeito do que a doida maníaca mentirosa desregulada safada da minha balança disse, eu fui ao consultório de Ana Harb, a nutricionista das estrelas, e ela confirmou o que o espelho e as calças jeans insistiam em afirmar: estou 2 quilos mais magra em 21 dias de dieta e muitos exercícios, com menos 2% de gordura corporal, medidas menores, dobras (argh) de gordura idem. E assim saltita a humanidade.
05.10.2009
Viver sem tempos mortos
Eu poderia dizer que são 60 minutos de monólogo em que Fernanda Montenegro interpreta trechos da biografia de Simone de Beauvoir e de cartas suas a Sartre. Poderia dizer é uma hora do mais puro, nobre e lapidado teatro, na atuação de um monstro inigualável, um exercício incrível de interpretação que faz do mínimo (olhar, voz, gestos contidos) o máximo de arrebatamento e emoção. Mas digo que na verdade é a garantia de dias e dias de desacomodação, enlevo, epifania e vida pulsante, livre, cheia de dúvidas e incertezas, questionamentos, cheia de tempos vivos.
Quem puder, não perca.
Viver sem tempos Mortos, com Fernanda Montenegro, no Fashion Mall.
02.10.2009
absolute beginners
Ontem à noite voltei no tempo quinze anos sem por um minuto deixar de estar aqui. No novo endereço, ambiente maior e quase do lado do anterior, a mesma comida no mesmo lugar. Os mesmos olhos. Os mesmos cheiros. Marcas do tempo nos rostos, marcas em cada pequena expressão, que perdeu a inocência naïf ganhando profundidade e dimensão.
Um monte de dor, um monte de aprendizado; várias realizações, várias histórias para contar: sempre igual, sempre diferente.
Permeando tudo isso, aquilo que me faz ficar acordada com grandes olhos brilhantes durante a noite, aquilo que te faz permanecer em movimento inercial incessante: a incapacidade de desistirmos de nós mesmos.
After all, we still absolute beginners.
As long as you still smiling /
It's all I really need
Forza, Italia!
Contardo Calligaris, o cara
«...contrariamente ao que gostaríamos de acreditar, o amor entre pais e filhos não é incondicional, mas é parecido com os outros amores de nossa vida, tem razões para surgir, para acabar ou mesmo para se tornar ódio.» Aqui, a íntegra. Para pensar, bastante.
«A necessidade narcisista de sermos amados nos torna covardes e nos leva a assentir». Mais uma,
aqui, já que este senhor parece ter estado sentado atrás do meu divã hoje.
01.10.2009