A pessoa sonha que o ex-marido está cozinhando, na sua casa, um jantar para você e seu namorado.
O que eu gosto no meu sub/in-consciente é que quando eu tô meio renitente, ele desenha.
Beleza, aê.
Cansadas que estávamos deste cheiro de calcinha, achamos que um cavalheiro faria bem ao nosso estrogênio, ao nosso moral e à nossa auto-estima. Todas nós sabemos os milagres que operam portadores de XY em nossas vidas (e os estragos, também, mas pronto), ainda mais quando o homem em tela é um verdadeiro bofe bem com D.O.C. Por isso, decidimos que precisávamos dele, para nos mimar, para nos falar algumas verdades, para nos dizer aquelas coisas que só ele diz. Depois de algum tempo em peregrinação mundial, em estudos empíricos multidisciplinares que só colaboraram para que ele esteja cada vez melhor, com vocês, o rei de todas as princesas: Canalha Rodrigues.
**********
Aaaahhhh, minhas princesas. Quanta saudade esse canalhinha aqui sentiu de vocês. E, se não fosse a Ticciuda, esse desgarrado estaria até hoje na rua da amargura. Mas, a partir de agora, tudo vai voltar aos conformes e a gente vai se ver de vez em quando por aqui. Só que, o primeiro recado do Canalha, não é para vocês maravilhosas não...
Pequeno Manifesto aos Homens Machos do Sexo Masculino
Como é, rapaziada? Vocês parecem que não estão ouvindo as reclamações das princesas, poxa! Meu querido, já estamos no século XXI. As mulheres mudaram e o negócio é se adaptar à elas. Ou ficar na mão. Literalmente.
O Canalha não está falando para você virar cachorrinho de madame. Dá para manter sua personalidade, seu jeito de ser, seus princípios e ainda agradar essas mulheres que tanto merecem.
E elas estão certas em exigir mais de você, meu camarada. Passaram anos se embonecando, comprando lingerie nova, usando 16 cremes por dia. Sem contar os livros e os estudos para ficarem mais inteligentes, para se emanciparem, e você ainda acha que elas vão aceitar ficar se esfregando em qualquer troglodita com o tacape na mão? Faça-me o favor... Passa um perfuminho, lê um livro, manda uma flor. Se mexe, meu amigo.
Agora, se você é um daqueles que tem medo de se apaixonar por uma mulher inteligente, independente e bem-resolvida, o Canalha dá um conselho: passa o telefone dela pra cá porque, por mulher assim, até o canalhinha cai de quatro! Como diria Dr. Bocão, ginecologista amigo, relacionamento não pode ser como tênis, um tentando ganhar do outro. Tem que ser que nem frescobol: os dois, juntos, pra não deixar a bola cair. O segredo está no equilíbrio, meu camarada. Ela trabalha muito? Dá uma ajuda em casa. Ela ganha mais do que você? Deixa ela pagar o choppinho de vez em quando. Qual o problema? Mas também não vai se escorar, né malandro? Faz o seu direitinho, se é que você me entende, que ela não te larga nem pelo Brad Pitt. Bom, pelo Brad talvez, mas não pelo resto da rapaziada que está aí.
Ah, mas você não está afim de compromisso? Bom também! Mas deixe claro para a princesa. É até uma gentileza deixá-la decidir se quer assim ou não. Se não quiser, paciência. Não funciona é a mulher querer uma coisa e o homem outra. Não encaixa.
No fim das contas, o que não pode é ficar parado. Vá à luta! Não precisa dar uma de intelectual, de papo cabeça, de cult. A simplicidade é a melhor abordagem. Um "eu gosto de você" faz mais efeito que um "Sabia que em sua fase azul Picasso estava tomado por melancolia e inspirava-se em Toulouse-Lautrec e Cézanne?". Se não souber de algum assunto é só dizer. Ninguém sabe tudo. Você aproveita pra aprender com ela e, com certeza, vai ter muita coisa bacana pra ensinar também.
Vai por mim, meu querido, que de mulher o Canalha entende.
Comigo, pelo menos, não é mito. Meu corpo fala comigo e, se eu não escuto, ele toma as atitudes necessárias. Quando algo me incomoda e entristece, até que eu seja capaz de saber bem o que tá pegando, nada de comida sólida. Também adeus sono, que é pra ficar ligada e pensativa. Se insisto em engolir sem saber o quê, ou a comida volta, ou a digestão bagunça e bagunça a tal ponto que é difícil sair de casa. Junto, normalmente, vem alergia, que dá aquela coceirinha básica que trata de me lembrar de cinco em cinco minutos que tem algo me incomodando e eu não fiz nada ainda. O bom é que com a alergia, vem o anti-histamínico, que dá um soooono... aí já viu.
No meio de tanta pereba, a conta da analista sai até baratinha.
Eu e o moço do café usamos o fim de semana chuvosíssimo para nos refestelarmos num curso de cinema. Ana Maria Bahiana e «Como ver um filme» preencheram nossas manhãs de sábado e domingo.
O grande barato foi conhecer os truques, as técnicas, os métodos de roteiro, montagem, direção, som. O melhor de tudo foi que o curso foi no cinema (GNC Moinhos) e a gente pôde ver os exemplo na grande tela, com direito a escurinho e tudo.
Acho que o curso poderia ser mais multimídia do que foi (se os exemplos entrassem logo após cada uma das explicações, a coisa ficaria mais divertida). Mas Ana Maria faz bem seu papel, que é o de quem conhece muito de cinema.
Agora posso falar. Eu li.
Li onde para mim seria seguro ler. Num final de semana lindo, cheio de sol, de amor, de carinho. Na rede, tomando caipirinha de maracujá. Eu sabia que sem essa armadura toda, correria risco de vida (maior). Afinal, olhar o que se mais teme na cara não é algo que se faça desassistido.
Eu nunca tive dúvida. O que faz dela uma escritora única, magnífica, irrepetível é o talento que ela tem para reunir numa frase, ou duas, o histórico psiquiátrico de alguém. Assim como Machado de Assis fazia isso descrevendo a aparência dos seus personagens, Fal reúne tudo numa circunstância e numa maneira de reagir a um acontecimento, ao modo daquela pessoa de ver o que se passa. Numa frase, ela nos situa sobre o mais importante: você sabe (na verdade, você sente) quem é aquela pessoa, nos colocando dentro de sua alma.
Sua protagonista não tem esse nome por acaso.
Mas a mágica da Fal vai mais além. Como a gente sente aquele flash de vida, sem que o rosto do fotografado seja muito nítido, o fotografado, no mais das vezes, é você mesmo, ou alguém que você conhece tanto e tão dolorosamente bem que não podia suspeitar que mais alguém no mundo também conhecesse. E Fal conhece. A você, e a todos os outros, porque conhece o essencial no ser humano: suas dores e sua (in)capacidade atávica de lidar com elas.
Minúsculos assassinatos também não tem esse nome por acaso. Lá está uma coleção de bons e maus assassinos e assassinados, de dores que morrem e ressuscitam, de esperanças mortas de morte morrida, de morte matada ou que sobrevivem com alguma dificuldade. Só não há vítimas, incrivelmente. (Incrivelmente?)
Qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais que Fal nunca encontrou, nem sabe que existe, acredite, não é mera coincidência. É fruto do talento único dessa incrível escritora para entrar dentro da alma da gente. Leia com cuidado.
O finde prolongado em terras de Jorge Ama(n)do - como bem disse o nosso atento leitor nos comentários - foi um deslumbramento. Enquanto em Porto Alegre chovia e/ou fazia frio e no Rio idem, na Bahia era tudo alegria, sol e calor como deve ser. E o meu sotaque... tá uma délicia de fazer inveja a Caetano.
Você já foi à Bahia, nega?
Não?
Então vá!
Na Praia do Forte, no projeto Tamar, apelidamos uma imensa tartaruga cabeçuda que estava se preparando para pôr ovos de Ivete. Sem contar Dori (pronuncia-se Dorí, apelido de Caymmi), minha lesma do mar preferida, que subiu na minha mãozinha, dorminhoca e fez zóinho pra mim.
Quem vai ao Bonfim, minha nega
Nunca mais quer voltar
Muita sorte teve, muita sorte tem, muita sorte terá
Você já foi à Bahia, nega?
Não?
Então vá!
Sim, sim, eu adoro música baiana, podem começar a atirar tapiocas e acarajés. Quem não me viu ensandecida no show de Margareth Menezes tirando o pé do chão, não pode dizer que me conhece. A negona é um assombro. Tá certo que foi show no hotel, com pouquíssima gente, sem multidão, sem sol na moleira, sem ninguém pisar nos pezinhos, uma chiqueza, mas ahhh, foi a glória.
Lá tem vatapá!
Então vá!
Lá tem caruru
Então vá!
Lá tem munguzá
Então vá!
Se quiser sambar
Então vá!
Glória também foi ter o prato servido por Dadá, que me serviu, me jurou que eu podia comer aquele bocadinho de coentro que a mão de Dadá nunca fez mal a ninguém, não ia ser agora que eu ia ter alergia ou passar mal, e eu comi feliz e tô inteirinha. Tão inteirinha que depois do jantar ainda comi o Negão da Dadá (o doce) e quindinzinhos que eram uma total perdição.
Nas sacadas dos sobrados
Da velha São Salvador
Há lembranças de donzelas
Do tempo do imperador
Guarajuba é um deslumbramento, mar como deve ser pra mim - calmíssimo, com piscininhas, quentinho, cheio de conchinhas, peixinhos, corais, algas, lindo, e com um resort felomenal, oficorsemente, que nóis ama a natureza, mas cama de um hectar quadrado, cardápio de travesseiros e caipirinha de cajá, vamos e venhamos, é o que há.
Tudo, tudo na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito
Que nenhuma terra tem
E pronto, já estamos de volta. A previsão do tempo para este estado onde não existe misericórdia é de começar chuva na quarta e só parar semana que vem. Eu e minhas marcas de biquini estamos assaz preocupadas.
Amanhã eu mostro mais fotcheeeenhas de autoria do nosso personal mean photografer e conto as minhas experiências gastro-músico-epifânicas na terra de Caymmi e das tartarugas ninja.
Muita sorte teve, muita sorte tem, muita sorte terá
Então a moça vai sair uns dias, vai arejar a cachola e bronzear levemente as partes, num lugar em que deus não esqueceu o que é sol, nem o que é água quentinha de mar, nem o que é UV extremo, nem o que é alegria no coração. Malinha tá pronta, biquini bonitinho (depois de 42 experimentados), filtro solar que o Bial mandou, óclão, Ipod com recheio de compilations cafeína, tuda. Em casa ficam Hildolina e Alex, seu fiel cat sitter, com provisões suficientes até o meu retorno que, se nosso senhor do bom fim não me fizer proposta melhor, deve se dar em algum momento do início da semana que vem.
Muito provavelmente haverá um computador disponível com vista para o mar azul e as areias brancas, assim, portanto, é provável (só provável) que eu dê noTíccias.
Só quero deixar registrado aqui que ontem eu conheci Carol, Julinha e Helena, as amigas power rangers de Isadora, a Mme enteada e amei muito.Tenho quase certeza absoluta que quando eu tinha 18 anos, ou não existiam gurias tão mimosas, queridas, inteligentes e divertidas (duvido), ou a Isadora é muito mais competente para escolher amigas (mais provável). Modos que tamos pensando em encampar as amigas da Isa, se ela permitir.
Amanhã tem coluna In-ventário na Paradoxo, não perDam. programei um lembrete para entrar amanhã, que eu tô sabendo que 'cês são um bando de caduco.
Hoje ela faz 18 anos. O que, claro, me faz uma anciã, porque uma pessoa que tem uma enteada de 18 anos, convenhamos, não pode mais se intitular uma moça. Mas faz de mim uma porção de outras coisas. Faz de mim uma coadjuvante orgulhosa, uma assistente babona, uma criatura melhor. Ela é o que eu mais perto de filho tenho, é a razão pela qual eu não desisti de tentar e o motivo pelo qual eu não perdi a esperança de lá, no final das contas, ser uma mãe preste para alguma coisa além de enlouquecer mais um ser humano. Ela tem olhos imensos e está cada vez mais parecida com o pai - em todas as coisas bonitas dele - o cabelo acinzentado de uma cor irreproduzível pela Lorèal Paris, o senso de humor mais perfeito do mundo, a ranzinzice mais adorável. Ela tem hoje a idade que eu tinha quando a conheci e, portanto, vivi metade da minha vida sabendo da existência dela (no que eu ganho dos progenitores - sorry), esperando ser merecedora do seu carinho. Acho que somos hoje uma merecedora do amor da outra. Tenho a pretensão de achar que ela conta comigo quando tudo mais dá errado, que ela tem vontade de me contar quado algo realmente maravilhoso acontece (e é por essas coisas que ela me faz acreditar mais em mim).
Isa, parabéns por seres tu e por me permitires ser uma de mim melhor porque tu existes por perto.
Feliz aniversário. Não esmoreçais, ambrosia de Vó Nininha está a caminho.
Cheguei a Satolep ao meio dia do sábado e Satolep era Satolep. As ruas úmidas, o frio que contrariava - como sempre - a previsão, a chuva, o cinza, as paredes molhadas, o calçamento de pedra (e nuvem, Vitor, sempre nuvem), o meio fio que sempre nos acompanha fiel como um cachorro pétreo. Estava lá Vó Nininha. Um pouquinho menos magra, um pouquinho menos triste e só isso já foi tão bom que não precisava mais nada. Estava lá Paula, tão feliz, tão feliz de me encontrar. Não que ela tenha dito isso, mas eu sei. Sei porque somos feitas do mesmo material, no mesmo molde. A gente (ainda) não aprendeu a abraçar e dizer que tá feliz de se encontrar, ou que estava com saudade (só muito às vezes). A gente fica eufórica já dias antes, como se viesse morar em nós uma felicidade fervilhante, de formigas elétricas, de bem querer, de voltar pra casa na chegada da outra. E quando a gente se vê, o olho brilha, o riso solta e a gente fica saltitante e com 5 anos (ambas). Estavam lá a Bê, a Aline e a Indaia e é tão bom ter uma família maior. Como eu me sinto em casa perto delas, meu deus. Elas fazem parte do minúsculo grupo dos meus seres humanos abraçáveis, aconchegáveis, para os quais não se precisa dizer nada. Estava lá Msr. Pai que levou uma caixa de sorvete de doce de leite da Zum Zum para mim e Paulinha em pleno salão de beleza, com direito a canudinho de biscoito e tudo. Se isso não é ser mimada, eu não sei o que é. Tava lá Mme Mãe e Antônio, com sorriso e galinha de casaca assada no forno e salada de maionese. Tava lá o presépio da minha infância, guardadinho, que agora vai dar o ar da graça no Natal em produção digna de oliúde (depois eu mostro pra vocês). Estavam lá Facelo, Cris e Téo, o sobrinho cão mais fofo. Ter eles por perto é um seguro de vida. Tava lá cunhado mimoso, caindo de cansado e faminto, mas bom companheiro na hora de devorar massa e tomar vinho. Estavam lá Fátima e Cátia, mais família, mais aconchego. Cátia mais irmã que nunca, coisa mais amada. E estava lá, por alguns segundos, vô Paulo, quando o olho azul dele entrou dento do meu olho no dele no meu no dele, quando por pouquinhos instantes eu tive a impressão (falsa, pode ser, mas que me importa) que ele sabia que eu estava ali, que ele viu o meu olho dizendo com tudo que eu posso dizer de mais bonito, mais inteiro, mais de verdade, sinto a tua falta, vô, lá naqueles poucos segundos, foi tão bom e tão triste, ele parecendo dizer tô aqui, também tenho saudades, e eu quis tanto que o mundo não fosse assim, que a vida fosse outra, que a gente tivesse outra chance de tanta coisa, mais passarinho, mais pescaria, mais sesta no tapete, mais tudo de novo, que realmente não houvesse um despropósito incompreensível desse, que quem não merece não sofresse, que bondade fosse imunidade, que o mundo obedecesse uma lógica qualquer, qualquer que fosse. Mas não.
Nova Compilation Cafeína na área.
A mistura tá um troço de de cool, de chique, de tuda.
E a foto? A foto, minha gente, foi das coisas mais lindas que eu já vi. Estava na exposição do Tazio Secchiaroli.
Trata-se tão somente de Fellini mostrando ao Mastroianni os movimentos que ele queria em 8 1/2.
Tão, mas tão TÃO sexy que eu nem sei.
Lançamento de Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite da Falzoca ontem, no Rio. Não fui, mas havia representante da família presente e operante, que pegou meu livro autografado. Eu jurei que ia esperar até Fal vir a Porto Alegre, mas... não güentei. Mas Falzoca vem, Falzoca virá, né Falzoca? Ou vai ter piquete na frente da Mansão dos Antoniete Ferreira para me intimar a declinar o vosso endereço.
Mesmo com o cone de silêncio digno de Agente 86, em que celular era quase uma inutilidade, falei com a Falzoca por telefone, que coisa boa. Quem não viu, quem não chegou perto de Falzoca de Las Canduengas, no sabrá jamás como esta mujer es caliente e mimosa e como o quentinho vem até por telefone pra ni dentro do curaçonzim da gente. E ela disse que me ama, modos que hoje é sexta mesmo, com cara de sexta, e é primavera.
Usurpei convidados do lançamento da Fal, claro, que o representante da família não só vai e pega livro e afofa a Fal por mim, como também faz senvergonhices em meu nome. Patrícia do Rio já me jurou que me leva pro samba, para eu provar definitivamente que sou originalmente descendente direta da não tão velha guarda da Portela, parida em trânsito e enviada por engano para um estado onde a temperatura cai abaixo dos 20 graus e que tenho, sim, pasmem ao cubo, samba no pé. Sim, eu sei, sou branca, mas pô, se a Magriça Monte é branca e sem bunda e é, eu que tenho até quadril de mulata também posso ser (o périplo para comprar biquini que me entre que o diga).
Usurpamos também Ana Paula, minha querida amada. Vamos pro samba também, Aninha? Leva Seu Décio (que é gaúcho de verdade) para eu ter uma testemunha idônea do que eu sou capaz, faz favor, que tu me ama e tem relações de estreita amizade e simbiose comiga, num serve para dar depoimento. Aposto que se Seu Décio disser pro juiz o que verá, com aquela cara de confiável dele, tenho minha cidadania honorária deferida no ato.
Vamos Fridas? Vamos Lenissa? Vamos Melina? Vamos Gigio (Gigio também foi usurpado e recebeu beijos, em meu nome, não foi? Tou checando se o representante me obedeceu bastante)? Vamos Claudinho, ou tu tá europeu de novo? Quero mais a Senhorita Rosa dos Candelabros requebrantes, e Carla San, e Marcelle. Carrie, quando tu volta, mulér? Chega de isteites, nóis tá com saudades de ti. Vamos Chicão? Leva a Dona Patroa e Thaís. Vamos Marcus, meu editor favorito, com Bia, sua amada sílfide? Vamos todo mundo que tá com vontade de dançar até fazer bolha no dedão? Vamos fazer um Mean Samba dos crioulos doudos?
No finde do dia 15/16 de novembro tem alguma coisa em vista? É a minha mais provável data.
Primavera no RS, o inverno mais ameno da patagônia
O frio voltou, meus caros. Não é à toa que eu e minha amiga Adriana Calcanhotto odiamos o clima desta terra esquecida pelas ninfas de Botticelli. Faz 14º agora e na madrugada fez 8º. Em outubro. Indignação, teu nome é Ticcia.
Mas a moça acordou enfezada, já tomou café e está saindo no presente momento para correr até se despetequiar. Essa semana é fotossíntese e exercício, que o Ridjanêro foi um abuso e ontem teve jantar com o moço do café com direito a dois pés, um braço e um pescoço enfiados na jaca calórica.
Por falar em moço do café, como diria Rititi na série «Meus amigos são melhores do que os teus», a capa da Paradoxo desta semana é matéria dele, tão pensando o quê. Eu posso ser muito maisomeno, mas sou suuuuuper bem relacionada. Nem vou contar que eu ganhei um DVD Player de presente dele que toca tuda, de Divx a pendrive, ripa CD, faz maravilhas com leite moça, com direito a aula privê de operação do eqüipamentos. Tô desconfiada que o troço esse é tão bom que se eu colocar uma bolacha maria pra tocar, vou ver a nova temporada do Grey's Anatomy.
Apesar de carioca não gostar de dia nublado, a moça foi e se esbaldou.
***
O que é a batida de pitanga da Academia da Cachaça, pelamor? E a caipirinha Academia, com limão galego e mel? Para sair de lá arrasxxxtada, mosfios. Ainda mais depois de um escondidinho de carne seca. Ainda mais ida direto do aeroporto. Da província de São Pedro direto para os braços do Redentor, que a sexta feira estava quentinha, morninha, deliciosa.
***
No sábado, dormir, oficorsemente, e depois ir andar pela Rua do Lavradio, olhar para cima e curtir as fachadas lindas, olhas pros lados e ver gentes sorrindo, e me meter em cada portinha cheia de coisas legais. Claro que a moça se encantou do lustre mais caro da loja, que dúvida.
***
O domingo foi de delícias e foi arrematado por uma passada no Rio Gastronomia, com a desculpa despretensiosa de conferir ao vivo o meu novo grupo culto preferido desde criança há um mês: Casuarina. Pois não é que estava lá Dona Surica da Portela, que não só deu dicas da feijoada famosa à tarde, como se aboletou-se no palco com os rapazes, bem linda, bem tudo, e cantou para lavar, enxagüar, alvejar, passar e engomar a alma de qualquer um? E eu dancei, viram, dancei com meu vestido rodado cheio de cerejas e saí feliz, feliz, como eu não lembrava de ter sido um dia.
***
Modos que agora o que eu faço por vocês é dizer que quem não conhece PRECISA conhecer o Casuarina (Cariocas, vamos combinar de ir no show deles e dançar até morrer?) e que por indicação de Alex, o magnífico, estou escutando Suas Majestades os Morelenbaums, em Telecoteco - Um sambinha cheio de bossa. Para ouvir de joelhos, obra prima, sendo filiiiiz, filiiiiiz.
Ai, de volta de Pasárgada, tanta coisa boa. E u nem consegui ficar triste na chegada, porque tinha presente lindo me esperando.
Mas tô muito cansada. Amanhã a gente se conversamos.
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Não exatamente isso, mas quase isso. Rei, assim, de coroa e tudo mesmo, é modo de dizer. E mulher, assim, não trabalhamos com esse material.
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Além do que, dizem que em Porto Alegre vai até chuviscar, ficar frio de novo, modos que vamos vazar.
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E eu adoro azucrinar noras fictícias, levantar a sobrancelha e perguntar de chofre (sempre quis perguntar alguma coisa de chofre): -"Lês muito?"
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
Quase isso, mas não exatamente isso. E não vou citar as atividades impublicáveis, óficorsemente.
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Ou ouvirei serenata ou canção de ninar, que, como talvez alguns de vocês não saibam, em Pasárgada o pessoal canta bem pacas e toca violão.
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
Sem falar na M.A.C e na Fruit de La Passion.
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Mas eu acho mesmo é que triste mesmo, só quando tiver que voltar.
Portanto, fui, e como diria Ibrahim, eu quero é mocotó, ésse ó érre érre ipsilone.
*Colaborou com o nosso post, o amigo Manuel Bandeira, direto do livro "Bandeira a Vida Inteira", Vou-me embora para Pasárgada, Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986.