Hoje é aniversário da Mme. Mãe, que completa 56 verões, ói que jovem.
Lembro dela fazendo torrada com manteiga, na cozinha em Charqueadas, ou me levando de modelo para os cursos noturnos do Senac. Lembro dela fazendo chá e me levando na cama, quando tive hepatite. Lembro dela me ensinando a caminhar de salto, a passar delineador. Lembro dela chorando no meu casamento e avisando ao noivo que se não quisesse mais, não maltratasse, devolvesse pra ela. Lembro dela anos depois, na minha separação, me ajudando na mudança, incondicionalmente a meu lado. Lembro dela voltando pra casa com a Paulinha no colo, dois dias de vida. Lembro dela entrando no carro com o Maurício, também recém nascido. Lembro dela me dando boa noite, deus te abençoe e fazendo uma cruzinha com o polegar na minha testa, milhares de vezes e lembro de muito mais que não caberia aqui, porque nessas lembranças não cabem o cheiro dela, o gosto da comida que ela faz, a gargalhada, a alegria dela, o amor tão grande que ela me fez sentir.
Um final feliz. Absurdamente feliz. Um final que não seja final, que seja o resto todo. Um final que a gente invente pra começar, que trema as pernas só de pensar, que sue as mãos, que incendeie o corpo, que dê vontade de gritar de feliz só de imaginar. Um final feliz que nos ponha estrelas nos olhos, que dê vontade de estar - e continuar - vivos, que faça o sangue correr, a pele reluzir e cada um dos dias valer a pena. Um final feliz que tenha um vestido rodado, flores, beijo e depois, chinelo, rede, cheiro de sono, banho de chuveiro dividido. Que tenha vontade de viver junto para sempre, que nos ponha no peito uma orquestra sinfônica e nos pés sapatos brilhantes. Um final feliz para começar todo dia, com vontade de abrir os olhos e enxergar de novo a razão de não nos sentirmos mais sós, nem estranhos, nem imbecis, nem tristes. Um final feliz com trilha sonora, Sinatra, de preferência. Um final feliz à nossa altura, que se a gente não se contenta com menos em nada, porque nisso seria diferente? Um final feliz sem desistir de final feliz, que chegue de mão beijada, que caia do céu, que nos atinja em cheio, arrebatador, definitivo, incontestável, certeiro, grandioso, indubitável, assim, como devem ser os finais felizes, que devem nos achar aonde quer que estejamos, finalmente, happy ever after.
Tu sais je vais t'aimer/ Même sans ta presence/ Je vais t’aimer/ Même sans espérance/ Je vais t’aimer/ Tous les jours de ma vie/ Dans mes poèmes j’écrirai/ C’est toi que j’aime/ C’est toi que j’aimerai / Tous les jours de ma vie/ Tu sais je vais pleurer/ Quand tu t’éloignera/ Je vais pleurer/ Mais tu me reviendras/ Et j’oublierais/ La douleur de m’ennui/ Tu sais je souffrirais/ A chaque instant d’attendre/ Je souffrirais/ Mais quand tu seras lá/ Je renetrai/ Tous les jours de ma vie.
(O Ministério de Madame adverte: esta música pode causar choro compulsivo).
Esq p/ dir: Colombina desconhecida, Felipe (3 anos e meio) de havaiano marchandaisingue, Facelo (3 anos e meio) de Touro emburrado, Ticcia (quase 5 anos) de índia periquita rosa canibal (reparem no colar de dentes e sutiã de penas), Aline (4 anos e meio) de havaiana desdentada. Fota antes de começar a função, todo mundo arrumadinho.
Eu olho e choro. Dali a uns dias, eu iria ao meu primeiro dia de aula. Que coisa. Que saudade. Sinto o cheiro do confeti.
Deixo com vocês aquela que é a minha música de carnaval preferida de todos os tempos, amém. Amo, amo. E com Chico e Nara... ahhhhhhhhhhhh. Eu queria um carnaval daqueles, em que eu botava a fantasia e ia para o baile às três da tarde com Facelo no Diamantinos, no Centro Português, no Brilhantes ou no Caixeral. Não tínhamos mais que 6 ou 7 e cada ano era uma fantasia diferente.
Se ainda tivesse baile de salão, eu ia. Quando tocasse essa música, um moço mascarado me pegaria pela mão (que supostamente deveria ser o Chico Buarque, claro). E eu seria a colombina mais bonita, escondento as lágrimas de felicidade atrás da máscara.
Reparem no chega mais de Nara e Chico. Eu também se aproveitaria dele,
ahhhhh se se aproveitaria...