A moça ODEIA almoçar sozinha e, por conta disso, acaba almoçando muito mal durante a semana. Vai daí que a moça descobriu que se almoçar em casa, vendo Grey's Anatomy, é menos ruim, só que para almoçar em casa, teria que fazer comidinha só pra ela, o que vira uma operação inviável quotidianamente falando. Foi então que a moça descobriu que podia comprar pratos prontos congelados em proções individuais com tempero de gente e, se quiser, até light. Provei e aprovei: Aninha Comas.
E então é domingo e tem um filme bom na TV, mas você precisa dormir e não tem sono algum, toma um copo de vinho, ouve Adriana dizer que o que você demora é o que o tempo leva, vai para o chuveiro e chora uma dor contida que ninguém conhece, ninguém suspeita, chora desamparada e pequena como você tem medo que alguém descubra que você é, depois vai para a cama e fica de olhos abertos no escuro, seus olhos abertos no escuro como num mar negro pensando na vida que falta e na vida que resta e então já é de manhã e o cheiro de café é bom, vem a sede e o sol, e é hora de colocar a música bem alta e correr, correr, correr muito, sentir o coração batendo no rosto, nos dedos, na barriga, cantar alto uma música e depois outra e mais outra, deixar o suor escorrer nas costas, os pés doerem e os pensamentos se resumirem ao ritmo, e depois a gata para alimentar, o dia para viver, o carro para mandar lavar e a nova marca de xampu e os sonhos que se esqueceu, comida light, vento no rosto, vestido rodado, um medo e uma esperança, às vezes uma esperança e um medo, e você afasta a ansiedade e dança, pensa no que colocar na mala, e no seguro do carro e na carta da síndica, liga para a vó, corta o cabelo, respira fundo e reza querendo acreditar que ajuda, come pão com manteiga, se irrita com o carro de som, abre a janela para o sol entrar, acorda com os dedos dos pés formigando, compra uma blusa que acha que não vai usar, vê que a balança não está nem aí para o seu esforço, arruma a cama com lençóis de flor, muda o perfume, usa batom vermelho, quer muito estar perto e está tão longe, se sente só e impotente, aumenta o volume do rádio para espantar a saudade, lembra do cheiro de maresia de madrugada e que tinha um restaurante chinês na esquina, e então você tem 35 anos e passa creme anti-rugas no rosto, creme anti-frizz no cabelo, creme anti-celulite no bumbum, creme anti-manchas nas mãos, creme anti-rachadura nos pés, creme anti-flacidez nos seios e não tem nada para fazer passar as dores que não passam, e a gata lhe ama, e a casa precisa de uma arrumação e as gavetas estão sempre tão sem espaço e a sua vida está sempre sem algo por quase ter algo que realmente importe e então é de novo domingo e tem um filme bom na TV.
Love Actually no Universal channel. Previsão de dormir com dor de cabeça de tanto chorar.
Prometi que só vou assistir até a cena em que o primeiro ministro dança Jump, pelo bem da minha sinusite.
Apavorante. A gente depois analisa, racionaliza, pensa, desmembra, faz as ponderações necessárias, respira no saco e até se acalma, mas na hora... ai.
Abençoados sejam os anos de psicanálise nesse corpitcho.
Ao que parece, primavera instalada na província de São Pedro. Não que ainda não possa fazer frio, mas a perspectiva são dias de temperatura de quase gente para a próxima semana. Passando dos 20º a gente já começa a derreter os estalagtites.
E a moça foi de volta para aquele lugar desgraçado, chato, infeliz, torturante que se chama academia. Sim, tentando se convencer de que é um lugar legal, gostoso, aconchegante, lindo e que só faz bem, mas pô, não é o que cada músculo do seu corpo diz.
A moça tem uma carteira de identidade com a averbação do divórcio nela, emitida pela Secretaria de Segurança e Justiça do Estado. Tem o documento do veículo com o nome de casada. O Detran quer a certidão de casamento com o divórcio averbado nela «porque não tem como saber qual era o nome antes». Claro, é bem relevante a possibilidade de ser Carlota Joaquina de Bourbon e Bragança. Eu mereço. Mereço MESMO, pois quem mandou adotar nome de marido. Toma.
«Quando sentei na cama hoje pela manhã pra colocar meu par de tênis mais velho, vi na sola dele o número 36, olhei para o espelho na minha frente e vi no chão meus pés sob a meia branca, as pernas cobertas por uma calça jeans, no bolso da frente havia um celular; uma básica marrom cobria o sutiã, que cobria os seios entre os quais batia um coração já um pouco castigado, no rosto algumas marcas das espinhas já não tão frequentes assim, o lábio inferior sendo mordido pelos dentes superiores, o nariz segurando os óculos de grau bem elevadinho, os cabelos molhados e despenteados caídos sobre os olhos. Os olhos! Lá dentro eu balançava os pés tamanho 28 escondidos sob as meias rosas de florzinha, as perninhas finas estavam cobertas pela confortável calça do uniforme da escola, no bolso estavam as tartarugas de borracha do kinder ovo, a camiseta cobria a pele e só, o coração faceiro ansiava pelo parquinho, a cara limpa ainda mais branca devido ao excesso de bloqueador solar, um sorriso calmo na boca pequena, o narizinho sem nada em cima, os cabelos sendo penteados pela minha mãe e os olhos ainda meio azulados tinham a minha idade.»
Um barzinho, um violão, Novela 70. Tem de tudo, minha gente. Mas quase tudo agrada. Você pode pensar que por ser assim da minha idade ou mais novo que não vai conhecer nada dali, mas vai, e, se não conhece, deve conhecer. Tem coisas lindíssimas, como Fernandinha Takai e Arthur de Faria em Pavão Misterioso, Luiza Possi em Teletema, etc. Coisas deliciosas como Lobão num momento glória do Tio Raul, Zeca Pagodinho (que eu adoro) e Jorge Aragão (que eu adoro ainda mais). Para as moças, tem Diogo Nogueira (o que é aquele homem, modeuso, e ainda cantando Você abusou? Ai) e para os moços tem uma Paula Toller de descompensar qualquer um (tire a sua namorada da sala antes de sair uivando) cantando Sonhos do Peninha lindo como ninguém nunca mais cantará.
Recomendamos. Eu pulei os Maurícios Manieri e congêneres, mas tem quem goste.
E então a moça volta a correr e no seu Ipod shuffle lilás, a.k.a Tink Wink, Kiss, daquele que um dia se chamou Prince, é o hit do momento.
U don't have 2 be rich 2 be my girl, U don't have 2 be cool 2 rule my world, Ain't no particular sign I'm more compatible with I just want your extra time and your ... kiss
O final de semana teve show Maré da Adriana Calcanhotto (crítica do Alex na Paradoxo, aqui). Onde ela, porque era o último dia de inverno, cantou Inverno - que só cantou mesmo no domingo. E cantou Vambora, que fez uma determinada pessoa chorar de soluçar na platéia. Uma monstra essa Adriana. Uma monstra linda, diga-se. E eu finalmente assisti o show que eu deveria ter assistido há 3 meses, na companhia de quem eu deveria assistir. Tem coisas que. Pois é.
Aliás, adeus inverno. Hosana nas alturas. Agora só falta avisarem São Pedro de que no Rio Grande do Sul também já é primavera. Eu e minhas libelinhas e meu libelão estamos prontas para bater asas por aí.
Não vou nem contar que uma das moças da produção disse quando me viu passar que eu era a cara da Adriana Calcanhotto. Vou atribuir o elogio ao xale vermelho que remetia ao figurino da ídala, mas que eu bem fiquei toda-toda, eu fiquei. EGOdzila, claro, agora quer gravar um CD.
Ganhei (também) Ensaio Sobre a Cegueira. Lerei antes de reassistir o filme. Para quem ainda não foi, fica a ordem: VÁ!
Entre libelinhas, livros, músicas e uma infinidade de carinho e coisas inenarráveis, a moça tem a declarar que está absurda e irremediavelmente mal acostumada. Como diria Ibrahim Sued: EU QUERO É MOCOTÓ. Pois é isso. Mocotó. Nada menos.
Gentes amadas reunidas no domingo. Vontade de conversar horas e horas e horas com cada uma delas. Vontade de só estar perto e não dizer nada. Vontade de ficar só ouvindo as vozes e as risadas. Estar entre amigos, bom saber o que é isso.
«Ainda tem o seu perfume pela casa, ainda tem você na sala, porque o meu coração dispara quando tem o seu cheiro dentro de um livro, dentro da noite veloz...»
A vendedeora fez tanta propaganda que eu acabei comprando e... vale mesmo. O Shower Hidratante Serum Lolita da Body Store tem mesmo MUITO silicone, cheiro ótimo e dispensa hidrantante pós-banho. Perfeito para preguiçosas e friorentas que não querem ficar se besuntando no frio (quando mais precisam).
***
Para quem não tem a sorte de morar no Ridjanêro, nem em São Paulo, nem em Belém, é uma bênção o site da Granado Pharmácias. Dá para se perder na loja virtual, entre os produtos vintage, as fofices, a classe, tuda. Amamos muito, muito, muito.
No ClicRBS, existe uma coluna chamada Dúvidas entre Lençóis, onde escreve o Dr. Carlos Eduardo Carrion, terapeuta sexual. Lá ele esclarece dúvidas sobre sexo e relacionamento.
O cara é brilhante, engraçado sem ser vulgar, sem rodeios, competente e simples.
Ainda que você não tenha dúvida nenhuma (o que eu duvido), recomendo a leitura.
Estou em estado de jibóia encantada. Meu cérebro precisa digerir Ensaio Sobre a Cegueira. Tanto é assim, que fui ao cinema com o moço do café e só trocamos algumas pouquíssimas impressões a respeito do filme (ambos gostamos muito), fomos jantar e não tocamos mais no assunto. Há muito a ser pensando, mastigado, salivado, digerido. Outra impressão em comum: precisamos rever. É coisa demais, forte demais.
Então, só para compartilhar a primeiríssima impressão pós-filme, tenho a dizer que é uma obra prima, atores impecáveis, edição e direção perfeitas, fotografia fenomenal. Não vou comparar ao livro, porque não o li, o que acho que ajuda. O filme começa muito incômodo, com a câmera fora de foco, sem paradeiro, a gente quer ver e não consegue. É primoroso como o Meireles consegue nos passar a desconfortável sensação da perda de um dos sentidos, da perda de referência, do desamparo, da vulnerabilidade. Depois vem todo o resto e todo o resto, meus amigos, é muita coisa. O filme é riquíssimo: em conteúdo, em referências artísticas (eu achei um quadro do Lucien Freud que eu adoro), em relações, em questionamentos, filosoficamente, romanticamente, psicanaliticamente, violentamente (em sentido amplo e variado). Cada relação entre cada um dos personagens é um mundo e um manancial de questões. Para rever algumas vezes. Para discutir horas, dias, semanas. Consigo mesmo, antes de mais nada. É o que eu começo a fazer precisamente agora.
Não perca tempo. Vá e veja, enxergue tudo o que puder. Inclusive do lado de dentro.
Mas já aviso: quem não gosta de se defrontar com questões profundas, quem não tem vontade de se questionar muito, evite. É uma hecatombe, como aquelas sessões em que a gente sai do analista sem saber o rumo da querência.
Tenho 35 anos e já tenho idade suficiente para saber o que me serve e o que não. Felizmente já não aturo mais desforo, mas em vez de mandar à grandissíssimaputamadrequelosparió em alto e bom som, ando noutra direção. Já entendi que na vida se travam incontáveis batalhas todos os dias: com os cabelos brancos, com o que se tem a fazer nas próximas 36h só dispondo de 24h, com o trabalho repetido, com o manobrista achincalhador, com o caixa da padaria mal humorado, com a solidão e as saudades, com a família e seus conflitos insolúveis, com o DVD player doido, com o chefe desprivilegiado intelectualmente, com o síndico nazi-fascista, com as dúvidas e os medos, com a vizinha enxerida, com o colega preconceituoso, com a rejeição e a tristeza, com a celulite e a flacidez, com as passagens aéreas pela hora da morte, com o sedentarismo, com milhares de gente mal educada, com o porteiro idiota, com o frentista babão, com quem quer que eu lhe leve nas costas, com a geladeira vazia, com a pilha de livros ao lado da cama, com a conta bancária, com a carência da avó, com a vacina da gata, com a restrição calórica e a tendência a engordar, com a porta quebrada da lava-louças, com o carpete, com os azulejos soltos, com as manchas no rosto, com as cicatrizes nos pés, com as perguntas da analista, mas se eu for lutar todas, vou eu virar eu um despojo de guerra. Há coisas importantes e há coisas menos importantes. Há as que farão diferença na minha vida e há as que não farão. Lutarei, pois, pelas que fazem e farão alguma diferença. Às demais, paciência, agenda, tecla FDS, elevação espiritual, PT saudações, beijos nas crianças, au revoir. Também já aprendi que ninguém é perfeito, mas que com algumas pessoas eu não consigo conviver. Pelo menos não de muito perto. Com outras, nem de bem longe. O problema é a minha limitação, não as delas. Tem coisas com as quais eu não consigo lidar e, ao tentar lidar, fazem aflorar, como diria Bob Jeff, os meus mais baixos instintos. Daí que, na falta de vocação para a santidade, tchau e cara de paisagem.
É fato que um relação se constrói. É fato que não há amor à primeira vista que vá se sustentar assim nas alturas, nos píncaros da emoção pelo felizes para sempre dos séculos amém. Não vai. Vai chegar uma hora que a idealização toda que a apaixonite provoca vai embora e você vai enxergar quem é aquele verdadeiro ser. Com suas limitações, com suas feiúras, com suas, vamos lá, monstruosidades. E talvez - talvez, veja bem - você vá amar esse ser, não apesar de tudo isso, mas especificamente por isso tudo: por sua humanidade, fragilidade, coragem, superação, capacidade de lidar com as limitações insuperáveis, bom humor diante do incontornável. E é só depois de ver a feiúra toda, ou boa parte dela, que o amor pode se habilitar.
É fato, também, que nem toda relação se constrói. Há as que não tem material em comum para serem construídas; há as que têm material em comum mas não tem o tchãns. Tchãns, sabe? Todo mundo sabe. Mas de que ele é feito? Pois meus amigos, é um dos grandes mistérios do universo, par e passo com a santíssima trindade e o cabelo da Hebe. O Tchãns é uma combinação química de feromônios e surpresas, de expectativa e correspondência, da dobrinha embaixo do lábio com o erre pronunciado de um jeito que ninguém mais fala, de um tremor adolescente na parte interna do joelho com uma vontade de contar como a capa daquele livro me lembrou você. Isso e muito mais.
O que também é fato é quem sem tchãns, não rola. Ou rola - maaaaal pra caramba e por pura teimosia, ou seja, por pouquíssimo tempo, ou muito tempo, depende do seu conformismo e/ou patologia. Por mais que a gente queira finalmente gostar de quem gosta da gente, valorizar quem nos dá valor, amar quem declara seu amor aos 4 ventos, fica sempre a sensação de que o mundo ao redor é de plástico. Fosse fácil assim, né, a gente decidia a critura e pronto. Mas não, tem o tchãns. Ou não.
Acabei de voltar do cimema. Fui assistir Mamma Mia. Eu odeio musicais, mas pronto, um musical onde todas as músicas são ABBA, são outros 500. Um barato. O mais legal de tudo é notar o quanto os atores se divertiram fazendo aquilo tudo. Impagável Pierce Brosnan cantando SOS. Cá entre nós. O senhor esse está com 55 anos, com uma barriguinha e tudo, mas tá um charme. Eu acho. Colin Mimoso Firth não vou nem falar. O final do filme é apoteótico e faz todo mundo sair de alma lavada. Só não vou contar que teve uma amiga minha que caiu no choro convulso na hora de Winner takes it all, coitada, todo mundo tem seu momendo de fraqueza. Vai ver tava em TPM.
Um dia estupidamente lindo. Azul, azul, azul. Não saoubesse eu que está 10º na capital da província de São Pedro, sairia de alcinha. Mas aqui, vocês sabem, poderia haver um slogan: Primavera no Rio Grande do Sul, o inverno mais ensolarado do conesul.
Modos que vou me entroxar e ir para uma churrascaria com irmão Facelo e cunhada Cris, disputar um lugar com 11 entre 10 portoalegrenses que se prezam, tomar caipirinha, comer incontáveis coraçõezinhos de galinha, salada de maionese, e vazio mal passado com polenta frita. Afinal, um pouco de patriotismo.
Porque há desejo em mim, tudo é cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo. E que descanso me dás
Depois das lidas. Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado.
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada.
Ou eu muito me engano, ou não há uma única loja em Porto Alegre que venda M.A.C. Se eu estiver errada, que alguma leitora bem informada me corrija.
Show do Fito Paez no Pepsi on Stage. Não vou. Tenho implicância com o POS.
After all, all I have in my heart are the pieces that I found, shades of blue swimming in the moon, counting the stars all around...Amém, Bebel.
Hildolina vem superando-se no quesito mimosice e fofulência. Mas tá possessivíssima.
A esclerose me fez comprar lentes de contatos da marca que eu comprava há dois anos, não das que eu vinha comprando recentemente. Ginko Biloba na pessoua já.
Eu juro que tô tentando lembrar de tomar as quatrocentas vitaminas que a médica receitou. E ela quer que eu tome mais não sei quantas. E eu acho que tô precisando mesmo.
Balança carioca da mesma marca que a minha registra 2 quilos menos. Até meu peso em Brejo Alegre é maior. Tô revoltada.
Calorzinho para alegrar a choldra encarangada, mas a meteorologia avisa que vem aí temporal, raios, granizo e ranger de dentes. Claro. Calorzinho é que não ia ser.
Falta mais de mês para o horário de verão. E sabe-se deus quanto tempo para o verão propriamente dito. Argh.
Maria Rita cantando Não Deixe o Samba Morrer. Não sei se eu gostei da interpretação em si, mas acordar e ouvir essa música que me fala tanto desde pequenininha foi um presente.
E hoje começam as noches tangueras, Madame e Monsieur Pai, para inaugurar os pezinhos em alto estilo. Eba, eba, eba.
A foto linda da Exposição da Clarice postada aqui em 01.09 é da Ana b., do blog A Lambisgóia. Tinha salvado várias fotos quando procurei imagens para o post da exposição e acabei postando depois sem o devido crédito. Beijo para Ana e agradecimentos pela compreensão.
Como as leitoras mais antenadas já devem saber, a Lancôme acaba de lançar mundialmente seu novo perfume: Magnifique. A garota propaganda da vez é Anne Hathaway, que nós amamos muito e que está realmente magnífica na campanha. O comercial é lindo e ela está deslumbrante.
O frasco é um espetáculo à parte, puro charme, cristal vermelho... Um luxo.
Esta que vos fala, por sua vez, teve a oportunidade de experimentar o Magnifique antes mesmo de chegar às lojas e, gente, é realmente um arraso. O perfume é sofisticado e quente, provocativo e sexy, sem ser aquela coisa doce insuportável que a gente já viu por aí. O toque de pimenta e da madeira indiana nargamota dão o toque diferente de tudo que a gente já cheirou. O perfume, mesmo quando recém aplicado, não grita, só sussurra. Amei muito. Não é à toa que numa das resenhas se diz que Magnifique é a versão olfativa do vermelho. É mesmo por aí. E nós adoramos vermelho, não é mesmo?
Pois a moça fugiu de última hora de Porto Alegre e o frio aqui foi mesmo de renguear cusco. Nevou no fRio Grande do Sul, meus filhos. Em setembro. Pois é. E a moça voltou ao pampa com marca de biquini. Isso é que é.
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Aos cariocas, uma tarefa e um dever. Ir ao Odeon assistir O Mistério do Samba. Tá lá a velha guarda da Portela em toda a sua exuberância. Um filme para quem, mais do que samba, gosta de gente, gente com G maiúsculo, seres humanos no mais alto grau de dignidade e poesia, gente linda na acepção mais fiel do adjetivo. Ao entrar no Odeon, não me contive: -"Nossa, um cinema de verdade!" Pois é isso. Vá a um cinema de verdade ver gente de verdade.
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A exposição dos 50 anos da Bossa Nova é bem legalzinha. Para mim valeu muito mais do que está lá porque me emocionei muito, muitíssimo, na sala reservada para desenhar e criar, com papéis, canetinhas, giz de cera. Foi lá que encontrei a história em quadrinhos Chega de Saudade, da Erika Lobo. Já na saída, descobrimos que a Erika é uma das moças que trabalha na exposição. Então aproveitei para pedir autorização para usar a foto que fizemos com o celular. Pode ser que eu esteja numa fase bobíssima da vida, mas eu fiquei de olhos marejados. É a poesia da poesia. A Erika me contou que tinha feito uma animação com a historinha e está aí ao lado.
A tristeza fazendo uma prece, a melancolia e a tristeza presas dentro dele, os milhões de abraços, o Psiu, a surpresa, os milhões de smacks, os abraços de todas as formas, apertado, colado, calado (notem que ela ainda diz -"Te..."), o pôr-do-sol... Aqui a história como está lá na parede da exposição.
Não é lindo? Eu continuo olhando e sentindo o coração quentinho, com a singeleza, com o carinho. Obrigada, Erika. Tom e Vinicius devem estar emocionados também.
Isso é Bossa Nova, 1958 a 1964 - no Arte Sesc. Rua Marquês de Abrantes, 99, Flamengo, 3138-1343, Metrô Flamengo.
Terça a sábado, 12h às 20h; domingo, 11h às 17h. Grátis. Até 26 de outubro.
A título de exercício e de boa vontade daqueles que argumentam contra a permissão para aquelas mães que desejarem (e ninguém é forçada a isso porque a lei lhe permite) interromperem a gravidez em caso de diagnóstico de anencefalia fetal, eu recomendo que façam algo muito simples: vão ao google imagens e procurem "anencephalic". Depois se imaginem gestando um bebezinho assim, que vai "nascer" e ter umas horas de vida. Legal, né? Não é razoável que a mãe tenha a opção de não levar a gravidez adiante?
As pessoas imaginam, conforme eu já tive a oportunidade de pesquisar, que trata-se de um bebezinho perfeito que vai nascer sem cérebro. Pois não é. E é bom que se tenha isso muito claro também.
Em que momento a vida nos ensina que se a gente quiser algo, se realmente quiser algo - ou alguém - tem que lutar para isso (freqüentemente contra si mesmo)? Quando a gente fica sabendo que sem se expor, sem dar a cara à tapa, sem se arriscar, sem correr risco, sem abrir o peito, sem arriscar a tomar uma senhora bordoada na cabeça, a gente não leva nada além do ordinário? Quando a gente se dá conta que é só porque a gente se expôs que teve realmente chance? Quando é que a gente aprende que nem toda vez a gente vai ouvir NÃO? Quando é que a gente aprende que se a gente só tem o meramente ordinário, a gente vai ser razoavelmente contente, mas jamais estarrecedoramente feliz? Quando é que se aprende que razoalvelmente contente não é suficiente? Quando é tarde demais? «Quando» é tarde demais?
Licença saúde encerrada, a moça volta hoje à dura vida de trabalhadora. My left foot ainda de sandália ortopédica sem dedos, mas bora lá trabalhar pelo futuro do Brasil-il.
Tanta coisa nesse tempo, meu deus. E é aí que a gente vê que não marca uma cirurgia (na verdade, duas) para remodelar as bases, assim à toa, de graça, a esmo. Chegar, enxergar, decidir e mudar a estrutura é processo lento, doloroso, difícil, trabalhoso e só termina quando acaba. Falta consolidar, diz o ortopedista.
Eu disse ortopedista?
Laurie Andreson - only an expert can deal with the problem
Meu amigo cafeínico já me explicou que se trata de performance, mas eu devo dizer que é o mais legal, sofisticado, instigante, requintado, interessante sarau de poesia que eu já fui (é bem mais do que isso, claro). Amei. Tá com tuda a mulé. Paulistas, dia 5 ela estará aí. Não percam.
Obs.: Na volta, acho Hildolina presa no box do banheiro. Eu sempre pensei que isso poderia acontecer, mas achei que era neurose de mãe. Rá. Mais uma coisa a pensar na hora de viajar.
Desde pequena, o café da tarde mais gostoso da semana em Satolep é na casa da Vó Nininha, muito mais se for sábado e ela tiver feito manapança. Mas o que é isso, perguntam as atentas e gulosas leitoras? Manapança é um bolo de milho e trigo, que perfuma a casa toda e as redondezas e fica uma delícia de comer morninho, acompanhado de uma caneca grande de café preto recém passado.
Msr. Cunhado andou pegando a receita tradicional de família e fazendo adaptações. O bolo ficou úmido, cheiroso, gostosíssimo, para alegria incomensurável de Mme Irmã.
A receita é tão fácil que até Msr. Cunhado faz:
2 x farinha de trigo
2 x farinha de milho média (para ficar com pedacinhooooos)
1 x açúcar
1 col sopa de fermento em pó químico
3 ovos
1/2 x óleo de soja
1/2 x água morna
1 x leite morno
Misturar à mão os ingredientes secos e depois juntar o resto. Não precisa bater em batadeira, não precisa untar a fôrma. Aconselhamos usar forma de furo no meio.
Depois é só passar um café especial e comer uns 4 ou 10 pedaços...
No meu calendário de Audrey, ela está com batinha primaveril com babados de broderi/leisse. Desconfio que não tem mais muita gente no mundo que saiba do que se trate. Deve ser eu, La Reina e mais umas 10 pessoas, no máximo.
Alguém informe São Pedro de que SETEMBRO chegou. Hora de amanhecer mais quente do que 14º e anoitecer idem. Campanha «Inverno agora só 2009».
Consulta marcada para ver se o pezinho está liberado para off road sem sandália especial. Estão na lista, ainda, as seguintes perguntas «Tacones Lejanos, quando?» e «Corrida de gente, quando?» Porque se a gente pode trabalhar, tem que poder usar saltón e correr feito gente porque senão não tem graça nenhuma.
Ainda os pés: OUTRAS COISAS. Viva a sandália aberta (assim que possível). Pavão* nunca mais.
*Pavão: minha avó diz que pavão não pode olhar para os pés que morre de desgosto. Em cima aquela cauda linda, coloridíssima e chiquérrima, mas os pés são cascudos e vermelhos, tortinhos e feiosos. Foi assim que ela passou anos me convencendo a fazer a tal cirurgia do joanete e foi assim também que Madame adquiriu a obsessão por sapatos chiquerézimos (pavão sim, descalço JAMAIS).
Paulinha, a Madame Irmã mais cruel evah, liga no domingo à noite, naquela hora também chamada a hora da verdade depressiva para qualquer ser humano que respire e pense, para contar que o MARIDO mimoso está fazendo MANAPANÇA com a RECEITA DA VÓ NININHA MELHORADA para tomar com CAFÉ PRETO RECÉM PASSADO. É bom que ALGUÉM não esteja deprimida domingo à noite.