24.02.2007
Chagall
Que canto há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais
Como cobrir-te de pássaros e plumas
E ao mesmo tempo te dizer adeus
Porque imperfeito és carne e perecível?
E o que eu desejo é luz e imaterial.
Que canto há de cantar o indefinível?
o toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis ?
Como te amar, sem nunca merecer?
(H.Hilst)