30.09.2007

Mais um final de semana esportivo perfeito.


Teve goleada do Timbu de presente pro Dida, teve a máquina tricolor patrolando a freguesia da Serra e teve o colorado perdendo de virada com direito a gol contra e tudo.
Onze pontos na frente do saci.
Tá bão demais.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 18:20 de 30.09.2007
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Except perhaps in Spring.




But I should never think of Spring.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 00:53 de 30.09.2007
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28.09.2007

Em tempo para um final de semana de boas emoções.







Não perca a compilação de Mr. Cafeína desta sexta-feira.
Baixe, grave e escute Carpenters a todo volume o final de semana inteiro.
É garantia de alminha lavada, enxagüada, alvejada, talqueada e perfumada.






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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 22:55 de 28.09.2007
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All Right Tips da Ticcia.

- Eu sou um perigo solta numa papelaria, mas depois fico tãããããão feliz com meu material escolar noooooooooovo! Agora tenho um grampeador tão micro que a Hildolina conseguiria engolir sem muito esforço (deus nos livre). E canetas coloridas. E canetas marca-texto. E canetinhas. E clips de vários tamanhos e várias cores. Marcadores de páginas. Post-its.

- E comprei uma montanha de rosas no semáforo. Muitas. E orquídeas. Casa florida são outros 500.

- E tem sabonete novo de bergamota. Hooooooras no banho.




Yeah, I'm all right.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 17:46 de 28.09.2007
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Happy birthday, Monsieur Dida Maia!!





Dida Maia, o mais célebre torcedor do Timbuzinho está de aniversário.

Parabéns, querido. Que o ano seja bonito, feliz, cheio de motivos, grandes e pequenos, para comemorar.








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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 17:02 de 28.09.2007
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Porque é único.



E é estranho e raro que eu saiba sempre que adjetivo vais usar, mas mais bonito ainda é a surpresa de saíres com algo que eu não suspeitava ser tão perfeito. E eu fico mais feliz quando o tempo passa e vamos conversando e conversando e conversando de assuntos que são quase obras de Escher e, em vez de ficarmos mais cansados, ficamos com mais vontade de. E rimos, um do outro e um com o outro. Mas rimos sobretudo de nós mesmos, cada um de si, confessando idiotices e fraquezas e bobeiras, porque estar à vontade é mesmo isso, rir de si mesmo com vontade e sem medo nenhum, acolhido, amparado, sem peso ou constrangimento das humanidades que nos aproximam e nos encantam. E eu te conto de mim e das coisas que nem eu mesma sabia antes de te falar e tu contas as tuas histórias como quem visita uma casa antiga, agora cheia de sol. E eu te deixo ver as feridas e tu me contas onde estão tuas fragilidades, e temos vontade que o tempo estanque, que a distância encurte, que se possa fazer isso tudo de pernas entrelaçadas esperando adormecer um sobre o outro, cabeça no peito, dedos emaranhados nos cabelos, um cheiro de pele que traz uma embriaguez mansa que não poderia ser chamada de outra coisa que não de paz.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 00:18 de 28.09.2007
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27.09.2007

Sou eu o seu paradeiro.



Imagem de Jose Luis Mendes.

Uns Versos - Bethânia.

Sou sua noite, sou seu quarto / Se você quiser dormir / Eu me despeço / Eu em pedaços / Como um silêncio ao contrário / Enquanto espero / Escrevo uns versos / Depois rasgo / Sou seu fado, sou seu bardo / Se você quiser ouvir / O seu eunuco, o seu soprano / Um seu arauto / Eu sou o sol da sua noite em claro, / Um rádio / Eu sou pelo avesso sua pele, / O seu casaco / Se você vai sair / O seu asfalto / Se você vai sair / Eu chovo / Sobre o seu cabelo pelo seu itinerário / Sou eu o sou paradeiro/ Em uns versos que eu escrevo / Depois rasgo / E depois rasgo. (Adriana Calcanhoto)

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 18:35 de 27.09.2007
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fungadas esparsas

ééé, é isso mesmo, são duas da manhã e estou acordada aqui.

insônia? nem. o causo é a trabalheira gerada pela incontinência urinária do gato Pantufo. tive férias, viajei e o gato Pantufo demonstrou sua inconformidade quando do retorno, esvaziando sua bastante repleta bexiga felina em cima de mim, que estava dormindo comodamente debaixo de todas as cobertas da minha cama. não há mais cobertores e edredons limpos para serem utilizados. estou vestida como uma cebola espacial, a fim de emular o calor proporcionado pelas cobertas. chove na cidade. amanhã pela manhã levo o edredom king size para lavar na lavanderia e todas as demais cobertas e forro de cama (sim, a cama tem um forro, alvíssaras) para secar em máquinas industriais.

alguém que tenha uma casa ou apartamento com jardim/quintal/pátio, tem interesse em adotar um adorável gato persa chinchila? porque quando chega no ponto do mascote urinar em mim enquanto durmo, de propósito, ele é desqualificado enquanto mascote e passa a atender pela alcunha de "problema".



como é complicado voltar a trabalhar depois das férias. não é nem o trabalho em si, é o fato de ter horário para tudo. odeio horários.

dizia acima do portão do campo de concentração de Auschwitz: "o trabalho liberta".
dizia um dos corolários da Juventude Hitlerista: "disciplina é liberdade".
será por isso que é tão difícil para mim essa coisa de horário?
será possível que minha necessidade seja uma pitada totalitária na rotina? (e eu tenho pavor absoluto a coisas totalitárias)



senti saudades da minha cama. e do meu secador de cabelos.
sentir saudades da cama é sinal dos tempos. quando era jovem, não havia isso de saudade da cama. qualquer lugar medianamente confortável para dormir e fim. agora, os ossos sorriem aliviados e dão gemidinhos de prazer quando me deito na minha própria cama. isso sim é ficar velha.

meu secador de cabelos Taiff Turbo 6000 consegue fazer uma mágica: transforma um cabelo desgrenhado e totalmente sem corte numa cabeleira Silvia Pfeifer. sem esforço nenhum, sem uma única mísera escovada: vai secando, vai sacudindo, vai esquentando, pronto. depois penteia e voilá. Silvia Pfeifer.

desconfio que alguém se passou na fábrica e, por engano, colocou no meu secador aquelas coisas que soltam íons. (íons que alisam, íons que fecham escamas, íons que entram por um ouvido e saem pelo outro) e deixam o cabelo mais lisinho e sem estática. porque essa história do secador que silviapfeiferiza a pessoa não tem explicação, é um caso para Amazing Stories.



sabe, eu surto. às vezes acontecem situações que conseguem a façanha de me tirar do normal e aí eu surto. é muito raro, algo como a cada dez anos, mas (infelizmente) acontece. quando eu surto, fico tão terrivelmente furiosa que sinto ganas de matar alguém mil milhões de vezes.

precisava ter um ser imortal que surgisse a cada dez anos para que eu ficasse matando matando matando matando matando matando matando matando matando matando matando matando matandomatandomatandomatandomatandomatandomatandomatandomatando o ser imortal até ficar bem cansada.
e dormir. eu e o ser imortal, todo ensangüentado e estripado, bem abraçadinhos.



vocês se lembram do Festival dos Festivais, que aconteceu em 1985 e teve a Tetê Espíndola chilreando Escrito nas Estrelaaaaa-as, tava siii-im? bem, o festival foi obviamente feito numas de comunicar a todos, subliminarmente, que estava tudo tri bem. explico: os festivais de música popular brasileira nasceram e se criaram como forma de expressão popular durante os tempos da ditadura. o fato da maior rede de emissoras do país organizar e divulgar um festival de música popular brasileira supostamente quis dizer está-tudo-bem-todo-mundo-é-amigo, pelo que acabou dizendo agora-nem-mesmo-isso-vocês-tem-vocês-são-uma-piada. mas isso é só minha opinião, então voltemos: o Festival dos Festivais (sente a grandiosidade: todos os outros festivais eram uma prévia) teve um grupo de três que cantaram uma musiquinha chamada "Gás de Pum", que contava a história de um veículo movido a metano expelido pelo corpo humano em decorrência da fermentação dos alimentos durante a digestão. para o veículo andar, os passageiros precisavam colaborar, soltando flatos. tudo em plena era de Programa Proálcool. os jurados, provavelmente aprovados previamente por censores, faziam cara feia para o trio do Gás de Pum. a platéia delirava. e, vejam vocês, o trio do Gás de Pum era profético: carros 'flex' que aceitam gás e táxis com adaptação para gás é o que mais se vê por aí.



o mundo está inexoravelmente seguindo adiante.

mas isso é assunto para outro post e outra hora, que agora vou complementar meu escafandro de roupas e dormir. de porta bem fechada para evitar a fúria urinária felina.



bom dia!

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 02:49 de 27.09.2007
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26.09.2007

Devagar com o andor.


Dia de confusão mental (eufórica-preocupada-feliz-histérica-triste), cansaço, cólica.
É o corpitcho pedindo um tiquim de ritmo constante e rotina.
Escutemo-lo.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 18:30 de 26.09.2007
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25.09.2007

PÁRA TUDO!


Gentem,

A Carol W. está fazendo uma rifa da escultura Pensamentos - que é das coisas mais lindas, encantadoras, mágicas e incríveis do mundo. Eu fiquei HORAS olhando cada detalhezinho dessa Maria Antonieta que tem uma sala de piso preto e branco dentro do cabelo que dá para uma janelinha onde ela mesma espia para o lado de fora. Incrível. Olha lá nas fotas. Medidas da escultura (altura x largura x profundidade): 1,03m x 0,72cm x 0,52cm.

A rifa tem 999 números a R$10,00 cada. Inacreditável ganhar aquela peça magavelololosa por déreaus.

Parte do valor arrecadado vai ser doada para o Abrigo João Paulo II, que tem um sítio como uma de suas sedes, onde as crianças e jovens brincam, estudam e aprendem atividades que poderão os tornar profissionais como padeiro, marceneiro etc. Acesse esse link para conhecer mais.

O resultado da rifa será baseado no resultado da Loteria Federal do dia 10/11/07.Ganha quem tiver escolhido os 3 últimos números do bilhete do 1º prêmio sorteado pela Loteria Federal.


Se você quiser participar, faça o seguinte:


* Escreva para a Carol (wcarolinaw@yahoo.com.br) dizendo os números que escolheu e ela passa os dados da conta;

* Ou compre números da rifa em um dos seguintes lugares (em Porto Alegre):
Pó de Estrela: Alberto Torres, 228
Mundo Arte Global: Protásio Alves, 2876
Restaurante Al Nur: Av. Protásio Alves, 616
Loja do Margs: No Margs, Praça da Alfândega s/n
Casa de la Madre: 1º andar no Moinhos Shopping, Olavo Barreto Viana, 36
Beatnik: Galeria Champs Elysees, 24 de Outubro, 435, loja 21

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 16:50 de 25.09.2007
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Tu e Eu.

Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
Eu não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
- que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu, lipa
Eu, calipto.

Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobão
eu sou mais albinônico.
Tu, fão.
Eu, fônico.

És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu, piniquim.
Eu, ropeu.

Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou penitente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu, multo.
Eu, carístico.

És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu, cano.
Eu, clidiano.

Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu, tano.
Eu, femismo.

(Luiz Fernando Veríssimo)



Tá, eu sei. Eu já disse. Ele é genial. Mas leia de novo e confira. É uma coisa de louco.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 09:34 de 25.09.2007
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Frio Grande do Sul, parte II - o vento.


- E aí compadre, e este vento?
- Bah, tchê, tá de se enforcar nas tranças.



Uma pérola da sabedoria meteorológica gaudéria.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 07:31 de 25.09.2007
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24.09.2007

poeminha imbecil

eu sei que
quem eu amo
sente-se sempre
a bolachinha
mais recheada
do pacotinho.

é o meu jeitinho.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 12:39 de 24.09.2007
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Gastronomia privilegiada no final de semana.


Sábado, peixe ensopado.
Domingo, two-two à mineira.

Diliça.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 00:09 de 24.09.2007
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21.09.2007

dançando no escuro


Foto de C. Dohrn


O mesmo lugar, em outro tempo, é outro lugar. Dentro deste outro lugar, o anterior. Meus olhos sorvendo outro lugar: igual e diferente do que fizeram com o lugar anterior.

Treze anos passados mudam tudo e mudam nada em um lugar. Treze anos passados amolecem a carne, o coração, as convicções. Amolecem e adoçam: frutos que amadurecem. De tenros a podres pode ser pequeno o passo, e o anseio apressado da fruição muitas vezes lhe tira todo o gosto. Fecho os olhos e deixo que me leve em seus sons e cheiros, uma miríade de encantos que a excessiva rigidez de outrora não me permitia perceber. Onde estavam todos que não os vi, para onde foi tudo de que me lembro? Às vezes, a vida é uma equação - de variáveis permanentemente cambiantes e jamais reveladas.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 17:12 de 21.09.2007
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Hoje e amanhã.




Ai, que delícia.
E eu aqui, praticamente uma flagelada da enchente.
Mundo cão.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 07:57 de 21.09.2007
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20.09.2007

My little black dress.






Toda mulher sabe o poder de um vestidinho preto.
Acho que Gilda, minha cabeleireira, concordaria comigo.

Vontade de ir correndo a Harrods.

Obrigada à querida Chris de BH pela dica de roteiro.











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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 16:19 de 20.09.2007
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Desfile da Semana Farroupilha.


Chove - literalmente - a bandeiras despregadas.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 11:57 de 20.09.2007
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19.09.2007

Cínico, perverso, misterioso, brilhante.



















O fato de eu continuar achando James Spader em Boston Legal delicioso 20kg depois não tem a ver com a memória de seus personagens anteriores de Sex, lies and videotape ou Secretary. Na verdade eu teria namorado Graham, teria casado com Edward e comemoraria 15 anos de casados com Alan. Ô.



























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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 22:22 de 19.09.2007
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e.e. cummings.





i like my body when it is with your
body. It is so quite new a thing.
Muscles better and nerves more.
i like your body. i like what it does,
i like its hows. i like to feel the spine
of your body and its bones, and the trembling
-firm-smooth ness and which i will
again and again and again
kiss, i like kissing this and that of you,
i like, slowly stroking the, shocking fuzz
of your electric fur, and what-is-it comes
over parting flesh… And eyes big love-crumbs,

and possibly i like the thrill

of under me you so quite new







Tradução livre/inconseqüente: "Eu gosto do meu corpo quando ele está com o teu corpo. É algo completamente novo. Em músculos e nervos ainda mais e melhor. Eu gosto do teu corpo. Eu gosto do que ele faz, dos seus comos. Eu gosto de sentir a rotação do teu corpo e seus ossos e a trêmula firme-maciez e o que eu vou beijar mais e mais e mais e mais, eu gosto de beijar os teus aquis e alis, eu gosto de acariciar lentamente a surpreendente penugem da tua pele elétrica, e algo indefinível surge sobre a carne que se abre... e olhos imensos amor-emoção. E possivelmente eu gosto do êxtase de sob mim você completamente novo."
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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 18:51 de 19.09.2007
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Mostremos valor, constância, nesta ímpia e injusta guerra.


Quatro horas de sono, TPM, previsão do tempo que indica chuva torrencial para os próximos 4 dias e um banheiro que acaba de explodir água para todos os lados - inundando o balcão de madeira da pia que deve empenar todinho e o corredor com carpete que deve secar daqui a 6 gerações.

Dos hidráulicos que fazem Pink & Cérebro parecerem estrategistas russos eu nem vou falar.

Bom feriado de 20 de setembro para vocês também.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 16:29 de 19.09.2007
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18.09.2007

Chico fala de Futuros Amantes.


O Ministério da Saúde adverte: este vídeo pode provocar choro compulsivo.



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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 00:02 de 18.09.2007
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17.09.2007

A propósito.


Há 13 anos era o dia do meu casamento.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 16:51 de 17.09.2007
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Inventário improvável de mim mesma, 1.


Quandos e comos.

Quando eu fico triste fico muda. Quando fico nervosa desato a falar. Quando estou alegre pareço que pulo mesmo não tirando os pés do chão. Quando me desespero arrumo a casa. Quando sinto saudades tenho vontade de chorar. Quando me abraçam eu geralmente não gosto. Quando eu beijo é porque na verdade eu tô com vontade de cheirar. Quando eu tenho tesão eu sempre me acho linda. Quando gritam comigo eu entro em pânico. Quando eu falo sacanagem fico séria. Quando eu gargalho não tenho vontade de parar. Quando eu danço me sinto ridícula. Quando eu me sinto desamparada eu passo os braços em volta do corpo. Quando sinto prazer eu grito. Quando levo um susto fico com raiva. Quando estou só finjo que não. Quando trabalho preciso me distrair. Quando nado penso na vida. Quando tenho medo ajo como se estivesse tudo sob controle. Quando durmo com quem amo tenho o sono mais leve. Quando estou feliz as coisas bonitas estão em maior número, mesmo que seja uma só. Quando escrevo transbordo. Quando leio mergulho. Quando caminho freqüentemente torço o pé. Quando estou cansada fico uma chata de galocha. Quando sento procuro um lugar para pôr as pernas pra cima. Quando estou com sono fico apática. Quando estou com fome fico furiosa. Quando estou bêbada minhas articulações parecem de algodão. Quando me surpreendem muito eu ruborizo.


Não e porquês.

Não aprendi a fazer tricô porque não posso terminar no mesmo dia. Não tenho plantas em casa porque esqueceria de regar. Não durmo com fome porque sonho com comida. Não pinto as unhas dos pés porque eles são feios. Não tenho amigas de infância porque meus pais se mudavam muito. Não lembro de outras pessoas porque olho sempre para as mesmas. Não como carne de porco porque trabalhei num frigorífico. Não sei pescar porque meu avô queria um neto homem. Não abro muito as janelas porque o vento me incomoda. Não abraço as pessoas porque sinto vergonha. Não leio com carro em movimento porque fico enjoada. Não tenho filhos porque nunca achei quem os quisesse. Não dirijo rápido porque já vi alguém sendo atropelado. Não gosto de mondongo porque tem mau aspecto. Não suporto luz direta porque meus olhos doem. Não durmo com a orelha destapada porque acho que pode entrar mosquito. Não pego sol porque minha pele mancha. Não gosto de circo porque parece bizarro. Não tomo injeção porque tenho medo. Não uso mertiolate porque sou alérgica. Não ouço som alto porque fico cansada. Não abro a caixa de correspondência porque não recebo cartas. Não pego folhetos no sinal porque não coloco fora. Não deixo de comprar flores porque acho que mereço.


Às vezes.

Eu choro me olhando no espelho. Eu como sem fome. Eu me masturbo quando acordo. Eu bebo sozinha. Eu ando de pés descalços. Eu leio um livro só até a metade. Eu começo a escrever sem saber o que vai sair. Eu tenho orgulho dos meus pecados. Eu minto para não magoar. Eu digo que está tudo bem e eu queria era dar um soco no estômago. Eu duvido dos outros. Eu tenho vontade de nadar. Eu deixo a louça suja para o outro dia. Eu saio com pouca roupa e sinto frio. Eu me sinto parecida com a minha mãe. Eu tenho medo que os que eu amo morram. Eu sonho que estou voando. Eu tenho dificuldade de respirar quando deito. Eu frito ovo de madrugada. Eu estranho meu próprio nome. Eu fico tonta quando leio muito rápido. Eu preciso de silêncio. Eu tomo chá quente para desentupir o nariz. Eu sou tão feliz que dá medo. Eu vou passear debaixo de árvores para chover flores em mim. Eu me sinto muito só. Eu gosto do que eu escrevo. Eu duvido que eu faça algo realmente bem. Eu sinto saudades da pré-escola. Eu conto histórias para eu dormir. Eu tento imaginar um rosto em cada detalhe e não consigo. Eu penso em pornografia um dia inteiro. Eu danço sozinha em casa. Eu estou tão cansada que não consigo dormir. Eu faço bola com o chiclete. Eu anoto números errados quando me ditam.


Nuncas.

Eu nunca quebrei nada que precisasse de gesso. Eu nunca joguei esporte coletivo. Eu nunca andei de navio. Eu nunca andei de montanha russa. Eu nunca fui beijada debaixo d’água. Eu nunca fiz sexo dentro de um carro em movimento. Eu nunca andei de moto. Eu nunca fiquei grávida. Eu nunca peguei recuperação ou segunda época. Eu nunca ateei fogo a nada. Eu nunca andei a cavalo. Eu nunca me droguei. Eu nunca pedi socorro. Eu nunca comi escargot. Eu nunca fui molestada. Eu nunca li a Odisséia. Eu nunca manuseei uma arma. Eu nunca fugi de casa. Eu nunca fui para cama com outra mulher. Eu nunca vi neve. Eu nunca fiquei em coma. Eu nunca fui aos Estados Unidos. Eu nunca comi jiló. Eu nunca perdi ninguém muito próximo. Eu nunca fumei. Eu nunca deixei de dizer o que sentia por medo. Eu nunca esqueci uma voz. Eu nunca viajei de caminhão. Eu nunca fui a um cassino. Eu nunca cheguei perto de um elefante. Eu nunca vi alguém morrer. Eu nunca tive um São Bernardo. Eu nunca entrei num bordel. Embora tivesse muita vontade de fazer algumas coisas destas.


Indiscutibilidades.

Gosto mais de silêncio do que de música. Gosto mais de DVD do que de cinema. Gosto mais de acordar tarde do que de dormir cedo. Gosto mais de sentir calor do que de sentir frio. Gosto mais das unhas clarinhas no verão e vermelhas no inverno. Gosto mais de gravação de estúdio do que ao vivo. Gosto mais de homens do que de mulheres. Gosto mais de janelas do que de portas. Gosto mais do cheiro do mar do que do cheiro de chuva. Gosto mais de vestidos do que de calças. Gosto mais de sono do que de balada. Gosto mais de flores do que de presentes. Gosto mais de camisola do que de pijama. Gosto mais de cozinhar para os outros do que eles para mim. Gosto mais de café do que de chá. Gosto mais de jasmim do que de rosa. Gosto mais de ser provocada do que ser elogiada. Gosto mais de camélia do que qualquer outra flor. Gosto mais de futebol do que novela. Gosto mais de morder do que de soprar. Gosto mais de boteco do que de bar. Gosto mais de um cheiro bom do que uma visão agradável. Gosto mais de ambientes escuros do que bem iluminados. Gosto mais de batom vermelho do que cor de boca. Embora nem sempre tenha sido assim.


(Textos originalmente publicados no Megeras Magérrimas)
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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 16:38 de 17.09.2007
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Como se fosse a primavera.




Bah, juro que eu dava o meu reino para estar em BSB. Juro.
Vocês não percam, suas vaquinhas mumus privilegiadas. Depois me contem tudo.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 16:18 de 17.09.2007
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16.09.2007

Abertura oficial da Semana Farroupilha.




"Sirvam nossas façanhas de modelo à toda terra."
(Hino riograndense).


O mais lindo de tudo foram as declarações/justificativas pós-jogo: "Foi um detalhe, bola parada". Pois se sabe, deus está nos detalhes.
Feliz semana farroupilha, meu caros. De lenço azul, pra combinar.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 20:33 de 16.09.2007
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14.09.2007

Sinus Tips da Ticcia.


Calorzinho: bão.
Roupa leve: muito bão.
Ar condicionado na posição nevasca naquele inferno de prédio que não tem como diminuir a graduação: ruim.
Sair da geleira para o calorzinho gostoso: muito ruim.
Sinusite a millhão: péssimo.

Pra lista de remédios toda tem Cardermast.



Eu amo a Tati, eu amo a Tati, eu amo a Tati.
E eu amo a Letícia, que foi quem me mandou a Tati.
E eu amo a minha casinha pós-Tati, a babá do lar perfeita.



Vó Nininha andou fazendo arte. Tá de bracinho quebrado. Fim de semana tem Satolep. Satolep com sinusite = suicídio. Mas Vó Nininha merece mimos. Viva Tylenol Sinus, Alegra D e Nasonex.



Hildolina amou muito a peça da Carol W. Senta ao lado e faz pose, parece que tá dizendo: sou eu aqui, ó que arraso. Eu morro de rir e dói a cabeça.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 10:18 de 14.09.2007
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13.09.2007

O presente mais bonito ever.





Ticcinha e Hilda, a gata, by Carol W.
(O texto na saia é da Clarice Lispector, tá bôua?)


Eu sei, eu sei, é o máximo.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 17:27 de 13.09.2007
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12.09.2007

Vergonha. Atualizado.

Oxalá eu esteja enganada, mas meu nariz me diz que Renan fica.

Atualização: Eu disse.

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Coluna: Madame Pompadour
por Ticcia, às 15:22 de 12.09.2007
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11.09.2007

O que bastaria.


E houve um momento em que eu me permiti pensar no que seria o dia da tua chegada, da tua vinda, o dia em que tu poderias ter dito que era a mim que querias. Algo posto entre o sublime e o mais terrível tempo, onde eu pude ouvir o meu riso mais alto, em que nos meus olhos puderam vir morar todos os sonhos do mundo, em que eu senti o corpo pisoteado de felicidade. Soube da minha casa e das paredes da minha casa, soube que nelas estaria escrita a minha vida para que já pudesses saber de mim desde antes. Soube que estaria lá a minha cama e deitado nela, o meu abraço e o mergulho fundo de mim mesma, morno e manso, em poço e lua. Soube em que língua eu te receberia à porta, em que parte do teu corpo minhas mãos iriam morar, soube do cheiro dos teus cabelos e da cor da tua pele, tão clara, tão morna, que finalmente acha sua casa bem encostada à minha. Soube das nossas vozes madrugada a dentro, e dos nossos olhos úmidos e eufóricos, sempre a procura uns dos outros. Soube dos nossos braços incrédulos enroscados, muito depois da escuridão do quarto. Soube daquela manhã seguinte, em que um segundo antes de acordar duvidaríamos da vida ter mesmo se tornado sonho, e do sorriso pousado na alma ao prever todas as manhãs que viriam. Soube daquela alegria simples e cômoda que tem cheiro de bolo de laranja e café preto, da vida que ganha finalmente o sentido que sempre pensamos que devesse existir, soube da sensação de pertencer inteira e de ser aquela que tem o outro pertencido e resgatado de todo o resto do mundo. E só por saber dessas coisas, aqui dentro e em nenhum outro lugar, soube que nada menos do que isso me basta, ainda que tenhas me dito que não.

***
Rayuela, Capítulo 7.

Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano en tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.

Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mi como una luna en el agua.


(Julio Cortázar)


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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 17:37 de 11.09.2007
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Casa.


Casa é para mim a incorporação do conjunto de coisas que me fazem sentir em paz, confortável, segura, amada, feliz. Pode ser em qualquer lugar e pode não ser em lugar algum. Independe de querer estar em casa ou de ir para casa. Às vezes a casa não existe. Às vezes existiu e não existe mais. Às vezes parece que não vai mais voltar a existir. Às vezes eu imagino onde ela esteja. Às vezes é longe demais.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 15:49 de 11.09.2007
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10.09.2007

1, 2, 3, testando.


1.
Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

(Clarice Lispector)

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2.
Separada do marido diplomata, Clarice Lispector volta a morar no Rio e, num exercício de sobrevivência e afirmação literária, retornou à antiga profissão de jornalista. Aos desapontamentos editoriais, acrescentaram-se as humilhações jornalísticas. Em troca de magras remunerações, espalhava os seus textos em vários jornais e revistas. Por certo tempo, foi cronista do Jornal do Brasil, que a demitiu sumária e implacavelmente, sob a alegação de que as suas crônicas não tinham leitores. Na redação da Manchete, vi, uma vez, um de seus trabalhos (ela entrevistava personalidades e celebridades locais) ser recusado pelo diretor Justino Martins, o qual, para estimulá-la a ser mais produtiva e competente, a aconselhou a atualizar a sua agenda sexual. E Clarice, vítima recente de um acidente doméstico, ponderou-lhe, com a sua voz gutural de gaivota no mormaço, e numa humildade que correspondia a sua penosa rendição à miséria da vida: 'Não posso transar com ninguém, Justino. Tenho o corpo todo queimado.'

IVO, Lêdo. "Confluências". In: Cadernos de Literatura Brasileira - Clarice Lispector, São Paulo, Instituto Moreira Salles, 2004, pp 47-50.

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3.
Tanta coisa acontecendo dentro que anda impondo-se uma certa mudez. Perdoem esse tão pobre quanto humano balão de ensaio emocional.


Obrigada a querida Ana Cristina V., pelos textos da Clarice.
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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 21:57 de 10.09.2007
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09.09.2007

You fly now back to school, little Starling.




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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 23:50 de 09.09.2007
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08.09.2007

utilidade pública

Estive no Takê ontem à noite, na celebração de retorno de um amigo que morava no exterior e lhes afirmo: o sushi do Takê é muito bom, INVERSAMENTE PROPORCIONAL ao atendimento.

Os garçons simplesmente não queriam atender nossa mesa e, quando o faziam, era de muito má vontade. Foi perguntado mais de duas vezes se estávamos servidos, com extrema antipatia = convite para retirar-se.

Teria o péssimo atendimento decorrido do fato de que as pessoas estavam conversando animadamente e rindo? Então, se você está celebrando algo, deve fazê-lo de forma profundamente entediada no Takê, sob pena de ser solenemente ignorado e praticamente convidado a retirar-se?

Fica a dica. Só vá se você conseguir ser mais blasé do que os garçons.


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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 07:28 de 08.09.2007
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07.09.2007

Um fim de semana para oferecer mais um pedacinho.



Imagem de Charise Isis.

Piece of my heart, Janis.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 14:14 de 07.09.2007
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mantissa e resto

Depois da semana sisífica, estou me sentindo como o resto da divisão ou a mantissa do logaritmo: está lá, representa alguma coisa, mas no fundo, no fundo, não faz a mínima diferença. Uma mera discrepância que superabundou e ficou ali, nos constrangendo com o fato da sua existência.



Percebi que não gosto de contar os fatos da minha vida. Gosto é da interpretação dos fatos.

Então não conto exatamente fatos. Conto minhas impressões sobre eles. Meu nome não importa. Meus dias não importam. Relevante somente a história que tenho para contar. Venho aqui para satisfazer o arremedo de Sherazade que me rói as entranhas. Mas, ao final de mil e uma noites, não vou beijar sua boca e deitar na sua cama. Sorte sua.



Quando os dias são sisíficos e repetitivos sou invadida por um desejo estranho de cortar o cabelo. Para entender isso, é preciso saber que durante muito muito tempo fui uma pessoa de cabelo longo - considerando-se longo o cabelo que vai até ao menos o meio das costas. Grandes golpes de stress depois, os cabelos começaram a cair. O cabelo continuava longo, porém cada vez mais escasso. Ficou horrendo, então cortei acima do ombro. Mais curto, resolvi dar vazão aos desejos de experimentação e saí fazendo luzes e mechas e tintas e cores e aaaaaa. Ficou tudo seco. Precisei continuar cortando acima do ombro. Agora, nesse comprimento tão versátil quanto indefinido, cada pequena desconformidade na tessitura do dia-a-dia dá um desejo desesperado de correr para o primeiro lugar onde se corta cabelo e cortá-lo.

Aos quinze anos, quando eu era sábia e não sabia (he), vaticinei que as mulheres mais velhas destróem seus cabelos fazendo sucessivas químicas pela razão muito simples de que o cabelo 1) é uma coisa fácil de mudar e 2) cujas mudanças não têm como serem permanentes, porque o cabelo cresce. Descontentes com suas vidas, com suas caras, com suas escolhas, as mulheres (não todas, algumas) fazem mudanças em cima de mudanças, algumas definitivamente bastante radicais, em busca de algum alívio para sua desconformidade. Do alto da inexperiência dos meus quinze anos, impressionava-me que não envidassem seus esforços na busca de eliminar o que REALMENTE lhes atormentava - e que, com certeza, não eram os cabelos. Ha. É fácil pensar em (re)escrever sua vida aos quinze anos, quando tudo são possibilidades e uma página em branco. Difícil é revisar e reescrever trechos borrados, riscados e ininteligíveis, algumas vezes escritos com sangue.



Aos cinco anos, disse a ele que os índios eram os verdadeiros donos da terra. Ele passou a colocar todos os índios dentro do Forte Apache, defendendo-o dos colonizadores.

Aos doze anos, argumentei-lhe que, em algumas culturas, o diabo é um deus. Ele fez um trabalho abordando o diabo enquanto arquétipo e divindade, em diversas culturas. Para a matéria de religião. A professora veio falar comigo na entrega das avaliações. Sobre como o trabalho era bom.

Ele me enche de orgulho.



Bom feriadão para vocês também.


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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 01:35 de 07.09.2007
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06.09.2007

nessun dorma


Ciao.


Fonte: Washington Post.


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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 02:06 de 06.09.2007
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05.09.2007

surrendering




Imagem que ilustra a mala direta da campanha Verão-2007/2008 de Alexandre Herchcovitch.

Fiquei encantada porque é o tipo físico da mulher brasileira numa foto completamente linda.

Isso não significa que vou fazer compras lá - até porque as medidas da confecção não contemplam o tipo físico desta brasileira que vos fala. Isso significa apenas que, ó que bom, alguém finalmente fez uma mídia inteligente e bonita para divulgar moda. Depois de todas essas propangadas chulepas e sem a menor criatividade e senso estético.

Eu até usaria os punhos de alfaiataria. Provavelmente a única peça da loja que serve em mim.

(mentira. os sapatos também servem no meu pezão.)

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 11:21 de 05.09.2007
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04.09.2007


Colette Calascione - Dream of the Hungry Ghost.


- Você gosta de estrelas?

(CFA)

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 19:18 de 04.09.2007
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Notas de rodapé.

1. Não espere a minha tradução, ela não existe. Ou você fala a minha língua, ou eu ficarei para sempre envolta no abissal mistério insondável.

2. Não sou professora de idiomas e não tenho ninguém pra indicar.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 19:04 de 04.09.2007
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03.09.2007

Pra começar bem, o que quer que seja.




Leonilson.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 15:08 de 03.09.2007
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01.09.2007

POVO DE PORTO ALEGRE!!! ATENÇÃO!!!

Carol W., a maga do papel machê, está expondo no Restaurante Al Nur, Protásio esquinda D. Leonor, até 10 de outubro. Não percam, não percam. Vão conhecer a Maria Antonieta, a Dama dos Gatos, o Marquinhos, o Astronauta, a Nuvem Passageira, a Menina que come corações, a Grávida LINDAAAAAAAA, todos os amigos imaginários que a gente tem e a gente é e que a Carol deu forma, corpo, cor e alma.



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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 12:31 de 01.09.2007
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