ácido acético sem balsâmico
E lá vamos nós de novo novamente, para mais um post cheio de entradinhas rápidas e saidinhas mais rápidas ainda!
Todos os anos me surpreendo gostando da primavera. Tem luz e vento e uma sensação de que tudo desperta de um certo torpor, um sonho acordado algo hipnótico. Paira no ar a sugestão de concretizar anseios até então somente sonhados. A primavera é a prova viva de que as coisas podem efetivamente vir-a-ser.
Aí, chega o verão, com o calorão, a umidade acachapante, o solzão torrando e o bafão quente no pescoço e lá se vai toda a vontade de vencer na vida.
Envelhecer, para a mulher, é ir paulatinamente amoldando-se à imagem da própria mãe. A rainha que você idolatrava (e invejava) na infância. A criatura desengonçada/gorda/desatualizada de quem você morria de vergonha na adolescência - ou a deusa que você odiava na juventude, por não conseguir equiparar-se a ela. A matrona cujas dificuldades e inseguranças você desprezou quando adulta jovem. A velhinha de quem você tem pena hoje em dia.
Voilá. Ela é você amanhã.
Existe algum relacionamento mais cheio de ódio e de amor do que o das mulheres com suas mães e filhas?
Isso me enche de tristeza.
Ele me olhou ontem à noite com olhos insertos em pálpebras todas raiadas de vermelho, miríades de veias capilares arrebentadas pelo esforço físico desmedido. Um desenho que lhe contornava como uma máscara. Parecia um super-herói muito velho que tivesse passado tanto tempo com seu disfarce que praticamente o absorvera na pele.
Está sendo surpreendentemente difícil. E ainda é preciso sorrir durante o processo.
Hoje não tem sobremesinha para tirar o amargo de tudo o que foi escrito antes. Mas vá até o
conversas furtadas, é por conta da casa.