todas as coisas a coisa
- De quem é essa rodada de dados?
- ...
- Qual é o número que tá valendo, mesmo?
- ?
- Não, não tá comigo.
Sou obscena. Meus quereres são pequenos, e tão plenos, que absolutos. Absolutizam-me a mim e a quem se deixa apanhar no dourado puçá do sonho que não é promessa: vislumbre. Quando quero, quero o meu. O meu cada vez mais meu, o meu tão meu que já não me pertence, alheou-se de tanto doar-se e virou-se no avesso de si mesmo. Assim o quero, tripa e entranha, todas as infinitas e estranhas nuances e processos internos, brilhando opalescentes, jóias orgulhosas sob a luz do sol.
Sorrio condescendente após a emulação do desvelo. Nada se desvenda, tudo é secreto. Quanto mais exposto, menos se vê. Contemplo. E não quero respostas.
(sorria. você não está sendo filmado.)
Nessa semana que O Semanário Brazileiro publica matéria sobre Ernesto Che Guevara, fiquei intrigada com duas coisas:
1) quais forças ocultas estariam agindo nos bastidores d'O Semanário para sair semelhante matéria?
No hay coincidência.
No hay nonsense.
No hay banda, tampoco.
2) sabiam vós, Ó Leitores, que um dos sobrenomes do Sr. Che é Lynch?
Aproveitando esse momento hermano, uma
ótima resenha (ou artigo, ou
whatever) sobre A Auto-Estrada do Sul, um dos melhores contos de
Julio Cortázar, que você encontra em
Todos os fogos o fogo - tem em sebos.
Mas atenção: a resenha de Alexandre Inagaki contém
spoilers.
O
Bonitão certamente sabia que
Blow-up baseou-se em As Babas do Diabo. Eu, não.
Essa coisa Cortázar toda é porque tive uma discussão sobre Cortázar com um rapaz que não queria lê-lo por causa do povinho blasé que fica fazendo carão (ou carinhas indies, se você me entende) e falando de Cortázar,
acting as they were in Paris'68. Em poucas palavras, o que disse ao rapaz é que não se deve perder a oportunidade de conhecer boas coisas por causa do rótulo "100% blasé" que lhe atribuem. Então, bem entendido: esses comentários sobre Cortázar estão aqui para divulgar o ótimo trabalho - e o único que conheço - que é Todos os fogos o fogo. Só e somente só. E que chegou às minhas mãos por ele, que é o verdadeiro responsável pela minha educação, ao menos no que ela tem de realmente importante: meu irmão.
O melhor presente de aniversário.
Inland Empire será exibido na nona mostra de cinema independente de SP. Com o título de Império dos Sonhos. Cidade dos Sonhos, Império dos Sonhos, e a cabeça vai... Veludo dos Sonhos, Estrada dos Sonhos, História dos Sonhos, Elefante dos Sonhos, Garmonbozia dos Sonhos. A pessoa que renomeia os filmes no Brazil-zil-zil tem uma tara secreta pelo
Meu Querido Pônei. E algodão-doce.
Hum.
Perdidos e não achados.
Eu já perdi meus óculos, a certeza absoluta de que tudo sempre termina bem, uma lente de contato, as chaves da casa, um cachorro chamado Puff, o olhar de menina, os Natais na casa dos avós, um anel no mar, a confiança cega nos outros, um disco emprestado e não sei quantos livros, um autógrafo da Bethânia, uma árvore de flores amarelas com balanço, o colo grande do meu avô, as memórias inventadas, o gosto por banho de mar, um relógio dourado dentro do ônibus, a fé, papéis dentro de gavetas, anotações de idéias brilhantes, resultado de um exame importante, um brinco de pérola no provador, a coragem inabalável para fazer qualquer coisa, um bônus pra comprar sapato, aquilo que eu pensava ser uma casa, a possibilidade de voltar a ter, chocolates no compartimento de bagagem, a euforia cega de uma entrega sem medo, uma bolsa em um museu, minha pasta com a matéria do semestre inteiro, uma pele que podia tomar sol, uma cintura de 65 cm, amigas de escola, uma banheira de hidromassagem, a crença de que todo mundo quer ser feliz . Algumas dessas coisas me fazem falta.
Texto reescrito.