A gente não se reinventa, não se redescobre, não se transforma, nem se transmuta, não vira outra coisa. A gente não se modifica, nem se refunda, não se reconstrói, não se reergue, não se levanta, não se cura, nem sara, não fica melhor, não se aperfeiçoa, não evolui, não vai pra frente, não se aprimora, não renasce, não revive, nem ressuscita, não transcende, não se metamorfoseia, não muda. A gente morre. Uma, duas, três, quatro, cinco vezes. Morre e vai morrendo, morre e esquece que morreu, depois lembra como era viver e morre de novo, depois finalmente descobre como é estar vivo e morre mais uma vez e então chega um dia em que a dor é tanta que a gente não
desmorre desvive mais. Chega um dia em que a gente
cansa e segue morto olha a pérola pronta e simplesmente vive e segue vivo, com um colar mais longo, com o corpo coberto de marcas que vão virando flores, lutando
contra pela vida.
Porque doer é às vezes o que se tem para viver, a gente morre o que tem que morrer e leva conosco a vida que fica (maior).