Eu não sei bem quando, a que altura do campeonato, mas tenho uma vaga idéia de que foi alí pelos vinte e poucos, coincidentemente com a semi-independência financeira e/ou o casamento que a coisa do «eu me viro muito bem sozinha, obrigado, muito melhor do que com a família esquizo-neuro-pato-problemática», recrudeceu, enraizou e deu no «muito melhor estar por minhas próprias pernas, deus me livre dar satisfação, a opinião de vocês não me interessa nenhum pouco, cada um com seus problemas, deixem-me em paz e isso já está bom demais». Também coincidiu com isso a coisa de que muito melhor é escolher a própria família, que nada tem a ver com laços de sangue e de relação imemorial, tem amigo que é muito melhor que parente (o que continua sendo verdade), e que a gente não só é muito mais feliz à parte do clã, como isso é substancialmente potencializado. Só que... não. Não. Possivelmente essa conclusão seja uma mostra irrefutável de envelhecimento e de medo da solidão, o que é bem provável, dados os 35 anos que vêm se estampando devagarinho nas rugas do rosto e na inconsistência das carnes, mas o fato é de que eu estou cada vez mais certa do contrário. Família não tem nada daquela coisa de comercial de margarina ou de condomínio verde no subúrbio, certo. Somos, realmente, anormais se vistos de perto. Cada um em sua pequena célula social cheia de conflito e rancor, dor e sadismo. Somos. Somos realmente a extrema danação uns dos outros, o caminho mais rápido para a culpa, o lugar onde podemos ser atingidos mais cruelmente nos pontos mais fracos (porque foi exatamente neste mesmo lugar que eles se formaram aquém da resiliência que deviam ter). Mas somos mais que isso. Somos uns o alento e o refúgio dos outros. Somos uns para os outros o exemplo vivo e concreto do que é possível fazer com aquela cadeia de DNA e aqueles valores morais com os quais fomos forjados e esculpidos. Somos um para os outros a certeza última de que não estamos sozinhos, nem na desesperança, nem na força e na coragem de seguir adiante. Somos um para o outro o espelho que apavora e regozija, mas que – felizmente – reconhece como parte de algo que não se esgota nem em você, nem no outro, mas vem de um tempo impreciso e ficará aqui por sabe-se lá mais quanto, independentemente de isso ser uma bênção ou uma praga e, nisso sim, você tem seu quinhão de responsabilidade. Ter uma família é isso. Biológica ou não, dentro ou fora dos padrões convencionais, cada vez mais eu acredito que a família é, sim, o que nos traz até onde chegamos e o que nos possibilita pensar que podemos ir além, fazendo igual, ou tentando fazer um pouquinho diferente. E o melhor: juntos.
OBS.: Sim, muito provavelmente isso é efeito pós-visita da Vó Nininha, que ficou aqui 36 incríveis horas, mas pronto. Dêem o devido desconto.
Porque hoje choveu no fim de tarde e tudo escureceu, as árvores balançavam parecendo que iam dobrar e raios lindos cortaram o céu e trovões estouravam e faziam meu coração bater mais forte e porque para chegar ao carro eu tive que tirar a sandália e correr no vento e na chuva, descalça e ensopada sentindo as pedrinhas grudarem na sola do meu pé e depois sentei dentro do carro, molhada e com o caração aos pulos e chorei bem alto, chorei muito, olhando a chuva lavar as folhas grudadas no pára-brisa. Porque às vezes eu tenho esse medo estranho e oco, um medo de fim dos tempos, de desespero e escuridão, como se não desse tempo para mais nada e tudo fosse definitivo como uma grande enxurrada que devasta tudo, arrasta tudo e não deixa nada como era antes e fico sem saber se eu quero que a chuva passe ou se quero que ela me carregue junto.
Uólha, passei tanto tempo longe e tanto tempo perto e a coisa continua a mesma coisa. Porque a vida não muda, a gente não muda, o que muda é o olhar e, com alguma sorte - ou com MUITO azar, também pode -, o ponto de vista (físico, não psicológico) do observador.
Mas eu acho que pelo menos uma única coisa eu saquei aqui nesse local cibernético-virtual-weblógico: considerável parte dos Leitores Amigos não sabe quem sou. Lê, comenta e não se importa minimamente de saber sequer quem escreveu aquela coisa que ele se deu ao trabalho de comentar.
Porque, se soubesse, não teria o eterno comentário em cada coisa que escrevo, dizendo sempre kinda "TICCIA, como você escreve bem!", "TICCIA, vi isso aqui e lembrei de você, vai lá dar uma olhada!", "eu não concordo com isso, TICCIA, mas acho que consigo entender seu ponto de vista".
Vou explicar: é um elogio ser chamada de Ticcia, porque a Ticcia é mais bonita do que eu, mais gostosa do que eu, tem mais dinheiro do que eu, seduz absolutamente todos os homens do mundo (inclusive o meu, que já confessou nutrir pela Ticcia fantasias de alcova com alto grau de meleca e lambança), e o que é muito pior, a Ticcia é mais inteligente do que eu e escreve muitíssimo melhor do que eu.
MAS EU NÃO SOU A TICCIA E A TICCIA NÃO É EU! E como não tenho vocação para vampira ou para invasora de corpos, eu insisto em continuar sendo eu mesma, embora menos bonita, menos gostosa, menos sedutora, menos endinheirada, menos talentosa e menos inteligente.
Já fiz vários experimentos, de postar com mais ou menos freqüência, de postar todos os dias várias vezes e de sumir completamente, de fazer post com figurinha, sem figurinha, com texto longo, com texto curto: numdianta. Sempre tem um cristão para me chamar de TICCIA.
Óquei, tem também as pessoas que sabem que eu sou eu e a Ticcia não é eu (sorte a dela), e aprecio aliviada a atenção e o carinho desses leitores e leitoras, que não são poucos. E isso me traz um certo conforto: talvez, aos poucos, as pessoas consigam ir se apercebendo de quem é o texto que estão lendo e isso evolua até chegar ao ponto em que elas saibam em quem estão votando.
Já para você, stalker, que sabe que não sou a Ticcia e vem repetidas vezes me alfinetar ou dizer coisas pseudodesagradáveis, o meu carinhoso abraço e um beijo doce e gentil na sua bochecha. Pois o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença. Recebo de bom grado esse seu amor bruto, já que é o único que você tem para dar. Afinal, as pessoas oferecem aquilo que têm de melhor, não é assim?
Update: desativei os comentários. Vai que alguém comenta "acho que não é bem assim, TICCIA"? Ou, pior, que o/a stalker declara amor eterno? Eu hem.
Eu: - O problema sou eu! Como é que eu não pensei nisso antes?! Voz dentro da minha cabeça*:- Pensaste. Eu: - Pensei? Voz dentro da minha cabeça:- Claro. Tu sempre pensas primeiro que o problema é tu. Eu: - Ah, é. Voz dentro da minha cabeça:- E concluíste que não era. Eu: - Ah, não? Voz dentro da minha cabeça: - Não. Eu: - Ah, tá.
Tá, eu sei. Falar em uma bolsa de grife, ainda por cima de «couros exóticos», além de fútil, é cruel com os bichinhos. Muito triste. Eu sei. Não bom. Eu sei. Não uso pele, já ganho uns pontinhos, né hein? Mas pô, receber um email do Radar 55, de título Estilo Audrey para me dizer que a nova bolsa Givenchy está disponível numa loja do Shopping Leblon, com fotinha e tuda, também é uma enorme crueldade contra uma cerumana*. Pô.
Da incapacidade de re-conhecer (-se) o erro e a si mesmo.
Acontece uma coisa curiosa. Mais cedo ou mais tarde, as pessoas aprontam, exatamente onde não poderiam aprontar, naquele calcanhar de Aquiles, ponto nevrálgico, parte sensível, suscetibilidade aflorada, no rim. Mas isso não é a grande curiosidade. Aprontar, todo mundo apronta. Fazer caca, todo mundo faz. Bater no rim, vez por outra, todo mundo bate, ainda mais aqueles que estão bem próximos e podem alcançá-lo num átimo quando estamos desprevinidos e menos esperamos. Decepcionar, todo mundo decepciona. Errar é humano. Caprichar na caca, mais humano ainda. Só que isso acontece e a criatura finge que não foi nada, que não é com ela, laralálalá, não sei, não vi, hã, não é comigo, disfarça e acha que vai passar, que tudo vai ficar bem, que o outro tem memória de peixe de aquário, ou o pior: eu tenho a nítida impressão de que esperam que tome-se a iniciativa de consertar a fuck situation, esperam que o outro chegue, ponha o bracinho em volta do ombrinho e diga: criaturinha mimosa, olha, tu fez essa caca terrível, não foi? Mas pronto, tu és legal, tu és querida, tu és fofinha e teu retrospecto é bom, modos que eu te perdôo, te absolvo, em nome do pai, do filho e do espírito leve, livre e solto, em nome da nossa amizade, amém. Não parece passar por aquela cabecinha que o certo, recomendável, digno, louvável, bonito E maduro era vir e dizer: - Ói, caguei. Foi por isso, isso e isso (depois, claro, de ter detectado qual é a baba realmente), me desculpa. Pronto. Mas não. Nananinanão. Não fazem. Porque dói, claro. É ruim admitir as nossas limitações e incapacidades. É triste se ver muito feio e é pior ainda dar ao outro conhecer do monstrinho. Aí como eu não facilito, porque acho muito anti-didático e injusto (cada um tem que assumir as cacacas de cada um e não esperar que consertem ou desculpem em geração espontânea de compreensão e generosidade), nunca mais se fala no assunto e faz-se de conta que tudo está como era antes (e não está, fareja-se o desconforto a milhas) e a coisa vai indo, indo, indo, indo pro brejo e adeus mais um relacionamento legal que poderia ser honesto e bonito, que poderia ter se fortalecido na adversidade, que poderia ter se aprofundado no conhecimento, mas não. Graças à infantlidade e à lei do menor esforço, babaus. As coisas não se auto-consertam e ninguém deve consertá-las por nós. Quem fez caca, trate de limpar. Deve-se olhar pra si, sim, e de lupa. Deve-se reconhecer a feiúra e compartilhar dela com quem amamos. Ele vai amar a nossa feiúra também e mais ainda a nossa capacidade de admiti-la. É assim que se estabelecem as relações profundas e verdadeiras. Parem pra pensar e me digam se isso não acontece na maioria dos relacionamentos? Vai-se enfiando sujeira pra debaixo do tapete e fingindo que não sabe quem fez. Até que um dia o dono do tapete enche o saco, encosta o caminhão de mudança e tchau e assim todo mundo se muda a cada 2 ou 3 anos porque não sabe dizer que a sujeira é sua e que precisa de um cesto de lixo.
Portanto, amigo irmão caminhoneiro, se você está esperando que alguém prescrute os meandros da sua alminha, ache o motivo pelo qual você estragou tuda, tuda, tuda, venha chamá-lo para uma conversa franca e delicada, lhe conte tudim e lhe absolva num passe de mágica, qual quem mergulha pecador e emerge purificado das águas do rio Jordão, tire a jumentada da garoa. Faça por si, ou condene-se a relacionamentos da profundidade de um pires para os séculos dos séculos amém.
Tenho um sério problema com pessoas de dedinho apontado, sá? Aquelas criaturas que sabe-se lá porquê, se arvoram no direito de julgar (e condenar) ou recriminar os outros. Isso acontece mais frequentemente (não exclusivamente) com aqueles que em determinado aspecto deram-se bem. Explico. Aquele ser que passou em um concurso bem difícil sente-se no direito de ser algoz da criatura que ainda tá estudando e tasca-lhe na cara como o coitado TEM QUE fazer se quiser trilhar os mesmos passos da glória que elezinho trilhou. Aquele que emagreceu 400 quilos sente-se eleito por deus para disseminar a verdade e o caminho da magreza e evangelizar os pobres incréus que lutam ainda contra a balança, custe o que custar, seja arrancando-lhe um muffin da boca, seja desaprovando a dieta que o pobre começou ontem: «TEM QUE fazer assim, tem que fazer assado». Os exemplos são infinitos. Eu desconfio que lá no fundinho esse exercício de poder tem a ver com uma insuficiência (e inferioridade) em outras áreas que pode finalmente ser vingada naquilo que ele, olha só, conseguiu se dar bem. Daí toca a infernizar os outros, toca a apontar-lhe o dedinho, toca a criticar e trucidar e fazer pouco de tudo aquilo que não for a sua cartilha ou o seu catecismo. Conselho todo mundo dá, opinião às vezes vem em boa hora, dicas são valiosas para aqueles que ainda não conseguiram lograr seus intentos - aqui toda a vênia aos bem intencionados, puros de coração que realmente querem ajudar. Mas esse prazer perverso de aniquilar o esforço do outro só porque não é igual ao seu está muito mais ligado à vontade de que ele nunca chegue onde você chegou do que propriamente ao desejo de ajudar, é ou não é? Lembre-se que o nosso sapo só canta para gente. O que funciona para mim, pode não funcionar para o outro. Para ficar no clichê, muitos caminhos levam à Roma e no final das contas, às vezes lá pelas tantas a pessoa decide que queria mesmo era ir para Paris, que tem muito mais a sua cara.
Hoje é o primeiro dia dos meus 35 anos e para este ano eu quero conservar a paz de espírito adquirida, finalmente, com esforço e persistência. Quero meus amigos, sempre, na medida que também os meus amigos me queiram e nas condições que sejamos capazes de darmos uns aos outros o que precisamos e recusarmos uns aos outros sermos aquilo que não somos. Quero a minha família, complicada às vezes, como são sempre todas as famílias, mas cada vez mais como um grande lastro de amor, de carinho, de companhia e de antídoto para a miséria oca do mundo, as pessoas entre as quais eu sou mais feliz. Quero meus pais, meus irmãos, meus sobrinhos, minha avó e meu avô - que ontem me deu o presente mais lindo de todos - reconheceu a minha voz e me desejou feliz aniversário sorrindo. Quero as minhas mãos cada vez mais dignas das coisas que me proponho a fazer e dos sonhos que eu quero realizar, meus olhos sempre mais preparados para ver o que realmente importa, minha boca sempre à espera de um beijo que chega, meu peito aberto ao amor e ao entusiasmo que valem a pena. Quero a minha vinha vida na medida e à medida que eu a for construindo, sem motivos para terminar o dia chorando, cada vez com mais razões para acordar feliz, cada vez mais certa de quem sou eu, de onde eu vim, do que e de quem eu quero e mereço, com o amor simples e verdadeiro de quem me ama, sem precipícios e tempestades, se possível, com asas fortes e abrigo seguro, se for o caso.
Aos queridos que mandaram mails, SMS, vou responder com calminha cada unzinho, amei tanto, vocês me fizeram muito feliz. Obrigada pelos telefonemas, presentes lindos, por estarem aqui comigo, andando a meu lado, me fazendo mais forte e melhor, emprestando suas asas, me carregando no colo, todos os dias. Beijos.
Da série Filosofia no dedal ou mandíbula doída, casa do demônio.
Se é bem verdade que todo mundo erra, também é bem verdade que alguns erros definem quem afinal de contas somos nós. É duro, eu sei, mas é verdade, por mais que às vezes a gente tente se convencer que o que conta é a disposição para consertar – ou minorar o dano. Não é. Ou é, também. Mas em alguns momentos escolhas devem ser feitas, preços devem ser pagos, atitudes devem ser tomadas. Ou são, ou não são. Ali define-se definitivamente algo/alguém. Evidentemente que, depois, pode-se voltar atrás e a maneira com que fazemos isso também define quem somos. Mas também define. Não apaga o que já nos tornamos pelas atitudes que já tomamos.
***
É bem fácil professar a crença, o caráter, a convicção, a ideologia, a fé, a personalidade, a filosofia de vida, o modelo de conduta e na hora que isso traz o ônus, mediante uma muito bem elaborada justificativa, abrir uma honrosa exceção. A hipocrisia é uma trapaça da gente com a gente mesmo. A coerência dá infinitamente mais trabalho.
A cirurgia do siso teve conseqüências ainda não bem esclarecidas/contornadas. Doooooooooooooor. Provavelmente inflamação da articulação. Estamos resolvendo, já quase uma semana depois. O ouvido faz puiiiiiiiii e dói, principalmente das 12 às 7 da manhã. Beleuza.
Tudo isso deve (tem que) terminar até domingo. Dead line de inferno astral, que mais não dá. Tava tudo tão bão e tão bem... até uma semana atrás. Só eu mesmo pra tirar siso antes de aniversário. Póin.
Não bastasse, trabalho, trabalho e trabalho. Prazos não sabem o que é dor, novalgina, cefalexina, tylenol, gelo, comida em pasta. Argh.
Tenho escritos coisas muito tristes e deletado tudo. Experimentem TPM com pós-operatório, experimentem. Mas longe de mim, por favor. E não publiquem nada, por misericórdia.
Se os astros ajudarem, domingo tem churrasco no cardápio de aniversário. A vingança se come quente e se mastiga bem. Rá.
(1) o enófilo, que bebe e aprecia com um certo grau de conhecimento;
(2) o enólogo, que estuda e entende mesmo do assunto;
(3) o sommelier, que entende muito e, profissionalmente, monta adegas e sugere vinhos em restaurantes.
Mas há um tipo mala de apreciador de vinho: o enochato. Infelizmente, esse último se espalhou como praga em parreiral. Em reuniões sociais, em encontros despretensiosos, ele se manifesta por meio de um vocabulário rebuscado, largando pérolas em metáforas difíceis até para os especialistas entenderem. "Percebo asfalto derretido" ou "parece frutas vermelhas do bosque", ou ainda "lembra pitanga morna ao sol do meio-dia", são impressões divulgadas após um único gole e, preferencialmente, diante de uma platéia de leigos."
E então tem momentos que você é um completo estranho num mundo de referências que não são suas, em meio a sentimentos que você não conhece, nunca experimentou, não sabe se é capaz de. Tudo que você sabe, que você aprendeu, tudo aquilo que você se esforçou tanto pra saber até aqui é absolutamente inservível frente a uma realidade totalmente alheia a si - e tão natural e instintiva a outros, tão simples, tão pura, tão absoluta e tão inarredável. Você não consegue imaginar como seja, porque ninguém é capaz de saber apenas de imaginar. Sentimento é algo que ou você sente, ou não sabe do que se trata, não é algo que você possa se apropriar em tese, ler num livro, ver em filme - ou se vive e se sabe, ou não. A referência só é acessível a quem tem a referência armazenada, não para você, ainda não para você. Você «não sabe», não é, não tem. E então você fica do lado de fora, olhando através do vidro, do lado de cá, onde é mais silencioso, mais calmo, mais simples, mais seguro e - claro - muito mais vazio.
As pessoas desaprenderam a ir ao cinema. Viciadas que estão em assistir DVD em casa- suponho - cheias de pipocas, refrigerantes e etc., vão ao cinema, aboletam-se ao lado do seu companheiro de película e tocam a comentar o filme. Num espectro que vai desde Ohhh, Ahhh, Meu deus, Minha mãe, Nossa senhora, até grandes explicações ao ser menos informado sentado na cadeira ao lado acerca da referência que está sendo usada, do diretor que está sendo homenageado, etc., rola de tudo, de tudo MESMO.
Como eu sou do tempo em que ir ao cinema nos permitia rir e chorar - e só - dentro da salinha escura, ficando quaisquer outros comentários para depois, durante o chope, o café ou o caminho de casa (o que, diga-se, é a graça de ir ao cinema acompanhado), fico profundamente irritada com o povo que vai para comentar, em tempo real, tudo que acontece.
O STF começa hoje o julgamento acerca da constitucionalidade da norma que prevê pesquisa com células-tronco embrionárias. Ao vivo pela TV Justiça, fios, 14h. Olho lá.
Atualização: Votou o relator, Min. Carlos Ayres Britto, pela improcedência da ADI (mantém a parte da lei que permite a pesquisa). Conforme já noticiado, o Min. Menezes Direito pediu vistas. A boa notícia é que a Min. Ellen Gracie adiantou o voto e acompanhou o relator.
Agora é ver como a coisa anda.
Tenho a informar que o exclusivérrimo perfume já se encontra devidamente em meu poder e é um bafo total, por obra e graça do Dr. Álvaro Antônio. Mas não só isso. Também comigo estão um moleskine com a Audrey Hepburn na capa e um cartaz de Colazione da Tiffany, táááá?
E o aniversário é só daqui a duas semanas.
Hohoho.