tô miando desesperada desde hoje pela manhã. Choro, faço dengo, me esfrego na minha mãe, faço desaforo comendo a cabeça do rinoceronte rosa que ela ama, derrubo coisas da mesa. Primeiro ela pôs ração. E eu insisti. Depois ela me deu biscoitinhos. E eu continuei insistindo. Depois ela me deu até comidinha de sachê que eu amo e eu nem dei bola, mas ainda sim ela não entendeu. Então eu tive de ser especialmente enfática e fazer miaçada na frente da geladeira para ela captar que o que eu queria mesmo era o resto do atum do sanduíche dela de ontem, que ela só tinha me dado um pouquinho.
Agora depois de devorar a meia lata que sobrou, tô dormindo filiz, filiz de barriguinha inchada. Temos de lutar por aquilo que queremos.
Com amor,
Hilda, a gata que cada vez mais se parece com um provolone peludo»
Olha, não sou uma pessoa boa. Já disse isso. Já avisei isso. Já sinalizei isso de todas as formas que conheço. Se você ainda não sabe disso, não culpe o mensageiro. OK?
E, só pra constar, eu não sou boa. Eu sou a Belly.
Tenho um vizinho (ou vizinha) dentre os milhares de vizinhos dessa vizinhança macabra (mas qual vizinhança não o é?) que canta TODOS os dias, a partir das sete horas da manhã, em ALTOS brados, "do you have TO, do you have TO, do you have TO let it lingEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEErrrrrrrrrrrrrrrrrrrr". Assim. Exatamente como escrevi. Dê asas à sua imaginação e figure it out. Figuriô? Pois bem, é pior.
Em um momento de desespero, fui até a janela e pedi, em voz alta, é claro, porque não sei em que unidade condominial se aloja a criatura: "por favor, PARE DE CANTAR!" Evidentemente, não surtiu nenhum efeito. O ser em questão ama demais o som da sua própria voz para conseguir resistir ao ímpeto de soltá-la em ALTOS brados, para dividir com o mundo essa preciosidade rara que guarda em sua mitológica goela.
Ao que, então, fiz uma coisa realmente baixa. Liguei a aparelhagem de som e coloquei num volume suficientemente alto para fazer toda a mobília nas redondezas das caixas de som tremer. A aparelhagem de som tem um subwoofer do tamanho de uma caixa de manzanas argentinas. Got it? Pois. You got it, e o ser cantante, depois de uns vinte minutos de tentativa de combate com o subwoofer, também got it.
Não chego a desejar que Cotovia Canora tivesse tentado combater por mais tempo, digamos, uma hora, e assim lesionado permanentemente suas cordas vocais. Mas quase. Quase. Quase mesmo.
Hoje, coloquei George Michael. Se Cotovia Canora estiver insistindo muito, estaremos colocando Eduardo Dusek.
Do you *really* have to let it linger, vizinho(a)?
Suco de Cranberry indicado pelo amigo Alex. Regula o ph do xixi. Uma beleza. Recomendamos muito.
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Unhas dos pezinhos vermelhas pela primeira vez. E eu nem gosto de unhas dos pés vermelhas, mas para quem sempre teve um pé horroroso, é uma redenção. A verdade, no entanto, é que com a cicatriz ainda aparente, eu pareço ter um pé concebido pelo Tim Burton. Acho até que unhas roxas combinariam mais.
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Tão ligados que estamos no Natal, né? Vó Nininha aguarda ansiosamente a minha ida a Satolep para armar o presépio, coisa que será feita no próximo final de semana.
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Orgulho da madrasta: saca só a tirinha que a Isa fez (clique na tirinha para conseguir ler).
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Passei ontem muito rapidamente pelo novo BarraShoppingSul. Grande, sim. E com um grande diferencial de TODOS os outros xópins de Porto Alegre: restaurantes com vista bonita. Para quem odeia almoçar naquele ambiente claustrofóbico/artificial de xópim, ajuda. Agora: uma blusa na vitrine da C*ri por R$ 950,00? Eu vi direito?
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Amanhã churrascaria e 007 com Facelo (veja que eu faço programas ao gosto do aniversariante), que nóis também semo filho de deus (e com o Facelo é bom). Os dois, inclusive.
Celo, Cris, Ticcia e Alvaro no momento mágico pré-feijoada no Bar do Mineiro.
Nem a hora e meia de fila abalou a alegria do pessoal, mantida a cerveja e aipim frito.
Consigne-se que a essa altura do campeonato a Antártica Original já tinha acabado e que a pimenta que se avista sendo curtida dentro de garrafas ali atrás causou comoção na família. Né, Facelo?
Acabo de ver que minha concurseira ídala-mor maga ultra thunder special triple X Bourne já não é mais concurseira. É procuradora da República que foi aprovada em SEGUNDO lugar. Tááááááá? Bom pra vocês? E só foi segunda porque o primeiro tinha título, título título, que de nota, nota messsss de prova, a média dela foi maior. Linda de morrer e querida e mimosa, mãe do Gabo e poooooooooooooooodre de inteligente.
EEEEEEEEEEEEEEEE. Posse dia 03.12.
Parabéns, Paulinha. Tu és uma inspiração, minha nêga. Abalout. Arrasout. U-hhhuuuu. A Procuradoria da República jamais será a mesma.
Acontece sempre, em todo lugar. Ninguém é todo mundo, todos são alguém com alguma particularidade especial que lhe garanta tratamento diferenciado, não entrar em fila, não seguir as regras, não obedecer as leis, não pagar multa, não esperar a vez, não preencher o formulário, não submeter-se aos trâmites, não penar com o resto da choldra.
Repare só: fila, regra, lei, multa, vez, formulário, trâmite é coisa de idiota, de menos, de pouco, de medíocre, de babaca, de imbecil, de desocupado, de palhaço, de sonso, de qualquer. Quem é importante, inteligente, brilhante, ocupado, bem, elegante, fino e cheio de coisa mais importante pra fazer é diferente e não precisa se submeter a nada disso: dá um jeitinho. Ou sorri e pede uma gentileza, ou acha um conhecido que facilite, ou conta uma história triste, ou mente com cara deslavada, ou peita todo mundo, ou usa a nossa velha conhecida cara de pau. E assim é. O resto olha e não faz nada, ou porque já se acostumou à tunga, ou porque não tem cara de pau suficiente para fazer o mesmo, ou porque tem preguiça de reclamar e se indispor fazendo o papel de «chato» - que aqui é quem exige a justiça do tratamento igual aos iguais e tratamento desigual na medida de suas diferenças.
Até quando isso? Até quando a gente vai ser o resto que assiste a esses disparates e só se revolta silenciosamente? Se a gente não faz a mesma coisa porque acha errado, errado também é ser conivente e omisso. Viu uma pessoa furar a fila, pedir arrego, oferecer suborno, burlar a regra, infringir a lei, dar um jeitinho? Reclame. Reclame com educação, mas reclame. Diga que não está certo, que é feio, que não pode. Dê-se ao trabalho de se indispor um pouquinho para o bem da ética, da vergonha na cara. Fale mesmo e, ainda que não haja resultado prático dessa vez, ainda que o sem vergonha reclame e lhe distrate (quanto mais educado você for, menos coragem ele terá para isso), eu aposto que o cretino vai pelo menos ficar com vergonha e pensar melhor da próxima.
E não desista: é se aproveitando de moscas mortas como nós que essa gentinha vem se dando bem.
Ai, que vontade!
Vocês façam o favor de invadirem o reino e sairem de lá cobertas de coisas lindas!!
E ATENÇÃO! La Reina oferecerá um serviço exclusivo de carruagem: você vai de metrô até a estação Imigrantes e ela manda te buscar! Não é fino isso?! Manda mail prela e combina.
Lei nº 11.804, de 5 de novembro de 2008 - Disciplina o direito a alimentos gravídicos e a forma como ele será exercido e dá outras providências. Publicado no DOU de 6/11/2008, Seção 1, p.2.
Vocês estavam sabendo disso, mosfios?
Tá em vigor, gentibôua.
Côsamairrlinda. Leia, leia.
O Livro das Garotas Audaciosas e o O Livro Perigoso para Garotos. Mas eu acho que o legal é inverter a mão da roda e presentear invertido: de meninas para meninos e vice-versa. Ou ambos para o mesmo sortudo(a), que de coisas estanques e rotuladas a gente já tá cheio, né?
Estou doente a quatro. looongos. dias. Algumas pessoas acham maravilhoso e queriam estar no meu lugar, para poderem ficar em casa vendo seus programas favoritos, ou procurando bobagens na internet, ou ouvindo música, ou lendo, ou dormindo, ou o que quer que as pessoas façam quando estão em suas casas. Até concordaria com elas, se a febre não estivesse sendo tão incrivelmente alta. Foi a primeira vez que passei de quarenta graus nos últimos vinte anos. Uma experiência sensorial inesquecível. Deve deixar cogumelos e ayahuasca e afins tudo no chinelo. Em meus sonhos mais febris, o próprio lagarto-rei botou sua linguinha (agora sem trema) para mim enquanto sorria e equilibrava sua coroa durante a corrida por entre as pedras. Jim Morrison meets João Ubaldo, e no fim vai ver que eles nem usavam nada, eles tinham era um sério caso de faringite crônica que dava as febres mais alucinantes e profícuas em sentido poético-lisérgico de todos os tempos.
Sei as horas pelos horários dos remédios e praticamente não vejo a luz do dia. A doença dá dores, os remédios dão dores. Tudo se resolve em um escambo de dores: fico trocando umas dores por outras.
Há quem leve a vida desse jeito. Um dia após o outro, uma dor após a outra. Não é impressionante?
Dizem que amanhã volto à vida. O termômetro discorda. E aí, quando a racionalidade lhe empurra de um lado e as circunstâncias lhe apertam de outro, há alguma opção que não seja virar uma pasta entre as duas? Talvez haja. Talvez eu devesse me besuntar com lecitina de soja e sair escapulindo patinando - shuissssshhhh! - quando começassem as pressões de todos os lados. Como um muçum ensaboado.
Sonhei que tinha viajado para Brasília. Para assistir um concerto de orquestra de cordas em um prédio público. Decidira ir de inopino e fui, sem bagagem e com uma ridícula carteira preta que usava uns dez anos atrás. Desembarquei. Chovia(!) e eu estava descalça e perdera meus documentos. Na ridícula carteira preta, nenhum dos passaportes, só um bolo de notas de um dinheiro que nunca vira. Sentia tanta sede que não conseguia articular sequer uma palavra para as pessoas, e não me ocorria abrir a boca e estender a língua para o céu e pegar algumas gotas de chuva, afinal, era um concerto, ninguém escancara a boca e projeta a língua para fora no meio de um concerto, mesmo que chova a cântaros no próprio recinto do concerto e ninguém tenha demonstrado o menor respeito pelos concertistas, conversando animadamente e comendo estranhos canapés que boiavam nas travessas de prata.
Sentei-me desolada num ensopado banco de mármore, e o comediante Anísio, trajado como seu personagem Painho, veio ter comigo. Atrás dele vinha todo um séquito, composto principalmente de seus descendentes que também trabalham na televisão e de estranhas mulheres estrábicas que se assemelhavam a Elza Soares. Painho, ensopado, perguntou-me se precisava de alguma coisa, enquanto seu séquito me encarava com uma cara de pouquíssimos amigos. Piscando seus longos cílios postiços em pálpebras lotadas de sombra azul-turquesa cintilante, Painho segredou-me, "você é a única pessoa que consegue vestir esse vestido sem se parecer com um repolho. eu sou, em verdade, uma avestruz". E eu sabia que ele mentia. Em ambas declarações.
Acordei-me com o tamborilar da chuva no telhado. A boca escancarada e seca, as mandíbulas doendo e o coração disparado. Preparei para mim mesma uma horrenda sopa de pacotinho. Que, afinal, não era tão ruim assim.
Segunda feira, 8h da manhã, interior da aeronave da Gol no aeroporto do Galeão: «Senhores passageiros, aqui fala o Comandante. Dentro de alguns minutos estaremos iniciando o nosso vôo rumo ao aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre. Nosso vôo tem tempo estimado de uma hora e cinqüenta minutos e a temperatura no nosso destino é de DOZE graus celsius.»
Novo xópim em Porto Alegre. Relativamente perto da minha casa, com coisas que definitivamente não deveriam ter perto da minha casa, tipo FNAC, Jogê, Cori, Dumond, Carlos Miele... ai.
Movida pela culpa atroz de ter chafurdado num risoto miammiamístico no sábado e depois despirocado na carne seca com cebola e pastéis do Belmonte dominicais (e da padaria da segunda com o Alex eu nem vou falar), a moça acorda pensando: «Já que à noite serei OBRIGADA a ir jantar no japa com um amigo, correrei até morrer agora pela manhã». Niquiqui imediatamente espoca um email do dito amigo dizendo que em função de pacientinhos em surto, baibai japa. A moça vai correr de manhã? Claro que não. A moça tem mais 10h para arrumar uma boa desculpa para não correr à tardinha. Mas está firmemente determinada em não arranjá-la.
"Pra quem gosta do Roberto Carlos nostálgico, e de um Rio que não existe mais, um programa imperdível:
De 19/11 a 07/12, aqui no Rio, ocorre um evento anual em que se apresentam filmes ao ar livre, no Jockey Club. Nesse cenário delicioso, as pessoas assistem os filmes em espreguiçadeiras espalhadas pelo gramado, ou nas arquibancadas do Jockey, com vista para a Lagoa.
E no dia 04 de dezembro, haverá uma apresentação exatamente desse filme, o Roberto Carlos em Ritmo de Aventura!
Além da nostalgia de um Rio ingênuo, dos tempos da Jovem Guarda, uma trilha sonora imperdível, com RC no melhor de sua forma: Negro Gato, Namoradinha de um amigo meu, Eu te darei o céu, Por isso corro demais, e - pra mim a melhor - Quando (essa cantada no topo do edifício do finado BEG, depois BANERJ).
Delicioso, bem verão, imperdível!
Ah: e depois ainda há, no mesmo local, uma apresentação de um grupo que eu não conheço, mas cujo nome promete e parece estar no clima da noite: Lafayette e os Tremendões!
Pra mais informações, vale dar uma olhada no link.
Abração, do
Alvaro"
Vamos passear de helicóptero com o Roberto Carlos pelo Rio de 1967?
Vicky Cristina Barcelona: um barato TOTAL. Javier Bardem impagável (se bem que, vamos e venhamos, se ele só ficar parado e a gente puder apreciar de vários ângulos, já chega), Penélope Cruz ótema (essa mulher só funciona dirigida por grandes diretores), Rebecca Hall também ótima e Scarlett Johansson dando pro gasto (sim, rapazes, o que se aplica a Javier, aplica-se a ela, tô sabendo).O fato é que parece um Almodóvar dirigido pelo Woody Alen. Delicioso. Roteiro ge-ni-al, para ver e rir ao lado de quem se ama. Para ver e fazer carinho o filme inteiro. Para sair enchendo o seu namorado de beijos. Para querer ir a Barcelona. Enfim, vá.
Obs.: Agoooooora: eu estou plenamente convencida que uma das piores pragas modernas é que as pessoas se acostumaram a ver filmes no DVD e agora vão às salas de cinema e acham que estão na sala de casa. «Que filme divertido, né?», «Hahahahah, essa foi boa!», «Mas como ela está bem, né? Cê se lembra naquele outro filme que ruim?», «Eu tava falando semana passada com o Monteiro que o Júlio... blá, blá blá». Quiéquiéisso minha gente? E a gente olha pra trás, faz cara feia e as criaturas nem desconfiam do que é. Que horror, façam me o favor. Se eu não estivese gostando tanto e tão feliz da minha vida, teria dito: «-Os senhores podem fazer a gentileza de calar a boca?» Credo.
E milagrosamente, a moça entrou numa calça 38 da M.Officer. Tá certo que tem strech e a numeração está possivelmente errada, mas quem se importa. O que interessa é que eu tenho corrido 4 vezes por semana e estou feliz com isso. Amém.
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Innéov Fermeté, uma parceria Nestlé e L'Oréal. O cosmético de dentro para fora, é o que dizem. Também dizem que resultados só a partir dos três meses tomando duas cápsulas por dia. Veremos. Consultaremos o nosso dermatologista de plantão e perguntaremos o que ele acha disso. Semana que vem mais informações.
Eu, claro, já tô tomando, que pelo sim, pelo não, lactose, licopeno e vitamina C não fazem mal a ninguém. Comprei na Panvel dos Moinhos xóps, R$99,00. Ou seja, só fazem mal pra conta no banco.
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Tão achando a fase narcisista? Cês não viram nada.
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Chegou ao Brasil a base Dream Matte Mousse da Maybeline. É muito, mas muito mais barata do que as tradicionais bases de respeito e eu tô amando muito tudo isso. Não precisa usar pó - e olha que eu sou adepta ardorosa do pó compacto - a pele fica mate MESMO e suaaaaaave. Ao que consta é a base mais vendida do mundo. Pudera, com esse custo benefício... Ao redor dos R$35,00. Recomendamos muito.
A seguir, uma opinião da Belly, só e somente só da Belly.
Xingue a pessoa certa.
O presidente eleito do país cuja vida doméstica é a que mais afeta os demais países do mundo tem boas idéias e tem a pele preta. Os dois aspectos me alegram. As boas idéias porque já estava na hora de alguém por aquelas bandas ter boas idéias. A pele preta porque a escolha de alguém cuja pele é preta me dá a esperança de que um dia haja o entendimento de que as pessoas são apenas o que elas são: pessoas. Nem mais. Nem menos.
Antes de escrever o que vou escrever, preciso esclarecer algo a meu respeito. Sou uma pessoa emocionalmente deficiente. Não me encaixo, não sou daqui. Consequência (agora lamentavelmente sem trema) é que não me emociono com as coisas: é difícil me surpreender ou decepcionar, pois o intervalo de possibilidades que considero é muito amplo. Portanto, o que segue é racionalização. Se você ainda está embriagado de alegria pela eleição essa de que falo, não leia.
A campanha do presidente eleito foi das coisas mais bem-feitas que já vi. Nem vi tanto assim, mas tudo o que calhou de eu ver foi feito para tocar, comover, apaixonar e, ainda por cima, continha uma boa dose de verdade. Acho, acho mesmo, que o senhor em questão tem as melhores intenções. E acho também que estão esperando demais dele. É o que sói acontecer quando um líder carismático mobiliza a massa pela sua paixão. A soma das paixões torna-se uma monstruosidade que exige correspondência ardorosa imediata, e ai dele se der um passinho em falso.
O fato é, amigos: ele vai dar passos em falso. Não tem como escapar disso. Para receber o país no estado em que se encontra, com a bagunça político-econômico-administrativa que só um tumbleweed alucinado é capaz de proporcionar e, a partir daí, tomar só decisões maravilhosamente acertadas com 100% de rendimento, não basta ser um bom homem: é preciso ser um santo. E milagreiro.
Sinceramente desejo, espero e torço para que ele e os seus consigam não vencer, mas superar, todos os ordálios que se apresentarem. E que, sobretudo, ele não se perca pelo caminho.
Paradoxalmente, tenho um pouco mais de fé do que Boaventura de Sousa Santos, o que talvez se explique pelo fato de Boaventura ser mais prisioneiro de suas paixões políticas do que eu, que muito pouco conheço para ter alguma. O texto de Boaventura está muito bom, mas deve ser lido com cautela e com um viés crítico. Como tudo na vida, aliás.
Foi o ano que eu não vivi, segundo a senhora minha mãe. Acordava às 7, ia para o glorioso colégio São Francisco de Assis em Pelotas, ficava lá 4 horas e meia de olhos bem abertos e prestando muita atenção (eram as únicas horas em completa consciência do dia), voltava para a casa da Vó Nininha - onde morávamos todos – almoçava lautamente e me recolhia para a sesta que durava invariavelmente das 13 às 18:30 na melhor hipótese. Levantava, tomava banho, circulê, uns deveres de casa quando havia, jantar e de novo para o alto do meu beliche (Facelo dormia na parte de baixo – I love ser a mais velha) normalmente antes das 21:30. Lembro só de ter tido caxumba e catapora – bons motivos para faltar aula e ficar em casa dormindo (bota ano estranho nisso) e de mais nada.
O fato é que em dezembro de 1984 eu media 1,55 de altura e em janeiro de 1986 eu contava com incríveis 1,66m. Minha hipófise me nocauteou para me deitar em berço esplêndido enquanto eu crescia, crescia, crescia. Não percebi os ossos esticarem como magirus, não tomei conhecimento da pele que se rasgava – as estrias longitudinais estão aqui para provar pelo séculos dos séculos, amém – não senti as articulações fazendo força para não se desprenderem. Cresci e pronto.
Só que não é mais tão fácil. Crescer agora dá trabalho, no hipófise for you, darling. Crescer agora é um exercício de manter os olhos bem abertos e atentos, de pensar até não agüentar mais, de analisar e reanalisar as coisas (até os sonhos), de varar noites insones e de deixar-se doer, acolher as dores – das mais insignificantes e ridículas (mas não menos horripilantes) até as lancinantes que dão vontade de ficar debaixo da cama encolhida feito um gato, olhá-las bem de perto, entendê-las, localizá-las – ainda que amanhã ela vão se instalar em novo lugar.
As articulações não dóem, os ossos não se quebram, as pele não rasga, mas a minha impressão é de que eu estou em plena expansão.
Em tempo: 1985 - 2009 (será que tem retorno de algum planeta parrudão?)
OI! Sou a Belly e escrevi toda essa pataquada que vem a seguir. Enjoy. Ou enjoe.
O moço que conserta máquina de lavar roupa veio consertar a minha, o que me deixa feliz e lampeira. Porque roupa suja se lava em casa, nada de lavanderia self service pra mim. Na sexta, provavelmente, já estaremos fazendo a maior lavação de roupa suja aqui. Salve-se quem puder.
Fui com amiga na feira do livro ontem e voltei com uns muitos livros, livros pra estudar, livros para ler. Destaque pro Cibercultura e Pós-Humanismo, de um cara das sociais em que ele mistura H.R. Giger (o cara que inventou o design do Alien), Kraftwerk, Matrix, Kubrick e Spielberg, enfim, tudo o que eu gosto junto e reunido, parece uma caixa de bombom em que só vêm os seus bombons preferidos! Não se deixe enganar pelo nome pedante. O livro é bãão.
Hoje vou tomar umas birinaits com umas outras amigas, tudo em crise existencial. Falta é álcool no sangue dessa mulherada. Vocês estão me ouvindo? É com vocês mesmas, suas quengas queridas que eu adôuro.
Quer dizer, até não, porque uma não está mais exatamente em crise, está é apaixonada e, portanto, monotemática. Adôuro também. Nada mió que uma mulé monotemática de amorrrsh.
O resto continua igual: odeio o que me odeia (quem me conhece sabe do que estou falando), as coisas em casa se sujam de uma forma incrivelmente rápida, o filho cresce incrivelmente rápido. Tá tudo acelerando vertiginosamente, quando eu for uma velhinha vou viver com vertigem pensando quando foi que o mundo virou uma montanha-russa e eu não vi.
Serei uma velhinha bêbada, espero. Bêbada e fumante com o batom todo borrado e voz rouca de fumante, os cabelos pintados de uma cor impossível com cinco centímetros de raiz grisalha, usando robe de matelassê todo manchado de nódoas marrons suspeitas e abraçada num gato caduco. E fedida. A própria visão do inferno.
Nah, eu vou é acabar uma véinha roliça e saudável, assando bolo pros netinhos, completamente frustrada por não ser uma vovozinha louca bêbada.
Ok, lá vou eu com o tema de Maria Bonita. Wish me luck.
Essa frase é das coisas mais verdadeiras que eu já li. Acho que a moça fez bem em tatuá-la.
Se pode ser uma profecia inescapável de felicidade, pode bem ser uma maldição contra a qual teremos que lutar pela vida inteira para contrariar (e talvez não haja quase nada a fazer a respeito). Qual é o nosso caso?
Eu sempre acreditei que eu merecesse o amor mais bonito do mundo. Nos últimos tempos tenho tido muitas razões para isso.
Mais uma vez Victory Ford com seu meu brinco de perolão. Amanhã vou tentar achar de novo, aproveitando o ensejo de ter que ir ao xóps comprar novos amarras tops para correr.
Uma hora de corrida e duas taçonas de vinho do porto depois, nem vou precisar de Dorflex.
Beijos nas crianças e PT saudações que os anjinhos que adornam os sonos dos justos e mortos de cansaço me aguardam.
Timothy White presta homenagem ao nosso desenhista de pinups preferido, Alberto Vargas. Em "Hollywod pinups" ele clica várias divas hollywoodianas (ao lado, Susan Sarandon) e, claro, já uma ajeitadinha, né fios, que desenho é desenho, gente é gente. Uma delícia. A mocinha de Women Murders Club, por exemplo, aparece só com uma tirinha de strass e sapatos, claro, Christian Louboutin. Vale o glamour...
Hildolina passou o domingo de grudes com sua ser humana de estimação. Agora pouco ralhou com ela até que ela lhe desse biscoitos e mimos. Tomou agüinha e mandou a ser humana pra cama às cabeçadas. Modos que me despeço.
Bom começo de semana para vocês que eu vou lá servir de colchão para minha dona, que ela tá impaciente.
Ontem um leitor chamado «saudosista do futuro» comentou num post meu do ano passado. Eu fui reler No Escuro do Mundo e, olha, que coisa.
Tem coisas que eu escrevo num transe tão absoluto que depois releio e penso: bãh, no rim. É ver uma foto da alma naquele momento, lá longe. E hoje é um dia de olhar para a coisas em perspectiva. Bem em perspectiva.
O amor não é fácil, não, é complicado pra chuchu. Ele é exigente e descontente e fominha, incansável e resistente, renitente e impaciente e quando a gente menos espera, tem crise existencial e se pára a esperniar, a gritar e a fazer manha. O amor é detalhista, minucioso, metódico, cri-cri, perfeccionista, crítico, perspicaz, inquieto, intranqüilo, tem um olho no padre e o outro na missa, gosta de tudo muito bem fundamentado e quando a gente acha que está desatento, na verdade está é procurando lente de aumento para poder ver tim-tim por tim-tim. O amor é cabeça dura, é teimoso, obstinado, genial, obcecado, obsessivo, insaciável, implacável e extremamente temperamental. O amor é pior do que a Bárbara Heliodora, o Paulo Francis e o Diogo Mainardi juntos. O amor não aceita desculpa furada, ainda que pareça que sim. No fundo ele está só colocando na sua conta de débitos a resgatar, cobra juros e correção monetária, não perdoa dívidas e resgata à vista, sem choro nem vela, doa a quem doer. O amor é duro na queda, invencível, provocador, desafiante, irritante, não dá refresco. O amor quer saber é de amor, que é o que interessa, o resto é só o resto, te vira. O amor não manda recado, diz na cara, paga pra ver, cobra dobrado, não leva desaforo pra casa e se a gente bobear, babaus. O amor é tático, métrico, exato, pernóstico, complexo, mas nenhuma das leis ou métodos que eu ou você aprendemos na escola se aplica a ele. O amor é um caso sério, muito particular, uma raridade e, por isso, cada dia se torna mais difícil achá-lo e lidar com ele de forma a mantê-lo longe da extinção. Se você tem um, dê-se por satisfeito e esteja ciente do privilégio que é ele ter dado o ar da graça, ora veja, logo pra você.
Trate-o como se fosse a coisa mais importante do mundo, até porque, é mesmo.
Na casa da minha infância, tinha uma coleção de três livros encadernados de mitologia greco-romana. Dizia só 'Mitologia', como se a mitologia greco-romana fosse a única que existisse no mundo. Nem ao menos é a mais antiga, mas provavelmente é *a* mitologia que deu origem ao termo. Folheava ávida os livros de mitologia, cheios de reproduções de pinturas, esculturas e vasos, por sua vez cheios de gente nua, fazendo coisas que pessoas também fazem, como comer, dormir, dançar, amar, odiar, guerrear. Pensava que era tão mais interessante essa religião que cultuava uma divindade para cada coisa - fui uma criança cartesiana: um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar -, divindades que passavam pelos mesmos percalços que as pessoas passam, que eram capazes de uma gama complexa de sentimentos. E, claro, era tão mais interessante porque todo mundo estava nu, e eu podia saciar a minha curiosidade infantil sobre os corpos tranqüilamente, coisa que não se daria se estivesse vendo revistas com fotos de pessoas nuas - a primeira revista de mulher pelada que vi foi-me arrancada da mão aos berros assim que perguntei "pai, onde estão os homens dessa revista?" O livro de mitologia ao menos guardava uma certa paridade: a nudez enrolada nuns paninhos que não tapavam nada era o padrão, independentemente de gênero e preferência sexual.
Tinha uma atração inexplicável pelas pinturas de Botticelli. Confesso que não sei se Botticelli pintou alguma outra coisa além das telas retratando cenas da mitologia greco-romana. Ficava vendo e revendo as mesmas telas, com os dedos gorduchos e bem pequenininhos marcando só as telas botticellianas nos três volumes e folheando só essas, de lá para cá. Eram o nascimento da Vênus, a Minerva com o Centauro e Vênus e Marte. Essa última me intrigava pelo homem jovem deitado tão lindo e lânguido, com a cabeça pendendo para trás a revelar suas feições delicadas, embora muito másculas, perfeitas em sua simetria. Ele parecia tomado de um torpor estupefaciente que só se sente depois que algo muito maravilhoso ocorre, e eu pensava que era isso que se devia sentir quando se estivesse com alguém que se ama muito.
O tempo foi passando. Conheci vários tipos de pessoas e descobri que tão diversos como as pessoas são os relacionamentos. Quase esqueci do homem jovem do quadro de Botticelli, tendo adotado a máxima campeira de 'todos pêlos eu encilho', por cartesianamente imaginar que ampliar ao máximo o leque de possibilidades era o melhor a fazer para uma pessoa esquisita como eu. Mas o jovem botticelliano não esquecera de mim e se fez carne para me encontrar muitos anos mais tarde, já bastante amaciada pelas bigornas da vida. Ele veio com as peculiaridades, características e fraquezas humanas, como sói ocorrer com as divindades da mitologia greco-romana, e mais divino ainda porque mais humano. Pegou-me literalmente pelo calcanhar, como faria com Aquiles, deitou-se ao meu lado e segredou ao meu ouvido que infinitas coisas incompreensíveis há e nisso reside sua beleza.
Ele me veio e não foi mais embora. Vagueia nu pela casa nas horas escuras e deita-se sempre despido por entre panos macios. Sente medo, dor e fome, como qualquer das criaturas humanas e tem bravura o bastante para encarar a interminável sombra da metade negra que me acompanha. Por vezes, aconchega-se nos meus braços mas, no mais, reclina-se espraiado com a cabeça pendendo levemente para trás, senhor de seus domínios. E, antes de adormecer também, eu o leio e o folheio, com meus dedos não mais pequenininhos, mas ainda gorduchos.
Eu ainda gosto da feira do livro, mas francamente, se é para comprar, prefiro a quietude da minha livraria, com as gurias que sabem do que eu estou falando. A Feira é para o footing e para passear - e eu ando meio avessa às multidões.
Sou só eu que ando chata, ou tem mais alguém que tem antipatia hepática pela nova musiquinha da Marisa Monte?
Já era hora do calorzinho. E a coisa tá muito light pro meu gosto.
Eu espero ter a oportunidade de ser mãe e verificar de corpo e alma se é tão difícil não colaborar definitivamente para as piores conseqüências psicológicas, se é mesmo tão difícil ter consciência da merda que se está fazendo, a despeito desse tão cantado em prosa e verso «amor incondicional».
Eu *preciso* do brinco de perolão usado pela personagem Victory Ford em Lipstick Jungle.
Sinceramente eu não sei onde essas moças que colocam 300ml ou mais de silicone compram biquini. E suponho que todas as mulheres fruta que andam por aí compram uma barraca de camping e mandam transformar em biquini, já que eu, que tenho airbag de fábrica e não tenho o menor quadril do mundo, ou compro biquini de gestante (com a parte de baixo parecendo a calcinha da Bridget Jones), ou passo a vida lutando para entrar em modelos tamanho G feitos para meninas de 11 anos (e me sentindo uma senhora do Botero perdida num anúncio da Dolce & Gabanna).