31.08.2007

Um fim de semana para entender a ironia e apressar-se.



Imagem de Macus Ribeiro.

Futuros Amantes, Chico.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 19:19 de 31.08.2007
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Chá da Paulinha, para quando todo o resto dá errado.


Achei que tinha descoberto o néctar dos deuses quando achei maçã desidratada no mercado público e fervi, fazendo um chá delicioso. Liguei pra Paulinha, a irmã mais velha onze anos mais nova, para contar a minha grande sacada e ela disse, do alto da sua sapiência: bah, mas eu faço diferente, e me deu uma receita que é para animar e confortar qualquer alma.

Paula coloca as maçãs em fatias, as maçãs secas, canela em pau, cravo e umas gotinhas de limão, raspas de gengibre para quem gosta, em uma panela e deixa ferver por 10 min. Coa (ou não) e serve em grande canecões de mei-litri (mei-litri é medida de volume, no mesmo lugar em que pão a gente compra diquartiquilo, ou seja, Satolep.). Depois é só bebericar bem acompanhado de bem-casados (os doces, pelamor), mil folhas (de estudo de preferência, que é diet) ou de uma irmã querida.


Ingredientes: 3 maçãs firmes, 100g de maçã seca, 2 paus de canela, 6 carvos da índia quebrados, gotas de limão, raspas de gengibre, 3l de água.

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Coluna: Uma Madame na Cozinha
por Ticcia, às 18:30 de 31.08.2007
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amor nórdico

durante a adolescência, Maria gostara de um certo tipo específico de meninos bons. meninos ocupados em estudar e praticar boas ações. meninos com traços delicados no rosto, quase sempre muito claros, com os lábios finos, o nariz pontudo e os olhos oblíquos amendoados. apreciava o bom-mocismo. apreciava a amizade. mas percebia que os meninos bons não sabiam onde colocar as mãos. literalmente.

ansiosa por mãos mais sapientes, Maria passou a procurar meninos que não fossem tão bons-moços. no seu entender, quanto "menos bons" fossem os meninos, mais 'meanies' seriam seus modos - e suas mãos. sendo a pessoa extremamente racional, cardinal e ordinal que era, Maria concluiu que, se os meninos bons eram muito claros e de lábios finos, os meninos não-tão-bons necessariamente seriam menos claros e teriam os lábios cheios.

apontou sua mira para os descendentes de latinos.

ela mesma uma descendente de latinos, rapidamente percebeu que havia entre os seus patrícios uma vasta gama de meninos, os bons, os não-tão-bons, os ruins-meeesmo, e que as dificuldades se repetiam e não guardavam relação com fenótipos.

confusa, Maria abaixou a mira e simplesmente deixou que viessem.

e eles vieram, meninos velhos e jovens, maus e bons, grandes, magros, gordos, baixos, pequenos, altos. Maria acabou por concluir que os problemas masculinos são todos muito parecidos e não mudam muito com a idade. portanto, não fazia qualquer diferença: as pessoas não vêm aos pedaços.

o que Maria não sabia é que a impressão da infância e primeira adolescência ficara marcada indelevelmente. meninos claros, com olhos amendoados, nariz pontudo e lábios finos. bem diferentes dela e de tudo o que lhe era familiar. meninos que pareciam ter vindo de muito longe, com texturas tão diferentes, outras cores. tampouco sabia que as diferenças entre eles se complementavam: os meninos claros, vindos do frio, não falam muito. gostam mais de falar do mundo do que de falar de si. ficam tranqüilos enquanto tudo desaba à volta. é como se o gelo lhes tivesse entrado nas veias e esfriasse toda a ira e a confusão. guardam o que lhes inflama com grande cuidado e segredo, bem abrigado das intempéries. para descobrir-lhes o braseiro, é preciso, primeiro, realmente desejar fazê-lo, e, assim, fazê-lo de forma inequívoca. o fogo então por breves momentos aflora, iluminando seus amendoados olhos de cristal gelado, e ali dentro tremula, um intenso e mudo convite cujo acatamento requer mais do que se imagina.

sendo a própria cria do fogo, Maria acolheu aliviada entre seus braços aquele amor nórdico, aparentemente gélido e impassível, guardando entesourada uma chama mais flamejante que a sua própria. quando Maria se irrita, fogo de palha que toda latina é, o que lhe acalma e consola é a doçura fria daqueles olhos de puro cristal e o paradoxo de conterem o que de fato contêm.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 08:52 de 31.08.2007
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duas palavras

meu kooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!

[não melhorou. mas aliviou.]



falando nisso, veja só o que pode ser koo.

e koo-koo, então? que tudo.



pra você ver. tem muito mais num koo do que se imagina.



mantenha distância. grata.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 03:39 de 31.08.2007
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30.08.2007

Raso, demasiado raso. Atualizado com fofoca.

Tristes tempos estes do emburrecimento coletivo supostamente inarredável. E apavorantes. Parece uma conseqüência inafastável da pós-modernidade, da cultura instantânea, da informação em tempo real, da comunicação em bytes. Mas será? O fato é que eu venho há muito sentindo o incômodo da limitação intelectual que cada vez mais grassa, cada vez mais se expande e nos últimos meses (em que eu tenho tido mais contato com um número maior de pessoas por motivos profissionais) tenho tido mostras estarrecedoramente preocupantes. E atenção, refiro-me a profissionais que cursaram universidade, que prestam serviços, profissionais liberais, etc.

Uma das coisas que tenho percebido é que ninguém tem mais a capacidade de falar ou entender nada em tese. Se alguém vai te explicar algo, não sabe formular o problema ou a situação abstratamente: ou tem que contar o caso concreto (uma historinha com inúmeros detalhes desnecessários), ou tem que dar exemplo daquilo que quer dizer. Da mesma forma, ninguém entende nada em tese, nada formulado genericamente. Há que se aplicar o que se explicou ao caso específico dizendo tim-tim por ti-tim como o que você está dizendo aplica-se especificamente àquele caso, ou há que dar exemplos vários de aplicação daquilo que se acabou de dizer, sob pena de ninguém entender patavinas do que você está falando.

Estamos perdendo a capacidade de dedução e de indução. Nem partimos do geral para o concreto, nem do concreto para o geral. O geral não existe mais, só uma infinidade de concretos, e temo que isso possa ter inúmeras outras conseqüências terríveis, além de transformar nosso cérebro numa passa para rechear Bib's.

A primeira delas é que (isso pode parecer paradoxal, mas não é) perdemos a possibilidade de ser objetivos. Ao lidar sempre com casos concretos sem conseguir tirar dali uma idéia abstrata, nos perdemos nos detalhes, no colateralismo, na perfumaria e não há como achar o cerne da questão. Ninguém mais vai direto ao ponto, perdendo um tempo terrível e usurpando a paciência alheia com um amontoado de dados que não fazem diferença alguma para aquilo que se quer saber. Outra coisa é que sem a abstração dos conhecimentos, da informações e das idéias, não há conexão possível entre elas. Vários conhecimentos abstratos se interelacionam, se conectam, podem se transformar, se associam, se confrontam, se unem, se transformam, entram em conflito, podem ser valorados no que diz respeito à validade, aplicação, adequação, pertinência, etc. Fatos só se relacionam com fatos: ou eles têm a ver empiricamente uns com os outros, ou não têm. Sem a abstração, ninguém tira lição de nada (afinal, a lição é por si mesma a idéia que ninguém mais sabe extrair de nada).

Um amigo que partilha dessa mesma sensação (que alívio - ou eu não estou me transformando numa chata insuportável, ou não estou sozinha) me contou que ouviu uma história genial sobre um professor. Depois de explicar demoradamente toda uma idéia genericamente, um dos alunos perguntou se ele poderia dar um exemplo, ao que ele prontamente respondeu: não. Amém.

*************************

Atualização.

Ticcia - e eu, que agora tô filósofa?
Marlène - cuma?
Ticcia - to filósofa, oras. fiz post de filosofia e tuda.
Marlène - sabe q eu vi a marilena chauí falando daquilo na cultura sábado?
Ticcia - daquilo o que?
Marlène - do emburramento globalizado
Ticcia - mentira, Mar'léne!!! agora nem eu vou me aguentar mais, Marléne!
Marlène - que a gente nao tem mais tempo pra formular as coisas porq é tudo tao rápido, q a rapidez da informaçao nos exige uma opiniao pronta e imediata e q fica todo mundo raso, ela disse exatamente isso.
Ticcia - eu e Marlilena Chauí, minha ameeeeega.
Marlène - e eu AMO a marilena.
Ticcia - eu também, Marléne, nós semos um bafo.
Marlène - ai, pronto. ego MONS-TRU-ÓÓ-SO.
Ticcia - ai, que orgulho de mim, modeuso. orgulho de ti também, que é nossa amiga
Marlène - hauhauhauhauhau
Ticcia - hauhauahuahuaha, Credo, eu não vi a Marilena, eu juro.
Marlène - sim, né? porq tu és toda filósofa aí e nem pra ver a nossa amiga marilena na cultura te prestas
Ticcia - é que eu não preciso, huahauhauhauhauauua
Marlène - eu pelo menos prestigio a nossa amiga, palhaça
Ticcia - nós nos comunicamos por telepatia, eu e marilena
ai que tuda, to in-su-por-táveeeeeeeeeeeeeel (mais)
Marlène - pra q que eu fui abrir esta boca santa ??????
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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 00:01 de 30.08.2007
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29.08.2007

Frio Grande do Sul, eu desisto.

Acabo de ouvir que setembro vai ser gelado. "Não como agosto", mas gelado ainda assim. Tendo em conta o meu humor minguante, minha tristeza crescente, minha indignação geometricamente progressiva, TPM virulenta, desgosto intermitente, desânimo cruel, putecimento da cara cada vez menos disfarçável, senso de injustiça cada vez mais acachapante e paciência em níveis rarefeitos, tô apelando:

Querido morador do Belize: Lavo, passo, cozinho (bem), limpo bangalôs sobre palafitas, levo café da manhã de canoa, passo bronzeador, reposiciono guarda-sol, tiro fotos, escrevo release para sites e blogs turísticos, recepciono turistas, distribuo colares hawaianos belizeanos. Inglês fluente, francês sofrível, errpanhóll razoável, alemão pra situações famélicas. Exijo: temperatura anual média >30º, mosquiteiro, casa e comida para uma dissidente gaúcha e uma gata que odeia freezer. Também aceitamos propostas de qualquer ilha da Polinésia Francesa.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:15 de 29.08.2007
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Tem, mas acabou - atualizado.






Hoje não tem Cashmere Bouquet Chronicles.

Não tem clima para Cashmere Bouquet Chronicles.

Ainda tem Cashmere Bouquet Chronicles, sim. Mas acabou.

Por ora, acabou.




Há pessoa com quem mal falei e que não conheci pessoalmente que está passando por um momento triste. Nunca nos vimos e, não obstante, tenho grande admiração e carinho por ela. Muitas vezes vou até onde ela está virtualmente, para partilhar do calor e luz que ela sempre oferece com generosidade.
Ela está passando por um momento triste e não há nada que eu possa fazer.
Não há nada que eu possa dizer a ela que vá trazer algum conforto. Algum conforto *real*.
Então fico em silêncio. E penso nela. Com doçura. Hoje, amanhã e até daqui mais tempo. Porque há dores que demoram para passar.

[os comentários foram desabilitados.]
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 07:29 de 29.08.2007
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Impressões do dia.

- A gente tem sorte quando mil folhas e chá de maçã dão alento: primeiro porque quando se é neta e filha de pelotenses, há sempre o método alternativo terapêutico heterodoxo para produção de endorfina, ou seja, chafurdar em glicose e carboidrato; segundo, porque glicose e carboidrato ainda dão conta do recado; terceiro, porque a gente sempre pode arrastar conosco mais alguém para a felicidade instantânea e a culpa calórica. Já dizia Vinicius que é impossível ser feliz sozinho.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 00:09 de 29.08.2007
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28.08.2007

Coisas.

Gente,

quando eu publiquei esse post do Não Discuto eu não sabia nada do Ale da Fal. Só me senti triste e com um sentimento doído de perda. Mais uma das vezes em que há coisas que fogem à compreensão pura e simples. Tudo isso é muito triste. Eu já nem sei mais o que dizer.

Mas assim é a vida, caríssimos, é bem assim. Um dia ela acaba, ou decide que é hora de nos cuspir na cara, nos desancar e desmascarar, nos deixar órfãos de referência, nos dar uma bordoada no ouvido e nos largar sentados, entre o espanto e o estarrecimento, do lado de fora do armário de Alice. Com muita sorte, muita, muita, claro, podemos passar incólumes. Com muita sorte não seremos chamados à consciência, não nos defrontaremos com a nossa miséria, nossa desproteção e nossa insuficiência. Com muita sorte, não teremos que pensar muito, não teremos que sofrer quase nada, nem teremos que nos confrontar com as mentiras que contamos a nós mesmos, com os engodos que nos pregamos, com os auto-enganos que nos aliviam a cachola e preservam o sono nosso de cada dia. Com muita sorte, escaparemos ilesos da verdade, preservaremos intacta a nossa adorada falsa idéia de controle, onipotência, felicidade, harmonia - tudo muito longe do que vai realmente no submundo triste e escuro dos nossos medos, das nossas dúvidas, das perguntas duras que a gente evita a todo custo até admitir que existem. Com muita sorte viveremos felizes para sempre no país das maravilhas. Mas vejam bem. Pode ser que não. E aí quem tem chance de se levantar é quem pelo menos já tinha uma vaga idéia do que havia do lado de cá da porta do armário e de quem era realmente Alice.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 18:01 de 28.08.2007
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27.08.2007

Um aprisionamento feito de mudez.


No Não Discuto.


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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 23:28 de 27.08.2007
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Elas voltaaaaaaaaaaaaaaaram!!





Eu talvez seja a última a saber, mas o fato é que graças a Alex, eu soube.
As Cobras estão de volta, para o meu deleite, enlevo e alegria incontível.







Ahhhhhhhhhhhhhhh, que delícia.


*OBS.: Eu AMO, AMO, AMO, AMOOOOOOOOOOOOOO o LFV. Mais até do que o Denzel Washington.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 16:47 de 27.08.2007
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Necessidades-urgentes-inadiáveis caso de vida ou morte ou no que pensar quando você deveria estar estudando.


1) Maçarico culinário - como eu poderei viver mais um único dia sem o meu próprio crème brûlée?

2) Ralador elétrico de parmesão - o caminho para a verdadeira felicidade com minhas unhas e dedos intactos.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 14:37 de 27.08.2007
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26.08.2007

Pearls before swine.




Daqui. Eu A-DO-RO.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 19:34 de 26.08.2007
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Keep walking sitting.

Revisar conteúdo de estudo enquanto sonha: bom sinal.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 11:28 de 26.08.2007
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25.08.2007

Caminho sem volta.


Ainda que às vezes possa parecer a saída mais fácil, não funciona. Pelo menos não a esta altura do campeonato e não com a própria cabeça.

(Isso me diz que é hora de chocolate vesúvio. Pano rápido.)

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 19:14 de 25.08.2007
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adiV. etroM. Morte. Vida. - Um post reescrito.






A gente não se reinventa, não se redescobre, não se transforma, nem se transmuta, não vira outra coisa. A gente não se modifica, nem se refunda, não se reconstrói, não se reergue, não se levanta, não se cura, nem sara, não fica melhor, não se aperfeiçoa, não evolui, não vai pra frente, não se aprimora, não renasce, não revive, nem ressuscita, não transcende, não se metamorfoseia, não muda. A gente morre. Uma, duas, três, quatro, cinco vezes. Morre e vai morrendo, morre e esquece que morreu, depois lembra como era viver e morre de novo, depois finalmente descobre como é estar vivo e morre mais uma vez e então chega um dia em que a dor é tanta que a gente não desmorre desvive mais. Chega um dia em que a gente cansa e segue morto olha a pérola pronta e simplesmente vive e segue vivo, com um colar mais longo, com o corpo coberto de marcas que vão virando flores, lutando contra pela vida.

Porque doer é às vezes o que se tem para viver, a gente morre o que tem que morrer e leva conosco a vida que fica (maior).





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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 14:54 de 25.08.2007
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24.08.2007

Um fim de semana para ser apenas e tão somente humano - o que de melhor se pode ser.


Imagem de Luis Mendonça.

Don't let me be misunderstood, Nina Simone.


O fato é que às vezes eu quase perco a fé no que quer que seja. Na coragem, no caráter, na existência do amor propriamente dito, em um sentido maior para essa coisinha minúscula e imbecil a que chamamos existência. Às vezes eu quase chego a me convencer que o errado é não se contentar com o posto, o já dito, o consumado, o reiterado, o consolidado, o feito. Que os erros são esses mesmos, veja só, desde que o mundo é o mesmo e no final das contas nada há de novo sob o sol. Nenhum milagre, nenhuma mágica. Às vezes eu quase chego a acreditar que a errada é mesmo essa rebeldia que me impele todos os dias em busca do que eu acho que deva ser, do que eu acredito que seja amar, viver, do que deva ser o mundo, as pessoas, as relações. Às vezes eu quase canso de insistir em procurar, de brigar pelo verdadeiro, pelo maior e pela fé em si mesma, porque sem ela, tudo isso seria um grande misencene. E aí, por algum motivo que não deve ser coincidência e acaso (eu acredito, sim, no sentido aquele) eu olho e enxergo que sim, há.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 23:16 de 24.08.2007
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Comentário interno.

Recebi vários e-mails comentando/informando o ocorrido com, ao que tudo indica, a irmã da moça aquela. Muito triste. Solidariedade e tristeza, claro, a qualquer família vítima de uma estupidez dessa.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 22:49 de 24.08.2007
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Pequeno dicionário idiossincrático da memória, 23.


Maggie Taylor

Sintonia, s.f., são dois olhares que cruzam seis pistas na hora do rush para juntar uma mesma flor no meio do asfalto que mais ninguém viu. Não tem preço, não se reproduz em cativeiro, não prospera em ambiente controlado: ou há, ou não há. No primeiro caso, nos dá a confortante impressão de que não estamos sozinhos.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 00:17 de 24.08.2007
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23.08.2007

Federico Fellini.




"Toda arte é autobiográfica; a pérola é autobiografia da ostra."

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 17:25 de 23.08.2007
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22.08.2007

The Cashmere Bouquet Chronicles


Toda quarta-feira será oferecida uma crônica eleita entre as prediletas da Criada para leitura e regozijo dos amigos de Madame.

Preferir-se-ão crônicas inéditas de autores que divulgam pela internet. A autoria será sempre divulgada e, havendo site para redirecionamento, esse será fornecido.

Nesta quarta, Diminutivo, de Alex Cunha, o CALEXico - professor de língua estrangeira, tradutor, PhD em cultura pop e nos abraços mais deliciosos e quentihos ever.

Dona Tânia criou-se, como se diz no Rio Grande do Sul, 'pra fora', na fronteira do estado com o Uruguai. Mal terminou o segundo grau, recém formada em magistério, e casou-se imediatamente com o Seu Dadá Pentecostes (Adamastor, claro), dono de quase metade das terras produtivas da pacata Dom Pedrito.

Clique no texto para continuar.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 08:55 de 22.08.2007
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quero ser Salvador Dalí










Marc Quinn, escultor-conceito e marqueteiro, fez uma estátua de três metros de Kate Moss, modela blasée e consumidora de pó-de-pirlimpimpim. A peça foi batizada de 'Myth', encontra-se exposta em Chatsworth House, Inglaterra, e participará de uma mostra que se inicia em setembro.

Quinn por Quinn e Dalí por Dalí, sou mais esta peça aqui.







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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 00:31 de 22.08.2007
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... E não foram felizes para sempre.


Ivana, a padroeira das ex ressentidas.
Então amiga irmã companheira, você tomou um sonoro e retumbante pé na bunda. O querido não mentiu, não traiu, não sacaneou, não foi infiel, muito antes pelo contrário. Usou daquela hombridade que está praticamente extinta desde sempre, parou para pensar séria e objetivamente a respeito seus próprios sentimentos, foi maduro (u-huuuuuu, e ele é XY, veja bem que raridade) olhou para dentro do seu coraçãozinho viril e concluiu que este não mais lhe pertence. Feito isso, em vez de enrolar e enrolar-se por intermináveis tempos, durante os quais a sua vida (de vocês) ia virar ou ringue de box, ou um marasmo de fazer inveja à sessão da tarde, ou de possivelmente se engalfinhar com alguma moça charmosa que despertasse seus instintos primitivos e já meio adormecidos, em vez disso, veja bem, ANTES de qualquer uma dessas coisas, a criatura (que a gente duvida que exista até que nos provem o contrário) resolveu ter uma conversa franca e honesta com você, dizer que, ora ora, ele não te ama mais.

E você então? Ah, você tem raiva dele, tem um acesso de fúria, amaldiçoa as próximas três gerações da família, fala o que sempre pensou da vaca da sua sogra, da asquerosa da sua cunhada, do parasita do pai dele, faz questão de transformar a vida do desgraçado em um inferno – e um inferno paupérrimo, claro, que é para isso que servem os advogados. Separação consensual? Ha-ha-ha, faz-me rir. Quer se separar, meu filho? Agora agüenta. Você vai levar o saca rolhas, o kit de ferramentas, o cachorro, o peso de papel em forma de caveira (ou qualquer outra coisa que você nunca deu pela existência mas ele gostaria de ficar). Glenn Close vai parecer uma fada madrinha perto de você. Se você for mãe de filho dele, então, ahhhh, coitado. É bem possível (e desejável) que não sobre um puto tostão e o rebento acabe achando que ele é um traste. Como boa discípula de Ivana Trump, você não fica com raiva, você fica com tudo – e ainda arranja bons e permanentes motivos para ele se arrepender amargamente a cada segundo da sua infeliz e miserável existência por ter cometido o inexcusável disparate de... de que mesmo? Ah, sim, de não lhe amar mais, onde se viu. Logo você, imagina. Você, a última bolacha do pacote. Você, a mais perfeita das mulheres sobre a face da terra. Você, que fez TUDO por ele, que tentou tudo, que investiu tanto, que não cometeu erros, que não fez bobagem, que não o decepcionou jamais, que não desistiu do seu amor, que nunca lhe negou apoio, que compartilhou lado a lado suas alegrias, angústias, privações. Você, que é praticamente a mulher de Nova, de Cláudia, de Marie Claire juntas. Como é que ele pode agora simplesmente não lhe amar mais?! Que absurdo.

Callas, ex de Onassis. Padroeira das ex de classe.

Pois é. Entendeu a ironia, santa? Deixe de ser ridícula, filhinha. Ele não te ama mais. Ponto. Hel-lo-ou. De quem é a culpa? Que diferença faz? Não ama. Possível e provavelmente a culpa não é de ninguém, ou é da vida, essa vadia, e de um conjunto de “n” fatores seus e deles, de escolhas que não foram compatíveis, planos que se distanciaram, tesão que se perdeu, objetivos diferentes, cor de cabelo, marca de xampu, filme iraniano, rock progressivo. Pode ficar certa que ele preferia que não fosse assim. Todo mundo quer amar para sempre, todo mundo quer um amor imortal e ninguém quer passar pela experiência nada agradável de uma separação. Mas, you know, shit happens. Pluft. Assim mesmo.

Dói, claro. É um coice na auto-estima. É um buraco no amor próprio. É uma tristeza imensa. Mas pense por outro lado. Você tem sorte de não amar um zumbi, um acomodado, alguém que vai passar o resto dos seus dias mais ou menos a seu lado porque acha que, afinal, ser feliz de verdade dá muito trabalho e é muito complicado. Você não teve em sua vida por todo esse tempo um mosca morta acoitado, um covarde, um homem que se fez refém das circunstâncias. E nem vai ter. Até hoje ele te amava mesmo. Quando não amou mais, foi embora. A partir de amanhã, vocês seguem caminhos diferentes que podem levá-los (de volta) a serem felizes. Despeça-se, deseje sorte, recompense com respeito e lealdade quem agiu assim com você. Não banque a vaca ressentida. É feio, é vulgar, é um papel tristíssimo. Dignidade, fia. Cabeça erguida. Pé na bunda não autoriza baixaria. Classe, ainda que de óclão imenso e escuríssimo para esconder os olhos de choro, mas classe.


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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 00:10 de 22.08.2007
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21.08.2007

Colored Tips da Ticcia.


Eu, no colo do meu Tio do café, triste enquanto minha mãe não vem.

Hildolina está fazendo um draaaama pela recente ausência de sua amada mamãe. Em vez de se comportar como qualquer felino desaforado e me ignorar solenemente, não me deixa nem caminhar por dentro de casa. Neste exato momento (e nas últimas 12h) está no meu colo, enroscativa, ronronante, colocando a patinha no meu rosto, dando beijinhos e fazendo fofos. Eu, claro, me sentindo a mãe mais desalmada do mundo. Não sei quando vou ter coragem de deixar essa bolinha de pêlo de novo.



Porto Alegre, 8ºC, cinza cocô. O Rio de Janeiro azul e âmbar dá muito mais saudades. Pensando melhor, vou comprar uma caixa de viagem para Hildolina.



Piiiiiiilhas de trabalho. Piiiiiiilhas de estudo em atraso. Piiiiiilhas de mails. Piiiiiilhas de ligações para retornar. Zero comida na geladeira. Sejam bonzinhos com Ticcinha. Ticcinha não quer *ser obrigada* a pedir asilo no Belize.



Amigo irmão companheiro, se você mora no Belize, me convide para lhe fazer uma visitinha. É o momento propício.



Não contem pra ninguém, mas ontem à noite eu fiz éfe-ê-i-jota-ó-a-dê-a. Já congelei (quase) tudo. Foi um acesso de inconformidade geográfica. Já tomei a medicação, não se preocupem.



Enquanto isso, a ruiva blogueira mais linda do mundo revela ao povo que uma princesa ruivinha está a caminho. Por culpa da fotinha, devo estar ovulando seis vezes por mês. A blogosfera vai ficar muito, muito, muito mais linda e o mundo muito melhor. Nós sabemos o quanto torcemos, rezamos, fizemos promessas e macumbas. E eu sou a tchia da ruiva mais mimosa do mundo.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:16 de 21.08.2007
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Axxon N at 47

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 05:16 de 21.08.2007
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20.08.2007

If you knew.


Nina Simone, If you knew.




If you knew how I missed you
You would not stay away today
Don't you know how I love you
Stay here my dear with me

I can't go on without you
Your love is all I'm living for
I love all things about you
Your heart, your soul, my love

I need you here beside me
Forever and a day a day
I know whatever betides me
I love you, I love you, I do.



(Tu sabes, eu sei.)



Uma aula de como fazer uma música com letra aparentemente banal se transformar em uma obra de arte. Misses Nina Simone, pípol. Hosana nas alturas.
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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 23:22 de 20.08.2007
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18.08.2007

Sunny Rio Tips da Ticcia. Atualizado.


Foi só aqui que o Mme resolveu fazer greve à tarde ou vocês também tiveram problemas de acesso?

null

Não existe, realmente, felicidade sem feijoada. Nem sem biscoitinho de porco. Nem sem moqueca de camarão grande.

null

O Jardim Botânico é um desbunde. Chorar disfarçada vendo o rascunho de Águas de Março é covardia. Abenção maestro.

null

Céu azul, calor de quase 30º, vestidinho esvoaçante, janelas abertas, o Cristo por testemuha, o mirante que deixa a maravilha da cidade aos seus pés é bão. Saber que em Porto Alegre tá frio de renguear cusco melhora tudo ainda mais.

null

Lembrar de trazer tênis da próxima vez. Para andar não duas horas e meia, mas quatro.

null

Fazia tempo que eu não dormia tão bem.

null

Povo amado, eu p*r*o*m*e*t*o que da próxima vez a gente fazemos um fuzuê coletivo carioca.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 19:37 de 18.08.2007
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17.08.2007

JC 30 horas

Norte-americanos criam o GodTube, o YouTube cristão. Com o spetaculático slogan: 'broadcast Him'.





Enquanto isso - e na mesma reportagem -, DittyTalk. Site de relacionamentos LIMPO (num oferecimento Créoline?), em que você pode ser best friend de JC himself .

('cause He moves in mysterious ways and He's *always* online)




Minha concepção de personal jesus nunca sequer tangenciou tamanhas e tão binárias possibilidades.


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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 23:43 de 17.08.2007
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A cidade.

Rio, teu mar, praias sem fim, Rio, você foi feito pra mim.



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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 17:58 de 17.08.2007
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15.08.2007

Darwin Tips da Ticcia.

Alguém aí tem 32 dentes? Preservados, criados, positivos e operantes, ou seja, os 4 sisos nascidos, certinhos, inteirinhos e mais todos os outros, todinhos, sem faltar nenhum? É para uma pesquisa científica que eu tô fazendo. Sei não, acho que posso ter descoberto um legítimo exemplar de homem de neanderthal.

Enquanto isso, uma traça acaba de penetrar nos meandros do teclado do meu laptop. Enquanto uns nascem com 32 dentes, outros deixam o papel e passam aos circuitos. A evolução anda carecendo de placas de orientação de trânsito.

Por falar em involução, depois de instalar chuveiros, fazer pequenos consertos elétricos, a lesma Lelé aqui (copyright da Criada) não se deu conta que o enguiço da máquina de lavar louças era um mal contato na tomada. Killer Queen my ass.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 23:02 de 15.08.2007
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saudades dos Kikos Marinhos

Sonhei que os dentes estavam moles quase caindo e era só tocá-los que eles praticamente desabavam. Todas as interpretações quanto a sonhos com dentes moles ou dentes que caem são nefastas, indo de morte na família à perda financeira.

Marquei hora no dentista.





Os quibes (ou kibes) Bertin já não são mais o que eram. Agora tem muito mais gordura e osso do que antes. O gado que fornece material para os alimentos Bertin deve andar fazendo dietas restritivas de proteína e nenhum exercício, para conseguir esse resultado banha-e-osso. Ao menos eu fico banha-e-osso se não comer proteínas e não me mexer minimamente, oooo que tristeza.





Provavelmente, comendo o quibe (ou kibe) Bertin, vou ficar banha-e-osso como o próprio. Você é o que você come, é isso?





É tão bom um médico que finalmente dá um diagnóstico que não seja 'virose', 'gripe' ou 'bronquite'. Até gosto de más notícias: ao menos, dá para tomar pé da gravidade da situação e lutar adequadamente contra ela.





Os cálculos astrológicos não chegam a um consenso se meu ascendente é Aquário ou Peixes. Se tivesse um ascendente Lesma, apostaria nele.

Ho-ho.





E nem é Natal. Ainda.





Está me dando uma depressão essas revistas de muÓda com coisas supercoloridas, calça justa com blusa larga, estampinhas eighties, cintura extremamente alta (ó dô), balonê (ugh) e minissainhas rodadinhas flamboyant. Porque faz vinte anos que usei tudo isso. Vinte anos atrás esta que vos escreve era uma garotinha e essas tais roupitchas caíam bem e ficavam uma coisa jovial. Duas décadas passadas, as tais roupinhas ficam caricatas e ridículas, com o agravante de que, como usei precisamente este estilo quando era uma adolescentezinha, fico parecendo uma sólida e roliça balzaca sem senso do ridículo, tentando caber (sem sucesso) nos modelitos mofados do passado.

É por isso que me sinto muito mais confortável vestida de épocas que não vivi: não tem o parâmetro jocoso da menininha-myself aprisionada no espelho sussurrando 'sua velha ridícula!'





Disclaimer: nem ao menos sou uma pessoa que vive a muÓda, por assim dizer. Não tenho corpo, nem bolso, nem paciência (não necessariamente nessa ordem) para fazê-lo. Moda é bacana pelo seu aspecto antropológico, period. Agora, para vestir e sentir-se feliz e apresentável ainda não inventaram nada melhor do que alfaiataria. E moulage.





Vi e gostei: 1408. Baseado em um conto de Stephen King de mesmo nome, que você encontra no livro Tudo é Eventual.

É um filme de suspense-terrorzinho. Se você não gosta de suspense-terrorzinho, não veja.

O ponto alto é a música que toca no rádio-relógio. É incrível como tem umas musiquinhas happy-endings-like ou simplesmente fofinhas que guardam toda uma condição siniistra. Mensagem subliminar auditiva? Inconsciente coletivo? Atavismo?

Às vezes, penso que poderia ter estudado antropologia e me dedicado a pesquisas dessas coisas. O senão é que teria que fazer isso no ambiente acadêmico. E o ambiente acadêmico, com suas fogueiras de vaidades, é gosmento.





(os nossos comerciais, por favor - ergue braço direito reto para cima, apontando dedinho para o teto)

Nivea Rice & Flower, supostamente contendo óleo de arroz(?) e flor de lótus. Finalmente um creme Nivea sem cheiro de creme Nivea.





É recém quarta e a Lesma está cansada. Força, Lesma Lelé!


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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 12:10 de 15.08.2007
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Micro Killer Tip da Ticcia.

Não coincidentemente, minha atual música preferida pra correr é Fat Bottomed Girls.

Algo me diz que o homi da máquina de lavar louça (que não ressuscitou no 3º dia) não vem hoje de novo. Amanhã a trilha sonora vai ser Killer Queen, que aliás, é my own private fetiche sundtrack desde sempre. Reparem que até fala em Antoinette. Fredie, como todo mundo sabe, era dislexico.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 10:18 de 15.08.2007
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The Cashmere Bouquet Chronicles



Toda quarta-feira será oferecida uma crônica eleita entre as prediletas da Criada para leitura e regozijo dos amigos de Madame.

Preferir-se-ão crônicas inéditas de autores que divulgam pela internet. A autoria será sempre divulgada e, havendo site para redirecionamento, esse será fornecido.

Nesta quarta, O diabo mora ao lado, de Lívia Araújo - uma das minhas escritoras favoritas, junto com Lygia Fagundes Telles e Patrícia Antoniete.

Vi, pela primeira vez inteiro, o clássico "O Bebê de Rosemary" na TV este fim de semana. Peguei-me na saborosa fantasia de pensar que na vizinhança sempre tem alguém que a gente imagina ter parte com o demo ou coisa que o valha. Quando eu era criança pequena lá em Santos, no apartamento térreo do meu bloco, morava uma família - da qual hoje só sobrou a mãe bem idosa e a filha que vive a base de lítio - que tinha hábitos interessantes...

Clique no texto para continuar.
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 06:11 de 15.08.2007
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Eu, me, mim, comigo.

E você quer o quê, afinal? O que quer da vida, dos dias, de tudo que lhe resta? Eu aqui quero ser feliz. Feliz na minha mais peculiar acepção de felicidade, diga-se. Quero superar algumas das minhas limitações e encontrar desculpas convincentes - para mim mesma - acerca das demais. Quero melhorar no que for possível e justificar a contento todo o resto, a bem da minha própria, exuberante e aberrante humanidade. Por que lá no fundo, meus amigos, não pretendamos nos enganar, o que a gente pode mudar em si é muito, muito pouco mesmo. O grande trabalho é amar desvairadamente quem nós realmente somos – incluindo aquelas limitações e monstruosidades para as quais vamos ter de achar ótimas e sólidas justificativas. Quero ser feliz, sim, e isso inclui amar e lutar pelo amor de quem eu amo com todas as armas, de todos os jeitos, por todos os meios, de todas as formas e não desistir até que, enfim, o amor desista de mim. Porque aí, claro, não tem jeito. Então quero a paz de ter tentado, sempre. Quero o sossego de concordar comigo mesma, de ser minha melhor aliada, de agir exata e inderrogavelmente da forma que eu quero agir, a despeito de convenção, esperado, recomendável, do que diz o manual, a bíblia, o código, a lei. Quero poder decepcionar os outros, ah sim, mas manter-me fiel a mim mesma e sincera sobretudo e com todos. Quero entender do que preciso, o que vem de dentro e quero a força para deixar o que quer que destoe pelo caminho. Quero poder dizer que não, quando é não que eu queria mesmo dizer, olhando nos olhos da contrariedade e mostrando acima de tudo coerência. E também quero poder mudar de idéia, de caminho, de rumo, de opinião, de sentimento, de vida, sem virar refém de qualquer precedente, com o compromisso único de ser feliz, doa a quem doer, porque suponho que sacrificar a felicidade pelo outro é a pior espécie de egoísmo: é entregar o pior de si.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 00:01 de 15.08.2007
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14.08.2007

a prole espiritual de Ren*n C*lheiros et caterva

Depois do carón de pau da Ana Paula Carón.

Depois da punga intelectual da Anguizinha.

A cópia fraudulenta das bolsas La Reina Madre, nossas favoritas!

É evidente que a cópia fraudulenta das inigualáveis La Reina Madre é mais grave porque mais torpe: não contente em apropriar-se das idéias, apropria-se também do nome, e: (1) ganha dinheiro com isso de forma em grande parte ilegítima, porque o conteúdo do seu produto é, também, a marca e a tradição em design e confecção de La Reina Madre; (2) avilta a marca e o trabalho La Reina Madre, pois distribui no mercado produtos que não têm o controle de qualidade La Reina Madre - quem tem uma sabe do que estou falando; (3) apropria-se ilegitimamente de fatia de mercado prospectada e pré-trabalhada pela divulgação e tradição da marca e do produto La Reina Madre.

Desta forma fica fácil constatar que, enquanto Ana Paula Carón e Anguizinha situam-se na faixa da preguiça, oligofrenia e mau-caratismo mediano - por não desejarem (ou não conseguirem) despender seus esforços em busca do desenvolvimento de um estilo de composição escrita e, isso constatado, copiarem e colarem textos de outras pessoas em seus veículos de comunicação sem atribuir autoria, de forma que o leitor inevitavelmente conclui que o texto foi por elas redigido e as parabeniza -, os defraudadores da marca La Reina Madre estão na faixa do mau-caratismo especializado, atacando um empreendimento e não apenas textos de uma pessoa, realizando atos negociais com apropriação indébita de idéias e da marca, aproveitando-se da divulgação prévia e do (merecido) sucesso do produto para vender similares de qualidade duvidosa, assim gerando não apenas danos emergentes, mas também lucros cessantes, e lesando BARBARAMENTE os consumidores, que se acreditam comprando um produto tradicional e de qualidade.

Isso é o Congresso Nacional e a Alvorada fazendo *ishcuóla*. O país do mensalão, do dinheiro na cueca, da Sudene, do Sivam, da grilagem de terras por parlamentares, da multiplicação mágica das cabeças de gado, da convocação extraordinária em todos os recessos parlamentares para votar o que já devia ter sido votado nos períodos legislativos ordinários, está formando sua primeira turminha de discípulos. Antes, o povo em geral se indignava com a prevaricação e o peculato generalizados. Agora, o povo em geral também quer o seu e vai colocando em prática o que aprende na tevê. Não é meu? Eu PEGO, agora é! Estamos voltando para o estado de natureza, mas a natureza de que falava Hobbes, em que o homem é o pior predador do homem.

Fica o aviso: La Reina Madre, só aqui e NOS EVENTOS OFICIALMENTE ORGANIZADOS E NESSE SITE DIVULGADOS.

Enquanto isso, instituímos a Escala C*lheiros de Corruptividade, atribuindo nota três para Anguizinha, nota sete para Ana Paula Carón (passou por média!) e um DEZ summa cum laude para os fraudadores de La Reina Madre. Esses sim, aprenderam a lição.



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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 10:55 de 14.08.2007
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Tu sabes, eu sei.





De alguma maneira que me escapa, há entre mim e ti sempre um susto, um resvalo, uma momentânea contrariedade à leis, como um salto, uma queda, um tombo, um passo além da borda, um limiar de abismo, um equilíbrio rompido no segundo que antecede ao mergulho, revés de trampolim, avesso do chão, céu em prenúncio, corpo entre a vida e a morte. Há algo ali que se faz em signo, sinal, estigma, marca, distinção que não tem apreensão possível, só experiência e gozo, um pavor e, a um só tempo, êxtase: só alma como a alma deve ser, límpida e trespassada, trêmula e inapreensível carnadura. Há algo - tu sabes, eu sei - impossível de explicar aos que não comungam dos desastres que levamos nas mãos, que não conhecem o perigo de encontrar-se fora de si tão perto e alheio, dentro do corpo de quem nos faz mais nós mesmos. Há algo dos meus olhos para os teus que tece a teia indestrutível e secreta de todas as palavras e que preenche de sentido todas as lacunas em branco. Há algo - tu sabes, eu sei - que viajará conosco pela eternidade em vôo, ou em naufrágio. Toma de mim as asas. Arranca de ti a âncora.



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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 00:02 de 14.08.2007
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13.08.2007

Massa à carbonara de sábado ao sol.


Foto by Cafeína.


Eu descobri as maravilhas da massinha carbonara há não muito tempo. Dizem que cura gripe imediatamente. Dizem que tem propriedades secretas capazes de ressuscitarem um defunto. Eu acredito em todas elas e mais uma série de coisas que não cabe aqui elencar. Tem entre seus ingredientes alguns dos itens banidos e desterrados definitiva e vergonhosamente pelos adeptos da vida saudável, da dieta do pasto, colesterol zero, macrobiótico, light, diet e mais todos aqueles seres chatos, irritantemente magros e que sabem calorias de azeitona de cor. Esses é favor parar de ler a minha nobre receita aqui: vão lá fazer uma salada de rúcula, correr 20km e me esqueçam por hora.

O fato é que em um dia frio, com um bom copo de vinho, essa massinha salva-nos da miséria e põe-nos de pé. A primeira coisa que faço é fritar bacon em cubinhos até a provocativa crocância. Depois misturo duas xícaras de nata ou creme de leite fresco a 5 gemas passadas pelo coador. Tempero esse creme espesso com raspinhas de noz moscada, sal e pimenta do reino recém moída. Cozinho a massa até ficar al dente (eu gosto de massa fina e chata para enrolar em grandes novelos de gula), escorro e na panela em que ela foi cozida, coloco o bacon com sua gordura. Volto a massa à panela, envolvo no bacon, coloco em fogo brando e vou juntando o creme, mexendo e envolvendo os fios delicadamente. Eu não gosto que fique tudo muito cozido, prefiro que haja umidade indescente.

Serve-se em prato pré-aquecido, com queijo parmesão ralado e um vinho tinto que valha alguns pecados.


Ingredientes: 200g de bacon em cubos, 2 xícaras de nata ou creme de leite fresco, 5 gemas, sal, noz moscada, pimenta do reino, 350g de massa seca de grano duro, queijo parmesão.
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Coluna: Uma Madame na Cozinha
por Ticcia, às 09:04 de 13.08.2007
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12.08.2007

Sábado ao sol.



Fotos by Cafeína.
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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 22:50 de 12.08.2007
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lixívias de um final de semana oleoso

Comer um almoço como há muito não comia: 10 reales.
Ir a um shopping center para resolver uma compra rápida para seu pai: 5 reales.
Encontrar dois presentes perfeitos para seu pai: não tem preço.

Não tem preço? Tem, sim. Encontrar um monte de figurinhas repetidas que deveriam manter distância mínima de mil milhas de sua pessoa: na fila do caixa, a ex-chefia que pensou que você era um capacho protagonizando uma sessão nauseante de lambe-coo com o un-gentleman que foi partner de uma familiar sua, a menos de meio metro de distância. Você, para não externar toda sua náusea em jorros e golfadas, esconde-se atrás de um Crepax, na fila mesmo, ao que adolescentes aflitas postam-se às suas costas e guincham entre risinhos hiênicos, "pornografia!, pornografia!" - nada mais velho e viciado do que um cérebro novo.

Após, encontrar um ex-stalker no supermercado enquanto fazia bagunça e cantarolava na maior alegria de ter despistado o un-gentleman e seu lambe-coo.

Pessoas, vocês pertencem ao passado, ao PASSADO, aquele baú cheio de mofo que joguei no fundo do oceano. Voltem já para lá! Gente sem noção.



Grazadeus que estou mais velha, mais gorda, com os cabelos mais curtos e mais escuros. Todo um plus a mais que acresce, aumenta e incrementa. Dá para fazer a linha 'estou irreconhecível e também não conheço ninguém'. Hope so.




I don't know anybody else. Simple as that.




Oooooo. Sim.


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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 00:34 de 12.08.2007
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10.08.2007

Um fim de semana para tentar consertar (-se).




High up above or down below, when you're too in love to let it go, but if you never try you'll never know just what you're worth.


Atenção para a segunda parte do clip que também dá vontade de sair correndo e girando lâmpadas por aí.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 10:20 de 10.08.2007
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Foolish Tips da Ticcia.

Para quem quer ver mais fotos do trabalho in-crí-vel da Carol W, uma disneilândia para os olhos. Talento, fios, talento. Bah.

Aos visitantes da mansão de Madame, avisa-se: não deixem Ipods, Cdman, celulares com fone, microfones de computados à solta. Hildolina é militante engajada do FONE ZERO. Já comeu 4.

Maria Bethânia no Canecão, mizifios. U-huuu. O Rio de Janeiro continua fica mais lindo.

Falando em Ipod, recheio made by Cafeína são outros quinhentos. Na verdade, outros mil. Quem Ipod, pode.

Cês tão vendo que eu tô podre de exibida, néam?

É a Tati, a melhor babá de casa evah and evah, que me acostuma mal. Nem vou reclamar que a máquina de lavar louça que tinha voltado do mundo dos mortos voltou a falecer. Tô aqui chamando ela de Lázaro em todos os trinados possíveis. I'll keep you posted.

Sempre que eu digo I'll keep you posted imagino H. grudando Post-its laranjas nas pessoas. Sim, demência, eu sei.


Voz na minha cabeça: - Mas Patrícia, tu não tem nada que preste pra dizer?

Ticcia: - Tenho, o link pra Carol W.

Voz na minha cabeça: - Isso foi na primeira linha. Cala a boca e vai estudar.

Ticcia: - Ahhhhhhhhh... ok.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 08:24 de 10.08.2007
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09.08.2007

Mudez invisível.


Às vezes eu converso contigo como converso com o nada, com o escuro do quarto, da noite, dos seres invisíveis. Às vezes eu falo contigo como quem solta garrafas ao mar, como quem faz uma prece, como quem recita uns versos que perderam o fio da palavra na repetição desmedida. Às vezes eu te conto do dia, da luz estranha no entardecer do corpo e do rio, da paz de uma janela aberta sobre prédios recheados de desesperos microscópicos felizmente inaudíveis à distância, do sono da gata sobre os nossos livros, da tua falta caminhando, caminhando ao lado meu numa estrada branca. Às vezes te confesso a dor como quem vomita a si depois de tanto tempo a se guardar na boca, depois de tanto a tentar se engolir e choro alto, soluço como criança, abraço as pernas e me encolho bicho, ínfima, e durmo derrotada no cansaço da impotência e da resignação acachapante. E então emudeço quase em susto, silencio como se tapasse a boca dos meus pensamentos na esperança que não tenhas me escutado, que a ti tenha passado despercebido meu secreto e constrangedor ofício de dividir a vida com tua ausência, na esperança de que penses em mim numa outra, a ti alheia e longínqua, tão mais alta e tão mais rara, tão menos humana e triste e patética e pequena e desamparada, tão menos acompanhada da multidão de memórias das tuas minúcias, das dobras dos teus dedos, da quase imperceptível descoloração do teu lábio, da cor de avelã dos teus cílios, das rugas de sorriso guardado ao redor dos teus olhos.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 07:03 de 09.08.2007
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08.08.2007

Ali Jabá.

Você já tomou água da torneira e passou mal? Está cansada de levar água mineral elevador acima e garrafas vazias elevador abaixo? Nunca está em casa para chamar o rapaz da tele-entrega de água mineral? Já percebeu que as tais "águas minerais" a gente quase nunca sabe de onde vêm e na maioria das vezes tem PH altíssimo e são cheias de sais minerais que podem entupir seu pobre rinzinho?

Seus problemas acabaram. Dizem que o nome é processador hidrocinético que elimina impurezas biológicas, físicas e químicas, mas pra mim é um filtro que vai direto na torneira e poupa uma trabalheira medonha. Fan-táaaas-ti-co. Recomendo muito, muito, muito. O representante vai até você na rua, na chuva, na fazenda, no trabalho ou numa casinha de sapê com hora marcada e tuda.

Para Porto Alegre: Carlos, um querido. Fone: 8133-5498.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 11:32 de 08.08.2007
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The Cashmere Bouquet Chronicles



Toda quarta-feira será oferecida uma crônica eleita entre as prediletas da Criada para leitura e regozijo dos amigos de Madame.

Preferir-se-ão crônicas inéditas de autores que divulgam pela internet. A autoria será sempre divulgada e, havendo site para redirecionamento, esse será fornecido.

Nesta quarta, O monstro de olhos vesgos, de Filthy McNasty, aka Noronha.

Eu não sou ciumento. Parte do motivo é que tendo a confiar intrinsecamente nas desafortunadas vítimas dos meus afetos (e essa racionalização, sei muito bem, ganhou em terceiro no campeonato mundial de bola ao chifre de Cochabamba, em 2004).

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 08:08 de 08.08.2007
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07.08.2007

adagiando

"***** não dá asa à cobra."


Portanto, há de se decidir se você quer peçonhar os outros e rastejar a vida toda ou se prefere se concentrar em atingir os píncaros da sua very own private glory.





--> O campo "*******" é para ser preenchido pela divindade/santidade/deidade de crença (ou preferência) de cada um.

--> Amanhã é dia de Cashmere Bouquet Chronicles. Quem será o cronicado da vez?

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 11:29 de 07.08.2007
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La Reina rides again. Atualizado agora que ela já comentou.


Olha isso. Assim não dá, assim não pode.



Eu quero deixar bem claro que essa mulé é uma doida, uma meliante, uma desavergonhada.
Vocês já viram os novos modelos? O que é a Ribalta e a Ribaltinha?

Da cestinha eu não vou nem falar porque eu me engasgo de tanta água na boca.

Tô vendo que vou bater a casa das duas dezenas de bolsas.
Aí as pessoas dizem que a louca sou EU.
Ô vida.


Atualização aqui entre nós: eita mulé talentosa, viu? Não é porque ela é praticamente minha irmã, não, que eu já chafurdava na paixão pelo que ela faz muito antes disso. Só quem já passou pela experiência de receber um pacote cheiroso pelo correio, cheio de mimo, fitinha, coisica, amor e carinho sabe do que eu falo. Denize é uma rainha mesmo. Das fadas.





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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 08:41 de 07.08.2007
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Um corpo à espera de mar.







No Não Discuto.









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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 07:49 de 07.08.2007
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06.08.2007

In vino veritas. In polentas alegras.

Tenho a declarar que a minha melhor refeição do último ano foi sábado à noite, feita por me myself and I. Foi polenta (de verdade, com farinha de milho fina como talco, mexida incessantemente por 40min), naquele ponto em que a gente deixa dar uma paradinha para poder fatiá-la como um pudim, acompanhada (isso mesmo, para mim polenta é prato principal) de frango com molho grosso de tomate. E vinho. Ahhhhh. Que maravilha viver, diria Vinicius.

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Coluna: Uma Madame na Cozinha
por Ticcia, às 21:33 de 06.08.2007
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qui qui qui

Depois do castanho claro, do castanho claro dourado, das mechas que foram desbotando, do cobre claro, do castanho claro (de novo) e do castanho médio-todo-misturado, Criada Inc. apresenta a vocês o cabelo muito-escuro-quase-preto.

Como várias das brincadeiras de cor da criadagem, esta também é feita em casa. O detalhe sórdido e encantador foi que na caixinha de tonalizante faltaram as luvinhas de plástico. Não adianta: mesmo pintando com pincel e pente de dentes finos e próximos, tem uma hora que você precisa meter a mão na massaroca de cabelo e tinta para espalhar bem e garantir um resultado razoável.

Portanto, durante esta semana, cabelos-muito-escuros-quase-pretos e mãos que parecem saídas diretamente do cartaz de divulgação de Saw II.

O mais interessante é que estou substituindo no atendimento por tempo indeterminado. Será que o respeitável público ficará enojado de receber seus documentos e papeladas de mãos que parecem saídas diretamente da cova?

Para tornar tudo mais interessante, vou fazer uma maquiagem bem bonita.





Estava com saudades de posts fúteis. Vocês não?





Momento jabá: as camisetas da Cove. Destaque para Born to be Wilde, minha favorita.





Tenho visto por aí vários comentários das pessoas dizendo que a nova garota-propaganda do Avão está usando qualquer outra coisa (Nãocôme, provavelmente é o que pensam) que não Avão, porque aquele efeito jjjjjjjjamais seria conseguido com Avão.

Bem, a opinião da Criada é uma opinião ralé, chulé e proletária. Porém, prima por ser uma opinião objetiva e experimentada. E o que posso lhes dizer, amiguinhos e amiguinhas, é que o supostamente maravilhoso gloss plástico da Dhristian Cior fica no chinelo quando comparado com o gloss carro-chefe da Avão, ou mesmo um da Naturis.

Criadicas da titia: uma boa pintura, de qualquer tipo, se faz aos poucos, com várias camadas. Coloque as maquiagens aos pouquinhos, porque 1) é mais fácil colocar um pouco mais do que tirar e 2) com maquiagem de menos, você parecerá natural e despojada; com maquiagem demais, parecerá um palhaço zumbi. Depois de um tempinho, você adquirirá prática e já colocará as quantidades certas bem rapidinho. Caso não tenha tempo para fazer a maquiagem em casa, aproveite a moda de bolsas enormes: leve sua maquiagem na bolsa e aplique no (toillette do) trabalho ou no (toillete da) escola/faculdade/curso.





Para fechar: assisti Duro de Matar 4 nesse final de semana - muito bom, completamente the end of the world as we know it. Duro, mas duro meesmo, é entender por que Demi Moore trocou Bruce Willis por Ashton Kutcher. Mais ou menos a mesma coisa que trocar um banquete por um couvert diet.

Estão vendo? Esses tempos de supremacia da dieta estão acabando com as pessoas.






Boa semana.





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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 12:56 de 06.08.2007
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03.08.2007

quero ser Jason Bourne

Quero ser Jason Bourne. Jason Bourne é invicto, insofismável e indespenteável. Jason Bourne não mira com a mão, ele mira com olho. Jason Bourne não atira com a mão, ele atira com a mente. Jason Bourne não mata com a arma, ele mata com o coração.

Jason Bourne é invencível porque intocável. Nada chega no seu cerne. Nada ultrapassa a carapaça afetiva que ele mesmo criou ao seu redor. Jason Bourne não tem medo porque Jason Bourne não tem nada a perder: Jason Bourne desiste das coisas antes que as coisas desistam de Jason Bourne. Assim, ele é livre como poucos. Não há possibilidade de perda para quem nada tem. Não é possível fazer sofrer quem nada sente.

Lá no seu íntimo bem guardado, em desconfortos sem nome que assomam somente quando a noite é por demais silenciosa, jaz o anseio de amor de Jason Bourne, travestido de curiosidade científica. Ele se pergunta, obsessivamente, por que as pessoas tanto fazem por um abraço ou um beijo. Por que se deixam levar por promessas vãs, nada mais que palavras acompanhadas de olhos brilhantes, um truque mais antigo que o tempo. Desconfia - quase pressente - que as pessoas vêem algo que ele não vê. Sentem algo que ele não sente. Por instantes, percebe claramente que é alijado daqueles que experimentam os sentimentos. Classifica-os como vulneráveis. E o desprezo, como se sabe, é somente mais um dos muitos nomes da inveja.

Na escura noite sem lua e sem estrelas, Jason Bourne imagina ser seguro espiar seu prisioneiro perpétuo - o corpo esquelético e curvado, a pele coberta de escaras pelo fato de nunca ter sido tocado por ninguém. Ele guincha, arregalando aqueles incríveis olhos muito grandes e saltados, estende em sua direção as mãos tortas em forma de garras, com unhas muito longas. Jason Bourne afasta-se assustado: esse é o único inimigo que não pode enfrentar.




Este texto contém, no primeiro parágrafo, uma aliteração da obra de Stephen King, A Torre Negra. Campanha Copie Citando a Fonte.


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por Sua Criada, às 01:56 de 03.08.2007
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Massinha Corleone, ou I'll make you an offer you cannot refuse.


"-We're not murderes, in spite of what this undertaker says."
(Atentar para o gato ronronante)



Vocês sabem que Godfather é um filme indispensável na formação do caráter de quem quer que seja. Algumas das frases e atitudes mais úteis que alguém pode aprender estão aglutinadas ali, naquelas quase 9 horas de filme.

Pois foi pensando em Michel e Don Vito que num dia frio e chuvoso em Porto Alegre eu peguei um bom pedaço de lingüiça defumada, cortei em fatias finas e pus a refogar numa panela com azeite de oliva, cebola, alho e duas folhinhas frescas de louro. Quase dourados estes ingredientes, juntei duas latas de tomate pelado picado, com seu suco, uns goles de vinho branco (uns na panela, outros pra mim). Depois de deixar apurar, mas não muito, porque eu gosto de sentir os pedaços do tomate entre os dentes, azeitonas verdes e pretas sem caroço, folhas de manjerição fresco. Tudo por cima de um tagliolini al dente. Sim, claro, pode ser spaghetti. Ou penne.

Grana Padano ralado por cima vai bem, mas pode-se dispensar o queijo. O que não se dispensa é o vinho. E an italian boyfriend, por favor, pra depois não reclamar ao padrinho.


Ingredientes: 1 bom pedaço de lingüiça defumada, 1 cebola média, 4 dentes de alho, 2 latas de tomate pelado, azeite de oliva, 2 folhas de louro, uns goles de vinho branco seco, 1 xícara de azeitonas pretas, 1/2 xícara de azeitonas verdes, folhas de manjericão fresco, queijo grana padano ralado, se desejar.


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Coluna: Uma Madame na Cozinha
por Ticcia, às 00:30 de 03.08.2007
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01.08.2007

Excepcionalmente. Atualizado.


"-Bicho louco? A-hã. Só se for Ticcia, a anta descompensada,
a rinoceronta fora de prumo. Não fosse euzinha, babaus."

Hoje não morreu nenhum dos grandes cineastas.



Julho acabou. Amém. Eita mês do cão.



Declaro que agosto este ano não será o mês do cachorro louco. Julho enlouqueceu o zôo inteiro. Bora fazer o balanço, sentar o pau na máquina e entupir os bichos de Frontal. Foco, zifios, agora foco, que é pra setembro poder tomar xampã e entrar no cio.


*** Em tempo: Por falar em louco, a doida aqui pôs uma panela no fogo e foi trabalhar. Não fosse Hildolina miar, arranhar e chamar a vizinha (que teve a presença de espírito de me ligar por causa do cheiro estranho), sabe-se deus. Hildolina, a heroína do ano. A gata, o mito, a salvação da lavoura e do apê.

Dicas de como tirar cheiro de fumaça nos comentários, pelamor. Ou a mula aqui vai comer queijo lanche por um mês achando que é provolone.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 08:15 de 01.08.2007
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The Cashmere Bouquet Chronicles



Toda quarta-feira será oferecida uma crônica eleita entre as prediletas da Criada para leitura e regozijo dos amigos de Madame.

Preferir-se-ão crônicas inéditas de autores que divulgam pela internet. A autoria será sempre divulgada e, havendo site para redirecionamento, esse será fornecido.

Nesta quarta, A universidade a quem é da universidade, por Nibelunga do Cabelo Duro, aka Mãe Menininha do Penhoar.

Esse é o gato que eu apelidei de Florestan --cada um dá a ele um nome, e eu soube que oficializaram "Platão". (Drury's, né.) Ele assombra/mora no prédio da Filosofia/Sociais da USP. O cheiro que ele conferiu ao espaço onde costuma ficar é mais agradável do que muitos outros olores de lá, e ainda assim pode provocar dor de cabeça instantânea, mas não é essa a questão aqui.

Clique no texto para continuar.

A crônica está acima. Como bônus, mostro para os leitores amigos, que são contemporâneos e foram vacinados com a gotinha, como anda a vida adulta de Zé Gotinha. Nibelunga sabe, Nibelunga viu. E conta aqui.


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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 07:24 de 01.08.2007
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