30.04.2007
É isso mesmo?
E aí meu povo, é isso mesmo? Sexta, dia 11, é mesmo feriado? Tudo certo?
Em suma.
Quando uma criatura fala de corda em casa de enforcado pode ser meio desligado. Se essa mesma criatura também fala de férias na praia em casa de afogado é possível que seja imbecil. Mas se além disso, adora conversar sobre liberação do porte de arma na casa em que houve quem estourasse os miolos, não se trata de desligado ou imbecil, trata-se de um grandissíssimo fdp.
Um blues na prensa.
Mais um template mega ultra chique bafo
Cafeína.
E o rapaz lá faz jus ao template, viu? Talento, benzadeus.
Template do
moço, claro.
Pequeno dicionário idiossincrático da memória, 11.
Maggie Taylor
Alegria, s.f., é uma festa que se instala no corpo e nos enche de champanhe.
Post fotográfico La Reina em Porto Alegre.

Tão vendo essa bolsa leeenda? Ganhei de presente do D., um dos duelantes.
Como deu pra perceber, ele é bom de estratégia.
Brincadeiras à parte, eu fico boba com esse mimosismo todo.
Obrigada, D., muito, muito, muito mais pelo carinho do que pelo presente,
mas também por ele, que é leeeeeeeeeeeeedo.

Conforme prometido, fotchenha com a minha bolsa de gatinha Manhosa.
Sente só o carón de feliz proprietária da bolsa bafo.

Eu e a
fada, a
fada e eu. Eu amo essa mulher, cada vez mais.


Eu e o
moço lindo, o
moço lindo e eu. Porque se tirar fota ao lado de homi lindo fosse esporte olímpico, o Brasil podia contar comigo.
27.04.2007
É AMANHÃ, MEU POVO!!
Galinhada metida à besta da Ticcia.
Cresci odiando arroz com galinha. Minha avó e minha mãe faziam aquele arroz com galinha seco, em que só ia galinha, arroz e cebola. Era um arroz branco, com pedaços de galinha dentro. Eu odiava muito. Só era pior quando tinha também rodelas de batata. Não me perguntem o porquê disso. É coisa que eu não entendo ainda hoje. O fato é que o primeiro arroz com galinha decente que eu comi foi da minha então sogra, D. Ignês Margarida, e que não era arroz com galinha, era galinhada. Comi MUITO, me apaixonei e virei entusiasta dos arrozes com o que quer que fosse. Nas vezes que fui a Portugal a paixão cresceu ainda mais e agregou arroz de bacalhau, de feijão, de grelos, de lagosta (ai), etc. Hoje eu adoro experimentar arroz com quase tudo e um dos meus preferidos é a minha galinhada metida à besta.
Como normalmente uso frango que estava no freezer, não tenho tempo de deixá-lo marinando nos temperos (sal, alho, louro, pimenta) – o que seria o ideal, então descongelo o frango no microondas e dou um talho junto ao osso e enfio a mistura de temperos com um pouquinho de azeite de oliva. Em panela de ferro (essencial), coloco um pouco de óleo e uma generosa colherada de manteiga. Primeiro vou dourando fatias de paio, depois junto os pedaços de frango e frito muito bem, deixando dourado. Feito isso, tiro os pedaços de frango da panela e desosso, deixando cada sobrecoxa em dois pedaços. Jogo fora mais ou menos a metade da gordura que ficou (a lipoaspiração foi cara e doeu, cês pensam o quê) e ali mesmo frito duas cebolas médias e 6 dentes de alho. Quando estiver fritinho, voltam os pedaços de frango. Adiciono meia xícara de vinho branco, deixo levantar fervura e então coloco os tomates. Tempero com pimenta, manjericão ou orégano, uma folhinha de louro. Junto o arroz, adiciono água e misturo bem, coloco sal. Vou adicionando água e esperando que o arroz cozinhe, sempre bem molhado, sempre cheio de caldo. Depois de cozido, adiciono salsa picadinha e desligo o fogo, deixando descansar uns minutinhos antes de servir. Sirvo com queijo parmesão ralado, um pãozinho d’água novinho, um cálice de vinho. Perfeito para noites de frio.
Ingredientes: 1 colher de sopa de manteiga, ½ xícara de óleo de soja, 02 paios ou 02 lingüiças defumadas grossas, 06 sobrecoxas de frango, 2 cebolas médias, 6 dentes de alho, ½ xícara de vinho branco, 2 latas de tomate italiano sem pele, 3 xícaras de arroz, sal, pimenta, orégano ou manjericão, louro, salsa picada.
Interlúdio
As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.
Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente — claro muro
sem coisas escritas.
Deixa o presente. Não fales,
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.
Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.
Fico ao teu lado.
(Cecília Meireles)
No puedo quitar mis ojos de ti.
Não perca.
Cronograma térmico.
30°C
Baianos vão à praia, dançam, cantam e comem acarajé.
Cariocas vão à praia e jogam futebol.
Mineiros comem um "queijin" na sombra.
Todos paulistas estão no litoral e enfrentam 2 horas de fila nas
padarias e supermercados da região.
Gaúchos esgotam os estoques de protetor solar e isotônicos da cidade.
25ºC
Baianos não deixam os filhos sairem ao vento após as 17 horas.
Cariocas vão à praia mas não entram na água.
Mineiros comem um feijão tropeiro.
Paulistas fazem churrasco nas suas casas do litoral, poucos ainda
entram na água.
Gaúchos reclamam do calor e não fazem esforço devido ao esgotamento
físico.
20ºC
Baianos mudam os chuveiros para a posição "Inverno" e ligam o ar quente das
casas e veículos.
Cariocas vestem um moletom.
Mineiros bebem pinga perto do fogão a lenha.
Paulistas decidem deixar o litoral, começa o trânsito de volta para casa.
Gaúchos tomam sol no parque.
15ºC
Baianos tremem incontrolavelmente de frio.
Cariocas se reúnem para comer fondue de queijo.
Mineiros continuam bebendo pinga perto do fogão a lenha.
Paulistas ainda estão presos nos congestionamentos na volta do litoral.
Gaúchos dirigem com os vidros abaixados.
10ºC
Decretado estado de calamidade na Bahia.
Cariocas usam sobretudo, cuecas de lã, luvas e toucas.
Mineiros continuam bebendo pinga e colocam mais lenha no fogão.
Paulistas vão a pizzarias e shopping centers com a família.
Gaúchos botam uma camisa de manga comprida.
5ºC
Bahia entra no armagedon.
César Maia lança a candidatura do Rio para as olimpíadas de inverno.
Mineiros continuam bebendo pinga e quentão ao lado do fogão a lenha.
Paulistas lotam hospitais e clínicas devido doenças causadas pela
inversão térmica.
Gaúchos fecham as janelas de casa.
0ºC
Não existe mais vida na Bahia.
No Rio, César Maia veste 7 casacos e lança o "Ixxnoubórdi in Rio".
Mineiros entram em coma alcoólico ao lado do fogão a lenha.
Paulistas não saem de Casa e dão altos índices de audiência a Gilberto
Barros, Gugu Liberato, Luciana Gimenes e Silvio Santos.
Gaúchos fazem um churrasco no pátio... Antes que esfrie!
Do que se conclui:
eu sou uma mineira desgarrada. Só pode.
*Texto enviado pelo amigo Duarte que, diga-se, é carioca.
Eu não passo deste agosto.
Eu não nasci para funcionar abaixo dos 15 graus, principalmente num lugar onde faz frio e acham que se deve enfrentá-lo a poncho e chimarrão. Calefação? Lareira? Aquecimento de água a gás? Piso aquecido? Ná. Supõe-se que deve ser coisa de gente frouxa, já que só mesmo nos últimos 15 ou 20 anos algumas casas e apartamentos passaram a ser construídos com esses itens de série. O máximo da infraestrutura anti-frio que se encontra são os fogões à lenha, mesmo assim, não em Satolep. É verdade, na Serra tem. Mas eu não moro na serra, puta merda. Moraria, é verdade, porque lá tem estrutura anti-frio, mas não, eu moro aqui.
Em Porto Alegre, diga-se, nem faz frio propriamente, aquele frio considerado frio pelos adoradores do minuano e da geada. Aqui faz um friozinho, só. Nada de zero grau. Nada de capim congelado debaixo da capa branca no campo, nada de água empedrada em torneira, espelho de gelo em açude, vento que arranca orelha, corta lábios, queima a pele. Nada disso. Aqui hoje faz módicos 11 graus e eu não me descuidei do agasalho. Desde ontem o casaco é meu fiel companheiro, me abriguei, aqueci banheiro, usei edredom, tomei chá, muito líquido, tudo. E a garganta, ó, f*deu.
O Inverno é um vovozinho trêmulo, com a boina enterrada até os olhos, a manta enrolada nos queixos e sempre resmungando: "Eu não passo deste agosto, eu não passo deste agosto..."*
(Mário Quintana, in Lili Inventa o Mundo)
*A propósito: ele sim, é um grande inventor de dicionários.
26.04.2007
Pequeno dicionário idiossincrático da memória, 10.
Maggie Taylor
Cansaço, s.m., é um casaco grosso que vai ganhando peso cada vez mais rápido com o passar dos anos e que fica cada vez mais difícil de tirar quando dormimos.
Pequeno conto de atravessar a rua.
Desde criança o sofrimento lhe fazia doerem os dedos. No auge da angústia, da tristeza, da decepção, quando a dor não cabia-lhe mais no peito, esparramava-se pelo corpo e lhe doíam os dedos, que ela apertava, acarinhava, protegia-os nos bolsos, enrolava-os na saia, na curva dos braços cruzados.
Esperou por dias e dias muito tempo e inventou desculpas para justificar com nobreza uma possível ausência a contra-gosto, elocubrando teses, justificativas, hipóteses improváveis. Pôs espuma contra o fio das evidências, disfarçou o descaso com mais uma mão de condescendência. E então aconteceu.
Encontraram-se na rua, por acaso. Ela numa calçada, ele na outra. Coração na boca, sentia a pulsação no rosto, nas pernas, nas mãos, peito aos coices. Antecipou mentalmente a cena antes que ele a visse: os olhares se encontrariam no meio do caminho, ele hesitaria meio segundo até acreditar que era mesmo ela, sorriria um sorriso doce e ao mesmo tempo indecente que não se abre e caminharia lentamente a seu encontro, cúmplice e aliviado por não terem se perdido. Esperou.
Ele levantou a cabeça e virou depressa. Atravessou a rua, entrou no carro e partiu. Partiu. Partiu-se. Se partiu. Se partiram. Partiram-se. Em mil pedaços.
E ela enfiou as mãos nos bolsos.
Atenchion pipól!
Sábado tem café,
Denize, compileichions do
Calexico, papinhos, mimos, queridismos. Vai estar friozinho e convidante a um capuccino, bolsas leeeendas, calor humano.
Avisem os amigos, convidem todo mundo.
Dia das mães taí. Deixe de ser sovina e mate a véia de alegria. Tem uma bolsa mairrinda do que a outra.
Vamos lá?
Pequeno dicionário idiossincrático da memória, 9.
Maggie Taylor
Felicidade, s. f., é a exata medida e dura o exato tempo do sincero contentamento em, naquele instante, sermos quem somos, estarmos onde estamos e fazermos o que fazemos, comprometida de forma inversamente proporcional pelo desconforto que isso nos causa perante os outros.
Beijos para o JVB que me deu essa dica luminosa.
25.04.2007
Bem-me-quero
Esta é a camiseta do
Bem-Querer Mulher. Uma campanha (assim me pareceu) lançada pelo
UNIFEM há algum tempo. A venda e utilização da camiseta se presta para arrecadar fundos e, tão ou mais importante, difundir a cultura de não-agressão à mulher.
A estatística mostra que o agressor, na imensa maioria dos casos, é o companheiro, marido, namorado. E a agressão contra a mulher é muito mais comum do que se pensa. Acontece com pessoas que conhecemos, com quem convivemos diariamente. Ocorre que a situação não se torna de conhecimento público porque a mulher agredida tem muita vergonha de expor sua situação e quase sempre não quer deixar o convívio com o agressor.
Penso que não nos cabe julgar. Mas podemos ser solidários e mostrar como é importante para a mulher gostar de si mesma. É como venho buscando conduzir minhas relações e a aquisição e utilização da camiseta (tão logo chegue aqui) é só uma pequena parte disso.
Participe. Mostre às mulheres da sua vida que elas são importantes e valiosas. Há revoluções que são silenciosas e não derramam sangue.
Pequeno dicionário idiossincrático da memória, 8.
Maggie Taylor
Tristeza, s. f., é um lago de águas paradas e frias, habitado por peixes cegos que um dia foram sonhos, onde é sempre noite e onde, às vezes, vemos a nossa face refletida mais claramente do que em qualquer outro lugar.
No vinte e cinco de abril.
"Quarta-feira, Abril 25, 2007
Querido Blogue,
Hoje, há trinta e três anos, a história do meu Pai mudou para sempre. Depois desse 25 de Abril a preto e branco o meu pai soube da decepção, da vida no exílio, dos atentados, da impotência, da dor de não abraçar a mãe, das saudades do cheiro da terra. Morreu cedo demais para perceber porque pegou nesse tanque em Estremoz e tomou a PIDE, por que valeu a pena honrar com um golpe de estado toda uma geração perdida nas guinés e angolas que agora já ninguém recorda. A ele que um ano depois numa carta de duas folhas disse que assim não, que Portugal não merecia desperdiçar-se nas mãos de gananciosos e miseráveis aduladores da liberdade, deve ter-lhe custado assimilar o fracasso dos homens. E agora, neste meu país infestado de supostos patriotas, imbecis que adoram hinos, neste Portugal dele onde qualquer banco viola a bandeira para vender produtos financeiros, se estivesse vivo, rodeado de traidores que se enriqueceram vestidos de sindicalistas e meninos de papá que votam por sms no Salazar sem sonhar o que é viver numa ditadura e morrer na guerra, tenho a certeza que voltaria a pegar nesse tanque, honroso da farda. Quando releio essa carta, a da deserção de 75, a que nos levou a todos em viver em hotéis e a ter guarda-costas, vejo um homem digno, profundamente democrata e entregado ao País, que se levantou da cama e da burguesia para democratizar um Portugal analfabeto, mutilado em África, estupidificado pela solidão e o fado. O que aconteceu depois, a manipulação dessa ousadia, o roubo de terras e a estupidificação do povo faminto nada tem a ver com essa madrugada esperançosa.
Por isso, se me repugna a apropriação da esquerda da luta pela liberdade mais ainda me enoja esta onda pós-moderna dos betinhos da direita, que ofende com o seu desprezo e falta de patriotismo estes homens, capitães e jovens, que num dia como hoje, há trinta e três anos atrás, só quiseram um país melhor. 25 de Abril, para sempre não, mas hoje sim."
(
Rititi, minha Leila Diniz.)
Perfeito.
Move your body!
Campanha Britânica que recomenda pelo menos 30 min de atividade física que dê calor e certa ofegância. Eu adorei a lista. Fácil escolher, né?
Bom, quem não tem namorado pode sempre optar por jardinagem, passear com o cachorro ou subir escadas.
Agora vocês me dão licença que eu vou ali comprar umas mudinhas de begônia, uma enxada e um saco de 50 quilos de adubo orgânico. Adeus.
Avanço.
Depois de Portugal, agora é a
Cidade do México que legalizou o aborto (a prática segue proibida no restante do país). Calcula-se que duas mil mulheres morrem anualmente naquela cidade em decorrência da prática de abortamentos clandestinos. Eu continuo achando que se a Igreja, ou qualquer outra religião, quer proibir a interrupção voluntária da gravidez, que faça o que lhe compete: pregue sua fé e convença seus/suas fiéis a não praticarem, sob pena de serem remetidos diretamente ao fogo do inferno ou a reencarnarem miseravelmente e pagarem com juros. Querer que o Estado continue impondo pena pelo pecado cometido é duvidar da justiça divina.
Aliás, onde estavam os padres e as carolas quando descriminalizaram o adultério? Ninguém foi para a porta do Congresso protestar, que eu lembre.
24.04.2007
Imortal tricolor.
E a máquina segue firme na Libertadores da América. Msr. Pai acaba de ligar e dizer que com os 11 imortais, nem os 300 de Esparta podem. Mas isso é exagero, claro.
Obeésse: Nossa solidariedade aos co-irmãos colorados que estão encostados no seguro desemprego, recém demitidos da DrogABEL.
DR
Passo. DR para mim? Não. Eu não!
Abomino DR.
Discutir? Para quê? Discutir o quê, afinal?
Eu não sei. Eu não sei. Nunca soube. Relação é para se relacionar. Não é para discutir. Eu não discuto, eu peço, eu digo, eu pergunto. Eu ouço, eu escuto. Mas não discuto. Abomino.
Só discutiria se fosse
assim. Só e somente só assim.
Mas o que é que esse cara não faz ficar mais gostoso? DR, jiló, quiabo...
Todo mundo devia poder ter seu
very own private Calexico.
Perambulator Tabajara
Os seus pés simplesmente lhe levam. Há novas idéias na cabeça, idéias repaginadas revestidas reencapadas sobre as mesmas velhas coisas e os seus olhos procuram, as suas mãos anseiam. Tenta pensar, concluir, examinar, organizar, fazer algum pequeno plano, um cronograminha para os próximos cinco minutos. Mas não. Os seus pés lhe levam. Aliviada, você vai.
Vai e vai e vê e pega e mexe e estica, puxa, depois deita cansada, suada, faminta, esse verão que nunca acaba, o caos crescendo ao seu redor. E humanidade não é isso, não é entropia, barulho, calor, sujeira e caos? Toda a vida vivendo e pululando por todo o planeta, suando, sujando, derramando, derrubando, destruindo, comendo e chorando, e mentindo.
A vida nunca foi tão cheia de vida. Crua e pura e ruim como a primeira cachaça do alambique, aquela que nunca se bebe. Os olhos assombrados fitando o interminável desfile lisérgico da vida que passa e cresce e definha, os pés que perambulam sem oferecer opção de itinerário. Turista em sua própria cidade. Órfã de seus próprios destroços. Pária de si mesma.
Pequeno dicionário idiossincrático da memória, 7.
Maggie Taylor
Resignação, s. f., é a desistência que em vez de abandonar o barco, se deixa levar pela correnteza.
Patrulhinha.
Eu queria achar uma outra palavra que não fosse canalhice, então vou usar imbecilidade, atestado de idiotice, ou piada de extremo mau gosto, já que eu considero o
Josias um ótimo jornalista.
Neste post no blog da Folha ele primeiro dá a entender que quem costuma assistir as sessões do STF só pode ser uma cavalgadura qualquer, porque só um bossal poderia achar que "
para um ministro da suprema corte do país não há nada mais sensual do que a silhueta de um acórdão extraordinariamente bem assentado". Relevemos esse ponto e demos a ele o benefício da (descabida, maldosa e inservível) ironia. Só que, além disso, ele diz que no livro (romance) recém lançado
Triângulo no Ponto, Eros Grau decide "
quebrar o sigilo sexual de seu próprio superego" - o que, mais uma vez, poderia denunciar uma de duas hipóteses: que o colunista não tem idéia do que seja nem literatura, nem psicanálise, ou que, mais uma vez, está fazendo piada de muito mau gosto. Para completar, pinça passagens do livro (já publicadas na coluna de Mônica Bergamo) "
sensuais" para mostrar a "
ousadia" do Ministro.
Convenhamos. Putamerda. Porque o homem é ministro do STF não pode fazer literatura? O livro foi escrito por Eros Grau. Ponto. Ele não está lá na qualidade de ministro, jurista, juiz, ou seja lá o quê. Está lá como autor. Ponto. Que escreveu um livro. Ponto. Bom ou mau. Ponto. Porque é magistrado não deveria saber o que é "
pênis teso", "
uma putinha com peitinhos de perdiz"? Está proibido de criar personagens que saibam? Não pode escrever sobre o que bem lhe apetecer em um romance? Se pode, tem que aturar cretinices desse tipo que, a pretexto de serem engraçadinhas e fazerem fofoquinha, vem tentar, ainda que sublinarmente, pregar a idéia do respeitinho, da recriminaçãozinha, do "
você, hein"? Todo mundo tem, e merece, o direito de fazer o que bem quiser da sua vida, expressar-se artisticamente, viver como bem lhe apetecer. Não vou nem perder tempo aqui com as ressalvas de costume acerca de legalidade, ética, etc., porque isso é o óbvio do óbvio e nem está em questão.
Vou comprar o livro do Eros Grau (que como autor dispensa o qualificativo de ministro e como ministro dispensa qualquer outro qualificativo, embora mereça os melhores). Torçamos todos para que cada vez mais haja pessoas (de qualquer cargo ou função) que achem em si ânimo, coragem e talento para escrever, pintar, compor, sem medo dos juízos de valor da moralzinha de plantão. A vida arejada que circula no mundo para além das tribunas agradece.
23.04.2007
Pequeno dicionário idiossincrático da memória, 6.
Maggie Taylor
Paixão, s.f., é o quarto estado da matéria, onde a desorganização das moléculas chega ao auge, o calor tende a passar de um corpo a outro e vice-versa, a entropia tende a aumentar cada vez mais em recinto fechado e a temperatura tende ao infinito absoluto.
Delícia.
Alguém que não só sabe o que é, mas USA a palavra xamixunga.
Eu não ouvia há, pelo menos, 30 anos.
Sábado tem chá com a Rainha.
Ela está de volta ao pampa! Sábado próximo, conversinhas, miminhos, café, coisas delícias, bolsas leeeeeeeeeeeendas. Todo um mundo de fofulência, estilo, elegância e delicadeza. Não perca. Sem contar que dia das mães taí, né?
Já aviso que o Infante Teodoro é meu noivo e ninguém tasca. Tô indo armada.
Dia de São Jorge, da rosa e do livro.
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham maõs e não me toquem
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcacem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo o pensamento eles possam ter para me fazeram mal
Armas de fogo meu corpo não alcançarão
Facas e espadas se quebrem sem o meu corpo tocar
Cordas e corentes se arrebentem sem o meu corpo amarrar
pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge.
(Jorge da Capadócia, Jorge Ben)
No dia de São Jorge, uma rosa e um livro. Esta tradição, que combina o fato religioso, a rosa como símbolo do amor e o livro como símbolo da cultura, transformou o dia 23 de Abril na data mais comemorada, por todos os catalães. Como todas as tradições bem enraizadas, muitas vezes é seguida e vivida pelo povo sem que se conheça a sua origem. Por isso, fazemos aqui uma aproximação às origens desta tradição que todos os catalães, dentro e fora da Catalunha, compartilhamos e comemoramos todos os anos.
Apesar da grande devoção que São Jorge despertou na Europa durante a Idade Média, como figura histórica sabe-se muito pouca coisa. Militar romano, cristão, que foi martirizado por volta do ano 303 por não abdicar das suas crenças. O nome Georgius quer dizer camponês, e talvez por isso a comemoração litúrgica foi fixada em 23 de Abril, em plena primavera no continente europeu. Isto também explicaria em parte que as tradições populares tenham feito dele o protetor das colheitas. Esta ligação com a primavera e o seu patrocínio dos namorados também o relaciona diretamente com a Feira das Rosas que desde o século XV se celebra na praça de Sant Jaume, onde está localizada a sede do Governo da Catalunha (Generalitat de Catalunya).
Em contraste com o pouco que se sabe sobre a história, a lenda de São Jorge está ampla e fortemente enraizada. Uma tradição muito estendida na Idade Média explicava que o martírio de São Jorge durou sete anos, diante de um tribunal formado por sete reis. Esta tradição, que lhe atribui uma grande tenacidade por não abdicar de sua fé durante sete anos de tortura, foi condenada até por Roma mas justifica que o jovem cavaleiro fosse invocado como patrono pelos cavaleiros e pelo Império Bizantino. Naquela época, a sua ajuda era invocada para combater os infiéis e foi escolhido como patrono pela Geórgia, pela Sérvia, pela Inglaterra, pela Grécia, por Aragão, pelos Países Catalães e também por Portugal. Surgiram também lendas e tradições sobre a sua ajuda aos exércitos cristãos.
A lenda mais popular, escrita por Jaume de Voràgine na Llegenda Àurea, é a que explica a vitória de São Jorge sobre o dragão. Num país não determinado, chamado Silene, um dragão aterrorizava os habitantes que, para acalma-lo, ofereciam-lhe periodicamente um cordeiro e uma donzela escolhida por sorteio. Mas um dia a sorteada foi à filha do rei; São Jorge venceu o dragão e libertou a donzela. Então o rei e todo o povo converteram-se à fé de Cristo. Desde o século XIII, a imagem de São Jorge sobre um cavalo branco, libertando a donzela e vencendo o dragão, é a mais difundida de todas as lendas populares. (
Daqui).
Early Tips da Ticcia.

Segue verão em Porto Alegre. YEY. Sim, tô sabendo, é aquecimento global, mas bah, calorzinho e tals, é bão.

Ontem, resolvida a desligar a TV logo após Roma e evitar a depressão pós-zapping na finaleira de domingo cheio de filminhos românticos, começo a zappear ANTES. E, póim, dou de cara com Before Sunset. Se não fosse o Tito Pulo depois, sei não.

Todos os dias chegam leitores novos que viram
a reportagem na revista Cláudia. Emails e comentários dos mais queridos. Muito obrigada, gente. Coisa boa isso.

Tão ligados que essa é a última semana para entregar o imposto de renda, mos filhós? Se aligerem.
21.04.2007
20.04.2007
Até a pé.
Como eu já tive oportunidade de dizer em um comentário à D. Roberta Arabiane:
time bom é o que perde quando pode perder, empata quando pode empatar e ganha quanto tem que ganhar. Ou seja: é
o Time que segue disputando a Libertadores da América e o Campeonato Gaúcho. Basicamente.
Condolências tricolores aos irmãos colorados eliminados de ambos os campeonatos.
Sunny Tips da Ticcia.
Eu acabo de receber não uma, mas duas notícias maravelololosas da minha mega ultra super über irmã Paula. Não, não tá grávida de gêmeos. São outras coisas. Mas, tchê, que maravilha. Depois eu conto, que nem o Msr. Cunhado ainda não sabe. Hohoho.

O meu EGOdzila tá passeando de vestido armado e gola de renda, meosfilhós. Acabo de receber um mail avisando que há dois leitores homens do sexo masculino heterossequiçuais com cromossomos XY (ou seja, animal em extinção) que estão apaixonados por mim e, como são amigos e leais, resolveram duelar. Propõem que eu escolha as armas.
Tadinhos. Não sabem que estão alimentando um monstro com Biotônico Fontoura. Eu, moi, myself, disputada em duelo? Rá. Alguém providencie os meus sais. Menos dois anos de análise.

Deve ter alguma coisa mais gostosa do que fazer comidinhas delícia para quem a gente ama muito. Deve. Eu até, com razoável esforço, consigo pensar em umas duas ou três. Mas agora melhor não, né? Tá.

Hildolina, a gata, agora não acha mais que é um cachorro. Agora ela tem certeza absoluta. Eu chego, digo:
Awnnnn, cadê a gata amor da sua mãe? e ela faz carinhos mil, enlouquecidamente, e deita de barriga para cima. Pronto, quem não tem gato, se vira com um pseudo-cachorro esquizofrênico.

E daqui a pouco, aula de constitucional com o segundo mineiro mais charmoso do mundo. Aula, tá, eu sei. Mas é melhor do que nada.
Adiante.
Há quem viva de recomeços, que de quando em quando lance tudo por terra e reinaugure a vida, novinha em folha, para começar do começo, com aquela esperança alva de primeira folha de caderno. Ah, delícia: outra vida, outro lugar, outros planos, outro mundo, agora sim, agora vai, agora é que é. Não importa o que deu errado, as falhas, as faltas, as mancadas, as tristezas, as decepções, os naufrágios, não importa. Importa a estrada nova a trilhar,
travelling light, check in sem bagagem para despachar, reestréia, agora sob nova administração, tudo novo. De novo todas as possibilidades, de novo todos os rumos a desbravar, de novo uma outra chance, uma nova oportunidade, de novo uma nova aposta (agora certa). De novo começar de novo, contar consigo, sem esporas ou amarras para fazer valer a pena ter sobrevivido. Parece ser o mais difícil, mas não é, e tem, pelo menos, uma conseqüência muito desagradável: daqui a cinco, seis, vinte recomeços, você continuará na estaca zero. Sabe o que é difícil? Continuar vivendo a mesma vida (a única), convivendo com tudo e com todos, com todas as merdas e falhas, com as tragédias cotidianas e os desastres de todo dia, ter coragem e forças para consertar o que dá, renunciar ao que não dá, mandar à merda o que não dá mesmo, para conservar o que vale a pena, para resolver o enrosco, para achar novas maneiras e soluções, para enfrentar os problemas de frente, superar as decepções, lutar pelo que se quer. Ainda que não se salve tudo, ainda que canse, que doa, que desanime, ainda que às vezes, no fim do dia, não sobre nada além do que chorar no chuveiro, conversar com o gato, desmaiar de sono, e no outro dia, acordar e seguir adiante, carregando tudo de si consigo, tudo de bom e ruim, toda a beleza e todas as vergonhas, tudo que você é e fez, tudo que pode te fazer feliz, tudo que te trouxe até aqui. E que não é pouco.
Não tem preço.
Para os dias em que você (eu) vê uma cena imbecil na TV e não consegue parar de chorar e soluçar e berrar feito criança por uma hora seguida:
Tele-kleenex.
Para todo resto tem Cardesmast.
19.04.2007
Muito gata.
Minha bolsa chegoooooooooooooou.
É a mais linda ever, ever, ever. Fotas, em breve. Prometo.
FUNAI Tips da Ticcia.
O que pode haver num livro, nem tão grosso assim, para fazê-lo valer R$ 180,00 reais? Comprei, sim. É bom, é. Mas é extorsão, pqp.
Dias de calor, sol, céu, sul, terra e cor em Porto Alegre em pleno final de abril. Dizem que semana que vem isso acaba. Aproveitemos e nos refestelemos, então.
E como hoje é dia do índio, terminaram as minhas férias. Tóin.
Vou contar um segredo para vocês.
Tem
uma certa Rainha que vai estar em Porto Alegre no sábado, dia 28, com a família real completa. Meu noivo, inclusive.
Vão lá ver o que ela anda aprontando.
A bolsa Espanholita é salivativa de ânsia falimentar. Ainda bem que chegaram antes de mim dessa vez.
O quanto antes.
Vamos fugir, vamos? Vamos fugir para algum lugar onde faça um tanto de frio e à noite a gente durma abraçado, onde de manhãzinha o mundo se pinte de azul um pouquinho antes do sol nascer e onde haja um lugar perto da janela para tomar café? Vamos fugir, vamos? Vamos dirigir pela estrada com as janelas abertas sem dizer nada, repletos de caminho e sem pensar em partidas ou chegadas, juntinhos, bobos, loucos de feliz, cabelos embaraçados, tua mão na minha perna, minha mão na tua nuca, enquanto a tarde avança, enquanto a noite espera nos amarmos muito, nos amarmos tanto, nos amarmos de novo e de novo, cansados de vagar. Vamos fugir, vamos? Vamos fazer xixi no acostamento, dar sinal de luz, buzinar para caminhão, beber água meio morna, parar para olhar a vista e espreguiçar, beijar o motorista, negociar que música toca agora, contar história, acenar para o transeunte, atravessar de balsa, pagar pedágio, saber notícias pelo rádio e rir do resto do mundo. Vamos fugir, vamos? De madrugada, enquanto tudo dorme, só com a roupa do corpo e nossos olhos repletos dos sonhos mais loucos que vamos ousar sonhar um com o outro. Vamos?
Estrada do Sol, Elis.
18.04.2007
Pequeno dicionário idiossincrático da memória, 5.
Maggie Taylor
Dúvida, s. f., é uma moratória temporal na qual você está tentando arrumar argumentos suficientemente fortes (para você mesmo e para os outros) para fazer, ou deixar de fazer, aquilo que você sempre teve certeza de que queria.
Ticcia in the sky.
Sabe quando a gente entra na sala e tem um elefante cor de rosa com bolinhas verdes? Não? Deixa pra lá.
Inventário do desassossego.
Eu bagunço por onde ando, mas adoro estar em um lugar perfeitamente em ordem. Ovos mexidos mal passados. Sou semi-atéia, mas simpatizo com Antônio e Chico. Coltrane sempre, mas de madrugada chega a ser covardia. Velas por todo lado, perfumadas eventualmente. Flores sempre, orquídeas principalmente. Barulho me deixa exausta. Detesto volume alto: voz, música, TV, qualquer coisa, enquanto como, então, argh. Me olho todos os dias antes do banho cuidadosa e benevolentemente no espelho. Queria muito aprender a dançar tango. Eu sonho antes de dormir. Gosto do cheiro que fica depois entre os dedos. Acho que irmãos são das melhores coisas na vida. Nunca durmo com maquiagem. Escolho todos os cosméticos pelo cheiro – o que não pode abrir eu não compro. Tenho peculiaridades fisiológicas inconfessáveis que possivelmente ninguém acreditaria mesmo. Nunca fui traída, pelo menos não que eu saiba. Acho que há coisas que nos fazem absurdamente sós. Minhas unhas dóem quando eu tiro o esmalte. Não sei amar ninguém sem admirar antes e, quando se vai a admiração, babaus. Invariavelmente as pessoas que eu amo se acham uma fraude, em menor ou maior grau - isso me faz admirá-las ainda mais. Não quero ter filhos, quero uma família e só consegui imaginar-me assim com uma única pessoa até hoje. Há cheiros que não são de comida que me fazem salivar. Eu pulo enormes passagens de livros, raramente leio um livro todo - e fico com a sensação de estar fazendo algo de errado. Eu sinto cada vez menos dor, mas sofro cada vez mais, normalmente por coisas que ninguém desconfia. Eu detesto leite. Cortinas sempre devem ser esvoaçantes. Eu não falo sozinha, a menos que seja para dizer palavrões inacreditáveis. Queria um guarda-roupas em que sobrasse espaço, mas duvido que isso seja possível. Meu maior medo é de deixar de sentir. Acho que as palavras têm força e podem mudar o curso das coisas. Eu quase nunca disse
Eu te amo.
17.04.2007
Cês tão pensando que é qualquer coisa?
Nananinanão.
Agora
tem versão em espanhol no Não Discuto, por
Paula "irmã mais velha onze anos mais nova" Antoniete. Que nosotros semos chiques en el ultimo.
Amistad, 2.
Amiga 1 e Amiga 2 entram numa loja. A vendedora se aproxima.
Vendedora: Posso ajudar?
Amiga 1: Eu só vim aqui fazer propaganda do meu sutiã pra ela.
Vendedora: (sorriso) Fiquem à vontade.
Na saída:
Vendedora para Amiga 2: Ai, com licença, deixa eu te dizer, que lindos os teus olhos!
Amiga 2: É lente.
Amiga 1: Não! Não diz que é lente!
Amiga 2: Mas é!
Amiga 1: Mas não precisa dizeeeeeeeeeer, ameeeeega. Faz assim, ó: diz *Muito obrigada* e piscaaaaaaa...
Amiga 2: Huahuahauhauahua.
Pequeno dicionário idiossincrático da memória, 4.
Maggie Taylor
Ansiedade, s. f., tipo de papel especial para embrulhar estômago que geralmente faz com que se enfie os pés pelas mãos.
16.04.2007
Arroz de rebordosa.
Sabe aqueles finais de semana que não era pra ter comido tanto (todos)? Então. Para as segunda-feiras pós bundalelê gastronômico, tem o arroz de rebordosa, que ajuda a mandar embora aquele tanto de molhos e carnes e, u-huuuu, sobremesas, sem que você descarregue as baterias e se irrite de fome. Começo com um tanto de azeite de oliva e cebola cortada miudinha, dois dentes de alho (eu a-do-ro alho). Aí refogo ou carne magra, ou peito de frango. Deixo dourar, claro, bem douradinho. Nada de pressa. Quando já está pegando um tantico no fundo, coloco o arroz sete cereais (que é tudo menos arroz propriamente dito, mas é gostosim e é praticamente um roto-rooter de fibras) e adicione água fervendo (eu coloco no olhômetro, mas a embalagem de arroz sete cereais tem a proporção) e sal. Na metade do cozimento, adiciono ervilhas (frescas ou congeladas, não em conserva, pelamordedeus) e uma cenourinha picada. No último 1/4 de cozimento, uns pedaços de brócolis. Eu como isso tudo aí com uma salada variada e uma banana em pedaços. Tá, eu sei, é saudável pra caramba, mas eu juro é que gostosim e ajuda a expiar os excessos. Para os vegies, pode fazer sem a carninha que fica bom também.
Ingredientes:
1 xícara de arroz sete cereais, 1 cebola média, dois dentes de alho, 200g de carne magra ou peito de frango picado, uma cenoura, uma xícara de ervilha fresca ou congelada, 6 florzinhas de brócolis.
Depressão pós-zapping.
Finaleira de domingo: nada de zapear na TV a cabo. Invariavelmente vai ter um filminho daqueles água com açúcar, moça linda-moço lindo, romaaaaaântico, desencontros, reencontros, final feliz, beijos, pedido de casamento, que vai te dar vontade de pegar a sua cabeça solitária, solteira e rejeitada, enfiá-la no vaso sanitário e dar descarga.
Vá por mim: depois de Roma, desligue a TV e vá dormir (ou vá assistir um DVD em que 95% do orçamento tenham sido gastos com efeitos especiais).
Pequeno dicionário idiossincrático da memória, 3.
Maggie Taylor
Solidariedade, s.f., é um paraquedas sempre de dois lugares, inclusive - e principalmente - quando não abre.
15.04.2007
Mme. ama muito tudo isso.
Deneuve by Helmut Newton.
Amistad
Amiga 1 - Vou levar ovo de Páscoa Diamante Negro.
Amiga 2 - Eee, oow! Que máximo. Quem te deu ovo de Páscoa Diamante Negro?
Amiga 1 - Eu comprei. Comprei quatro ovos de Páscoa para mim mesma. No saldão da segunda-feira depois do domingo de Páscoa.
Amiga 2 - Mas por que comprar ovo de Páscoa?
Amiga 1 - Eu gosto de ovos de Páscoa.
Amiga 2 - Prefiro barra de chocolate. Para mim, o chocolate vindo na barra é melhor. Sei que é idiota, mas o fato de saber que veio em barra torna mais saboroso. Ao menos para a minha cabeça.
Amiga 1 - Não, eu gosto é de ovos de Páscoa. Adoro ir quebrando o chocolate em pedaços irregulares e comendo. A doença é tanta que prefiro comprar os ovos de Páscoa já quebrados. Quando é para mim.
Amiga 1 e Amiga 2 vão ao shopping. Porque há vários assuntos bailando, nenhum deles para ser conversado. Como mosto apressado recém-formado que insiste em não ficar no fundo do barril de vinho. Ambas são muito reservadas.
No provador, Amiga 2 descobre que Amiga 1 exibe a mais genial, bela e ferina expressão de ave de rapina enquanto examina a peça no espelho. Amiga 1 não tem dó. Para Amiga 1, não há perdão: se a costura está torta, ela vê; se o tecido não for de boa qualidade, ela repara; se o corte tem defeito, ela percebe; se a cor não favorece, ela nota. Tudo em milissegundos depois de vestir a peça.
Amiga 2 constata que deve ser impossível para um senhor não se apaixonar instantaneamente por Amiga 1 após vê-la provar roupas. Especialmente após conhecer a expressão de triunfo de Amiga 1 quando encontra uma peça que realmente valha o nome que tem.
Amiga 2 ainda não sugeriu à Amiga 1 que leve seus pretendentes para assistir suas provas de roupa.
Ainda.
Pequeno dicionário idiossincrático da memória, 2.
Maggie Taylor
Desconsideração, s.f., é uma mulher vaidosa que passeia por horas a fio se olhando em um imenso espelho que é você quem carrega.
14.04.2007
Pequeno dicionário idiossincrático da memória.
Maggie Taylor
Angústia, s. f., é uma esperança que nos acena da porta, mas que a gente nunca sabe se está entrando, ou se está saindo.
The only one my arms will ever hold, ou pequeno conto antes de dormir.
Madrugada alta, cansaço e paz. Pela janela aberta, um vento mais frio e um luar quase impossível.
- Canta Blue Moon, ele pediu, cabeça recostada sobre seus seios. Ela cerrou os lábios, tomou ar e expirou a música anasalada, meio sax tenor, meio trumpete, como se já tivesse feito aquilo dezenas de vezes.
13.04.2007
ThirteenthTips da Ticcia.
Minha máquina de lavar louça só funciona torta, com um lado mais alto do que o outro. Cada vez que eu olho pra cozinha, tenho impressão que o decorador de interiores foi o Van Gogh.
Não estou falando de mim (dos meus), pelamordedeus, mas ex próspero, bonito, elegante, sincero, dentes brancos e hálito puro devia ser algo proibido por lei. Na melhor das hipóteses, poderia aparecer uma coisa médio-menos, recomposto pero no mucho, tocando em frente e era isso. Nunca, nunquinha devia aparecer MUITO BEM feliz da vida e jamais, never, de jeito nenhum, muito melhor do que você.
Gilda, minha flor, os dias estão incrivelmente bonitos em Porto Alegre. Que conste nos anais.
Se você é mãe, ponha uma coisa na sua cabeça: sim, você é humana e tem direito de errar, mas saiba o que você diz despercebidamente a seus filhos pode retumbar e trazer conseqüências na vida deles pelos séculos dos séculos amém. Assim, coisas como
"você só tem cara de inteligente, fulaninho", ou
"você vai morrer só", ou ainda "
não consigo lhe ver mãe" é um grilhão que, acredite, você não vai querer fazer seu pimpolho carregar pela vida afora. Pense duas, três, vinte vezes antes de profetizar uma merda dessas.
Casa aberta, banho recém tomado, flores, gato ao sol. Hummmmm.
Comunicado Importante
Já está oficialmente aberta a temporada de Bigornas ACME.
12.04.2007
Uma declaração de amor.
Sim, os homens são lindos. Eu não me canso de olhá-los com espanto e e curiosidade, mas sobretudo, com admiração. Eu sou declaradamente apaixonada pelo masculino e sempre, e cada vez mais, dou graças aos céus, às convenções sociais e à genética por todas as nossas inúmeras e abissais diferenças. Homem é lindo, em seus modos, maneiras, rompantes, corpo, jeito, idiossincrasias, detalhes, peculiaridades, cheiros, gestos, manias. São muito diferentes entre si, claro, mas (e por isso mesmo) são semelhantes e sedutores naquilo em que são completamente diferentes das mulheres.
Eu me comovo com a beleza da amizade masculina, por exemplo. Enquanto a mulher liga todos os dias para dar o relatório dos últimos acontecimentos à melhor amiga, e fica horas ao telefone, e cada uma conta um pouco e comparam e competem e comentam, homem jamais teria paciência para isso (e isso é louvável). Eles raramente procuram seus amigos (mas nem por isso deixam de gostar muito deles). Quando procuram, é para beber e para falar de qualquer coisa (nunca o assunto é diretamente eles mesmos), embora eles sempre saibam entre si (ou pelo menos têm uma vaga idéia) do que está acontecendo um com o outro. Como? Bem, isso é uma incógnita. Digamos que eles se conhecem: pelos olhos, pelas pistas, pelos rastros, pela maneira que respondem a uma pergunta com um palavrão, ou com um aceno de mão que pede que não se fale num determinado assunto. Eles têm códigos herméticos. Sabem quando a coisa é séria e precisam do apoio um do outro - mas este apoio, veja bem, não tem nada a ver com aquilo que as mulheres reputam apoio: falar, contar, ouvir, discutir, chorar - com eles não há nada disso. Apoio é, por exemplo, ir beber, falar durante horas sobre o que quer que seja e não diga respeito ao assunto e, lá pelas tantas, trocar uma ou duas frases. É isso. Eles vão decidir sozinhos cada um o seu problema e sabem disso, mas tem o amigo para praguejar.
Outra coisa encantadora é a admiração que homem tem por mulher. Talvez não haja nada mais bonito do que isso: um homem admirando flagrante, ávida e inescrupulosamente uma mulher. Claro, educação e elegância são bons disfarces e são socialmente necessários, mas eu sou tomada de assalto por uma felicidade incontida cada vez que eu vejo um homem olhar uma mulher como fêmea. É bonito, é instintivo, é biológico e é completamente masculino. Amém. Às vezes eles nem sabem bem quem, ou o quê, estão olhando, mas eles olham - ô, se olham - e notam, e admiram e, lindo isso, desejam – mesmo subliminarmente, mesmo despercebidamente, mesmo
en passant. Lindíssimo. A perpetuação da espécie agradece.
Homens também pouco falam (ou não falam) de seus sentimentos, muito provavelmente porque não ocupam muito do seu hard disc para compreendê-los, racionalizá-los ou defini-los. Homens acham que sentimentos são, veja só que estranho, para serem sentidos, não elaborados e catalogados e separados em gavetas com a devida classificação. Assim, se sentem e eles são bons, ótimo; se são ruins, às favas com eles. Falar e falar e falar e discutir poderia até ajudar de alguma maneira (eles reconhecem contrariados para evitar que você ache que eles são irracionais), mas dá tanto trabalho que não vale à pena. E, desculpem aqui as mulheres, isso é belíssimo. Você dificilmente vai encontrar um homem vivendo um sentimento idealizado e montado e feito sob medida para a ocasião (coisa que mulher a-do-ra), é ou não é? Se ele se apaixonar, é do primeiro ao quinto invertido, forte e consistente, mas sem drama, sem senões, sem isso ou aquilo. Sentimento para homem
é, e pronto.
Por essas e por tantas outras razões (a capacidade que alguns tem de abandonarem-se ao prazer de brincar de novo como meninos, de levar a paixão pelo time às raias da inconseqüência tribal e à seriedade da preservação da honra, de serem pais de seus filhos com uma calma e uma segurança que pasma, de se colocarem a milhas da seriedade que mostram para o mundo quando gargalham e brincam com cumplicidade, de fazerem você crer que está tudo sob controle mesmo que não esteja), quanto mais eu os observo, quanto mais eu enxergo um pouco mais de suas vidas, mais eu admiro esses seres incríveis, doces, circunspectos, elementares, surpreendentes, adoráveis que são os homens.
Pool Tips da Ticcia.
Minha barra de espaço funciona quando quer. Suspeito que deva haver comida embaixo dela. Sim, eu sei, mas oras, intimidade é isso.
A pessoa arruma a casinha, põe flores, faz comidinha, compra bebida, arruma tudo para causar a melhor das impressões, e esquece o livro do Hely Lopes Meirelles no criado mudo. Na melhor das hipóteses, a perspectiva são anos, A-N-O-S de insinuações maldosas, seja acerca da qualidade intelectual de suas leituras, seja acerca de possíveis desvios comportamentais graves das mais diversas naturezas.
Se um dia eu me casar de novo, vou me referir ao ex como "meu primeiro marido". Vai dizer que não fica parecendo a Elizabeth Taylor?
O tempo voa quando a gente tá bestando, é ou náo é? Meu estudo ainda não rendeu nadinha. Tô achando que férias pra estudar é tiro no pé.
Na academia:
- Tá fazendo aula de bike?
- Tô.
- Quantas calorias queima?
- A aula em si, umas 500. Mas ficar olhando o professor lindo de morrer e passando vontade queima, pelo menos, mais o dobro disso.
I can get no.
Sabem o que é isso?
É minha bolsa nova.
Essa mulher anda inspirada e, segundo ela, eu ainda não vi nada, que a coleção outono/inverno vai ser digna de interdição. E eu já tenho 16, de-zes-seis bolsas confeccionadas por esta fada. Não escolho roupa, não. Eu escolho bolsa. Depois vejo o que eu vou colocar combinando. Hohoho.
11.04.2007
Felidae Freak
Você está na sala de casa. Pantufo também. No seu super som Gemini com subwoofer, presente natalício, toca Dire Straits.
- Aaaah, delícia...
O CD do Dire Straits acaba. Você coloca Placebo.
- Horror! Pavor! Medo, terror e pânico!
Escutando as guitarrinhas histéricas do Placebo e Brian Molko se descabelando em agudos blasé, você abre a revista do mês que chegou há momentos e que tem uma matéria que você quer muito ler.
- Hm? Queria ler a revista? Com essa música péssima? Ha! Lamento.
Sem opção, você pega a máquina fotográfica digital e fica fotografando Pantufo loucamente.
- Tá. Agora chega.
Véia Ticcia e as gatas - Roma, 38ª temporada.
*Uma gentileza do nosso enviado especial a Bruxelas.
Maucisquinho, o mini-sobrinho.
Eis Mauricinho, o sobrinho fofo que nasceu com 2kg e já está com 6, 3 meses depois.
Ele só quer saber de mamar e dormir, é um mimoso, ri para todos mundo e tem esse olhar 43 aí.
- Eu gosto dessa tchia. Ela é cheirooosa.
- Faz charme pras leitoras, Maucisquinho!

- Chega de flashes, quero nanar aqui nesses fofinhos.
Futilitá Café
Ainda viva. De um jeito peculiar.
(peculiar = zumbi)
(não, não é cansaço. a mente deu
shuttdown e todas as tentativas de
reboot falharam.)
Jim Diamond canta
I should have known better.
We should, Jim. We should.
A propósito, tem um menino meu amigo que é idêntico ao personagem encaracoladinho do clipe.
Amazing and lovely.
Agora, toca Kenny G. A que ponto chegamos.
(não, não vou linkar o Kenny G.)
A coleção da
Dumond está me criando problemas de salivação.
O Sul Maravilha não tem muitas das coisas que aprecio. Não tem
Lush. Não tem
Cori. Não tem
Jogê. Não tem o atelier da
Madame Sher.
Mas tem a Pasanda de Frango do
Curry Express. No melhor lugar do mundo:
chez moi même.
Quero ir para Nova Orleans. Jazz, comida creóle e
voodoo.
Aggh. Ser adulto é
overrated.
10.04.2007
O menor conto de fadas do mundo - nas novelas da Globo.
A propósito da
série de histórias mínimas que vinham sendo sendo publicadas
aqui, versões alternativas do
menor conto de fadas do mundo, resolvi elaborar a versão dos autores da Globo, que f
oi publicado originalmente no extinto Megeras Magérrimas. Achei que merecessem republicação:
O menor conto de fadas do mundo - O original.
Era uma vez um rapaz que perguntou a uma rapariga:
– Queres casar comigo?
Ela respondeu:
– Não.
E o rapaz viveu feliz para sempre, caçou, foi à pesca, teve sempre tempo para ver os jogos na Sport TV, bebeu a cerveja que aguentou, e voltou para casa sempre à hora que lhe apeteceu.
As versões conforme o autor da Globo:
O menor conto de fadas do mundo - versão Benedito Rui Barbosa.
Marcos Palmeira, dourado do sol do agreste, vestido de branco à beira do mar, depois de recuperar a fazenda de dendê do pai (Antônio Fagundes) do vilão italiano do núcleo imigrante da novela (Raul Cortez) pergunta à Maria Fernanda Cândido, cabelos ao vento, chocalho na canela:
- Óxente, Zizinha, tu qué casá mais eu?
- Quero, sim, meu rei.
****************************************
O menor conto de fadas do mundo - versão Maria Adelaide Amaral.
Numa adaptação totalmente livre e desimpedida de qualquer romance histórico bem sucedido, Fábio Assunção pergunta à Ana Paula Arósio:
- Minha senhora, gostaria de pedir a vossa mão em casamento.
Ana Paula não responde nada, close nos olhos, ela desata a chorar copiosamente (presume-se que de emoção).
****************************************
O menor conto de fadas do mundo - versão Gilberto Braga.
O galã global da hora pergunta à Malu Mader, que faz papel da heroína entre 26 e 31 anos, batalhadora, inteligente, brilhante, que lutou muito pra subir na vida e agora quer se vingar:
- Casa comigo.
Ela vira de costas, toma forças para contrariar racionalmente o que diz seu coração e responde:
- Não, eu não te amo.
****************************************
O menor conto de fadas do mundo - versão Janete Clair.
Francisco Cuoco, figurão industrial cheio de charme, pergunta à Betty Farias, sua fiel secretária.
- Eeeeeeeeerrrrrrrr, aaaaaaaaaahhhhhhh, casa (arg) co-comigo (go).
-Ai, Luichhhhhhhhh Guilherrrrrrrrrrrme, assim eu fico sem cheito.
****************************************
O menor conto de fadas do mundo - versão Silvio de Abreu.
O galã global da hora pergunta à Glória Pires, que interpreta a protagonista, heroína entre 26 e 31 anos, batalhadora, inteligente, brilhante, que lutou muito pra subir na vida e agora quer ser feliz:
- Quer casar comigo?
Neste instante ouve-se um tiro.
****************************************
O menor conto de fadas do mundo - versão Glória Perez.
Murilo Benício, empresário riquíssimo não se sabe de que ramo, clonado duas vezes, pergunta à atual mulher do Diretor da novela que saiu nas últimas capas de Cláudia, Nova e Boa Forma:
- Quer casar comigo? (hora do marchandising - ele abre a caixa das alianças onde se lê a marca da joalheria)
- Quero, mas eu sou transexual, meu irmão precisa de um rim e vamos ter que alugar a barriga da minha mãe para gerar o nosso filho.
****************************************
O menor conto de fadas do mundo - versão Manoel Carlos.
José Mayer, fazendo papel de macho man quarentão, com modos de John Wayne mesmo que o papel seja de publicitário, pergunta à Cristiane Torloni (com escova tailandesa progressiva nos cabelos):
- Quer casar comigo?
Torloni aceita. Seu plano para roubar o grande amor da vida de Helena (Regina Duarte que interpreta a protagonista insípida) está dando certo.
Enquanto isso, Vera Fisher está vivendo um triângulo amoroso onde um dos homens é o Toni Ramos.
Semana de férias para estudar: pé direito.
Começando com café preto bem passado, pão d'água bem quentinho e manteiga Aviação. Pra completar, céu azul quase lilás de outono e 19,3ºC. Êta nóis.
Nossa casa: eu e Adriana moramos do mesmo jeito.
A casa muda, paredes e móveis e plantas
que não existem. O corredor que é uma garganta
e um leito seco de rio ancestral
onde há a paz das navegações esquecidas,
onde há o rastro dos que não voltaram.
Meus pés estão imersos em água,
minhas mãos afundam nas poças e meus olhos
são apenas meus olhos submersos.
Tenho de cavar rios, tenho de levar
água, tenho de explorar poços e charcos
e achar a memória dos passos.
Tenho que escoar, vazante, e caber nas trilhas,
entre as paredes da casa,
represa de águas, que não existe.
A casa tem espaços desertos,
tem noite escondida e um vento que surge de lugar nenhum.
A casa dói pelas paredes e se encolhe nos cantos,
apodrece as flores nos vasos e tranca as portas por dentro.
A casa engole o ar, respira para dentro e vai se apequenando
como um novelo de suspiros cada vez mais curtos.
A casa quase se asfixia, em sua insuficiência
azul entrecortada e se esparrama pelas escadas
em busca de terra, em busca de chão frio junto aos ladrilhos.
A casa não dorme, estala madeiras
e espreita ressentida pelas frestas quem não passa pela calçada.
A casa desmorona secretamente,
esconde os brinquedos quebrados no sótão
e cospe baratas dos ralos.
Aqui não mora mais ninguém.
Estava eu ouvindo um CD bem antigo da Adriana Calcanhotto (don't ask), quando ouvi
Pelos Ares*. Não bastasse o título, tem a letra. Não bastasse a letra, tem o arranjo. E como se não bastasse tudo isso, tem essa minha concepção particular de "casa" aí em cima. Aí já viu. Bigorna ACME na cabeuça.
*
Não lhe peço nada/ Mas se acaso você perguntar/ Por você não há o que eu não faça/ Guardo inteira em mim/ A casa que mandei um dia/ Pelos ares/ E a reconstruo em todos os detalhes/ Intactos e implacáveis/ Eis aqui bicicleta, planta, céu/ Estante, cama e eu/ Logo estará tudo no seu lugar/ Eis aqui/ Chocolate, gato, chão/ Espelho, luz, calção/ No seu lugar/ Pra ver você chegar.
09.04.2007
Afivelando os cintos.
Daqui a meia hora pego a estrada de volta a Porto Alegre. Depois de tanta comida, vou precisar de uma São Silvestre.
Contem como foi o coelhinho de vocês.
07.04.2007
O descanso das guerreiras.
Viagem tranqüila até Pelotas, regada a compilações
Cafeína. Já não se pode dizer o mesmo sobre fazer supermercado no sábado de Aleluia no maior estabelecimento comercial da Princesa do Sul. Na base do dedo no olho/cotovelaço nas tetas, tinha gente se agarrando ao último ovo do Batman (não, não foi bem isso que eu disse) e roubando caixa de bombom de dentro do carrinho alheio - sem valores, critérios ou respeito ao Tratado de Varsóvia. Experiência antropológica, é o mínimo. Duas horas e meia mais tarde, saímos eu e Mme. Irmã de lá, muito pouco sãs e improvavelmente salvas, direto para casa da Vó Nininha tomar café com casadinhos e sonhos de creme, porque, afinal, há que se receber com honras e glórias guerreiras de volta da batalha campal de posse de seus troféus Alpinos e Meio amargos.
Agora sigo no vinho enquanto a chuva cai, que amanhã é dia de bacalhau.
06.04.2007
Sexta-feira santa. Ou-iés.
Especial Roma primeira temporada no 500. Um episódio depois do outro depois do outro depois do outro.
Get Boned!*
Entre os vícios da Criada, o mais sério é a série (infame e proposital)
Bones. Referências em
español e
english, para você que quer informações gerais sobre plot e episódios.
Bones é o apelido da Dra. Temperance Brennan, papel de Emily Deschanel. Uma brilhantíssima antropóloga forense misantropa**. Apelido esse dado por seu parceiro-de-fato,
FBI Special Agent Seeley Booth (vá dizer, os nomes dos personagens não são sérios...), o ex-vampiro David Boreanaz, num papel muito mais relevante e interessante. Com muito melhor aproveitamento da sua ampla gama de expressões faciais de macho-alfa.
O elenco de suporte também resplandece. Os cientistas do Jeffersonian Museum são inteligentes e hilários. A artista que trabalha na equipe faz o contraponto caloroso, gerando imediata identificação com o espectador por conta do ponto de vista subjetivo da personagem.
É, sem dúvida, o seriado favoritíssimo da Criada.
Se a sua Páscoa estiver chuvosa, em qualquer sentido, corra à locadora mais próxima ou peça para a mula. Diversão garantida.
(la garatía soy yo)
* trocadilho infame e irresistível com o slogan da série Arrested Development
** Bones = 70% Madame (brilhantíssima) + 30% Criada (misantropa)
Para um amor no Recife
(Paulinho da Viola)
A razão porque mando um sorriso
E não corro
É que andei levando a vida
Quase morto
Quero fechar a ferida
Quero estancar o sangue
E sepultar bem longe
O que restou da camisa
Colorida que cobria minha dor
Meu amor eu não me esqueço
Não se esqueça por favor
Que eu voltarei depressa
Tão logo a noite acabe
Tão logo esse tempo passe
Para beijar você
05.04.2007
Bacalhau com Natas da Ticcia.
Vocês sabem que a banqueteira oficial dos Antoniete Ferreira há muito tempo sou eu, não sabem? Então. Almoço de Páscoa em Pelotas é almoço de Páscoa em Pelotas. Aquela coisa gigante, calórica, regada a vinho, com direito a tortas, doces e, claro, soneca digestiva. Já antecipando toda essa maravilha, hoje, quinta-feira santíssima, venho aqui passar a receitinha do Bacalhau com Natas da Ticcia. Sem nenhuma pretensão de ser fiel ao que quer que seja (além da minha própria veneta e à aprovação da Vó Nininha), muito menos à qualquer receita lusa, conto as minhas incursões já hoje, que é para dar tempo de demolhar o bicho até domingo. Boralá.
Antes (e muito antes) de mais nada, compro o bacalhau. Bacalhau mesmo, se faz favor. Duro, sequíssimo, salgadíssimo. O bom bacalhau como deve ser, nessas condições, é quase inodoro. Retiro a pele (ou peço para o simpático pessoal Paulo da Banca 43 do Mercado Público tirar para mim), corto em pedaços e coloco de molho em água fria e limpa por 36h na geladeira, trocando a água a cada turno. Feito isso, cozinho o bacalhau somente até ele ficar tenro (depois que a água ferver, uns poucos minutos, dependendo do tamanho dos pedaços), retiro-o da água e deixo esfriar.
Descasco e pico as batatas em cubos pequenos (1cm x 1cm) e coloco as bichinhas a cozinhar languidamente na água em que já havia sido cozido o bacalhau. Tem que provar para ver se o sal na água é suficiente. Enquanto as batatas cozinham, corto as cebolas em meias rodelas e frito em azeite de oliva até que estejam bem macias e cozidas (o cheiro disso é das melhores coisas do mundo, cuidado pra não se engasgar na saliva). A quantidade de azeite na frigideira tem que ser o suficiente para que elas cozinhem bem (mais ou menos uma xícara).
(Parênteses para o azeite de oliva: Azeite de oliva é a alma do bacalhau. Não pãodureie! Compre azeite bom)
Separo o bacalhau em lascas, junto as cebolas e o azeite de oliva, as batatas, a pimenta do reino moída no meu mega-ultra moedor elétrico que eu ganhei de
La Reina. Misturo o creme de leite e a nata em quantidades iguais para que fique na consistência de uma pasta (não colocar muito porque quando esquenta fica mais líquido). Provo o sal. Misturo a salsinha picada (quando o Veríssimo vai jantar lá em casa eu não coloco porque ele não gosta).
Disponho em um pirex e polvilho com farinha de rosca por cima. Levo ao forno tinindo de quente até ferver as bordas e gratinar.
Sirva com salada fresquinha.
Ingredientes: 1 kg de bacalhau salgado, 1,5 kg batata , 3 cebolas médias, 250ml de azeite de oliva , sal , pimenta do reino , 200g de creme de leite, 200g de nata fresca , salsinha picada.
Calorias por porção: você não quer realmente falar sobre isso, né? Está bem, eu também não.
Nunca houve.
Cabelo no corte que você queria tanto, vestido preto sexy-classe, sapato scarpin salto agulha, carteira elegância supra sumo, rímel Fatale presente da criada, delineador u-huuu, batom vermelho no tom certo, brincos que você se deu de aniversário, "o" perfume, um formigar no estômago digno de Clicquot, pernas bambas, em algumas mesas a respiração se suspende quando você passa. Pra tudo isso (ou quase) tem Cardermast. Gilda, sua cabeleireira, te olhando como se você fosse a materialização de um sonho (e você conseguindo fazer carão de que é mesmo), mosfios, não tem preço.
04.04.2007
Inarredável e imprescindível.
Tem coisas que simplesmente não podem faltar a um ser humano de modo geral e a um homem que se preze especificamente. Dentre essas coisas estão caráter, honestidade, sinceridade, integridade, lealdade, palavra, hombridade, coragem, determinação - enfim - cojones. Muito do restante pode-se relevar a falta ou deficiência, mas isso não tem jeito: é sempre o que diferencia um arremedo de homem de um homem propriamente dito. Pode ser que ele não seja um poço de cultura, pode ser que não seja propriamente um requintado cavalheiro, pode ser que lhe falte sensibilidade, elegância, discernimento, ou pode ser ainda que a maturidade ainda não tenha se instalado completamente no seu eu consigo mais intimo de si mesmo. Para tudo isso há tolerância; para ser um merda, não.
Tem um jeito manso que é só seu.
Não percam
isso. Não percam.
E para provar que ele sabe de quase tudo e quase tudo bem, leia também
isso. Já aviso que 300 nunca mais serão os mesmos.
Momento Cá com nossos Batons.
Doroty, onde estão minhas botas?!
Minhas filhas, o que é essa tendeinnncia outono/inverno das ankle boots (as famigeradas botas cano curto no tornozelo)? Mostre-me uma mulher portando isso e um vestido/saia e eu te mostro a bruxa má do leste. Mostre-me uma desfavorecida verticalmente e eu te mostro um toco de amarrar bode. Mostre-me uma cheinha e eu te mostro uma gorda atarracada sobre pilotis. Mostre-me uma alta, magra, top model de calça skinny e eu te mostro uma mulher que poderia estar muito mais elegante usando outro calçado.
Ou seja, isso não é moda, é auto-flagelação.
Obeésse: Atentem para a sintonia
Madame/
Criada nesse post e no post abaixo, mosfios. Não é uma loucura isso? Juro que não combinamos.
Famélicas
O mundo inteiro bombardeia o imaginário feminino com apelos consumistas. Vários deles muito bem-vindos; outros, totalmente despropositados. Dentre os últimos, a calça skinny. 'Skinny' é um adjetivo depreciativo da língua inglesa que significa 'magro demais' - não sou eu quem diz, é o
Cambridge Advanced Learner's Dictionary. Muito apropriado! Porque vivemos a era da glorificação do 'magro demais'. Ante a imposição de um parâmetro biométrico biafra-somaliano de beleza (beleza?), a resposta do mercado e, consequentemente, da mídia, é demonstrar a adaptação do produto 'magro demais' para você, mulher não-desnutrida, que não é 'magra demais'. Dê-lhe editorial com túnica, mini-cáftan, blusa longa e minivestido sobre a farisaica calça skinny, a fim de desvalorizar o que a silhueta feminina tem de mais belo: curvas.
Sim, pois para vestir uma calça skinny e ficar minimamente elegante você não pode ter curvas. O seu tipo físico deve ser o mais aproximado possível de um Playmobil, único compatível para preencher com esteticidade uma peça de roupa que deixa qualquer criatura com contornos humanos parecendo com uma salsicha mal-cheia. É um design que não favorece absolutamente ninguém: quem é realmente muito magro fica assustador e digno de pena. Pessoas de tipo físico médio apresentam estar todas desengonçadas - pois a não ser que o ajuste de encaixe e entre as vértebras, quadris, joelhos e tornozelos seja perfeito e a massa corporal, harmonicamente distribuída, todo e qualquer pequeno desalinhamento saltará aos olhos como uma excrescência. Roliços de toda ordem aparentam terem vestido uma roupa dois números menor e a ponto de explodir as costuras. Onde estão as belíssimas pantalonas marinheiro de Madame Chanel nessa hora? Onde estão as minissaias usadas com saltos altos - que valorizam as pernas em vez de apresentá-las empacotadas a vácuo?
O pior é saber que, provavelmente, nada do que aqui está escrito será capaz de demover a consumidora ávida que todas nos tornamos quando olhar aquela produção tão
up-to-date na vitrine da loja grifada, tendo como
piece de résistance uma calça skinny. Você, amiga, entrará, experimentará (várias) e possivelmente comprará aquela que ficar menos ruim. Eu não a censuro, não mesmo. Depois de jornadas de trabalho cada vez mais longas e exaustivas, de demandas por ser uma profissional competente, uma mulher sedutora, uma mãe exemplar e uma amiga para todas as horas, tudo sem sequer borrar o batom, tudo o que uma mulher quer é poder saciar esse anseio sem nome que devora as protagonistas dessa nossa pós-modernidade. E com fome e sem esperança lá vamos todas nos espremer para dentro de calças skinny compradas a peso de ouro e vestidas a custa de muito aperto e culpa. O molde que nos mostra quão inadequadas somos e o quanto ainda temos que nos esforçar.
Vox populi diz que nunca se é rico demais ou magro demais. Deveria advertir, também, que, para seguir esse Modo de Usar que suavemente vêm nos sendo empurrado goela abaixo, tampouco se é escravo demais.
03.04.2007
Rainy Tips da Ticcia.
Hoje eu não sei qual seria a solução mágica para todos os meus problemas, mas suspeito que andar calmamente sob uma furiosa tempestade ajudaria. Nada mal se fosse ao som de I can stand a little rain, Esther Phillips.
(Ei, você aí que pensou na minha eletrocussão por um raio, isso não tem graça nenhuma.)

Eu não sei vocês, mas tem vezes que eu realmente acho que a minha vida oscila entre um filme do David Lynch e um seriado de humor negro da Fox. Não, nunca pensei que fosse uma cópia tupiniquim de Sex and the city.

Mas pronto, agora eu tenho um par de sapatos novos.
Sem paciência nenhuma.
Olha, vou contar um segredinho: eu tenho cada vez menos paciência. Menos paciência com o mundo, com as gentes, com as coisas e muito menos paciência comigo mesma. Possivelmente porque eu ande guardando a minha paciência para as coisas e pessoas essenciais e especiais (como quando Hilda, a gata, come uma sandália nova, por exemplo), ou simplesmente esteja ficando mais velha e mais egoísta, mas o fato é que cada vez eu tenho menos saco para enfiar o que não vale a pena e carregar nas costas. Manha? Birra? Drama? Escândalo? Enrolação? Tergiversação? Embromação? Falta de objetividade? Nah. Nem dos outros, nem minha mesma auto própria. Principalmente se o lamento vier em tom de voz miante. Se tem coisa no mundo insuportável, essa coisa é gente que mia, é ou não é?
Também gostaria de incluir aí a falta de paciência com a falta de noção e de critério para ter falta de paciência. Explico, claro. Sabe aqueles repórteres que vão ao local de uma tragédia perguntar para as vítimas o que elas vão fazer agora? Mais ou menos isso. Cada vez tenho menos paciência com gente que no meio da confusão da vida de outra (que merecia um tantico de paciência) não dá desconto nenhum, nem bônus, nem crédito, e fica querendo que prestem atenção na sua marca nova de esmalte, fica magoada porque ninguém perguntou da cirurgia de fimose do seu cocker spanil, ou diante de uma resposta lacônica ou, vá lá, ríspida (dada por absoluta falta de condições de raciocínio diante da gravidade de todos os outros acontecimentos e/ou prioridades), resolve ir chorar no cantinho, se jogar da ponte, fazer-se de o grande injustiçado do mundo. Ou pior. Gente que diante da gravidade/dificuldade das circunstâncias insiste em instalar o drama do
“está tudo perdido”, “não tem jeito”, “e ainda tem aquilo que”.
Para esses, lamento, aconselho a pegarem um vale transporte, dirigirem-se ao ponto de ônibus mais próximo e ir verem se eu estou na esquina fazendo terapia ocupacional.
02.04.2007
Até um dia.
Vais ficar assim, dentro de mim, algo torto, meio morto, como um espinho que a pele não rejeita, recobre de tecido e, com o tempo, a gente nem sente mais. Vais ficar silente e imóvel, como uma jóia enterrada na areia do mar. Vais ficar esquecido como um poema escrito em um caderno perdido, metido no fundo de uma caixa qualquer. Vais ficar inerte e seco, uma rosa prensada dentro de um livro que aprendemos a amar, ameaça inócua e longínqua. E quem sabe então não vou mais lembrar de ti, e quem sabe não vais doer mais, e quem sabe meus olhos não terão mais o brilho úmido dos teus, e não vou mais gritar teu nome, nem amaldiçoar tua casa. Não vou calçar mais teus sapatos, meus dias não serão mais sombras dos teus sóis, não vou mais acordar à noite sentindo tua presença ao meu lado. E assim será até que alguma onda revolva a terra e vomite na praia os nossos destroços, até que a pele inflame e o espinho queira sair, até o dia em que um poema, uma música ou a vida, por qualquer crueldade dessas em que ela é especialista, te arranque de lá e te esfregue na minha cara, inegável, indisfarçável, evidente. Então me surpreenderei com o quanto consegui me enganar e por quanto tempo.
Monday Tips da Ticcia.
A pessoa corre, sua, transpira, empapa. Aí chega em casa cheinha de endorfina e é quase assediada sexualmente pela gata, que adorou a versão mamãe cheia de feromônios e cheiros interessantes. Efeito colateral não previsto.
Eu ainda me encontro sob os auspícios do show do Chico. E ouvi e ouvi e ouvi o CD novo. Chico continua genial, sim senhor.
Semana que vem entro em férias. Aleluia, irmãos. Higiene mental urgente. Planos: estudar como se deve, dormir como se deve, cozinhar e se alimentar como se deve, exercitar-se como se deve. E pôr a família em ordem (isso é que é).
Páscoa na casa da Vó Nininha. Eita.
Tô pensando em dar um irmão/irmã para Hildolina.
Queria muito correr, mas já vi que às 6:30 da manhã não dá. Patrícia 30 horas na madruga também já é demais. Estou estudando o plano B.
Acaricia mi ensueño.
Esta música está lá, pra sempre, em algum lugar.
(Carlos Gardel, El Dia que me Quieras)
01.04.2007
Tô avisando, 2.
A pessoa não tá NADA bem. Correu meia hora. Na verdade, alternou corrida e caminhada evitando que seus bofes saíssem pela boca. Mesmo assim... tsc, tsc, tsc.