Perhaps, perhaps, perhaps ou divagações amargas a meio da tarde.
Por que parece que há sempre um momento em que ou a gente arca com toda a responsabilidade, paga todo o preço, faz todo o esforço sozinha, ou vai tudo por ralo abaixo? Por que sempre parece que os outros valem a sua luta, o seu empenho, a sua aposta, mas você nunca vale um mínimo de investimento, de espera, de dedicação? Por que será que a impressão é de que você precisa se desdobrar em mil, muito além do que você poderia ser capaz (então você se rasga, sofre, se estraçalha, tenta, insiste, cai, levanta, tenta de novo) mas isso nunca é assim em troca?
Talvez porque você simplesmente não valha o incômodo.
Talvez porque haja milhares iguais ou melhores do que você no mundo, com muito menos complicações.
Talvez seja isso. Ou não.
Obs.: Nada não, só tava aqui pensando c'os meus botões.
Desde sempre.
Há um tempo, esse tempo incerto das dúvidas e dos interregnos, esse tempo de coisas incrustadas e dolorosas, em que vestimos peles escorregadias e enchemos a boca de palavras com precipícios e fendas frias. Há um tempo, esse tempo de reencontrar os próprios pés, esse tempo de domesticar calafrios e presságios, em que a confiança deixa de ser um cristal longínquo e fugidio e passa a ser um grosso casaco de lã com balas nos bolsos. Há um tempo, esse tempo de voltar a ser preenchível e completável, em que o quebra-cabeças soluciona-se com uma única peça, surpreendentemente ao alcance dos olhos desde sempre, desde o início de todos os tempos.