31.07.2007

No escuro do mundo.






Saudades de por vir, eu diria. E diria mais, mas é que agora a palavra engasga nos dedos, foge das mãos, afunda entre os seios, encrava e quase dói. Só não dói, diga-se, porque há muito fiz um acordo com o gume das palavras: elas se amolam em mim, mas me poupam de seu corte. Não tenho dormido o sono de apagar o mundo. Durmo com grandes olhos abertos sobre mim mesma, boiando afogada sobre o quarto, à procura de algo, uma fenda, um oco, uma ranhura que me escoe e absolva. Tenho medo de esquecer teu corpo, te disse? E para não te perder da memória, recito teus pedaços aos meus sentidos numa estranha tabuada e tenho medo de já lembrar do que não é, de já ter fabricado novas cores para os teus olhos, para as tuas mãos, de tu já seres metade reinvenção de mim mesma. (Eu deitei mesmo sobre o teu peito?) E quero desistir, às vezes. Muda e imóvel flutuando no escuro gelado da madrugada, abandonada de todo e em cada parte, quase recobro uma consciência outra que nunca tive onde eu te decifro e tu te apequenas até sumir, mas nem isso dói. O mais parecido com dor é mesmo essa saudade de tudo que eu não sei se conjugo no futuro ou no passado mais-que-perfeito.













Quase Um Segundo (Herbet Viana/Paralamas) - Eu queria ver no escuro do mundo/ Onde está tudo que você quer/ Pra me transformar no que te agrada/ No que me faça ver/ Quais são as cores e as coisas/ Pra te prender/ Eu tive um sonho ruim e acordei chorando/ Por isso eu te liguei/ Será que você ainda pensa em mim/ Será que você ainda pensa?/ Às vezes te odeio por quase um segundo/ Depois te amo mais/ Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo/ Que não me deixa em paz/ Quais são as cores e as coisas pra te prender/ Eu tive um sonho ruim e acordei chorando/ Por isso eu te liguei/ Será que você ainda pensa em mim/ Será que você ainda pensa?

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 08:33 de 31.07.2007
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Mundo um pouco menos poético.



Michelangelo Antonioni, 1912 - 2007.


Sei não. Tá parecendo que o pessoal lá de cima tá afim de fazer uma sessão de cinema de gabarito.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 07:38 de 31.07.2007
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30.07.2007

Mundo um pouco menos denso.



Ingmar Bergman, 1918 - 2007.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 09:17 de 30.07.2007
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29.07.2007

Late Sunday Tips da Ticcia. Atualizado com fotos by Cafeína.


Um desejo enorme de comer sorvete de morango. Isso não seria nada anormal se algum dia na vida eu tivesse gostado de sorvete de morango. E não. Nunquinha.
Não me olhem com essa cara. Não é isso.



A gente deixa um dia a nossa filha-gata querida com o moço aquele e ele faz isso. Tsc tsc tsc. Agora em vez de estudar, se formar e ser uma gata de bem, vai querer seguir a carreira de cat-model-atriz-manequim.


Tem mais. depois eu mostro.



Olha meu povo, a bolsa nova bafo linda de morrer que deu até ameaça de morte lá no castelo da Rainha tá sendo leiloada pelo SOS Gatinhos. Bora lá comprar uma maia dúzia de dez números pra gente levar aquela belezura pra casa e ainda ajudar a Leila mimosa guardiã daqueles coisos fofos.



Para o povo de Porto Alegre: até terça-feira, no segundo andar do Moinhos xópim, exposição de arte em papel maché da Carol W. Amigos Imaginários. Indescritível. Vontade de levar tudo pra casa. Eu sou absolutamente tarada por papel maché.




Essas coisas lindas são da Carol W. (Obrigada, De. Eu fiquei tão louca que não tinha anotado o mais importante: o nome da gênia).
AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH. Amei, amei, amei.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 20:22 de 29.07.2007
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Happy Birthday, Mr. Cafeína.







Eu lembro da primeira vez que eu te vi. Lá estavas tu, nas entrelinhas, nos fragmentos de imagem, em pedaços de som das coisas mais bonitas, mais surpreendentes, mais incrivelmente elegantes. E eu comecei a te admirar, longínqua e anônima, com o desejo secreto de ser des-coberta e re-conhecida. E assim foram passando os tempos. Tempos em que a gente falava um pouquinho, se via de passagem, trocava impressões. Tempos de haver um oceano no meio e tristezas pelo caminho. Tempos de sentires saudades da terra e dos recomeços. E houve o tempo, por essas coisas que a gente sabe que não são acasos, de voltares exata e estranhamente quando eu queria abandonar-me de mim mesma. E então a vida nos deu o abraço um do outro, o riso um do outro, as histórias um do outro, as fragilidades um do outro, os defeitos um do outro, o beijo um do outro, o olhar um do outro, a força um do outro, o amor um do outro. Meu irmão, meu querido, meu amor, meu amigo. Tua generosidade e teu carinho. Tua genialidade nos detalhes. Teu olhar prescrutador e preciso. Tua mão estendida. Teu colo e teu conforto. Mas minha admiração por ti tem muito mais que isso. Feliz aniversário. Parabéns por mais um ano sendo cada vez mais tu. Sorte nossa.








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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 13:13 de 29.07.2007
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28.07.2007

Early Morning Tips da Ticcia.


Há previsão de que na madrugada de amanhã faça 1ºC. UM GRAU. E mandaram avisar a paulistada que vai sobrar pra vocês tumém. Tirem os gorros e cachecóis do baú.



Aí você se pergunta o que Ticcinha faz acordada às 8h de um sábado frio? É babá de pedreiro, meus irmãos. Até Hildolina tá revoltada (ficou na cama, envolta no edredom com uma cara de "te rala, santa").



Falando em gatas mimosas, Josefina, a gata do Nuno, deu a luz a 5 gatinhos e só um sobreviveu. Nuno ajudou Josefina no parto e graças a ele o neto ruivo está lá firme e forte com uma semana já do tamanho de um bizonte bebê. Notem que ela é uma gêmea portuga de Hildolina. Momentos de fofulência explícita.




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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:09 de 28.07.2007
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27.07.2007

Um final de semana pra sonhar, "just in cases".




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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 21:47 de 27.07.2007
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Math Tips da Ticcia. Atualizado.

Nem quando o responsável pelo conserto do seu carro é seu irmão ele fica pronto no dia. Era pra ser 5ª, já é 6ª.



O encanador/pedreiro avisou que chegaria às 8h. São 9h.



Só para ficar nos números: tá 7ºC.



Meu humor? Não passa dos 2,5.



E tão inventando que eu vou trabalhar amanhã. Agora calcule.


Óbêésse: Meu banheiro virou a Bósnia. O tal pedreiro deve ser qualquer coisa menos azulejista, eu só ouço barulho de azulejo se espatifando (azulejos que não existem mais), ele disse ONTEM que o box ficaria pronto HOJE pela manhã, já disse agora que não tem jeito e que AMANHÃ tem outro serviço - veja bem - no meio do MEU serviço, e que SE colar tudo amanhã (que possivelmente é quando eu tenho que trabalhar) TALVEZ, o box, esteja pronto pra usar DOMINGO. O resto ele faz SEMANA QUE VEM. Nesse meio tempo, o moço vai me ajudar e ficar à tarde com o homi para ver se adianta o selvicio. Aí você pergunta, mas amanhã quem poderá me salvar? Eu também pergunto a mesma coisa. Tô a ponto de cometer homicídio. Ou suicídio.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:02 de 27.07.2007
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26.07.2007

Vernáculo.

Pessoas que têm vocabulário me fazem recuperar a fé na humanidade. É. Parece doido, mas é verdade. Ler é sempre bom, ler qualquer coisa é bom. Ler blog, gibi, internet, revista jornal, tudo isso é muito bom. Mas ninguém vai descobrir o que é comezinho, taciturno, obnubilado, parcimônia, hodierno sem ter pego um clássico nas mãos. E não tô falando de juridiquês, nem economês. Tô falando de língua portuguesa. A leitura de massa nivela por baixo, precisa se fazer compreender para o maior número de pessoas, instantaneamente, é assim, é bom que seja assim. Mas o que diferencia é, claro, o diferente, o que nos faz subir alguns degraus. Eça, Machado, Joyce, Lorca, Lispector, Hilst, Drummond, Manoel de Barros, Camilo, tantos outros. Aí você me diz que não faz falta saber o significado dessa palavras para se comunicar. Que pena pra você.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 11:45 de 26.07.2007
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25.07.2007

Pausa para cumprimentar os amigos.


Bom dia, Dida Maia.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 23:36 de 25.07.2007
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Caminhando e voando e seguindo a canção.

Polêmicas à parte,não que eu ache que tudo que esses senhores fazem é apoiável, mas o fato é que eles têm reunião com o governo e aos poucos vão avançando em seus propósitos porque fazem algo por si. Toscamente, violentamente, incomodando quem não tem nada com isso, bloqueando estradas de quem quer ganhar o pão de cada dia, ilegalmente até, mas fazem. Enquanto isso, a doce classe média abanca-se no alto do discurso politicamente correto e posa de revoltada, mofando em horas e horas de espera em intermináveis filas, humilhações, atrasos, insegurança, desconsideração e desculpa furada, assistindo atônita - e parada (ou quase) - há mais de ano o jogo de empurra entre Anac, Infraero e companhias aéreas. Quem acha que ficar parado resolve atire o primeiro cartão de embarque.

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Coluna: Madame Pompadour
por Ticcia, às 23:34 de 25.07.2007
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It's in his kiss.



Cary Grant rules, darling.
O que é a fungada no cangote da Audrey?
E aquela senhora que ele sai rebocando no colo?
E a chegada na Sofia?
Me abana.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 11:47 de 25.07.2007
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Ski Tips da Ticcia.

Isadora, a enteada insusbstituível, acaba de avisar que não existe mais Kit Kat tradicional nos freeshops do cone sul. Só o tal de Kit Kat Chunky. É por isso que eu digo. Os sinais estão todos aí. Desastres, furacões, aquecimento global. O fim do mundo está próximo.



Minhas filhas, o caminho, a verdade e a vida é o óleo de maracujá da Anna Pegova. É possível que você depois escorregue no box do banheiro e tenha um acidente grave, mas o rapaz que vai lhe engessar a perna vai lhe pedir em casamento. Para as casadas, amaziadas e com namorados que compartilhem banheiro, eu aviso: só use se o querido esquiar bem, que homi quebrado ninguém merece.




Não há cadernos à venda que tenham capa lisa. Nem capa, errr, digamos, neutra. Do que se conclui, paradoxalmente, que uma criatura que segue estudando além dos 14 anos não tem interesse em adquirir cadernos cuja capa não seja de Hot Wheels, Rebeldes, Hello Kitty, Princesas, Harry Potter, Piu-Piu, Barbie ou Transformers. Ai, que raiva.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:48 de 25.07.2007
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inferno e confusão




Aprontando as maiores CONFUSÕES!




Nas entranhas do You Tube, reside uma compilação de chamadas do Supercine demonstrando a repetição sistemática e insistente do bordão "... e transformando sua vida num INFERNO!"



Quando se está no colégio e as tardes são livres, aprontamos as maiores confusões com uma turma muito louca.

Tornando-se adulto, descobre-se, aos finais de semana, quando a pessoa finalmente pára um pouco, que sempre haverá gente
(mais do que) disposta a transformar sua vida num inferno.

Rede Grobo e suas mensagens subliminares: construindo um país melhor para... para quem, mesmo?



Conclusão
Continue aprontando as maiores confusões. Preferentemente, com uma turma muito louca. A transformação da vida num inferno é inescapável. As death and taxes.



"Aprontar as maiores confusões" = fonte da juventude?

"Transformar a vida (dos outros) num inferno" = chumbo em ouro?



A noite é uma enorme coruja negra entupida de LSD que induz pensamentos randômicos lisérgicos nas pessoas.

Bom dia para você também.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 02:14 de 25.07.2007
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24.07.2007

The best, live. Naïma, 1965.



Porque elegância, mosfios, tem nome e sobrenome: John William Coltrane.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 20:58 de 24.07.2007
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MST, sweet MST.

A felicidade pode ser simples: representantes de um movimento social interditam a entrada do seu trabalho, sobra tempo para o cabeleireiro e a manicure, faz um dia de sol tão azul que quase não é inverno, sua gata lhe ama e você prepara uma sopa cremosa como naqueles potinhos de papinha de bebê.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 20:20 de 24.07.2007
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23.07.2007

Como terminar um dia cheio, ou porque Édipo não tinha irmãos.

Então sábado a pessoa tem uns três ou quatro ataques de ansiedade, vai pra serra visitar a mimosa afilhada com mãe e irmã, passa um frio do cão, dirige quilômetros e mais quilômetros abaixo de chuva e neblina em um movimento que parecia a fuga do inferno, altos papos cabeuça on the road (que a gente perde a atenção mas não perde a oportunidade para trocar impressões com a irmã mais velha 11 anos mais nova), três crises de choro, uma passeada no xópim para comparar uma coisinha que ansiedade sem cartão de crédito não é ansiedade, mais crise de choro, caldo verde, indecisão, post sincrônico, euforia incontrolável, crise de choro, sermão de montanha (Paulinha só faz sermão de montanha - de estrume nirriba da gente), sono. E no meio do sono, exausta e com a cabeça a 7 mil giros, a destrambelhada sonha e sonhando se agarra na coitada da irmã achando que é o dito, fala coisas indeclináveis e quase é morta por espancamento em um fratricídio sem antecedentes na história sofocleana.

Seria trágico se não fosse cômico.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 21:07 de 23.07.2007
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Pequeno dicionário idiossincrático da memória, 22.


Maggie Taylor

Certeza, s.f., é uma grande enguia cega e fugidia que vive em um rio raso de pedras afiadas e que devora as mãos dos muito confiantes que tentam em vão apoderar-se dela.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 19:52 de 23.07.2007
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Postsecret


Imagem Postsecret






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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 13:13 de 23.07.2007
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considerandos comunicandos

Já sabia que este é o Site da Ticcia e não pretendia que fosse outra coisa que não o Site da Ticcia. Percebi, porém, que minha participação, embora somente uma participação, vem tendo o nefasto dom de perturbar gente que aprecia deveras o site - que, como dito, é da Ticcia. Não deixa de ser curioso: se é só uma participação, por que as pessoas se sentem perturbadas? Não sei, não vou tentar descobrir e, para o bem de todos e felicidade geral da nação, as participações ficam reduzidas a partir de hoje.

Esse é um post sem espaço para comentários, pois comentários sobre o assunto obviamente não são desejados. Seja uma pessoa fina, com pertinência temática, e abstenha-se de comentários sobre esse mero comunicado em outros posts.

Obrigada!

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 11:01 de 23.07.2007

Direto do forno freezer.

Frio de renguear cusco de novo. Tá 8º e mestre Eugênio diz que é amostra grátis: quarta vai ser muito pior.
Meu reino por uma passagem pro Senegal. Ou para algum lugar com calefação, esqui e cobertor de orelha.
Senhor, senhor, por que me abandonaste?

Heresias à parte, muito trabalho, estudo e ranger de dentes. 'Ces sabem que eu vos amo de todo meu coração congelado, mas o bicho tá pegando e alguém tem que se mexer. Como "alguém" aqui só pode ser eu (até porque Hildolina só faz enroscar, ressonar e pegar o melhor lugar em frente ao aquecedor), a família depende exclusivamene de mim. Tenham paciência e solidariedade, irmãos, e sobretudo fé. Eu vou fazendo o possível.


Ó-bê-ésse: Nesse meio tempo, Grêmio em 4º, Municipal em 12º e vencemos os Argentinos no handebol (deu até briga, tsc, tsc, tsc, pra quê deixá-los irritados, me diz?).
E essa semana tem Aflitos, néam Dida?

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:12 de 23.07.2007
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21.07.2007

21 de julho, 23h 59min 59s, em algum lugar.

Porque às vezes um dia é mais que um dia. Porque às vezes não se precisa nem de 24 horas para viver anos. Porque os anos não se vivem em horas, nem em dias, vivem-se em instantes que valem uma vida inteira. Porque às vezes a vida inteira não parece comportar tanto quanto se viveu em algumas horas. Porque o que não caberia numa vida pode-se encontrar em menos do que um dia. Porque sonho não se mede nem em horas, nem em dias, nem em anos. Porque às vezes o sonho toma conta da vida. Porque às vezes espera-se o último segundo do último minuto para mostrar que a solidão pode ter fim e que podemos fazer a vida apoderar-se do sonho, por mais louco, lindo, grande, incrível e especial que ele seja.

Uma vida que não caiba nos anos. Sonhos que comportem uma vida. E nada menos que isso.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 23:59 de 21.07.2007
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20.07.2007

Um fim de semana para sonhar com reencontro depois de anos de solidão.


Imagem de Pedro Moreira

Años de Soledad.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 20:58 de 20.07.2007
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19.07.2007

Ainda.






Torçamos para que não sejamos nós. Em alguma esquina. Em algum terreno baldio. No semáforo. Torçamos para que não sejam nossos filhos. De madrugada. Numa falsa blitz. Na estrada. Na parada de ônibus. No estacionamento da faculdade. Torçamos para que não sejam nossos pais. Na entrada do pronto-socorro. Na fila do INSS. Na faixa de segurança. Ao lado do transporte de valores. Torçamos para que não sejam nossos amores. Na entrada do edifício. Na rua perto de casa. No parque. Na loja da esquina. Torçamos para que não seja algum dos nossos amigos. No hospital. Na penitenciária. No banco. Na delegacia. No avião. Torçamos, ou oremos se tivermos fé, enquanto ainda não aconteceu, enquanto ainda as circunstâncias conspiram para nos manter incólumes, enquanto ainda é com os outros, enquanto ainda milagrosamente nos mantemos a salvo, enquanto ainda escapamos por pouco, enquanto ainda não é conosco, enquanto ainda restamos ilesos.

Mas até quando?



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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:56 de 19.07.2007
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18.07.2007

Happy Birthday, Mme Adelaide.





Delaidinha, a loura mais gostosa do morro, a rainha da laje, do churrasco no puxadinho, está de aniversário hoje.
Cada vez mais luxuosa, mais lesco-lesco, mais barangandã, mais sacudida.
Evoé, Delaide.
Muitos e muitos anos de vida.







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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 23:24 de 18.07.2007
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17.07.2007

PÁRA TUDO!


Vai um bolinho?





Isadora, minha insubstituível e inestimável enteada, acaba de me lembrar que, veja só,

NÓS ESTAMOS DE ANIVERSÁRIO!!


É o primeiro aninho de Mme Mean, minha gente.

Obrigada pela preferência.








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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 23:12 de 17.07.2007
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News from the other side (seja lá que side seja esse). Atualizado.

Meus amores, não morri, não me escafedi, não fui abduzida, não bati as botas, não estiquei as canelas, não fui encontrar meu definitivo lugar over de rainbow. Só tô apertada de costura e revoltada com um juiz que resolveu sentenciar declinando a competência dele ex officio, porque sim, eu mereço muito. Para quem não faz idéia do que uáderél is dat, parabéns. Volto djá.

Bah. Escrevi o post alguns minutos antes de saber do ocorrido. Sabe-se deus porque eu coloquei ali que tava viva. Amém. Esperando aqui que todos vocês também estejam aliviados e com seus queridos sãos e salvos.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 20:08 de 17.07.2007
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17 de julho


Invocar cavalos de água é fácil. Difícil é encontrar um Aragorn.


Ele surgiu em disfarce de bardo melenudo da taverna, fazendo os mais incríveis jogos de palavras. O simples fato de sua presença era suficiente para alterar todo o ambiente. Impossível deixar de se perder naqueles olhos azul-com-amarelo.

Ele toca, canta, dança e compõe absurdamente. Não necessariamente nessa ordem. Ele sorri das coisas mais inusitadas. Ele é a pessoa mais amiga que já conheci. E ele é capaz de derrubar um sujeito de dois metros e duzentos quilos em 0,2 segundos. A combinação de doçura e força em suas máximas potências. Nitroglicerina pura.

Não sei muita coisa da vida. Mesmo. Não faço planos, não traço metas. Há somente esta exceção: todos os 17 de julho estarei onde ele estiver - e em todos os outros 364 dias do ano também, espero. Verei o Tempo esculpir sua passagem no rosto dele e no meu, curvar nossas costas, apergaminhar minha pele e levar seus cabelos, e saberemos que isso é uma grande piada. As crianças dentro de nós darão as mãos e soltarão gargalhadas cheias de cuspe na cara do Tempo.

We could be heroes, just for one day
And yes. We have been, since then.


Para Carlos, o gênio da music, o canastrão definitivo, o cafajeste supremo, o último herói épico de um mundo atormentado, feliz aniversário.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 08:06 de 17.07.2007
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16.07.2007

Terra de Sonhos


Salvador Dalí


Estava exausta. Deitou-se e dormiu como poucas vezes dormira num final de semana. Horas e horas seguidas, com e sem companhia.

Do outro lado do sono, os habitantes alegraram-se ao vê-la de regresso e a presentearam com role plays inéditos.

A mulher que usava um brinco só contou-lhe que parara de usar o par de brincos porque perdera seu grande amor. Ele se fora nos braços da Morte - e a Morte, como se sabe, é a amante definitiva. Usava apenas a argola direita, levando a esquerda por dentro da roupa de forma a senti-la sempre em contato com a pele. Pensara em perfurar certa parte do corpo e levá-la pendurada, mas temeu que isso afinal fosse uma forma de burlar a vedação do uso do par de brincos e assim não permitisse o descanso ao seu grande amor. Contando a história, chorou duas grandes lágrimas gêmeas simultâneas e sorriu triste, dizendo que não havia leis que a impedissem de chorar lágrimas gêmeas e ela assim o fazia porque era a forma que restara para lembrar a si mesma que um dia andara em par.

Acordou no próprio sonho transmutada numa exótica chinesa. Olhos grandes, peculiarmente azuis, e oblíquos, emoldurados por cílios inexplicavelmente grandes e longos. Vestia quimono de seda vermelha e sentia fogo queimando no ventre e nas veias. Perguntava por seu homem a todos que encontrava e eles nada lhe respondiam porque não entendiam mandarim. Chorava de desespero e odiava o choro e os lamentos saindo de sua boca naquela língua alienígena que ela mesma não compreendia.

Faminta, sozinha e sem perspectivas, concordou em acompanhar o primeiro ex-namorado, ressurgido das cinzas de vinte anos de esquecimento. O lugar era sórdido. O primeiro ex-namorado comportava-se de forma absolutamente sórdida. Tomava cachaça com leite condensado e se surpreendia por não estar surpresa com o deprimente espetáculo. Entram duas convidadas, portando-se de forma terrivelmente vulgar e lhe dirigindo ironias cáusticas. Surpreende-se mais ainda por não estar surpresa com a triste surpresa que lhe foi preparada. Oferece cachaça com leite condensado para as moças convidadas. Aceitam, mas exigem que lave o copo e sirva novamente. Lavado o copo e servidas, tenta entabular conversa com as moças. Elas contam de onde conhecem o primeiro ex-namorado e os episódios que com ele viveram. O primeiro ex-namorado desespera-se, não era para acontecer daquela forma. Expulsa as duas últimas moças do lugar sórdido. Sentindo-se menos faminta e menos sozinha, levanta-se e vai embora, cheia de tristeza pela decrepitude alheia e pela sua própria.


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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 08:26 de 16.07.2007
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13.07.2007

Um fim de semana para achar uma casa - ou alguém ao lado de quem a gente encare um ônibus double-decker.



Imagem de Paulo Cesar

There's a light that never goes out - Joseph Arthur.

(Sim, eu sei, Smiths, essa música, essa foto, tudo muito dark. Mas é sexta, é 13 e a semana foi duríssima. Dêem um desconto e ouçam a música com atenção, que é das letras mais incríveis de todos os tempos. Afinal e ao final, there's a light that never goes out.)
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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 09:42 de 13.07.2007
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11.07.2007

Pequeno dicionário idiossincrático da memória, 21.



Maggie Taylor

Espera, s.f., é uma prisão dentro de um relógio onde bate sempre a mesma hora e não há palavras ou olhares cruzados.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 10:51 de 11.07.2007
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Aaaaaaaaaaaargh.

Cinco graus em Porto Alegre. Às 9h da manhã. Eu tô acordada desde às 7h.
Doente, com a cabeça parecendo um porongo (sinusite), dois aquecedores ligados, estudando Processo Civil.
Seja solidário. Olhe para os dois lados antes de atravessar. Seja bom com a coleguinha. E não conte com o meu bom humor.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 09:17 de 11.07.2007
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The wild and windy night.





Acho que é a música mais perfeitamente linda sobre a (im)possibilidade de seguir adiante.
E, nessa versão, Paul troca um pedaço da letra. Acachapante.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 00:04 de 11.07.2007
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10.07.2007

Fallen Tips da Ticcia.

Esta casa já tem mais aquecedores do que cômodos.
Pudera.



A gripe me ronda e espalha armadilhas. Eu pareço o homenzinho do Pitfall pulando sobre poças d'água, me dependurando em Tylenol Sinus, antialérgicos, tomando chá e gastando uma caixa de kleenex por dia. O problema é que, pasmem, o prédio do trabalho está sem óleo diesel para a calefação. Há três semanas. As mais frias do inverno. Diliça.



Hoje foi um dia tão medonhamente triste que eu nem me arrisco a falar acerca de. Vou precisar de um tempo para traduzir uma sensação mista de injustiça, despropósito, desperdício, pena e impotência. Mas uma hora sai.



Sobra sempre, felizmente, as pessoas nas quais a gente confia, admira, acredita, pode contar e quer sempre por perto. É uma dessas aí que eu gostaria de ser numa hora dessas.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 23:31 de 10.07.2007
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Rá.

Dr. Deputado, o senhor lê este blog?

Criada é que viu, claro. Criada vale ouro.

Menos mal que o deputado não é de direita, ou eu passaria novamente pela situação de um político dessa orientação dizer "mas nós temos e-xa-ta-men-te a mesma opinião sobre esse assunto". Não estávamos discutindo segurança, claro, o ponto era a vocação para celebridade Caras de certas autoridade,s e eu acho que quem tinha opinião de esquerda era ele, mas enfim, nada pôde tirar o sorriso de satisfação da cara de uma certa criatura (reacionária com orgulho) que testemunhou o ocorrido e fez questão de me lembrar do episódio por meses a fio.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 23:08 de 10.07.2007
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Queen of Pain



"I tell you: love, sister, it's just a kiss away"


Imagem Postsecret. Texto Rolling Stones.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 06:05 de 10.07.2007
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09.07.2007

Pra lembrar sempre.

O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

(Paulo Mendes Campos, O Amor Acaba - Crônicas Líricas e Existenciais - Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1999.)

Para lembrar disso hoje, para lembrar e seguir. Porque o que a gente leva é o amor que pôde, o amor que veio e a gente tomou nos braços, o amor que virou outra coisa, que fez outras gentes, que se eternizou, ainda que um dia acabe aqui e recomece em todos os lugares.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 23:31 de 09.07.2007
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PoP! Goes my heart

Sabe aquele final de semana recheado de bigorninhas ACME? Não bigornas. Bigorninhas, uma míriade de pequenas bigornas ACME caindo em sua cabeça no mesmo ponto, tal qual tortura chinesa?

Como se refazer de um final de semana assim, sabendo que tem uma semana olimpicamente corrida à frente?



"You are gold and silvee-e-er..."


Se você viveu parte de sua infância ou juventude nos middle 80's, pegue na sua locadora ou baixe no seu computador Letra e Música. Uma sedizente comédia romântica (jamais a classificaria assim. porque não tem aquelas coincidências cliché todas, não tem gente fazendo 'transmimento de pensação' e sentindo a brisa suave em sacadas à noite ao som de Kenny G, nem (deussejalouvado) Meg Ryan.)


Não levou fé? Precisa de um incentivo? Aqui.

E não digo mais nada.





Boa semana!


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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 11:11 de 09.07.2007
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Patrícia 30 horas.

Tem mais coisas na vida que podem ser 30 horas. Felizmente.
Bora nóis.

Boa semana.
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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 10:57 de 09.07.2007
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06.07.2007

Frida faz 100 anos.




"Espero que la salida sea gozosa y espero nunca más volver."



Há nela um tanto de densidade intraduzível e inquantificável e foi por isso que eu não consegui tirar os olhos daquele quadro. Eu tinha 16 anos e sentia um estranhamento tão grande, tão escuro e abissal, que precisava ficar ali olhando para a reprodução no livro e sentindo, entre a náusea, a repulsa, o enlevo, a admiração, o espanto, a empatia e o horror, sentindo, sentindo. O quadro era Meu Nascimento e, de alguma forma, nascia ali uma de mim. Frida, assim como Clarice, me mostrou o quanto de si pode ser mostrado - de si e de si nos outros - se tivermos coragem e talento para isso e me fez entender que isso pode ser repugnante, ainda que essa repulsa faça bem (e a gente não saiba e prefira, muitas vezes, evitar o confronto).

Coincidentemente ou não (acho que não), vi um primeiro quadro de Frida ao vivo na primeira viagem que fiz acompanhada só de mim mesma. Nenhum dos passantes do museu entendeu quando eu parei por um tempo à porta da sala onde, ao fundo, eu sabia que ela me esperava e atravessei o saguão em lágrimas para encontra-la perguntando quem afinal quem eu era, o que eu queria de mim mesma. Quase dois anos depois, nos encontramos novamente e eu percebi que as nossas coincidências tinham se aprofundado e me vi ali tão eu mesma, e tão longe do que eu queria de mim, que um tanto de horror foi morar comigo secretamente para me perguntar novamente quem eu era e se era mesmo isso que eu queria.

Frida segue comigo. Às vezes deitada em uma cama de hospital ligada ao filho que não teve, às vezes cheia de espinhos pelo corpo, às vezes com a lembrança do amor estampada na própria testa, às vezes com a coluna derruída e a cabeça ereta, às vezes dupla com o coração à mostra, às vezes com o olhar altivo orgulhosa de si mesma.


Viva La Vida, Trio/Marimberos.




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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 11:23 de 06.07.2007
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Baby, you're gonna miss that plane.





(Se você não viu Before Sunset (Antes do Pôr-do-sol) e não que saber o final, não assista.)
(Pensando bem, eu assisti o filme e também não sei o final.)
(E a imbecil assiste a cena e TODA VEZ fica com as mãos úmidas.)

Change me, change me, once again, and changed my lonely nights that lucky day.
(Just in Time, Nina Simone)


(Sim, querido, eu tinha prometido. Mas hoje tá 24 graus e deus não tá olhando.)

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 08:58 de 06.07.2007
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Ordinary world.

No fundo o que a gente quer é não ser ordinário, comum, tépido, insonso, sem graça. No fundo o que a gente quer é ser especial, especial em si, especial para alguém, especial de algum jeito. Pode ser que a gente até queira ser especial sendo absolutamente ordinário e não querendo ser especial, mas é ser especial que a gente quer. E aí ocorre um fenômeno interessante em alguns casos. Às vezes a gente viveu uma experiência tão extraordinária (pode ter sido um amor, uma viagem, um trabalho) e durante o tempo que isso durou foi tão grande, tão arrebatador, tão perfeito e nos fez sentir tão extraordinários que a gente simplesmente não quer esquecer disso. Mas mais que isso. Não quer esquecer e não quer deixar de alimentar sua especialidade disso. Aí a gente encontra quem recorde para sempre uma cidade e viva com a sensação de que é só voltar lá para voltar a ser especial. Encontra quem fale para sempre de algo que fez e das repercussões que isso teve (ainda que tenha se esgotado há anos). E encontra quem jamais deixe de amar e querer alguém que o relacionamento se impossibilitou. Nesse último caso, a gente até diz que o que mais quer é esquecer, virar a página, seguir adiante. Mas não é. Na verdade, o que a gente mais quer é continuar vivendo o especial daquilo, ainda que seja a dor daquilo, as saudades daquilo, ainda que seja a marca do extraordinário que aquilo nos trouxe. Sim, é verdade. Talvez mais nada na vida nos leve aos píncaros da emoção, acima do resto todo dos mortais, como aquilo que a gente viveu levou. Mas pronto. Se a gente viver aquilo e da emoção que sobrou É CERTO que nada mais vai nos fazer vibrar três tons acima. Avante.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 00:44 de 06.07.2007
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05.07.2007

Southpark Ticcia.





Eu já consigo pensar num episódio todo em que eu seria a advogada daquelas pestes
(que seria terrivelmente sacaneada no final).

Uma das pestes seria ele, claro.

Daqui.

Agora parem de me dar idéia de brinquedinho que eu tenho que estudar, seus incréus.




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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 08:49 de 05.07.2007
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04.07.2007

Ticcia Simpson.







Essa sou eu, no desenho dos Simpsons.
A-D-O-R-E-I muito. Daqui.









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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 20:52 de 04.07.2007
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aleatórias



A versão simpsoniana da Criada.
Faça a sua aqui.

UPDATE: o Simpson Primevo foi ele. Foi lá que vi e de lá que peguei.





Lápis para olhos Effet Metalisé de Bourjois.

Para você, mulher que gosta de pintar os olhos: a sua vida nunca mais será a mesma.

Em várias lojas de cosméticos importados e na internet, também.





Finalmente assisti The Painted Veil.
O eixo central é uma história de amor. Abomino histórias de amor com todas as minhas forças.
Mas dessa gostei muito.

Acho que isso diz tudo.





(Completamente sem assunto, notaram?)

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 12:00 de 04.07.2007
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Pequeno dicionário idiossincrático da memória, 20.



Maggie Taylor

Desamparo, s.m., é um mirante sem proteção acima de um precipício onde venta e faz muito frio. Há quem resista, mantenha-se de pé e, depois de bastante tempo, crie asas e saia voando. Há quem sente, chore e peça ajuda (alguns desses são resgatados, outros ficam lá para o resto da vida). Há quem desista e pule.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 00:03 de 04.07.2007
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03.07.2007

Something in the way he moves.

Às vezes é fácil não encarar a tristeza: basta fingir que está tudo bem e sob controle, arrumar uma pá de coisas pra fazer, se concentrar com tanto afinco alhures que se evita pensar sobre si, chegar em casa tão cansado que antes de qualquer coisa o sono lhe vence, ocupar-se com questões relevantes e nobres, tratar de resolver problemas e questões de grande indagação (profissionais) e contentar-se com a endorfina que o exercício físico extenuante pode proporcionar. Ah, claro, nem sempre funciona. E quando não funciona, a independência, o espaço e a individualidade mostram a dimensão do que é estar terrivelmente só.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 23:37 de 03.07.2007
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produto nacional

Enquanto a Daslu responde por sonegação fiscal em todas suas esferas de atuação e não produz nada para o mercado externo, a Daspu fecha negócio para exportar suas peças para a França.

Esta não tem a pretensão de ser uma notícia imparcial. Confessamente gostei muito da idéia da Daspu assim que vi, anos atrás. E agora que a grife está produzindo uma das minhas peças favoritas, a camiseta preta com estampas, eu *preciso* - está numa das fotos da reportagem, a camiseta escrita 'cabaret'. Tem também peças com reproduções de Segall, Picasso e desenhos do Moulin Rouge (provavelmente do genial Toulouse-Lautrec), alusivas à profissão das moças.

Confira.

A 'putique' virtual está aqui. Contém trilha sonora com letra. Se estiver acessando de onde não devia - local de trabalho -, tire o som antes.



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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 12:00 de 03.07.2007
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Bang bang.

Sempre que eu vou ao supermercado, banco, xópim, etc., e tem carro forte na porta, tenho uma má impressão terrível. Aquilo da gente circular entre senhores armados de espingardas calibre 12 me dá a sensação (certa - vide mais uma ocorrência) de que eu posso estar a qualquer momento na linha de tiro (deles ou de assaltantes). Eu humildemente acho que caberia uma lei municipal que restringisse o horário de coleta de valores ao período de menor circulação de público (como da 1 às 5h, por exemplo). É menos seguro, claro, mas afinal a empresa de segurança de valores é para prestar segurança aos valores e se valer de que é mais seguro durante o dia quando está cheio de escudos humanos lépidos, faceiros, inocentes e gratuitos ( leia-se nós, os transeuntes) não parece justo.

Não é razoável? Alguém conhece um vereador pra sugerir?

Você que mora em outro município, sabe se existe alguma lei que regule a coleta de valores em sua cidade?

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 07:27 de 03.07.2007
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02.07.2007

Atenção minas geráu.

Povdiminasssssss,

favô entraemcontato c'áTiccia. Casdividaómorti.
Precisamusfalarurgentes.
(podimeiá ou deixá enderessdimeio nos comentar)

Gradicida.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 10:58 de 02.07.2007
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Canção de Joana D'Arc.


A chama do meu amor faz arder minhas vestes.
É uma canção tão bonita o crepitar
que minha mãe se consola,
meu pai me entende sem perguntas
e o rei fica tão surpreendido
que decide em meu favor
uma revisão das leis.


(Adélia Prado, in Bagagem.)



Amém, Adélia. Queimemos nós todas, sejamos nós santas loucas e malditas, ardamos em alta fogueira e façamos com que o rei revise as leis em nosso favor.
Bom começo de semana, meu povo.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 08:38 de 02.07.2007
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01.07.2007

Excepcionalmente hoje, na depressão pós zapping...

Denzel Washington, vingativo, inclemente, moribundo e delicioso.
Porque nem sempre a gente tem que acabar um domingo mal.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 23:09 de 01.07.2007
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Estarei nos seus braços para nunca mais voar.




Espere por mim Morena, Maria Bethânia.

Espere por mim, morena / Espere que eu chego já / O amor por você, morena / Faz a saudade me apressar / Tire um sono na rede / Deixe a porta encostada / Que o vento da madrugada / Já me leva pra você / E antes de acontecer / O sol a barra vir quebrar / Estarei nos seus braços / Para nunca mais voar / E nas noites de frio / Serei o teu cobertor / Quentarei teu corpo com meu calor / Ah, minha santa, lhe juro / Por Deus, nosso Senhor / Nunca mais então, morena / Vou fugir do teu amor (Luiz Gonzaga Jr.)


Porque às vezes a gente sonha e acorda, mas quer que a vida siga sonho e quer que o sonho vire vida.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 21:11 de 01.07.2007
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