29.05.2009

Portoalegrenses privilegiados

Você sempre sonhou que um anjo descesse do céu e transformasse o seu cafofo em um palácio organizado e limpinho em um toque de mágica milagrosa? Sonhou chegar em casa e estar tudo arrumadinho, cheiroso, impecável? Seu problemas acabaram. Super Tati e suas Tati-angels estão aí pra isso. A Tati agora tem assistentes! Elas vão à sua casinha, atacam a sujeira, o mofo, as cracas e, em pouquíssimo tempo, tudo está brilhando, maravilhoso, organizado, muito mais rapidamente do que um serviço de faxina comum e com certificado de garantia e confiança Tati, que vai sempre junto, coordena e fiscaliza e mete a mão na massa nas coisas mais delicadas. E você não paga mais por isso.

Interessada? Juro que é o melhor investimento que eu já fiz. Liga pra ela (logo, porque a agenda tá lotando): 91891638.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 11:26 de 29.05.2009
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NY, 5ª e última parte

Bem, depois de resturantes e comprinhas, passeios e shows.
A moça foi com um ariano com ascendente em gêmeos, modos que a coisa foi agitada.

Blue Note: eu não podia não ir, era das minhas maiores vontades novaiorquinas e eu dei sorte de ter show com o John Pizzarelli (que esta semana esta no Rio!) logo no nosso domingo de chegada. Eu já tinha visto show com ele aqui em Porto Alegre e lá ele não decepcionou. O Blue Note é pecorrucho, um bar mesmo, a acústica (claro) é muito ótima e tem uma vibe especial. Não deixe de ouvir jazz entre aquelas sacrossantas paredes imaginando todos os monstros que já tocaram ali. Mas compre ingresso antes, claro. Compramos pela internet e deu muito certo.

MoMA: como só tínhamos uma semana e o Guggenheim estava praticamente sem acervo por estar em reformas, foi este o meu único museu e foi maravilhoso, claro. Como eu tenho toda uma super predileção por arte do início da virada do século XX, me esbaldei. Picasso, Monet, Chagall (oooohhhhh) e Klimt (que foi tema da Paradoxo desta semana). Além de Frida, claro, Rivera, Pollock e tantos mais. Não perca a sessão de fotografias e design que são maravilhas à parte.

Momento Woody Allen

Central Park: Vá e perca-se. E aí você acha um carrossel tocando Carpenters. E Strawberry fields. E uma árvore saída de um filme do Kurosawa. E um filme sendo rodado. E barcos e a Boat House. E jardins fantásticos. E lugares que você já viu em filme. E lugares completamente desconhecidos e lindos. Não perca de jeito nenhum.

The Metropolitan Opera: assistimos La Cenerentola, de Rossini e eu adorei tanto, tanto. A história é um tantico diferente da Cinderela tradicional e muito mais legal. A montagem do Met é bem modernosa com um coro de Magrittes em vez do corpo de baile, a Cinderela era Elina Garanca, uma loura lindérrima de voz perfeita nascida na Latvia. Amei. No prédio, atenção aos imensos Chagall (quase desmaiei) e ao lustre fantástico.

Galerias de Arte do Soho: valem o passeio e a emoção de encontrar Chagall à venda. Siiiiim. Por Duas dezenas de milhares de dólares você pode levar uma litogravura assinada do homi pra casa. Pechincha. As galerias de fotografia são um deslumbre, de ficar babando horas e horas.

Brooklyn Bridge e Brooklyn Heights: Eu adorei atravessar a ponte a pé (apesar de ter sido pós passeio no Soho e meus pés não estarem nenhuma Brastemp) e Heights é uma delícia total, com a promenade (um calçadão junto ao rio que dá uma vista lindíssima de Manhattan). Visual Woody Allen total, uma cara de NY impagável, imperdível.

Mamma Mia: Eu sinceramente não sou uma aficcionada por musicais, mas por este eu me rendo. É uma delícia cantar TODAS as músicas, os cantores são ótemos e a gente até abstrai o clima de programa turistão total e gosta. Eu não precisava pagar o maior mico leão gold cinco estrelas diamante platinum desatando a chorar em pleno Winner takes it all, mas pronto. Vamos atribuir isso aos hormônios descompensados pelo fuso horário e a primavera extemporânea. Abafa.

Times Square: quando estivemos lá ainda era permitido o tráfego de veículos, coisa que mudou há pouco mais de uma semana. O gosto é duvidoso e eu sinceramente não curto nada aquela profusão de neons, outdoors luminosos, telões e talecousa, mas é algo que merece ser visto (ou revisto porque lá a gente nota quantas vezes cinematográficas já estivemos naquele lugar).

Rockfeller Center e Top of the Rock: Eu curti muitíssimo, a vista é um deslumbramento, não tinha praticamente ninguém e a gente chama o Empire State de meu chapa: dá pra ver os pêlos do King Kong que ficaram presos. A vista do restante da cidade é maravilhosa e eu recomendo que você faça o programa assim que chegar, porque a vista de lá dá uma idéia de Manhattan melhor do que qualquer mapa.

Fuerzabruta: Indescritível e imperdível, performance de um grupo argentino que mata a pau. Uma doideira, uma delícia, uma piração, uma energia. Vá e se jogue. Das melhores coisas que eu já vi na vida. Desaconselhável para quem tem síndrome do pânico mesmo em grau mínimo.

Em tempo: ainda nas comidjeeenhas, não perder o Gray's Papaya, um cachorro quente (na verdade um pancho, vai) delicinha.


Mais fotcheeenhas (muitas) para encerrar.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:51 de 29.05.2009
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28.05.2009

Hope




Nesta semana na coluna In-ventário
, o meu encontro com a esperança.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:53 de 28.05.2009
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26.05.2009

NY, 4ª parte

Compreenhas, continuação:

Sabon: Eu tinha tudo para cometer uma insanidade e cometemos mesmo. Coisas para banho são um dos meus pontos fracos e esta loja chega a ser covardia. Primeiro, porque tem uma enorme pia de mármore no centro, onde quem entra é convidado a esfoliar e hidratar as mãos e a partir daí, é só ir pra galera. Depois, pelos cheirinhos, gostosuras, manteigas corporais, géis de banho, espumas, aromatizadores, creminhos, olinhos, tuda. O inconveniente é que tudo vem em embalagens leeeendas e pesadérrimas de vidro, ou seja, apesar de muitíssimo bem embaladas, saiba que vão ser vários pedaços de chumbo dentro daquela sua mala candidata a excesso de peso.

J&R: o paraíso dos eletrônicos, tem tudo e, se não tiver, eles mandam buscar em três dias, tipo aquelas mães de santo dos cartazes em poste. E o preço é beeeeem bão.


M&Ms Store
: super caça turista na Times Square, ainda assim um barato. Para aficcionados das bolinhas multicores, vale a experiência de provar as de chocolate meio amargo. O problema é que a gente se serve por quilo, nuns dispensers enormes, por cor. Aí já viu: bobeou, já tem mais de meio quilo no saquinho. Fora o chocolate em si, TUDO o que você imaginar de bugigangas temáticas, de camisetas e pelúcias a quinquilharias que podem voltar em um conteiner à parte. E eu descobri que o M&M verde é uma mocinha.

Óia a cara da tiete!

Anthropologie: Uma palavra: Bah. A maior quantidade de fofulência de bom gosto por metro quadrado que eu já vi. Para explicar, é uma loja que vende roupas femininas e artigos pra casa dos mais variados, de puxadores a material (fofo) de jardinagem , passando por louças (de morrer), copos, decoração, velas (a de figo é de querer comer de colher), ai, uma coisa. Preços variados e um cantinho de «Sale» no térreo. Pensei em me esconder num canto e ficar morando lá. Fiz namorado jurar que a gente volta com um navio atracado para levar tudo. Muito provavelmente a lodjeeeenha que eu mais amei, mais a minha cara, fora a...

Tiffany’s & Co: eu sou suspeita, né, bens? Suspeitérrima, suspeitíssima. Então vamos tentar dizer assim: Holly tinha razão, ninguém consegue continuar pensando em problemas depois de chegar lá. Loooosho é pouco, mas a despeito disso, os vendedores são mesmo como os do filme. Explicam tudo, tudo para quem quer que seja como se você fosse um sheik árabe (ou a prometida dele), corte, tipo, brilho, quilates, numa fofulência total. O 3º andar é o de engagement rings (é melhor saber disso e se preparar, porque é um choque). Depois de eu ter morrido de rir cada vez que eu via o elevador abrir e saírem mocinhas incontidas de dentro fazendo «aaaah», «uhhhhh», «ohhhh», namorado disse que eu havia feito o mesmo. Portanto, vá e solte o «bahhhhhhhh» logo de saída em frente ao balcão com pedras do tamanho de um globo ocular (e bem mais caras do que isso) e delicie os olhos naqueles fogos de artifício de dedos. E repare (morra de inveja) em quanta gente está sentada comprando pra valer. Obs.: Madame Cunhada disse que eles só sentiram diminuição de vendas devida à crise em anéis de valor superior a U$ 100 mil. T.O.M.A.

Gracious Home: Nada a ver com a Anthropologie, mas é lá que você encontra qualquer coisa. Inventou um trocinho de cozinha, uma coisa que você acha que deveria existir, é lá que você acha. Bem mais baratiol e bem menos glamuroso do que as lojas chiques de casa & cozinha, com exceção honrosa do meu acendedor elétrico de velas, que eu comprei lá e depois achamos pela metade do preço na farmácia. Blé.

Pylones: Fofo, fofo, fofo. Caro, é verdade, mas eles têm direito de cobrar caro. Tudo lindérrimo, divertidíssimo, de marcador de livro a bijuteria, com direito a garrafa térmica, sombrinha, briquedo, moedor de pimenta e até móveis. Foférrimo. Amei.

Barnes&Noble: dispensa apresentações e é obrigatória.

Mega farmácias: amei fazer shopping na farmácia (que na verdade é quase um supermercado sem comida). Entrei para comprar Tylenol PM (que dá soninho) que a Mme Madrasta pediu e saí com um estoque de coisas de Advil Sinus a cotonetes. Recomendo.

Faltou ir: Williams-Sonoma. Mas, dada a situação do cartão de crédito e do peso da mala, melhor ter deixado pra próxima mesmo. Hohoho.


Aqui, umas fotcheeemas mais, poucas, porque não se pode fotografar em loja nenhuma em NYC.

Próximo post: passeios & shows.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 07:42 de 26.05.2009
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25.05.2009

rock'n'roll will never die



... e quando a gente pensa que mais nada de bom vai surgir, que ninguém vai seguir caminho, que você vai contar pros netinhos que quando você era jovem existia um ritmo chamado rock que fazia o sangue rugir alto nas veias e a vontade de viver cantar dentro do corpo mesmo que a vida estivesse difícil, as contas altas, sem trabalho, ou com chefia insuportável, ninguém para chamar de seu, apenas um vidro de pepino e um ovo suspeito na porta da geladeira e o olhar aflito da família e amigos refletindo a aflição do seu próprio...

Daí, Cartolas!

E com site próprio!

Puro rock gaúcho, com melodia, harmonia, sonoridade, qualidade, boas letras, bons vocais e aquele je ne sais quoi do rock'n'roll de verdade que gruda na gente e não sai mais.


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Às vezes, é fácil ser feliz.


(evidentemente, esse é um post da Belly)

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 10:09 de 25.05.2009
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21.05.2009

Viagem total



Esta semana na coluna In-ventário.)


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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 01:17 de 21.05.2009
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19.05.2009

NY, 3ª parte

Então vamlá... compreeenhas.

Bom, não era para ser uma viagem de compras, modos que a moça não foi com orçamento pra isso, nem tempo, nem determinação. Todavia, como estar na meca do consumo e não sucumbir? As dicas abaixo não são apenas de lugares onde comprei coisas, mas também por onde passeei no espírito «looking around».

Sephora: foi lá a danação completa. Comprei bastante coisa. Desde cousas mega básicas e indispensáveis tipo base da lancôme que tava no finzinho, até um delineador leeeeendo da Kat von D (os nomes das cores são fantásticos, eu comprei o Proud Peacock). Aliás, desta mesma senhora eu adquiri pincéis para olhos ótemos. Finalmente comprei o primer da Smashbox, que é maravelololoso e ganhei o kit da Bare Minerals que estou amandomuitíssimopontocom.

Te cuida, Holly Golightly!

Os esmaltes são um capítulo à parte. A pessoa fica lôka quando vê isso. Comprei And a Cherry on Top (cerejaço), Opening Night (azul marinho levemente perolado), Caffeine Fix (ameixa escurézimo), I'm With Brad (bordozaço cintilante, chiquerézimo), A-ha! Moment (branco para a francesinha), How Many Carats? (para a primeira camada da francesinha) e, claro, Never Enough Shoes (que é um preo escândalo chique no último que eu comprei pelo nome, claro). A filha da D. Angélica não nega o berço no salão de beleza. Já experimentei o azul marinho e é loooosho. Sem falar que estou há 6 dias com ele e nem lascadinho está. Amei.

Bom, comprei mais horrores de coisa, mas esse é dica de lugar, não de coisas, néam? Depois eu conto o resto das makes. E quero deixar claro que DUAS atendentes me acharam a cara da young Liza Minelli, uma elogiou horrores a cor do meu cabelo e uma quarta perguntou onde eu cortava o cabelo. Táááá? Só compro lá agora, claro.

Lodjeeenha do MoMA: eu sei, eu sei, uma ida ao museu é para ser um programa cultural, não uma desculpa consumista, mas como ver aquele MONTE de coisas foférrimas e não levar pra casa? Tanta, mas tanta coisa legal que é de enfartar. E afinal é consumismo intelectual. Lá comprei o meu super guarda-chuva Magritte, que eu queria há tanto tempo. Na loja de design do MoMA do Soho tava rolando uma mega exposição de design brasileiro, com coisas lindas, de onde eu encasquetei com uma bolsa do Gilson Martins que um dia será minha (depois da recuperação judicial a que serei submetida pós-viagem, possivelmente). Nesta mesma oportunidade, vendo as bijoux de crochê sendo vendidas quase literalmente a peso de ouro, tive a idéia de ficar milionária alugando uma loja no Soho e escravizando a Vó Nininha e a Vó Inah. Fiz a proposta pro Alvaro, aguardo a apreciação da mesma.

Sports Authority: ótemo para comprar tênis para correr. Monsieur Pai ganhou um Asics de U$40 muito bala. Coisa que aqui custa 500 reaus.

Sam Flax e Kate's Paperie: a primeira mais séria e profissa, a segunda girlie e fantástica - papelarias a minha perdição forever. Pirei total, saí arrastada as duas vezes e fiquei ameaçando voltar toda vez que passava na porta. Imagine um papel, um cartão, um caderno e uma caneta. Os mais legais, dos seus sonhos? Tem MUITO mais legais lá. Só vendo. E se encalacrando.

Victoria's Secret: tipo, a disney da Ticcia, tá ligado? Morri e ressucitei várias vezes, descobri que existem sutiãs no mundo onde os airbags cabem e não sobra meio metro de tira nas costas (problema de quem tem circunferência de tórax 40 e boobs 46), ele atende pela numeração 34 D ( Liz tentou fazer isso aqui mas não persistiu, mas os sutiãs eram todos o básico do básico). A moça me mediu e me entregou a peça milagrosa que veste perfeito E não parece sutiã de amamentante, nem sutiã da sua avó E é lindo. Pronto, danou-se. Para melhorar piorar, eu nunca tinha visto tanta calcinha linda junta na minha vida. Suponho que nem o namorado. Este, aliás, elogiadíssmo pelas atentendes da VS e invejado pelas demais circulantes, pelos palpites e sugestões pertinentíssimos. Foi diversão pura e eu tenho lingerie para estrear até a minha aposentadoria por tempo de serviço - e isso não é uma metáfora.

Bloomingdale's: difícil achar alguma coisa lá que possa ser adquirida sem vender algum órgão, mas é uma diversão. Sem contar que eu, mais uma vez, dei sorte de pegar uma vendedora de humor ótemo, que ficou me passando chapéu atrás de chapéu para ver como ficava. Rimos muito e eu achei um MUITO Holly Golightly, que se não custasse 300 doletas eu teria comprado para guardar no armário ( ou «to go to the races», como disse a vendedora). Pois é. Quem sabe um dia alguma outra ameeeega casa no campo e eu vou lá buscar o dito.

Serendipity 3: sim, é um café, mas a lodjeeenha é fófis. Lá achamos uma caixa entalhada peruana lindérrima, cheia de máscaras e cores e tudo. Amamos e ela já está no Rio. Sem contar na minha bola de vidro com direito a neve de glitter (Rosebuuuuuuuud) que é das coisas mais adoráveis que vieram na mala (apesar de pesar meio quilo).

Kiki de Montparnasse: pense assim, em que sex shop você poderia ver a Madonna entrando? Essa. E a Monica Bellucci de mãos dadas com o maridão Vincent Cassel? Essa. Chique, kinky, cool, sofisticada, lindérrima e proibitivamente cara. Vá como quem vai a um museu e inspire-se. O provador é provocar um AVC, roxo, lustre de penas de pavão. Coleiras de... pérolas. Algemas de... ouro. Máscaras inacreditáveis. Plumas, de váários usos. Lingerie de desmaiar (inclusive pelo preço, já que TODAS as calcinhas custam mais de U$ 200). Mas a inspiração é grátis, né messs?

Custo - Barcelona: Loja magavelosa, estampas inacreditavelmente lindas e muderrnas. Sucumbi de paixão catalã por um vestidjeenho e uma camisetcheeenha. Valeram MUITO.

Mais fotcheeenhas aqui (notar que o namorado não aparece nas fotos, porque eu tava com as mãos muito ocupadas com as sacoleeenhas).

(continua)
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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 22:24 de 19.05.2009
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Ótima conspiração

Venho pensando sobre isso há bastante tempo, tem sido tema da terapia, conversei longamente com o Alex essa semana e hoje ela publica a lição da mestra:

"...E solidão é não precisar. Não precisar deixa um homem muito só, todo só. Ah, precisar não isola a pessoa, a coisa precisa da coisa: basta ver o pinto andandado para ver que seu destino será aquilo que a carência fizer dele, seu destino é juntar-se como gotas de mercúrio a outras gotas de mercúrio, mesmo que, como cada gota de mercúrio, ele tenha em si próprio uma existência toda completa e redonda. " (Clarice Lispector)

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Coluna: Madame Butterfly
por Ticcia, às 11:19 de 19.05.2009
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18.05.2009

NY, 2ª parte

Mais comidinhas (sim, sim, eu comi HORROOOORES).

Ess-a Bagel: tradicionalésimo, esta deli especializada em bagels é de tirar qualquer um do sério. Fomos no café da manhã e dividimos uma bagel imensa de salmão e cream cheese. Eu tive a cara dura de ainda pedir um muffin de banana com chocolate chips. Revirei ozóinhos.

Ticcia e sua cerveja dupla no Mcsorley's

Stanton Social: meio restaurante, meio bar, a sacada aqui são as comeeedjinhas, aquela coisa quase tapas, manja? pois é, delícia total. Fomos pós ópera (conto depois) e chegamos lá abaixo de chuvarada, mais de meia noite. Fomos recebidos super bem, a cozinha só fecha às duas, modos que chafurdamos muito. Tem uns pierogies de batata com queijo e cebolinhas de morrer, dumplings de sopa de cebola, tacos com abacate (que tinha coeeeentro - argh), rolinhos primavera de estontear de bons, e mini pizza de tomate super apimentadinha que era dilíça total. Tudo para comer com a mão e dividir com o namorado, bebericando um vinho, esquecendo da chuva lá fora. Amamos muito. De sobremesa, pedimos uns donuts que na verdade são bolinhos de chuva com doce de leite (e estavam ótemos).

McSorley's: Na verdade um bar. E um bar que até 20 anos atrás não entrava mulher. Eles foram até a Suprema Corte e perderam, vejam só. Nas paredes há jornais da época, com manchetes do tipo: «Onde um marido pode ir agora?» Misoginia à parte, o bar é um barato, a cerveja é ótima e vem de dupla. Sim, você pede uma e vêm duas. Acho que homem que é homem bebe assim, suponho. Eu acabei implorando para o Alvaro pedir de uma em uma e a gente dividir. Matei minha vontade de batata frita cortada grossa e me aventurei na trip da mostarda assassina.

Caffe Reggio: Dos lugares de culto do Alvaro, um café lindo e delicioso no Greenwich Village, com mais de 90 anos. Comi o tiramisu, muito bom e tomei um expresso de verdade, curto, cremoso. Namorado foi de capuccino, para lembrar os velhos tempos.

Pearl Oyster Bar: Badaladérrimo, não faz reserva. Chegamos às 21h e a atendente/hostess/gerente avisou que a espera seria de 1h. Fizemos cara de «problema algum», sentamos no parapeito da janela e decidimos esperar resignados. Não é que 15min depois havia mesa disponível? Eu comi ostras empanadas de entrada e o Alvaro atacou os camarões. De Prato principal fomos no prato sucesso da casa: Lobster Roll with Shoestring Fries, que na verdade é um sanduíche de salada de lagosta com, diga-se, MUITA lagosta e batatas fritas palitinho. Bem interessante.

Spice Market: lindo, cool, elegantérrimo em Meatpacking District. Atendimento magaveloso, por um garçon a cara do Scotty de Brothers & Sisters (tão querido quanto). Estávamos prontinhos para pedir o menu degustação quando a pobre moça aqui soube que 3 dos 5 pratos tinham... adivinha? COENTRO, claro. Meu amigo Scotty então me ajudou a escolher um prato Cilantro-free. Minha entrada foram rolinhos primavera fenomenais e o Alvaro chafurdou nas samosas cheia de.... blé, coentro. Ainda mandamos ver uns dumplings de caranguejo com ervilhas em molho agridoce. Ótemos. De prato principal, Alvaro foi de Pork Vindaloo e eu de Lagosta cozida com gengibre, alho e especiarias. Tudo isso (sim, tem mais) com o ginger fried rice mais perfeito da face da terra. Os drinks são um capítulo à parte, o meu Bellini de Raspberry e Lichia tava de chorar de emoção, e o Tamarind Rum Punch do namorado também tava über bom. E a sobremesa, siiiim, foi torta vietnamita de café e chocolate. Não preciso dizer que saí de lá quase carregada.

Pete's Tavern: Fomos com amigos até a taverna mais antiga de NY, fundada em 1864. Ambiente de pub irlandês, boa cerveja, boa comida. Eu fui de hamburger de novo, agora na versão standard.

Fanelli's: pub tradicional no Soho, ótima cerveja, ótimo lugar para fazer uma boquinha no almoço. Pedi uma Paulaner (weiss bier) e fui cumprimentada pelo rapaz da mesa ao lado (possivelmente por causa do meu gemido de satisfação ao pegar o copão e tomar um golaço). Viram que se tratava de uma profissional, claro. Eu fui de chicken fingers (mais uma vez com mostarda assassina) e o Alvaro foi de Rolling Rock e chilli com carne.

Pasticceria Bruno: Uma confeitaria linda assim que atravessa-se para o Noho. O balcão é de enlouquecer, os sorvetes são lindíssimos. Eu acabei pedindo uma mil folhas e me arrependi um pouco. Tava boa, mas não tava excepcional como eu esperava. Namorado pediu um doce chamado capuccino e disse que tava bonzinho. O expresso é ótemo. Ótimo pitstop.

Magnolia Bakery: O melhor cupcake da minha vida. Vale a fila, a lógica irascível do funcionamento, o desespero do povo se acotovelando e o preço. Vale tudo. Se você der a sorte que eu dei, de a fila estar dobrando a esquina, vai ficar com o nariz encostado na saída do cheirinho dos bolos assando e não vai conseguir sair de lá com menos do que uma caixa com 6. Garanto. Eu cheguei ao extremo de comprar o livro de receitas de lá. Interdição djá.

Chinatown Brasserie: Não fica em Chinatown e o negócio é ir e se acabar nos dim sum. Se acabar. Literalmente. Magavelolololosos. E nos fronzen Mai Tais. Dúzias deles. Além do lugar ser super bacana, o ambiente é ótimo e o biscoito da sorte funciona. Vá, vá, vá. Acho que este pode ser o meu preferido de todos. Acho.

Chola: Madame Scarlett mandou e nós fomos. É buffet no almoço para os mortais, claro, categoria na qual eu não me incluo devido à minha intolerância àquele nosso amigo chamado... se você disse COENTRO acaba de ganhar um vale adoração a Ganesh. Exactly. Mas o nosso garço mimoso quebrou as regras da casa e mandou fazer uma Coondapur Chicken para a moça aqui, no limite da pimentância. Ele me disse que o nível de pimenta era 2 de 5, então eu imagino que a boca dos indianos é feita de aço inox. Só pode. Tava ótchimo. Alvaro chafurdou feliz no buffet e eu ganhei uma sobremesa servida especialmente pra mim, num gesto de mimosice extrema. Amei muito.

Mais fotcheenhas aqui.

(continua... no próximo post compreeeenhas)
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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 23:06 de 18.05.2009
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NY, 1ª parte.

Antes de mais nada, o que eu não esperava:

Atendimento além do impecável, beirando a mimosice extrema. Sim, já pensei que nós podemos ter dado só uma enorme sorte, mas pensar em mais de uma semana só encontrando atendentes, recepcionistas, garçons, garçonetes e hostesses apaixonados, bem resolvidos, felizes e com contas pagas não parece muito razoável. Namorado não se lembra de ter sido tratado assim das outras vezes na Big Apple, modos que deve ser ou a crise, ou o meu magnetismo pessoal irresistível. Atendimento foi sempre nota 10 com louvor e mimos e tudo.

Educação impecável, beirando a chatice. Mil excuse mes, mil sorrys, mil sorrisos das pessoas na rua. Numa cidade de trânsito que pode ser bem caótico, todos os carros parando nas faixas de pedestres, todos obedecendo o sinal vermelho, ninguém buzinando ou xingando o coleguinha motorista do carro ao lado. Um loooosho.

****

Restaurantes, awwwn, magavelolololosos. Assim como a minha Twin Freak de plantão, a melhor parte das minhas viagens passa pelo estômago. Bem como ela havia me dito, tratei de assinar o ZAGAT on line, pedi mil dicas para os amigos e assim que cheguei adquiri o livrinho das mil maravilhas numa banca. Não nos arrependemos.

No Balthazar, felizes da vida.

PJ Clarke's: porque, segundo o namorado, isso de eu nunca ter comido hamburger na vida tinha que acabar. Sim, é verdade, não me olhem assim. Eu nunca tinha comido hamburger. «Mas nem MacDonalds?» Não, nem MacDonalds. Pois foi lá no PJ que a moça foi introduzida a este ícone da junk food e... gostei bastante. Fui de Cadillac, hamburger com queijo e bacon, e cerveja Samuel Adams. Na América como os americanos.

Resolvida esta parte de hamburger, fomos almoçar no Aquavit. Chegamos lá depois de uma longa manhã no MoMA (falo depois), às 14:30, exatamente na hora que a cozinha fecha, mas, em vez de batermos com a cara na porta, a hostess finérrima consultou as bases e nos acomodou no café ( o restaurantão fica no fundo, com mais cara de bestão, mas o café é lindão e não perde em nada). O restaurante é de comida nórdica e as pessoas foram de Spring Menu, com entradinha, prato principal e sobremesa. A entrada eram peixinhos defumados e marinados em várias coisas, de vodca a curry e eu quase tive um troço. Palato e língua em festa absoluta. Namorado foi de salmão de principal (que tava lindérrimo) e eu fui de porco, porque tinha pure de batata e a pessoa não perderia. Foi algo de ótemos. A sobremesa é um capítulo à parte: Artic Circle, um tubo de sorvete, recheado com um creme de ovos, com direito a uma bola de sorvete de uva para acompanhar. Arrebatador.

O inusitado ficou por conta da minha descompensação/mosquice. Estávamos lá bem felizes, altos papos, ouvindo bossa nova, até um sambinha, e a moça aqui sintonizou na frequência Ridjanêro, claro. Feliz, com namorado, almoçando como se não houvesse amanhã e ouvindo sambinha? Tô no Rio! Lá pelas tantas eu desato a rir: Namorado, me belisca que eu tô em outra estação! Aliás, diga-se em 100% dos lugares visitados, música brasileira de alta qualidade, de João e Bebel a Caetano, passando pelos Celsos Fonsecas e povo da eletric bossa. Só dá nóis.

Artisanal: Cam tinha falado e cunhada Péri também, e se é queijo, é bom, é o meu lema de vida. Pois é mesmo. Um restaurante em que a inspiração são as centenas de queijos de que ele dispõe vale muito, muito a pena. Fomos de Grilled Cheese Bites (uuuuuuuuuu) e fondue du jour, com queijo Fontina. Vinho californiano para acompanhar, que não fez nada feio e creme brulée e cheesecake de sobremesas. Roubei bastante cheesecake do Alvaro, que tava maravelololoso.

Serendipity 3: Awwwwwnnnnn. Lugar lindérrimo, prefira ir durante a semana, como a gente, quando não lota. Tem lodjeeenha linda e cheia de coisas engraçadinhas. Vá para se acabar no Frrrronzen hot chocolate e peça, sim, o Carrot cake com nozes. É glicose suficiente para manter vivo um homem adulto por três meses na Antártida, mas, so what, vale cada caloria. E os olhinhos podem passear pelos lustres lindos, pela decoração mimosa, pelo cardápio atrolhado de coisas incríveis. O site deles já dá uma idéia. Não perca.

Balthazar: bistrozão francês de responsa, lindão, no Soho. Felomenal. Indispensável reservar (tudo, este principalmente). Nossa sopa de cebola tava de matar de boa, meu confit de pato tava de ver estrelinhas multicores e o steak au poivre do Alvaro tava tão bonito que emocionava. Fui de creme brulée de novo, claro, podem jogar a frigideira de açúcar caramelado.

Aqui, fotas.

(continua)
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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 11:05 de 18.05.2009
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Três vivas para o veranico de maio que tá chegandoooo

Nebulosidade aumenta nesta segunda-feira

O sol aparece com nuvens nesta segunda-feira em Porto Alegre. A mínima deve ficar entre 8ºC e 10ºC ao amanhecer, quando não se descarta neblina localizada. No decorrer do dia a nebulosidade aumenta e não se pode descartar a possibilidade de chuva até o final do período. A máxima à tarde fica entre 24ºC e 26ºC. Na terça, o sol aparece com nuvens, mas ainda ocorrem períodos de maior nebulosidade, sobretudo na primeira metade do dia, quando não se descarta precipitação. O frio diminui muito e a mínima deve ficar entre 13ºC e 15ºC com marcas um pouco abaixo dos 20ºC na área central enquanto a máxima deve se situar entre 24ºC e 26ºC. O tempo seco deve predominar na segunda metade da semana, mas com máximas elevadas para a segunda quinzena de maio e que podem chegar aos 30ºC em alguns bairros da Capital. (Eugenio Hackbart / MetSul Meteorologia)



Sim, os posts de NY já vem, com fotas. A pessoua aqui tá em crise organizativa desde que chegou e já já vai fazer posts em profusão.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:13 de 18.05.2009
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14.05.2009

Blue skies






A pessoa chega de viagem, toda mimo, toda enlevo, toda poder e glória para sempre e chove a bandeiras despregadas em Porto Alegre. E a previsão anuncia frio de 7 graus para sábado.

Mãããããs, não sucumbirei! Enfrentarei tuda com o meu guarda-chuva de Magritte (objeto de desejo há anos, recentemente adquirido no Moma) e uma seleção de esmaltes (já, já mostro para vocês) à prova de mau humor meteorológico. E força na peruca (que está violeta).






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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:51 de 14.05.2009
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13.05.2009

verdades nuas das noites de domingo, special edition

Ôooi. Sou a Belly e esse é o Plantão Belly de Posts Enquanto Madame Não Chega.
C'mon, Madame. Venha logo.


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É possível alimentar-se para sempre de coquetel de camarão e prosecco? Ou de feijão, arroz e água da torneira? Papo-de-anjo e coca-cola? Pipoca e guaraná?

Existe mesmo este sabor encantado que, uma vez encontrado, nos saciará até o fim dos nossos dias?

Quanto mais penso a respeito, mais acho ilógico, completamente falível e meio maluco que as pessoas se disponham a e exijam umas das outras 100% de exclusividade como condicionante da continuidade de um relacionamento. Tome-se por exemplo um casal na faixa etária dos 35 anos, que tenha descoberto que a relação funciona muito bem, existe amor e querem ficar juntos por muitos e muitos anos. Considerando expectativas otimistas de sobrevida, esse casal tem pelo menos mais 35 anos de vida pela frente. Você acha razoável, ou melhor, plausível, que ambos passem esses 35 anos de vida sem terem mais nenhum outro parceiro? Nenhum, nenhumzinho? Eu não acho.

Minha experiência pessoal é de uns dois relacionamentos de verdade (talvez dois e meio, mas acho que esse meio não conta, deixemos por dois) e em ambos fui dumped por insuficiência. É claro que o que aconteceu comigo não determina o que acontece ou acontecerá com os outros, apenas explica as conclusões a que chego. Então: eu não tenho como ser tudo para alguém, até porque não é o foco da minha existência ser algo para outrem, quero ser algo para mim mesma (assim que descobrir o que é que eu sou). Daí que é muito complicado virar um enorme mostruário de sabores, cores e versões de si mesmo para um terceiro: a relação torna-se objetal e você passa a ser apreciado não pelo que é - até porque aí você não será efetivamente coisa nenhuma, será um anteparo que suporta várias transformações a fim de agradar o ser desejado - e sim pelo que pode oferecer. Não soa parasitário para vocês? Assim, vampiresco? Tipo, um dá e o outro, toma? Been there, done that e absolutamente não recomendo. Mas cada um é livre para dar murro em ponta de faca como bem lhe aprouver.

Particularmente, e no presente momento (porque pode ocorrer de mudar de opinião), penso que condicionar continuidade de relacionamento à exclusividade física é uma espécie de escravidão. Algo como 'olá, eu sou sabor laranja e você vai ter que comer laranja e achar a coisa mais maravilhosa do mundo até o fim dos seus dias'. E aí é que reside o paradoxo maluco para mim: o amor não deveria libertar as pessoas?

Não brigue comigo. Tenho a só a pergunta, não a resposta.

E você?
Você tem fome de quê?
Você tem sede de quê?

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 13:01 de 13.05.2009
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12.05.2009

Quero lalalaiá porque eu tô voltando...

Queridos amados mimosos,

eis-me em solo brasileiro. Cheguei esta madrugada, feliz da vida, cheia de amor no coração e compreeeenhas, claro. Nada de vírus de gripe. Amanhã aterrizo em Porto Alegre e, então, divido os melhores momentos com vocês.

Tava com muitas saudades.
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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 14:23 de 12.05.2009
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11.05.2009

escravidão, não!


Consta lá, expressamente, no rol de fundamentos da República Federativa do Brasil, a dignidade da pessoa humana e os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. Está no artigo 1o., incisos III e IV da Constituição Federal de 1988.

Está lá, letrinha por letrinha, no caput do artigo 5o. da mesma Constituição, que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, ...

Na nossa ordem jurídica, portanto, não tem mais escravidão. Não tem. Desde que assinada a Lei Áurea, a escravidão, para fins jurídicos, acabou-se. Tanto que, no Brasil, quem escraviza, na verdade não escraviza: reduz a condição análoga à de escravo, é o que está tipificado no Código Penal, artigo 149 e parágrafos. O nojo da escravidão é tamanho que ninguém cogita sequer como ilícito de voltar a esse estado de barbárie.

É que a gente não precisa voltar. A gente ainda não saiu dele.





Convivemos com o regime escravagista disfarçado durante mais de um século, meio dando de ombros, meio pensando o que se poderia fazer, como reunir as pessoas, como despertar seu interesse em fazer pressão política nesse sentido, num mundo que gira cada vez mais rápido, com exigências que se multiplicam exponencialmente.

Alguém pensou nisso e encontrei a divulgação num blog de uma revista da Editora Abril.

A campanha Escravidão Não me pareceu em tudo bastante séria. Até onde sei, a movimentação contra o trabalho escravo remonta pelo menos a 2005, reunindo esforços do Ministério Público do Trabalho, Comissões de Combate ao Trabalho Escravo no Senado e na Câmara dos Deputados e Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Em 2007, recebi, no meu local de trabalho, uma cartilha muito bem feita ensinando como detectar o trabalho escravo e que autoridades contatar para auxiliar pessoas nessa situação.

Eu aderi e convido você a fazer o mesmo. Precisamos de um milhão de assinaturas para levar à votação o PEC 438/2001, prevendo punições para o "empregador escravagista". No dia de hoje, temos 141.793 assinaturas, como pode ser verificado aqui. Sim, precisamos de muitas assinaturas, e é por isso que você, seus amigos, sua família, seus colegas de trabalho, devem ser informados dessa situação que ocorre em nosso país, para podermos juntos mostrar que não é isso que queremos, de forma alguma. Até porque você pode fazer o abaixo-assinado pela internet, num procedimento que não levará mais do que cinco minutos. É menos tempo do que você leva consultando a sua caixa de e-mails durante o expediente quando devia estar terminando aquela tarefa que era para ontem.

E daí, você vai me dizer, é só mais uma leizinha. Mais um monte de palavras num papel. De que isso adianta?
Bem, não é uma lei. É uma proposta de emenda constitucional, prevendo a perda da propriedade onde o extrativismo se dava mediante utilização de mão-de-obra escrava para fins de reforma agrária. Ou seja, sem direito à indenização. Com isso, daremos ao Ministério Público, ao Judiciário, ao Executivo, o poder de atingi-los no único órgão sensível que eles têm: o bolso.

Clique. Leia. Discuta. Divulgue. Participe.
Não se omita da sua cidadania.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 13:34 de 11.05.2009
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10.05.2009

os presentes que não pedimos

Este é um post carinhosamente rabugento e sutilmente umbiguista da Belly.
Se você não quer saber do meu umbigo, abstenha-se do que vem por aí e saiba que é uma pessoa de bom gosto.


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É o dia da progenitora, alvíssaras! As mídias berraram por semanas a fio, o mercado de consumo aqueceu e aquiesceu em meio à crise, vivam as mamães! Podendo escolher entre filas intermináveis em restaurantes lotados para ser homenageada pela mui pretérita fertilidade que ninguém sabe se persiste, loções, perfumes, sabonetes, panelas de pressão, notebooks, jóias, GPS, celulares que conversam sozinhos consigo mesmos e tantas outras coisas absolutamente exorbitantes para um guri de catorze anos comprar sozinho, achei por bem que maman fizesse jus à dorkie wannabe que pensa que é. Comemos na praça de alimentação do shops cents supostamente badalado da cidade provinciana onde sou residente e domiciliada. Estava uma delícia, no único restaurante efetivamente bom que fica na praça de alimentação de um conglomerado de consumo, IMHO. Depois, rondamos as lojas de instrumentos musicais, para namorar as Fender Stratocaster pro rapaz (a mâmis é mais afeta à Gibson Les Paul, mas não é ela que vai tocar, ela só toca mp3) e as livrarias, onde mamãe fusca e bebê fusquinha ficaram recostados em confortáveis poltronas de couro escolhendo um livro para cada um, até a hora do início do filme.

Foi beeem bom.

Agora, se você quer saber mesmo qual foi o meu presente, posso confessar que não foi um só. Meus presentes são muitos. Meus presentes me surpreendem no meio da semana, no meio da rua, no meio do supermercado, no meio do momento difícil, no meio de coisa nenhuma, no meio do que eu achava que não tinha mais solução.

Meu presente foi o guri vir da biblioteca da escola com Do androids dream of electric sheep, de Philip K. Dick. Sim. Esse aí mesmo do link, com essa capa. Sem que tivesse dito a ele uma só palavra sobre o autor, o livro ou o filme. Pelo que ele jamais soube o impacto que o autor, a obra e o filme, por decorrência, tiveram na minha vida. Com a voz um pouco trêmula e embargada, pela emoção e espanto, perguntei, "por que você escolheu esse livro?", e ele respondeu, "li a sinopse atrás e pareceu muito bom!" e sorriu.

Meu presente foi hoje cedo o filho me mostrar no computador o vídeo de David Gilmour tocando Comfortably Numb ao vivo com uma Stratocaster para me explicar por que a Stratocaster era tão boa e por que o solo de Comfortably Numb era considerado o melhor solo de guitarra de todos os tempos. Aturdida e gaguejando, como uma velhinha gagá, sentei ao lado dele e assisti e ouvi, muda e sem mexer um músculo, com os olhos marejados. Pois ele não sabe, nunca soube, que Comfortably Numb é a minha música do Pink Floyd. De uma adolescência doída, como sói ser a adolescência: the child was going grown, the dreams were going gone, de deitar sobre capim úmido, soprar fumaça de cigarro e pensar, como era possível sentir tantas coisas, e tão intensas, se nada daquilo fazia sentido, se o mundo não fazia sentido. De carregar uma mágoa enorme por acordar para a realidade do quanto as pessoas já estão acostumadas à rotina de machucarem a si mesmas, machucarem umas às outras.

Meu presente é uma estranha dádiva de comunicação. O meu filho compreende minha língua. Como se fosse um arqueólogo e eu, uma relíquia. É certo que ele fala outras línguas também, e vou sempre incentivá-lo a fazê-lo. Mas, de alguma forma muito própria e sem ter sido orientado a tanto, ele aprendeu a minha semiótica, e se comunica comigo de uma forma que quase ninguém faz.

Ele me conhece.

Não ousaria pedir presente tão precioso. Até porque não sou de pedir presentes. Só que a dádiva me veio e seria estupidez demais não aceitar.

Agora, com licença, que vamos encerrar esse dia absolutamente comum comendo o meu prato mais comum: macarrão com queijo.

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Meu desejo, com carinho, pra você: que você ganhe um presente que não pediu.

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Feliz dia das mães, everyone. Para quem é mãe, para quem tem mãe, para quem está com saudade da mãe.
É um vínculo fodástico esse, não é mesmo, folks?

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 22:26 de 10.05.2009
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07.05.2009

o que a infância sonhou

Tem uma música (sim, eu sou brega) em que a letra faz quem canta afirmar que está sempre com a razão e que compra o que a infância sonhou. Trata-se de uma pessoa que, se errar, não confessa, e que nunca se dá para ninguém. Afirma que sabe bem quem é, que ama o sucesso e que nele manda, nunca pede. Mas está sempre sozinha, porque sua alma adivinha o preço que lhe cobram por tudo. Assim, toma tudo pela frente e recomeça do zero sem reclamar tantas vezes quantas forem necessárias, pelo que inevitável a minha inferência de que a pessoa chega de sopetão e toma o negócio para si sem nem ao menos saber direito do que se trata - portanto, pega as coisas e as pessoas (ou pega as pessoas como se fossem coisas) baseada somente no que deseja ver nas coisas e nas pessoas-coisas e, quando descobre que as coisas e as pessoas não são telas em branco onde se pode projetar o que bem se entenda, conclui que a paixão não deu certo e não se permite chorar, já que não vai adiantar, poupando seus esforços para começar do zero (sem reclamar) novamente.

Eu tenho pena dessa pessoa, e tenho todo o direito de encher a minha boca para dizer que tenho pena porque eu já fui essa pessoa. E às vezes ainda sou, quando cogito se não seria melhor deixar tudo para trás e sair voando as tranças sem eira nem beira, só o filho embaixo da asa, e sem nem ao menos dar importância para os quereres do filho, para as necessidades do filho de fixar raízes em algum lugar para se fazer forte e desenvolver. Porque os seres viventes que saem pelo mundo afora e não precisam de absolutamente nada fixo é porque se fixam onde estiverem, por curtos espaços de tempo, e costumam atender ao regime parasitário. Prefiro criar um ser apto a viver em simbiose, em comensalismo, em outros regimes que atendam melhor minha ideologia. Que, no fundo, é o que eles herdam de nós.

Não por acaso, o nome da música é coração pirata. A figura do pirata vem envolta num fog de romantismo, aventura e liberdade que não necessariamente corresponde à realidade da vida em alto-mar. Mas as pessoas gostam de ver só a parte boa daquilo que não têm, e só a parte ruim daquilo que têm, e daí fica a idéia de que ter um coração pirata é uma coisa emocionantíssima. Até é, se você considerar emocionante a solidão, a impossibilidade de repartir a médio ou longo prazo suas idéias, planos, possibilidades, acontecimentos, sentimentos, momentos, a incomunicabilidade, o eterno inesperado, a adrenalina perene, a busca incessante pela parceria ideal - que, por ideal, não existe. E aí, você me dirá, então preciso me acomodar à modorra dos dias, ficar mesmerizado pela rotina e ser paulatinamente e muito lentamente envenenado pelo tédio até o dia em que finalmente sucumbirei pela insuportabilidade do enfadonho? Absolutamente. As pessoas são cláusulas abertas, projetos inacabados. Estão sempre em construção. Se de um lado isso soa exaustivo, de outro, é maravilhoso. O trabalho nunca estará encerrado e aí reside a poesia da coisa toda. A idéia subjacente que nos é subliminarmente inculcada pela cultura de massa, especialmente pela mídia voltada para o consumo, é de que dos zero aos dez você aprende o necessário para existir e se comunicar, dos dez aos vinte tem as experiências básicas necessárias para configurar o ser humano e dos vinte aos trinta galga a sua posição no mercado de trabalho, e AI DE VOCÊ se a sua posição não for a número um (porque daí seu poder de consumo não será considerável, e ele precisa ser, para manter as engrenagens funcionando). E daí? Bem, e daí pode deitar e morrer, você já fez tudo o que era relevante. Mas não tem mais cinquenta anos pra viver? Tem. Cinquenta anos para trabalhar, neurotizar, amargurar, sofrer e, para aliviar tudo isso, consumir.

E o que a infância sonhou? Você não para e pensa, como foi que se tornou advogada quando na verdade queria ser cabeleireira? Que truque sujo que lhe impingiram, que você queria ser mecânico de automóveis e acabou seus dias como industrial calçadista? Que piada é essa, que era pra você ser escritora e você não passa de uma reles carimbadora maluca no serviço público? Sim, nós precisamos colocar comida na mesa, muitas vezes não só para nós mesmos, para a família toda. Mas, e o que a infância sonhou, nunca mais? Nem depois do expediente?

A música do coração pirata tem um recado para dar em um aspecto. Quando a letra diz 'eu compro o que a infância sonhou', talvez tivesse sido mais feliz - mas daí fora do espírito da música, e a gente respeita a licença poética, pois não? - se afirmasse 'eu faço o que a infância sonhou'. Porque, se não é para isso que nós crescemos, então, qual é a grande vantagem em crescer?



Esse texto assim, desconjuntado e pouco assertivo, nasceu ontem durante o jantar, enquanto contava para o Sr. Loiro sobre o maravilhoso e estupendo casaco de inverno da loja xxy que eu desejava absurdamente mas que custava um preço ainda mais absurdo, em torno de cinco mil reais. Ele perguntou-me o que o casaco tinha de tão especial. Respondi: grife. Ao que ele retrucou que, para que eu tivesse gostado, não era por causa da grife, era por algum outro motivo, então perguntou novamente o que fazia o casaco tão especial para mim. Pensei. Pensei mais um pouco. E descobri: é porque o casaco me remetia à suntuosa veste de uma rainha pirata dos tempos do Conan. Portanto, o que a infância sonhou. Mas será que a rainha pirata aqui dentro já não se pavoneia toda com o seu casaco de sonho, todos os dias? É preciso comprar o que a infância sonhou, ou será a minha fome a de viver os sonhos da infância? Ainda não cheguei a uma conclusão e, enquanto isso, não gasto os cinco mil que não tenho.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 13:13 de 07.05.2009
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02.05.2009

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I'm leaving today.

Queridos e Queridas, me vou rumo à grande maçã.
De lá conto como estiver sendo a aventura.

Vocês foram ótemos com as dicas e tudo, muito obrigada.
Comportem-se bem e não maltratem os animais.
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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 22:22 de 02.05.2009
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