30.11.2006

Em breve, fotas.








Sabem o cabelo da Mia Farrow em Rosemary's Baby?
Pois então.










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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 21:43 de 30.11.2006
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Reflexões sobre o reflexo

(Caminha pelo local de trabalho para largar o telefone no carregador, surpreende-se com o reflexo espelhado no vidro escurecido das janelas - o prédio é cheio de janela, uma do lado da outra. Repara no acentuado volume na região do quadril. Levanta um pouquinho a blusa num canto onde ninguém está olhando e vê que a cintura faz uma curva abissal para chegar à anca e pensa "é, podia ser pior". Deixa o telefone, vira de costas olhando seu reflexo, especialmente na região do quadril, sai andando e olhando, andando e olhando, e conclui, "é tão bonitinha a minha bunda elefantina!")

Eu sou mesmo uma coisa fofa.
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 20:38 de 30.11.2006
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Extra ordinário

A pessoa está no trabalho abrindo seus e-mails da caixa postal do trabalho (vejam bem), e topa com a seguinte curiosa mensagem.

Não deixe de participar do Concurso Cultural Minha vida dá uma fotonovela, com apoio da Rexona e realização da revista Sou+Eu!, da Editora Abril. Ao participar, você pode ser a próxima estrela de fotonovela de Rexona que será publicada na Revista Sou+Eu! e ainda faturar R$ 500 e mais um kit de produtos Rexona!

Não perca tempo. Conte agora um momento incrível da sua vida!

Envie sua história com sua foto até o dia 20 de dezembro para o nosso site www.soumaiseu.com ou para a Redação Sou+Eu!, Concurso Cultural Minha Vida dá uma Fotonovela, Caixa Postal 66325, CEP 05315-970, São Paulo, SP. Veja o regulamento no site soumaiseu.com.

Participe! Boa sorte!


'Minha vida dá uma fotonovela'?! COMO ASSIM?!?


O mundo é, cada vez mais, um lugar *sem loção*. Mas ao menos com essa onda saudosista, agora é um lugar *sem loção* vintage.


Recadinho da Criada: Dr. C., às vezes a pessoa fica bastante cansada em vários aspectos da vida, não só com o trabalho, e daí qualquer voluminho parece pantagruélico. Não é nada pessoal. Não é uma reclamação. É um desabafo. Táááááá?



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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 15:40 de 30.11.2006
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Malleus Maleficarum.

Eu não sei o que foi que me deu, mas pronto. Tô distribuindo marretada nos dedos a torto e a direito. E tá me fazendo um bem enorme. Quem quiser uma unha roxa, que se apresente; quem não quiser, que mantenha a distância mínima regulamentar.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 14:47 de 30.11.2006
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Every day pin-up.





A Cláudia veio mexer com as minhas lombriguinhas e dizer que já achou a minha agenda 2007.
Óia que cousa querida essa mulé ver as coisas e lembrar de mim, gente. Cousa amada.
Vou pedir pro papai noel. Hohoho.



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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:07 de 30.11.2006
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Um aniversário cheio de poesia.

Para quem está em Lisboa ou arredores, a sugestão é aproveitar a comemoração do 13º aniversário da Casa Fernando Pessoa. Estarão lá Manuel António Pina, Pedro Mexia, José Luís Peixoto, Luís Quintais, José Eduardo Agualusa e José Tolentino Mendonça.
A programação está linda.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:01 de 30.11.2006
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Blue sunday, pink nose, brown eyes, final.




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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 00:29 de 30.11.2006
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Blue sunday, pink nose, brown eyes, n.º 7.




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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 00:28 de 30.11.2006
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29.11.2006

Menina dos meus olhos


REPARTIÇÃO PÚBLICA

— Ai, que boniiito esse selo, parece escrito com ouro, né? Olha só!
— É mesmo! De onde é?
— Deixa eu ver... Nooossa, custa um e quarenta e cinco! Filatélica! Onde será que fica isso?
— Não sei, mas olha aí que deve dizer.
— Aaahhh, Rio de Janeiro! Deve ser um daqueles bairros chineses que tem por lá.


Conversas Furtadas, dos Insanus.

Amo tanto. Mas tanto, tanto...
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 17:53 de 29.11.2006
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No Não Discuto.

Um poema de vir a ser.

(Modéstia à parte, eu gostei muito deste).
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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 15:48 de 29.11.2006
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Muito, muito além da decência.

Eu adoro pão. Adoro. Difícil resistir, sempre. E ontem, na fila do supermercado, o demônio colocou um senhor ao meu lado na fila da padaria pedindo pão francês folhado. PÃO FRANCÊS FOLHADO. E eu, miserável criatura que até então desconhecia a existência de mais este pecado, quase chorei de emoção, quase tive uma embolia gustativa. Pedi dois, tentando me convencer-me a mim mesma que ia guardar um para a manhã seguinte. Não contente, afinal, condenada, condenada e meia, comprei mortadela. Mal cheguei em casa, devorei ambos. Folhados. Com mortadela. Quentinhos, crocantes, esfarelativos. Do Zafari, senhoras e senhores da platéia, supermercado que fica em frente, mesmo em frente, à minha casa.

E o purgatório lá, me olhando, com uma balança e uma fita métrica. Mas isso só vi depois, bem depois.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 13:16 de 29.11.2006
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Os vídeos mais assistidos na internet em todos os tempos.

Star Wars kid (assistido 900 milhões de vezes)
http://ebaumsworld.com/starwarskid.html

Numa Numa (700 milhões)
http://www.youtube.com/watch?v=PK12XrnHcxs

One night in Paris (400 milhões)
http://pt.wikipedia.org/wiki/1_Night_in_Paris

Comercial de lingerie com Kylie Minogue (360 milhões)
http://video.google.com/videoplay?docid=-8623345080381634720

The exploding whale (350 milhões)
http://www.youtube.com/watch?v=1_t44siFyb4

Comercial da John West (300 milhões)
http://veryfunnyads.com/index.html?id=24905

Trojan games (300 milhões, não recomendável para menores de 18 anos)
http://www.youtube.com/watch?v=vuZ47hsn6Z0

Kolla 2001 (200 milhões)
http://www.kollaboration.org/video_david2001.php

Afro ninja (80 milhões)
http://www.ebaumsworld.com/2006/07/afroninja.html

O iluminado redux (50 milhões)
http://www.ps260.com/molly/SHINING FINAL.mov


Daqui.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 11:58 de 29.11.2006
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Happy birthday de Madame.



Facelo, o irmão querido que orgulha e enche de alegria a qualquer irmã do mundo, mormente esta acá, está de aniversário. Aquele guri mimoso, meu companheiro para qualquer coisa, de churrascaria (sempre) a roubo a banco (se for necessário), parceria certa, fã do Super Man e da SWAT, é tão emotivo que não há uma única foto de aniversário até os 10 anos em que ele não esteja chorando na hora de cantar parabéns.

Facelo, tu sabes. De tudo. Mas eu digo: te amo muitão assim ó.


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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 10:33 de 29.11.2006
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Alive and bleeding.

Tem horas que a sobrevivência depende de um recurso extremo, um ato desesperado de coragem e força. Tem horas que ou a gente se atira do carro em movimento e faz inveja a dublês de hollywood, ou despenca precipício abaixo. Tem horas que se esfolar toda, ficar em carne viva e perder uns pedaços é a nossa única chance, porque a alternativa restante seria aproveitar uns poucos momentos de queda livre até o impacto. Tem horas que a gente precisa só querer ficar viva.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 09:43 de 29.11.2006
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Aviso de uTiccidade pública - Dê um biscoito pra fera.

Atenção felizes criaturinhas que escapam ilesas do leão. Amanhã é o último dia para fazer declaração de isento e manter-se regular no CPF. É simples, rápido e tranqüilo. Vai lá e faz, não mosqueie.

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Coluna: Madame Pompadour
por Ticcia, às 09:10 de 29.11.2006
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28.11.2006

The Vida Besta Series

Então, a pessoa acorda, come um papaia mais chocho que cocker spaniel velho castrado e vai para a vida, que a vida não pára. Cazuza estava errado, o tempo até pára, a vida é que não. E daí todos os fazeres e afazeres de um dia (in)útil, ir à médica de meninas fazer a sua revisão dos trocentos quilômetros - eu amo a minha médica, really do, sério mesmo - pegar os exames do guri que está bem, ele está bem, ó, que bão! e ir trabalhar, que as pilhas crescem crescem crescem, a pessoa se sente um Gulliver no meio de um monte de processos GIGANTES temperados com fermento Monopol (ou Royal, que agora resolveu dizer nas propagandas que é para você botar fermendo no feijão, no arroz, na salada e em qualquer outra coisa que você coma. Royal, diga que fermento incha na barriga e emagrece, pronto!, todas as metas de venda atingidas. Fermento, a quitosana do futuro. Mas voltando) a processaiada toda, esperando a pessoa, e eles são que nem bebês, eles não podem esperar! ficam lá gritando, gritando, ó eu aqui. Estou vendo, estou vendo, fique calmo, eu sou só uma! Depois de fazer metade do que gostaria de ter feito e sentir-se cansada como se tivesse feito o dobro, a pessoa constata que, realmente, esvaíram-se todas as possibilidades de conseguir ir treinar para fazer seu corpaço rolicinho funcionar mais a contento e resolve ver O Filme com o filho, que o filho está sentidíssimo e como é seu filho, não fala nada. Que tem amaldiçoamentos que parece que passamos no sangue: eu não falo, tu não falas, ele não fala. O pai, a filha, o neto, ninguém fala, só os olhos muito sentidos, molhados, como de um cocker spaniel velho e castrado que perdeu todos os dentes e sente uma fome horrível sem fim.

Eu vou tentar te dar amô, filhote, se você conseguir receber.

No meio disso tudo, umas notícias boas quase que se semi-avizinham, e a pessoa torce, com reco-reco e serpentina imaginários, pensando "vai! vai! vai! vai!". Vê se vai, puxa vida.

Hoje experimentei uma roupa que ficou totalmente ridícula. Comecei a rir no provador e não conseguia parar. As moças da loja (lojinha merreca metida a fina, são as piores: tem uns cacarecos horrorosos e caríssimos, que qualquer pessoa que não sabe costurar costuraria melhor) ficaram muito espantadas, eu dizia "ficou HORRENDO, quá quá quá quá quá", elas consternadas e meio assustadas. Se eu chorasse, ninguém se impressionaria, não é mesmo? Duh.

Qui qui qui qui! Eu rio, ela/ele não ri.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 21:10 de 28.11.2006
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Continho no escuro.

Tá lá a moça sentada no chão, luz apagada, rodeada pelas caixas de som, ouvindo uma mesma música tristíssima no repeat há mais de hora.

- O que tu pensas que tu estás fazendo?
- Tô morrendo um pouquinho.


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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 15:04 de 28.11.2006
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Art whisperer.



Quando eu vi o trabalho da fotógrafa/artista plástica Maggie Taylor, tive uma impressão de dejá vu. Ontem, zapeando pela TV, vi a abertura de Ghost Whisperer novamente e... A-HA. Não só a parte em que Melinda se rasga ao meio, mas várias outras referências da seqüência de abertura vêm mais do que diretamente do trabalho da senhorita essa. Vale conferir (Maggie Taylor, sim, claro).

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Coluna: Madame Butterfly
por Ticcia, às 13:57 de 28.11.2006
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Continho de balcão.

Dia após dia a moça vai à padaria, logo de manhãzinha. Sempre a mesma padaria, sempre o mesmo senhor no balcão. Sempre bom dia, sempre o pedido, sempre o café, sempre um salgado e um docinho. Sempre se muito calor, suco. Sempre se muito frio, chocolate. Sempre em qualquer temperatura, um sorriso. Sempre o jornal. Às vezes cuca pra levar. Às vezes companhia eventual. Sempre um silêncio de amigos. Sempre até amanhã. Há 5 anos. Aí um dia:

- Se a senhorita me permite um elogio...

Ela sorri.

- ... está muito bonita. Ultimamente ainda mais.

Ela continua sorrindo e ainda sorrindo mesmo diz:

- É que o homem da minha vida pode chegar a qualquer momento.

- Então assim que ele chegar, a senhorita faça o favor de agradecer-lhe em nome desse velho padeiro.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 11:50 de 28.11.2006
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Dance me to the end of love.

Chagall
(LEONARD COHEN)

Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love

Oh let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love

Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love

Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love

Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love


Ouça aqui.


Porque eu falei com Leonard num sonho e ele me disse que escreveu essa música baseado neste quadro do Chagall,
para que um dia eu possa dançá-la (ou ouvi-la junto, pronto) com uma certa pessoa.
Porque essa música tem uma letra absurdamente maravilhosa.
Porque eu poderia (gostaria de) ter escrito cada uma dessas frases.
Porque todas elas fazem um sentido incrível pra mim.
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Coluna: Madame Butterfly
por Ticcia, às 10:42 de 28.11.2006
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27.11.2006

Não Discuto.

Qual de ti?

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 17:37 de 27.11.2006
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Chagall



Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz pricipitado.




(Sofia de Mello Breyner Andresen)


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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 16:00 de 27.11.2006
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Inafastável.

Reduzo-me ao grau mínimo de humanidade em que sou quase que só bicho, quase que só besta, fêmea, animal, instinto, pulsão de sobrevivência. Vou buscar-me lá onde não se elabora, não se racionaliza, não se mistifica ou se edulcora, onde nos fazemos carne, onde somos líquidos, onde tudo é urgência e voragem. Lá onde tenho ossos, abismos, escuros, nos ocos, nos cascos, nos urros, na pele e nas unhas, nas gengivas e dentes à mostra, nas cicatrizes, espamos, plasma, essência. Encontro uma de mim que é só medo e ânsia, fome, sede, cio, uma de mim sem desculpas, sem vergonha, sem pudor, em que as formas e os limites são pura e simplesmente físicos, pela absoluta impossibilidade de ser qualquer outra coisa que não Isto. E mesmo esta de mim conhece teu nome.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 11:45 de 27.11.2006
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JP Coutinho.

Leia esse rapaz que eu gosto muitíssimo e aprenda a diferenciar plágio de roubo, preguiça de paixão.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 10:39 de 27.11.2006
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Não é côncavo e não pode ser reconvexo.

Quem não passou uma tarde de domingo INTEIRINHA cheirando perfumes e tomando café com a Criada.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:34 de 27.11.2006
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Reencontro de faculdade, Open House da Lê e apresentação da Maria Eduarda (na barriga da Lê).










Sofia, Mirele, Letícia, Lu, Ticcia e Aninha. Faltou a Cris e a Lalisa, que estarão no próximo encontro, né guriaaaaaas?





















Ticcia e a fotógrata Cátia.









Quase seis anos de formadas. Creeeedo.
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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 08:48 de 27.11.2006
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26.11.2006

Mundo menos interessante.



Mário Cesariny, 1923 - 2006.
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco.


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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 22:28 de 26.11.2006
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Da série Foto e Música.


Fotografia de Jock Sturges













The man I love - Sarah Cracknell.






















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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 01:13 de 26.11.2006
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24.11.2006

Bom fim de semana.



Rosario Flores como Lydia, em Hable con Ella, Almodóvar, 2002.


Elis & Tom, Por Toda a Minha Vida.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 22:29 de 24.11.2006
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Criadicas

Vocês sabem, e se não sabem, deveriam saber: Criadas, por mais bem pagas que sejam, o cobertor sempre é curto. O essencial já consome a pessoa pela perna, quase não sobra para o supérfluo. Por isso, a Criada está sempre atrás de uma dica, coisinha, que resolva seus (muitos!) problemas de beauté.

Recentemente, esta Criada que vos fala topou com uma linha de produtinhos que lhe deixou bastante curiosa. De fato, tem um item que foi testado e aprovado:

null


Shine on you, crazy diamond!



Se você é do Southern South, numa Panvel perto de você.
Se você não é, ou quer mais informações, venha aqui.
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 18:40 de 24.11.2006
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Naturalmente.

Lembro de um tempo atrás, numa discussão acerca de homossexualidade, uma colega de trabalho ter defendido a postura homofóbica sob argumento de que a prática era "anti-natural". Perguntei a ela se ela sabia que são muito comuns práticas homossexuais na natureza, como por exemplo, entre galinhas, cachorros, passarinhos, macacos. Ela ficou chocadíssima.

Agora um livro infantil, "And Tango makes Three", que conta a história real de dois pinguins machos que adotaram um filhote em um zôo americano, depois de ter causado alguma polêmica, foi estrategicamento retirado da prateleira dos livros infantis da biblioteca da escola e colocado na dos livros de não-ficção, onde é necessária autorização dos pais. Eu me pergunto qual é o conteúdo impróprio que pode conter o livro. Realidade? Será?

Porque uma coisa é não aceitar a homossexualidade como algo natural ou ser contra a adoção por casais homossexuais. Outra coisa é considerar esse um assunto tão intrincado que não possa vir ao conhecimento de crianças (como se elas não se deparassem com a realidade todos os dias na TV, nas ruas, na escola). Outra coisa ainda é tentar esconder que isso existe como forma de desestimular essa opção.

Mas aí eu me pergunto outra coisa. Será que se uma criança enxergar a homossexualidade de uma forma tranqüila, normal, natural, sem problemas ou recriminações, isso a estimulará a ser homossexual? Se a resposta for positiva, então, como é que todos os homossexuais que viram sempre as relações heterossexuais como tranqüilas, normais, naturais e sem problemas ou recriminações não optaram por elas?

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 10:43 de 24.11.2006
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23.11.2006

Ano e dia

(Disclaimer: é uma peça jurídica com licença poética. Nem tudo é exatamente assim. Não tente fazer isso em casa. Consulte sempre um BOM advogado.)

.... vem respeitosamente requerer, em ação cautelar de produção antecipada de prova, demonstrar ao MMº Juízo, no âmbito de processo judicial, que mantém, com exclusividade, a posse mansa e pacífica das atenções e encantos do Bardo Loiro & Imundo, sem solução de continuidade, há mais de ano e dia.

A presente é para instruir posterior processo de usucapião constitucional de coisa móvel, ressalvando-se que, uma vez adquirida, atender-se-á integralmente a função social da propriedade, da mesma forma que vem-se atendendo a função social da posse, proporcionando a todos os interessados, sem qualquer distinção, e ao próprio Bardo, plena interação social em todos os seus aspectos, gozo e fruição de atividades lúdicas e divertidas e quaisquer outras que o aprazam, sem qualquer cerceamento do direito de ir e vir ou da liberdade de expressão por atos, pensamentos e palavras - mesmo que estes desagradem a autora.

Ressalva-se que, em verdade, a autora pretende apenas a manutenção da situação de fato ora configurada, pelo que, a critério do MMº Juízo, ouvidos o usucapiendo, os interessados e o douto representante do Ministério Público, propõe-se que a usucapião seja convertida em usufruto vitalício. Pois que a posse e a propriedade do ser usucapiendo não lhes são tão caras quanto a possibilidade de manter seu uso e fruição em caráter permanente, até o fim da vida.

Requer-se a produção de todos os meios de prova admitidos, especialmente oral.
Requer-se expressamente a intimação para oitiva do usucapiendo.
Desconhecendo-se opoentes, requer-se, ainda, a publicação de edital dando conta do ajuizamento e distribuição da presente, bem como das datas aprazadas para as audiências.

Nesses termos, pede e espera deferimento.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 20:46 de 23.11.2006
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Agora o peito a retumbar.

E então a gente se permite espiar pela fresta, olhar de relance, pelo buraco da fechadura e revê um tanto e lembra de tudo, e sorri, e meio que volta, e é como se não tivesse deixado de ser, é como se houvesse um agora que fosse sempre, que não virasse ontem, que não se cobrisse de passado e a gente refloresce, a gente chove, a gente mergulha, a gente quase volta a saciar a sede, quase sente na pele, quase dança, quase sonha, quase delinqüesce, quase enlouquece, quase goza, quase fica feliz de novo. Mas aí lembra que. E tem que deslembrar. Agora.

Debaixo d'água/Agora.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 16:39 de 23.11.2006
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Uma Didática da Invenção.

(Manoel de Barros)


Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:

a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca

b) 0 modo como as violetas preparam o dia para morrer

c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos

d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação

e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos

f) Como pegar na voz de um peixe

g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
Etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.


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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 14:57 de 23.11.2006
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Life witness.






We need a witness to our lives. There's a billion people on the planet... I mean, what does any one life really mean? But in a marriage, you're promising to care about everything. The good things, the bad things, the terrible things, the mundane things... all of it, all of the time, every day. You're saying 'Your life will not go unnoticed because I will notice it. Your life will not go un-witnessed because I will be your witness'.


(Susan Sarandon, como Beverly Clark em Shall We Dance, 2004).




Nós precisamos de uma testemunha para nossas vidas. Há bilhões de pessoas no planeta. Quer dizer, o que uma única vida pode realmente significar? Mas em um casamento, você promete dar importância a tudo. As coisas boas, as coisas ruins, as coisas terríveis, as coisas ordinárias... tudo, o tempo todo, todos os dias. É como se você dissesse: "Sua vida não vai passar despercebida porque eu vou notá-la. Sua vida não vai passar em branco porque eu vou ser testemunha dela."






Porque eu acho que é isso que significa estar junto e conviver, mais que coabitar. Mas ainda mais do que isso. Acho que quando a gente ama e é amado, somos testemunhas e cúmplices da vida um do outro e podemos partilhar de tudo e termos orgulho de estar jundo do outro, de admirá-lo tanto e amá-lo tanto, sabendo que ele é tudo isso e disso tudo fazemos também parte, o que acaba sendo um orgulho de si mesmo e recíproco, que jamais compete ou compara, mas completa, suplementa, junta, aproxima, faz crescer.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 09:57 de 23.11.2006
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22.11.2006

O achado da década ou YES, NÓS TEMOS BIQUINIS.

Atenção amiga irmã dona de casa! Se você tem PEITOOS e BUNDA possivelmente não encontre biquini em lugar nenhum. Por algum insondável motivo, mesmo nesses tempos de peitos turbinados, siliconados, inflados e bombeados, não se encontra um mísero biquini que sustente os nossos amigos e não nos divida em pneus tal qual o boneco da michelin. Os tamanhos G disponíveis são, na melhor das hipóteses, pra quem veste sutiã 42. Se você sabe EXATAMENTE do que estou falando, é porque já peregrinou de loja em loja, já teve ataque de fúria, choro, já pensou em mandar diminuir os peitos e já foi forçada a pagar um salário mínimo por um biquini da Rosa Chá por mais revoltante que isso possa parecer apenas por NÃO EXISTIR NENHUMA OUTRA OPÇÃO além do maiô da avó e a barriga branca.

Mas isso mudou, minha filha. Isso mudou, minha irmã. Creia. Quem mora em Porto Alegre ou arredores está salva. SALVA. Juro. Na Rua da República, nº 65, fica o Ateliê COSTURA & CIA., da Kátia, que não só vende biquinis leeeeeeeeeeeeeeeeendos, leeeeeeeeendos, leeeeeeeeeeeeeendos mesmo, como também vende lingerie, faz consertos e ajustes e costura em geral. Tudo por preço honesto. Mas mais que isso. Os biquinis são de qualidade inacreditável por preço também inacreditável (não contem pra Kátia que eu disse isso, mas é). Só quem já pagou um salário mínimo por um biquini sabe a felicidade que é comprar dois modelos por cem mérreis. Juro. Cem merréis. Tão percebendo o porquê do meu entusiasmo? EU TENHO BIQUINIS, minhas filhas. Pela primeira vez em anos. Biquinis decentes sem parecer a minha avó e lindos. No plural. E nem tive que vender um rim.

Faça como eu. Recolha TUDO que você tem pra ajustar e consertar em casa, leve lá na Kátia e aproveite pra bizoiar os biquinis. Sim, tem maiôs tumém. E aceita cartão. Segunda a sexta, das 10h às 19h. Não fecha ao meio dia, mas não abre sábado.


Onde: Ateliê Costura & Cia.
Endereço: Rua da República, 65, Cidade Baixa.
Tel. 3225-3413.


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Coluna: Madame Pompadour
por Ticcia, às 13:41 de 22.11.2006
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Geometry Lesson.


Imagem de Sally Gall.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 09:31 de 22.11.2006
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Da série Dicionário, nº 1: Patético.






Patético é o equivocado convicto e de boa fé. Patético é o crédulo apesar das circunstâncias, dos sinais e da racionalidade. Patético é o erroneamente divergente que beira o grotesco recheado de uma inadmissível ingenuidade. Ir a uma festa à fantasia acreditando tratar-se mesmo de uma festa à fantasia e dar com algumas dezenas de pessoas em traje coquetel olhando condoídas para a versão pós-moderna da Betty Boop, é ridículo; patético é achar-se a única pessoa vestida de acordo. Patético é negar todas as evidências, arranjar desculpas, justificativas, subterfúgios, explicações e continuar acreditando naquilo que escolhemos acreditar, o que, na maioria das vezes, é, na verdade, o último recurso em prol da manutenção da nossa indolor e segura mediocridade estagnada de cada dia. Patético é estar só, triste, feio, louco, errado, burro, idiota, imbecil e infeliz e continuar acreditando na sua genial estratégia contra o resto do mundo.




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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 00:38 de 22.11.2006
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21.11.2006

Mundo menos interessante.


Robert Altman, 1925 - 2006.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 16:57 de 21.11.2006
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Bregahits - Edição Especial. Atualizado 2.



A seleção abre com Soleado, Francisco Cuoco. Só aí eu já me arrepio e não me desarrepio mais.
Nem vou dizer nada. Vá lá e confira.

Olha, tenho uma coisa a dizer: Essa música do Francisco Cuoco era o lado A de um compacto que a minha mãe comprou pra mim quando eu tinha 4 anos. Eu tava completamente apaixonada pelo Cuoco na reapresentação da Selva de Pedra e lamentava dia e noite que o meu nome não era Simone. Eu ouvia o disco sem parar, sabia de cor e morria de tanto chorar. E agora vem esse guri me fazer ouvir isso quase 30 anos depois e eu tô aqui no trabalho debulhada em lágrimas e o primeiro feadaspooota que vier tirar sarro de mim, eu trucido. Juro.

Ô MÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃE, ÓIA O QUE O CALEXICO TÁ FAZENDO COMIGO, MÃE!!


* Pra que conste: Soleado é a música instrumental de fundo, que foi gravada pelo Moacyr Franco e tem outra letra. O Cuoco declama o poema sobre o fundo de Soleado, que era hit na época. Sim, eu também sei a letra original de Soleado, a música do céu, de cor.



Comentários de Madame à coletânea:

1. Francisco Cuoco - Soleado (3:30)
Incomentável. Ele é o Gainsboug brasileiro, vozeirão, sexy, tuda, tuda, tuda. Eu quase morro. Hoje à noite vou sonhar que ele é o Christiano e eu sou a Simone. Já vi.

2. Ângelo Máximo-Você Se Lembra (4:33)
Ele é mesmo o máximo. “As rosas que eu te dava eram roubadas no caminho.” Toma na tua cara. E a lista de lembranças? “Você se lembra do sorvete, do chocolate e do chiclete?” Isso sim, mosfios.

3. César Sampaio - Secretária da beira do cais (2:49)
Inegável a inspiração de Chico Buarque de Holanda pra escrever “A minha história” neste clássico da MPB. “Seu corpo empinado desfila na escuridão” e “ela é a mulher maravilha da beira do cais”.

4. Odair José - Eu Vou Tirar Você Desse Lugar (2:59)
Atenção ao piririm, piririm, piririm da introdução. A evolução da relação é um marco da MPB (da primeira vez que vim aqui...). Uma ode aos homens com cojones.

5. Altieres Barbiero - Se amar é viver (3:52)
O forte são as backing vocals. Liiindo. E os sussurros? Bah.

6. Antônio Marcos & Vanusa - Volte Amor (3:52)
Sabe Torneró? Essa messs. De arrepiar.

7. Ronnie Von - Tranquei A Vida (3:46)
O Príncipe, no auge da fama, glória, poder e gostosura dos olhos verdes.

8. Barros de Alencar - Prometemos não chorar (3:39)
Aqui o lalalalá e os soluços da senhorita de fundo são de arrasar quarteirão. E o homi consolando ela? “Talvez seja essa última vez que tomamos café juntos...” Que coisa, senhoras e senhores. Um verdadeiro manual de instruções de indução ao suicídio.

9. Fernando Mendes - Você Não Me Ensinou A Te Esquecer (3:53)
Rá. Você vai reconhecer de cara a música que o Caetano garfeou deste senhor.

10. Evaldo Braga - Eu amo sua filha, meu senhor (3:42)
Isso é que é pronúncia, não é essas merdas que andam por aí. O erre desse homem devia ter sido grrrrrravado e posto na sonda aquela que ia se perrrrrderrrrrrr no espaço e levarrrrrr a nossa culturrrrrrrra a outrrrrrrras forrrrrmas de vida.

11. Fernando Mendes - Cadeira de rodas (3:26)
Super mega hit. Desnecessário apresentações.

12. Marcio Greyck - Impossível Acreditar Que Perdi Você (3:27)
Olha, falando sério. Essa música é de arrebentar. Linda, linda, linda. Eu ouço 20 vezes e 20 vezes eu choro. Sério. “Eu já não consigo viver dentro de mim e viver assim é quase morrer” e “hoje mais um dia de tristeza para mim passou, nem no meu olhar nada se alegrou, sinto-me perdido no vazio que você deixou”. Poooootaqueparil. Demais. Sério. To falando sério.

13. Nilton César - A Namorada que Sonhei (2:25)
Clássico. Clássico. Clássico. Ponto.

14. Marcio Greyck - O Mais Importante é o Verdadeiro Amor (5:04)
Que idade será que tà o Márcio Greyck, hein? Cosa linda, modeuso.

15. Ovelha - Sem você não viverei (3:13)
Aqui o negócio é o solo de guitarra e o Ovelha se achando vocalista de banda de comercial de Holywood.

16. Amado Batista - Aeromoça (4:30)
O barulho de avião e a aeromoça dando aviso de segurança é antológico.

17. Barto Galeno - Bofete na sogra (3:22)
Eu nem digo nada. O título diz tudo.

18. Evaldo Braga - Você não presta pra mim (2:31)
O senhor do erre. Agora dizendo: Você não presta, meu amorrrrrrr. Sentiram a delicadeza?

19. Carlos Alexandre - Vá pra cadeia (2:17)
Essa música revoluciona o conceito de letra na MPB. Isso sim são rimas, não aquele amontoado de proparoxítono que o Chico Buarque tem mania de fazer.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 14:22 de 21.11.2006
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Pegando marido pelo estômago.



Delaidinha me deu de presente um mimoso São Lourenço (padroeiro dos cozinheiros) para, a exemplo de Frances do filme Sob o Sol da Toscana, eu ter para quem cozinhar. E antes que eu engorde todos os meus amigos com quitutes e delícias, ela também me deu um Santo Antônio com menininho destacável para eu poder fazer chantagem, pressão, extorsão, tortura e forçar o Santo a me arrumar um marido.

Delaidinha é o máximo, sempre pensa em tudo.



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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 13:32 de 21.11.2006
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Atenção, meu Sebastião do Rio de Janeiro!!



As cariocas vão se esbaldar.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 10:58 de 21.11.2006
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20.11.2006

Sejamos nós mesmos.




Sejamos nós mesmos, não só apesar de, a despeito de, mas sejamos nós mesmos mesmo que, ainda que, sejamos nós mesmos exatamente porque, principalmente porque, sejamos nós sem desculpas, sem enredos, sem dissimulações. Sejamos um só de nós mesmos, sem disfarce, sem dubiedades, sem máscaras, sem esconder dos outros o que nos falta ou o que nos excede, sem preferir um outro de nós que não somos, sem querer que os outros nos enxerguem diferente, sem mostrar aos outros só o que achamos que possa interessar ou nos orgulhar. Sejamos nós mesmos sempre, ainda quando vamos desagradar, ainda quando os outros possam recusar este de nós que somos, ainda que não se possa pretender ser amado pela metade, ainda que, por sermos nós, deixemos de ser um daqueles outros que queremos tanto e aquilo que os outros querem tanto que sejamos. Sejamos nós mesmos na hora do beijo, do tapa, do abraço, da cuspida, da reprovação, do elogio, do aperto de mão, do olhar cúmplice, da fuga, do amor, do desejo, da covardia, do medo, do carinho, da doença, do afago, da dor, do ponta pé, da fome, da ânsia, da angústia, da inveja, do sucesso, da vergonha, da grandeza, da mediocridade. Cada vez acredito mais que a medida da felicidade é o quanto nós mesmos podemos ser, sem medo de que nos deixem de amar, com tudo que isso implica, ou seja, nos tornarmos cada vez mais amáveis e cada vez mais livres.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 14:32 de 20.11.2006
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Bethânia. Quando estou com você, estou nos braços da paz.

Sábado, show da Bethânia. Coisa mais linda do mundo aquela mulher. Fui com ele e, por isso, vou preguiçar e me reportar ao que ele disse. É isso mesmo, a mulher é uma entidade, deixou de ser gente. Pelo menos no palco. Ela *é* linda, ponto. Na minha concepção de beleza, Bethânia é. Na delicadeza, na voz, nos gestos, na maneira como se veste, se porta, se doa. A gente fica ali e ela se presenteia, se oferece. Quando a gente vai a um show dela, fica maior, porque ela se dá e nos alça à sua própria altura, nos faz merecedores de si. A gente está lá e está junto dela, com ela, nas alturas, nas profundezas, dentro do mar, no céu.


*** As músicas dos CDs novos são belíssimas (ver amostrinha) e eu estava segurando herculeamente o choro, até que ela cantou Gostoso Demais. Aí deu. Minha maquiagem derreteu todinha.

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Coluna: Madame Butterfly
por Ticcia, às 10:25 de 20.11.2006
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Audrey forever.



Paulinha manda a notícia por mail, dizendo que eu vou gostar. Só não gosto do fato que aqui em Porto Alegre não tem loja da GAP e eu não consigo achar as tais calças essas que eu AMEI. Quem sabe em janeiro, na temporada paulista, né?
Falando nisso, paulistas amados, onde tem loja GAP aí?



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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:54 de 20.11.2006
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Não é qualquer coisinha.


Grêmio na Libertadores.

*Detalhe: um ano depois de ter sido campeão da série B.


E, sim, claro, o Municipal perdeu fiasquentamente para o Paraná e o São Paulo sagrou-se campeão brasileiro antecipadamente. Parabéns aos tricolores.
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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 01:08 de 20.11.2006
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19.11.2006

Blue sunday, pink nose, brown eyes, (white foot), nº 6.



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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 19:32 de 19.11.2006
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18.11.2006

glicose, frutose, sacarose

era louca por açúcar, sabe. não você não sabe não sabe, não sabe de nada, vou contar. vou. era louca por açúcar, açúcar dourado, granulado, confeiteiro, cristal, enfiava as mãos por dentro do pote de açúcar e comia aos punhados, hihihi, escorria pelas mãos pela garganta a boca cheia, transborda. punhados de açúcar e riso tudo engasgado na garganta, que bom, que bom, tudo doce toda a doçura a doçura em mim inteira pelo corpo abaixo dentro e fora e o riso, o riso, que vinha junto com tudo e mais saliva e era uma calda, lá dentro e aqui fora, lá dentro e aqui fora, tudo doce e riso, alegria. em tudo. potes, potes. eles guardam coisas, sabe, guardam. guardam. guardam eu e você também, tudo doce lá dentro, um monte de doçura, você nem sabe! você nem imagina a doçura, macio! caramelizado com flocos crocantes, não. não. sem flocos, só a doçura como seda, a saliva, o riso todo engasgado com um monte de açúcar, açúcar às vezes vem disfarçado, às vezes vem em embalagens estranhas, sabia?, nem é doce, não é doce não é, sente o amargo? sente, sente, só que o fundo é doce, haaaa-ãã, o fundo é doce, lá no fundo no escuro fundo quando bater no estômago no fígado no baço no intestino e absorver - chuuuuuuup! - é doce é doce o escuro doce sem dor, sem nada, doce, silêncio, doce, sem riso, riso só lá no fundo, lá vem o riso, ele vem vem vem vem, vem sim, ele vem - não agora, agora riso nenhum - só a dor sumindo no escuro fundo do poço sem fim sem dor sem fim sem dor só doce doce doce, açúcar de adulto é outro, preciso muito preciso mais, resolvi: vou resolver, e resolvi, resolvi mesmo, aqui eu, ó, doce, toda doce, dentro e fora, doce doce doce doce doce, de novo, agora para sempre.
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 00:26 de 18.11.2006
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17.11.2006

O rastreável motivo da rosa - I'd walk through the snow.





Barefoot, KD Lang.


Bom fim de semana.
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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 15:18 de 17.11.2006
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Amigos para siempre.

Ticcia
olha, hoje tô de jejum.
ato de contrição pelo desaparecimento da minha cintura

Calexico
ai, nem me fala
ontem eu vim rolando pra casa

Ticcia
como "nem me fala"?
tu fica dando aquelas idéias do demônio e depois é "nem me fala"?
Faloooooooooooo

Calexico
hahahahahaahaha
tá, mea culpa

Ticcia
e trata de ir lá em casa consumir com aqueles Haagen-Dazs que sobraram

Calexico
ahhhhhhhhhhhhhhh
sonhei muito com aquilo

Ticcia
pois tá lá, favor recolher

Calexico
pára, guarda
sorvete não estraga

Ticcia
hahahahahahahahaha
tu achas que tem uma mínima chance de um Haagen-Dazs ficar tempo o suficiente pra estragar na MINHA geladeira?
hauahuahuahua, bebeu, tu bebeu

Calexico
o sorvete vai ficar espremidinho no canto do freezer perguntando "será q ela já foi?"

Ticcia
nada, eu passo pela porta da cozinha e ele diz: Ticciaaaaaaaaaaaaaaaa, óia eu aquiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Calexico
mentirosa!
lies, lies, LIIIIIIES!!! ALL LIES!!!

Ticcia
juro, lo juro

Calexico
eles ficam escondidinhos rezando "ai, o Alex que não chega...."

Ticcia
nada. eles dizem:
COME TO DELIGHT
COME TO DELIGHT
COME TO DELIGHT, CAROL ANN


Vocês acham que só porque ele faz coletâneas bafo ele é meu amigo? Me digam que espécie de amigo fica sugerindo pedir as mais sebentas das comidas chinesas e assistir séries na TV a cabo? Hã? E que tipinho de amiga compra Haagen-Dazs de sobremesa?
A gente se merecemos.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 12:23 de 17.11.2006
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Agenda do leitor.

Por sugestão do Dida, que tal se a gente às sextas-feiras contasse o que pretende fazer no final de semana, o que está rolando de bão nas cidades dos leitores?
Bora? Vale Brasil e vale outros lugares.

Aqui em Porto Alegre tá rolando o festival de cinema francês (ver abaixo) e amanhã tem show de Maria Bethânia no SESI. É o que eu vou conferir.

E por aí, vai rolar o quê?
Manda brasa, minha gente. Pau na máquina!

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Coluna: Madame Pompadour
por Ticcia, às 11:52 de 17.11.2006
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Dos olhos que se perdem.

Que nunca me digam teus olhos que já não posso alcançar-te, que nunca me falem por onde te (me) perdeste, que nunca me contem desfeitos, descuidos, desmundos, que nunca me desencontrem. Que nunca me (re)voltem teus olhos trazendo um outro de ti. Que nunca me reencontrem teus olhos, tão perto que ainda pareçam teus, tão longe que já não possam ser.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 11:23 de 17.11.2006
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Cinema francês.






Já que este blog não tem falado mesmo de outra coisa, fica aqui a dica do 5º FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS, que está acontecendo de 17 a 23 no Guion Center. Entre outros filmes, estará lá a deusa Isabelle Huppert e o mega comentado Paris Je t'aime.







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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 10:46 de 17.11.2006
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MOMENTO GINA DESCONTROL.



Rá. Eu fui convidada a entrar no Universo Almodovariano pela mais Almodóvar das Mulheres Almodóvares da face da terra. A única que poderia postular e ser aceita com honras e apupos para ser hostess nesse Club: Ela, sim, a mulé mais Almodóvar em carne, osso e pestanas de todo el muuuuundo: RITITI.

Mal sabe ela que neste show do Fatal, tava eu lá cantando junto e llorando, llorando, llorando... e que ahora djo tengo un Cthedê echo e grabado sólo para mí con esta misma músthica e saio por el transthito con las ventanas de la viatura abiertas, cantando con todo aire que me resta en los pulmones: Y de noche, y de nocheeeeeeeeeeee, por no sentirte solo recordaras, nuestros dias felices, recordaras, el sabor de mis besos, y entenderas, en un solo momento, que significa un ano de amor, y entenderas, en un solo momento, que significa un ano de amoooooooooooooooooooooooor...

Gracthias, Titi.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 00:25 de 17.11.2006
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16.11.2006

Una Giornata Particolare, Scola, 1977.







Lindo de morrer. Cheio de micro detalhes que falam mais que mil declarações. Antonietta (Loren) conhece Gabriele (Mastroianni) e apaixonam-se, tudo em um único dia. A coisa mais linda do mundo é notar que ela recolhe todos os golinhos de café já frio que os filhos (seis) deixaram nas xícaras e toma, sozinha. Mais tarde, quando Gabriele a visita, ele pede que ela lhe ofereça café. Ele então mói os grãos, contando recordações de infância, e ela serve o café com a louça mais bonita da casa.
Aí eu me esbodego chorando.





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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 17:29 de 16.11.2006
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Quando chegares.

Então eu terei florido, florescido, fluorescente, magnética, elétrica, atômica, instável, entrópica, atópica, utópica, louca, deliqüescente, amanhecente, entardecente, indecente, ardente, nova, re-nata, ressuscitada, fulgurante, inaugurante, fértil, útil, inconsútil, incontida, faminta, sedenta, revelada, imaculada, bela e, no entanto, inafastável e eternamente tua.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 17:11 de 16.11.2006
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Sempre que eu apresso o passo, passas por mim.



Imagem de Hilton Pozza, Viaduto da Borges, Porto Alegre,RS.


Pra te lembrar, Nei Lisboa, in Relógios de Sol, 2003.


Em que espelho teu, sou eu que vou estar?


Porque é a minha Porto Alegre. Porque nada mais minha Porto Alegre do que Nei* e o Viaduto da Borges.
Porque foi sob aqueles arcos que Porto Alegre nasceu pra mim. Porque essa música é.


*Se vocês ainda não conhecem Nei Lisboa, mosfios, tratem de conhecer. JÁ.
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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 14:13 de 16.11.2006
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Gaspacho Al Borde de um Ataque de Nervios.

Quando assistia ao filme do Almodóvar, fiquei com vontade de experimentar esta sopa fria, tradicional da Espanha, que se bebe fria, em copo, com gelo. Parece estranho? Parece. Mas é suculenta, fresquinha, perfeita para dias muito quentes.

A receita é dada por Pepa Mercos no filme. Eu tomei a liberdade de suprimir as pastillas. Hohoho.

O melhor é deixar os ingredientes na geladeira de um dia para o outro para que eles já estejam bem frios na hora de fazer o gaspacho. Antes de mais nada, descasco o pepino (sem risos, suas indecentes), corto ao comprido, tiro as sementes e pico em pedaços. Misturo um punhado de sal e deixo sobre uma peneira para que escorra a água durante uns 20 min (isso deixa o pepino mais digerível). Depois bato tudo no liquidificador durante alguns minutos. Segundo Pepa, o segredo é misturar bem. Provo o sal e tempero a gosto com a pimenta. Depois, deixo na geladeira por algumas horas no próprio copo de liquidificador para que fique bem gelado. Antes de servir, bato novamente e sirvo em copos altos e largos, com gelo e uma folhinha de manjericão.


Ingredientes: 2 latas de tomate italiano pelado, 1 pepino médio, 1 pãozinho de 50g dormido sem casaca, ½ cebola, 2 dentes de alho, uma tira grossa de pimentão verde, 1/3 de xícara de azeite de oliva, três colheres de sopa de vinagre de vinho tinto, 8 folhas de manjericão fresco, pimenta branca do reino moída.

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Coluna: Uma Madame na Cozinha
por Ticcia, às 09:51 de 16.11.2006
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14.11.2006

O longínqüo motivo da rosa - Um amor tão puro carregou meu pensamento.



Imagem de Suzana Ferreira


Chovendo na Roseira (Edu & Tom, 1981).


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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 23:35 de 14.11.2006
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Dance Away



Daqui.


Sim, eu sei que ele queria. Eu sei que ele preferiria. Eles todos provavelmente prefeririam - à exceção nada honrosa daquele que partiu de inopino e renasceu das cinzas para me assombrar num retrovisor de carro alugado. Só que não é, é? Não, não é. Não sou Natalie Portman, Nataly Barcellos, Natalie Imbruglia, não tenho mais quinze anos, ou mesmo dezoito, não fotografo tão bem assim e gostaria, gostaria muito mesmo de poder programar um Photoshop absoluto portátil, tipo um filtro, em volta de mim. Como um campo holográfico.

Mas aqui não tem filtro. É pura vida real, destilada da cabeça do alambique para dar a maior dor de cabeça possível nessa que vos escreve.

E o que me resta, senão escolher dentre aquelas poucas escolhas que posso fazer?

Dance away the heartache, dance away the tears

Daqui.


Então as faço: em vez de avivar o fogo desse calor que me azeda, mofa e empodrece, eu danço. Em casa, cantando alto, nua, na frente do espelho, ou não. E do espelho me sorri a mais maravilhosa. Ela. Ela, que não sou eu mas sou. Danço, sim, a mais sinuosa, a mais sorridente, a mais insinuante, a mais envolvente. Só para mim.

Assim, quando seus olhos não brilham ao espelhar minha imagem na sua retina, quando vejo isso e isso me dói, eu lembro da dançarina nua no espelho, aquela que você não viu, que você não sabe, que você não alcança, que você não conhece, e penso: "você não gosta de mim, mas eu gosto".

Out of reach is out of touch; all the way is far enough.
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 19:59 de 14.11.2006
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Mas era feita com muito esmero.

Casa pra mim sempre teve um sentido peculiar e esses dias sonhei com um endereço em que as ruas não eram ruas, mas casas derruídas, inacabadas, que o tempo se encarregou de desmanchar, casas com alicerce, com paredes, sem teto, sem chão, sem janelas ou portas. Casas caiadas de branco, com mato crescendo dentro, em que pessoas em vez de morar, são sepultadas. E então fui à cata das minhas imagens de casa.


I.

Que cor tem o tempo, esse tempo dos teus olhos adivinhados,
do teu olhar lambendo minhas pernas, pousado em minha pele?
Tempo claro em meia luz, da suavidade ávida dos verdes antigos,
brilho úmido de retina, eu pequenina nesse espelho d’água.
Que cor tem esse tempo dos teus olhos descobertos,
do teu olhar em fecundo deserto me enchendo de vida?
Tempo fértil de chuva, da torrente forte em rio,
cheiro de terra e sementes, eu mulher de abundante colheita.
Que cor tem aquele tempo, aquele tempo dos teus olhos envelhecidos,
do teu olhar adormecendo no meu, regresso à casa?
Tempo turvo de sombra, da delicadeza cálida dos frutos,
gosto maduro de gente, eu contente contigo pra sempre.
II.

Nas fraturas do dia, fatias do sol que trouxe comigo,
entre as plumas, entre as jóias, dentro dos travesseiros,
o amarelescer que vinha da janela por sobre os telhados,
do outro lado do rio. Um tempo de gesso,
esse dos guardados, tempo de ordenar as lembranças e os gestos,
de trazer as mãos de volta ao espaço que não tem mais teu corpo,
de apascentar os olhos sem o ninho dos teus,
tempo de a casa se encher de silêncio
para ouvir teus passos estalando no assoalho do peito.

III.

Não fica mais vazia a casa,
não fico nunca mais só. Há uma poeira
que se desprendeu de ti infestando o ar,
o ar em festa, em festa permanente.
Uma festa silenciosa que se cumpre
todos os dias, todas as horas na tua falta,
porque me fazes falta, sempre, e isso é uma bênção.
Tua falta é uma marca bonita pousada em tudo que me cerca,
um mistério, a vingança secreta
contra a ordinariedade do mundo.
IV.

Amor sim, nos cansaços, nas pequenas circunstâncias,
nas ordinariedades rasteiras, na falta de jeito
e aprumo, nas belas insignificâncias,
na volta pra casa, nas grandes burradas,
nos pés doloridos, na lava roupas quebrada,
nas olheiras, na desolação e nas faltas de paciência,
de vontade, de brio. Amor nos dias de estio,
nas manhãs de tormentas, no resfriado,
amor nos silêncios, nos refluxos, nos amanhãs incontáveis,
no fim das balas de menta, nas tardes de frio,
no trabalho atrasado, na comida queimada.
Amor de ser amado.

V.

A casa muda, paredes e móveis e plantas
que não existem. O corredor que é uma garganta
e um leito seco de rio ancestral onde
há a paz das navegações esquecidas, onde há
o rastro dos que não voltaram.
Meus pés estão imersos em água,
minhas mãos afundam nas poças e meus olhos
são apenas meus olhos submersos.
Tenho de cavar rios, tenho de levar água,
tenho de explorar poços e charcos
e achar a memória dos passos.
Tenho que escoar, vazante, e caber nas trilhas,
entre as paredes da casa,
represa de águas, que não existe.
VI.

A casa tem espaços desertos,
tem noite escondida e um vento que surge de lugar nenhum.
A casa dói pelas paredes e se encolhe nos cantos,
apodrece as flores nos vasos e tranca as portas por dentro.
A casa engole o ar, respira para dentro e vai se apequenando
como um novelo de suspiros cada vez mais curtos.
A casa quase se asfixia, em sua insuficiência
azul entrecortada e se esparrama pelas escadas
em busca de terra, em busca de chão frio junto aos ladrilhos.
A casa não dorme, estala madeiras
e espreita ressentida pelas frestas quem não passa pela calçada.
A casa desmorona secretamente,
esconde os brinquedos quebrados no sótão
e cospe baratas dos ralos.
Aqui não mora mais ninguém.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 11:00 de 14.11.2006
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Bundolina

Tinha doze anos, quase vinte anos passados, e cursava inglês no Cultural, lá na Riachuelo, que agora tem só cursos 'para adultos' - talvez porque pensem que o Centro da cidade não seja um lugar onde famílias de bem procurem se instalar com suas crianças. Cursavam também a Juliane e a Bundolina. Bundolina foi o apelido tão gentil que Juliane colocou na menina muito alta e tímida (meio desengonçada, as usual) por alegar que ela tinha cheiro de bunda. Não deixa de ser algo peculiar e avançado pensar que Bundolina cheirava como bunda, porque aos doze anos, há vinte, quase ninguém imiscuía seu nariz na bunda alheia. E cheirar a própria bunda, bem, era uma coisa muito avançada. Tinha colegas que não conseguiam cogitar de enfiar o dedo no nariz, quanto mais dar uma boa esfregada nas partes mais quentes do traseiro e levar ao conhecimento do olfato.

Seja como for, Juliane tinha decidido que Bundolina cheirava como bunda. E assim, entre risinhos, as meninas supostamente descoladas do curso de inglês - que se vestiam que nem Madonna na época de Like a Virgin e cheiravam enjoativamente a Pecados Mortaes da Brasil Nativo - cochichavam 'Bundolina! Bundolina! Hihihihihihi' quando a própria saía do elevador. É evidente que ela percebia, ela sabia - não do que exatamente estávamos falando, mas que era dela e que, definitivamente, não era bom. Em minha defesa, devo dizer que não lograva exatamente um prazer ao rir malevolamente com as outras garotas. Tratava-se de uma experimentação: entendam, eu queria ser cool e burramente, idiotamente, pensava que, se estivesse no time das que debochavam, isso me excluiria do grupo das que eram debochadas. Havia, porém, sempre um incômodo, uma fleupa, uma farpa cravada na carne das idéias, dizendo-me insistente que aquilo não era bom e que eu certamente cheirava tanto à bunda quanto Bundolina. Talvez mais. Provavelmente. Só que ninguém conseguiria perceber debaixo do odor exsudativo de litros de colônia Pecados Mortaes.

O fato - que afortunadamente posso afirmar sem peias - é que após curto período de tempo parei de rir de Bundolina e passei a rir com Bundolina. Pelo que era muito malvista pelas garotas cool, e mesmo assim elas ficavam intrigadas. Porque a mim sempre chega o momento em que a identificação com a vítima é inevitável. É uma sina, isso, de ver-se em todo mundo. Claro que não era uma situação confortável: 60% de mim mandava as meninas Pecados Mortaes às favas, 20% morria de vergonha e outros 20% ficavam pensando "mas o que é isso? mas o que é isso?".

O curso acabou, o tempo passou e na faculdade encontrei Ana Carolina, linda, doce, magríssima e alta, que num evento barzístico noturno qualquer trouxe pela mão a Bundolina. Ela não lembrava de mim, não exatamente. Já eu não tinha como esquecê-la, que tanta dor de consciência me causou. Pois Bundolina já viajara por diversos lugares do mundo e, naquele momento, doze anos atrás, trabalhava como concierge num hotel bacana, contando um causo do primeiro dia de trabalho em que disse para o chefe desaforado que pedia para falar com um inlocalizável Manoel, que 'Manoel foi pro céu'. Manteve o emprego e conquistou o respeito do chatonildo, do mesmo jeito quieto e penetrante que conquistara o meu, anos atrás. Bundolina estava linda, com maquiagem leve porém extravagante, vestida num estilo folk que enaltecia suas formas recheadas. Amei-a muito naquele momento, por ter sido quem foi e por ser quem é. Amei um pouquinho pequeno a mim mesma, por ter conversado com a garota apontada como esquisita quando adolescentes. E realizei que são as Bundolinas e Bundolinos que salvam o mundo.

Afinal, poucas coisas cheiram melhor do que a bunda de quem a gente ama.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 08:48 de 14.11.2006
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13.11.2006

Atentado.

E tomarias minha boca,
meus seios, minha cintura
de assalto,
invadirias minhas coxas,
meus quadris,
a parte detrás dos meus joelhos,
farias minha nuca refém
e prenderias minhas mãos
e meus cabelos.
Renderias minha pele,
meus olhos,
os lóbulos de minhas orelhas
e porias meus braços e pernas
a ferros,
a lábios,
a salvo,
ao teu redor.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 16:33 de 13.11.2006
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Almodóvares.

Até agora no ciclo Ticcia & Calexico assistem Almodóvar foram (re)assistidos: La flor de mi secreto (1995), Tacones lejanos (1991), Carne Trêmula (1997), Mujeres al borde de un ataque de nervios (1988 ) e Volver (2006).

E cada vez eu me abobalho mais com o talento do espanhol.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 15:09 de 13.11.2006
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Tá ficando bão.

É impressão minha ou o núcleo duro do PT paulista (Dirceu, Berzoini, Palocci, Gushiken, Genoíno) já caiu quase todo da boca?

Hum. Interessante.

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Coluna: Madame Pompadour
por Ticcia, às 12:17 de 13.11.2006
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Medalhões de honra ao mérito por merecimento.

Quando eu tenho ganas de exercitar toda a minha gula carnívora, a primeira coisa de que lembro são medalhões de filé. Tenros, úmidos, suculentos, mal passados medalhões, com seu suco marrom misturado num pecaminoso molho de queijo. E foi isso que fiz na sexta-feira passada.

Para começar, melhor aprontar o molho de queijo, já que ele pode esperar pelo filé e a recíproca não é verdadeira, porque a última coisa que queremos é que o filé fique largando sucos enquanto a gente termina o molho. Em uma panela pequena, derreto 50g de manteiga e junto uma colher de sopa de farinha de trigo até ficar levemente dourada. Junto 150ml de leite e deixo ferver e engrossar. Neste creme, adiciono 50g de gorgonzola ou roquefort, 50g de parmesão ralado e duas coleres cheias de requeijão. Já depois de tudo derretido, mais um pouco de leite, até que a consistência esteja boa.

Aí é hora do filé. É preciso uma boa peça de filé mignon inteira, já que para fazer medalhões há que cortar a carne de forma apropriada. Corto-o então às fatias, como se cortasse uma baguete. É importante deixar cada medalhão com pelo menos dois dedos de espessura. Depois disso, uso cordão culinário e amarro cada um dos medalhões como se colocasse uma cinta (muito apertada) em cada um deles. É pra eles ficarem iguais ao Zé do cinto do Veríssimo. Isso serve para que o filé retenha mais o suco e mantenha-se rosado no seu interior, já que ao fatiá-los cortamos as fibras na transversal. Serve também para mantê-los redondinhos, como a gente sonhou. Para temperar (minutos antes de levar à panela), pimenta do reino moída na hora e sal socados com dois dentes de alho. Derreto então 100g de manteiga em uma panela de ferro, ou de fundo bem grosso, e douro os filés, algo em torno de 3 ou 4 minutos de cada lado. Em um refratário fundo, coloco os filés, removo o barbante (muito importante! Não vá embrulhar o estômago do conviva!) e despejo o molho fervente por cima. Se o refratário for transparente, uns minutinhos depois já se pode ver a mistura do suco marrom da carne com molho cremoso. Sirvo com arroz branco e, para quem gosta, batata palha.


Ingredientes: 6 medalhões de filé mignon, sal, alho, pimenta do reino, 150g de manteiga, colher de sopa de farinha de trigo, 250ml de leite, 50g de gorgonzola ou roquefort, 50g de parmesão, duas colheres de requeijão.
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Coluna: Uma Madame na Cozinha
por Ticcia, às 10:20 de 13.11.2006
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11.11.2006

Blue sunday, pink nose, brown eyes, nº 5.



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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 21:55 de 11.11.2006
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Wishing you a weekend in heaven.



Imagem de Carlos Neves.

Eva Cassidy, Cheek to Cheek.

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Coluna: Madame Butterfly
por Ticcia, às 01:24 de 11.11.2006
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10.11.2006

Miam-miam.

Agora vocês me dêem licença que eu vou pra casa fazer um jantar super delícia.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 17:28 de 10.11.2006
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Habitante.

Repousa em mim o vir a ser, essa mágica contida que se insinua sob a pele, por trás dos olhos, na umidade das mãos. Anda em mim um deambular de ventos e esvoaçares, um balbuciar de verso, uma esperança sobrevivente salva por milagre. Habita em mim uma prenhez de sentido que me veio povoar os poros, pôr errância no olhar e tatuar o corpo com signos de sonhos e agora eu quase sei. Veio ter comigo a inquietude das vésperas.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 13:54 de 10.11.2006
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Grande avanço.

Recentemente perdi uma tia-avó muito querida. Já velhinha e debilitada, depois de múltiplas isquemias, poderia ter sido mantido "viva" por sabe-se lá mais quanto tempo com internação hospitalar, respirador artificial e alimentação através de sonda estomacal. Em vez disso, porém, a médica que a acompanhava ofereceu a opção de mantê-la em casa, perto dos familiares, sem dor, até que ela morresse. E isso foi feito.

O que o Conselho Federal de Medicina acaba de aprovar é uma resolução que permite que isso seja feito, ou seja, que o próprio doente ou a família possam decidir se querem mantê-lo vivo a qualquer custo e de qualquer forma ou não. Não se trata, como alguns podem pensar, de eutanásia. Eutanásia não é deixar morrer, é matar. A resolução do CFM não permite que o médico use de recursos para abreviar a vida, apenas deixa a critério da família que o médico deixe de usar recursos que a prolonguem. Parece a mesma coisa, mas não é.

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Coluna: Madame Pompadour
por Ticcia, às 11:37 de 10.11.2006
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Mescla.

Sonho em segredo com esses pedaços de ti que vou tramando aos meus: tua boca junto à palma da minha mão, teu nariz guardado em um espaço indefinido entre minha orelha e a nuca, teus dedos emaranhados aos meus cabelos, tuas costas encostadas aos meus lábios, tuas pernas enroladas às minhas, teus olhos perdidos nos meus. Sonho em segredo de mim, na concha de um tempo sem fim, no refazer de teais e ninhos, no reflorescer das árvores, no silêncio das lápides, na discreta ausência do azul.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 09:43 de 10.11.2006
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09.11.2006

Wearing the face that she keeps in a jar by the door - Who is it for?


Imagem de Afonso Duarte

Eleanor Rigby, por Petra Magoni.

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Coluna: Madame Butterfly
por Ticcia, às 17:36 de 09.11.2006
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Feria del Libro - un texto javón

Javonices
Para quem não sabe, todos os anos em Porto Alegre realiza-se a Feira do Livro, por aproximadamente quinze dias, sempre entre fins de outubro e começo de novembro. Nesse exato momento em que vos escrevo, pessoas perambulam pela Praça da Alfândega cheia, entupida de banquinhas de livrarias. Enquanto isso (anoitece em certas regiões, e se pudéssemos, lá-lá-lá-lááá) a fauna habitual* da dita Praça fica completamente órfã do seu habitat, rondando a área das bancas com uma cara meio amuada. É interessante, e daí se vê que desde os primórdios até hoje em dia não há nada de novo sob o sol - o sol muda, o buraco na camada de ozônio aumenta e continuamos os mesmos e vivemos como nossos pais.

* fauna habitual: aposentados enxadristas (ou não); engraxates; camelôs de todo tipo (todo tipo mesmo); moças do amor venal, bem pobrinhas, de variadas idades; mendigos em sortidos graus de sujeira; loucos de todo gênero; meninos e meninas de rua; artesãos variados.

No hay plata...
A Feira tem como principal atrativo econômico-financeiro a possibilidade de comprar livros (caros!) com desconto de até 20% sobre o preço de capa. Há também os balaios, caixinhas, saldos, onde se encontram livros por módicos cinco reais. Esta que vos escreve já fez uma única visita à Feira, ontem à tarde, bastante breve e que não pretende repetir. Resultados: uma compilação de peças da ótima-para-todo-o-sempre Vera Karam, cinco pilas; um inusitadíssimo livrinho infantil de passatempos e enigmas sobre a Bíblia, dois mirréis; um livro de contos da dominatrix das short stories, Joyce Carol Oates, cinco tostões. Assim a pessoa sai da feira com três brilhantes aquisições pelo preço de uma corrida de táxi até o terapeuta. Sem contar a pipoca doce, imprescindível. Mas essa não foi contabilizada. Só nos quadris.

Visite os balaios/caixinhas/saldos/ofertas/whatever. Ainda tem coisa boa. Vá com tempo e paciência.

...tampoco salud!
Não estou na minha melhor forma. Madame, que é moça muito fina, nem fez caso de minha ausência. Deve estar aguardando com toda a paciência do mundo que volte para aquela linda mansão de lustres e tapeçarias. Ou não, já que fez proposta aberta de cozinhar para quem quisesse lavar a louça.

Seja malvado: peça o souflée de goiabada com calda de catupiry.

Hasta luego!

Siga a dica da Criada: não copie, poste, cole ou cite sem citar também a fonte. É pobre. É feio. É brega.
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 15:11 de 09.11.2006
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JUSTICE exagera, mas não falha.

Estréia de nova série ontem no Warner: Justice. Adorei. O produtor é Jerry Bruckheimer (CSI e Cold Case) e o enfoque agora não são mais os promotores ou investigadores da perícia forense, mas os advogados de defesa de um mega super über escritório. Assim como há exagero nos recursos da promotoria e das perícias, muito exagero também aqui. Mas é TV, certo? O grande lance é que a gente assiste o episódio inteiro, acompanha a defesa, ouve o veredito e só então, fora da história, é revelado o que realmente aconteceu.


À direita, Eamonn Walker, o melhor dos motivos para assistir a série.
Eu disse DIREITA. Ah, sim, à esquerda, Kerr Smith. Impúbere, mas lindinho.


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Coluna: Madame Butterfly
por Ticcia, às 10:39 de 09.11.2006
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08.11.2006

Ora, ora.

As pessoas freqüentam a minha casa, andam no meu carro e cada vez que ouvem um dos CD's que aquele homi lindo, querido, cool e com um gosto absurdamente irretocável grava pra mim, se danam a me implorar para apresentar o moço, para serem amigos dele também e poderem explorá-lo vergonhosamente pedindo CDs exatamente como eu faço.
Gente sem noção, credo. Que horror. Convenhamos.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 15:28 de 08.11.2006
comentários (28)

Roubo. De novo. ATUALIZADO, n.º 2.

Já aconteceu outras vezes e é possível que volte a acontecer mais umas tantas, mas eu não canso de me surpreender com a desonestidade das pessoas. Incrivelmente ontem eu conversava com um amigo sobre isso: textos nossos que circulam pela net atribuídos a outras pessoas e o pior: gente que se apropria de coisas que escrevemos e publicam como se delas fossem. Hoje pela manhã recebo um mail denunciando uma moça, Ana Paula Caron (vá saber se não se apropriou do nome de outra pessoa também), que tem um fotolog e que publica os meus textos com suas fotos (vá saber se são suas mesmo) não só não dando o crédito, mas insinuando que o texto é dela. Lá estão, inclusive, os comentários dos amigos/leitores dela parabenizando pelos textos que ela não escreveu.

Eu penso que tipo de pessoa faz uma coisa dessas: publica algo que não é seu e depois colhe os louros, engana os outros e vende uma de si que não só não existe, mas é uma fraude feita de mentira e roubo. A cara de pau é tanta e a certeza da impunidade é tão certa que ela publica fotos suas e dos amigos, se identifica, dá até link para o orkut e tudo.

Mandei um mail para essa senhora pedindo para dar os créditos ou deletar meus textos. Caso contrário, a exemplo das outras vezes em que isso aconteceu, vou tomar as medidas judiciais cabíveis. Já salvei todos os arquivos do fotolog (os com foto, nome e endereço inclusive). Instruir processos criminal e cível com esse material vai ser mais fácil que tirar doce de criança.

Sim, talvez não haja maior elogio que uma pessoa gostar tanto de algo que chegue a mentir que foi ela própria quem fez. Mas é crime e é desonesto.

Evite isso, Ana. Dê o crédito a quem escreveu. É mais bonito e sai mais barato.


*****************************

ATUALIZAÇÃO: Ok, meu povo. Acabo de ser informada pelos amigos da Mossad, KGB, CIA, FBI, Scotland Yard e Polícia Federal que a moça informou, ainda que por poucos minutos no scrapbook do seu orkut, o porquê de ter deletado o fotolog e pede desculpas, admitindo o erro.

Agradeço a todos os queridos amigos que ajudaram a esclarecer o que estava ocorrendo. É muito bom que isso sirva para alertar acerta de direitos autorais e consideração com os outros. Eu sou uma sortuda, tenho amigos como vocês. Já pensou o que pode acontecer com alguém que publique em um cantinho mais desconhecido? Será que conseguiria provar quem copiou de quem? Isso é assunto sério e tem que ser tratado com rigor.

Obrigada novamente. Vocês são incríveis.


*****************************

ATUALIZAÇÃO 2: A Ana Paula Caron escreve e se desculpa novamente e diz que ficou com vergonha e que vai cometer orkuticídio em breve. Pergunta, ainda, se seria pedir demais se pedisse para eu deletar os posts que a denunciam aqui e no Não Discuto, já que ela não gostaria de ser lembrada por ter errado dessa maneira.

Bom, Ana, seria pedir demais, sim. E eu explico: você só se retratou e ficou com vergonha exatamente porque foi tornado público o seu erro. Prova está que, se eu não tivesse sido avisada do que você andava fazendo, a senhora estaria lá ainda hoje bem bela publicando fotos com textos que não são seus e amealhando elogios por algo que você não escreveu. Vou deixar os posts, sim, e você vai ser lembrada dessa forma, sim. É triste? É, claro. É uma vergonha? É. Mas o nome disso é "conseqüência" e funciona dessa forma: a gente faz algo e suporta os efeitos disso. Às vezes é vergonha, às vezes é tristeza, às vezes é ser lembrada de uma maneira muito feia, às vezes é uma grande soma de dinheiro que a gente tem que tirar do bolso por ter usado algo que não é da gente. A regra é essa e é bem justa. Pelo menos às vezes.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 10:25 de 08.11.2006
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Tenhamos muito medo.

Tenhamos medo que nos fujam das mãos as delicadezas do pão, da terra, da pele e dos cabelos. Tenhamos medo que nos desertem dos olhos o brilho do açúcar, das lágrimas, da emoção do encontro. Tenhamos medo que nos falte na língua o gosto de um beijo, a palavra terna, o segredo partilhado. Tenhamos medo que nos abandone o corpo o calor do abraço, a ardência do desejo, a ânsia incompleta e premente de se entregar. Tenhamos medo, muito medo. E façamos do medo nosso anti-escudo, reiventemos o medo e o tornemos coragem, dispamos o medo, abracemos o medo e tenhamos o medo em nós. E sejamos medrosos e humanos, infimamente humanos, e nos agarremos a nossa humanidade cheia de dor e risos, cheios de medo de assim deixarmos de ser.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 09:56 de 08.11.2006
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07.11.2006

Das que chegam.

Esta que chegou em minha vida sem que eu soubesse de onde vinda, tramou flores em meus cabelos, me vestiu de mim e me despiu dos outros. Esta que arrombou meus armários, veio pelo atalho de um caminho que eu nem sequer conhecia e, enquanto amanhecia, livrava meus pés dos espinhos para que eu seguisse viagem. Esta que fala com minha boca e impregna-me de sua voragem veio me encontrar e me mostrar como me perder, veio me fazer tecer mil teias para me enredar e adormecer. É linda e tem olhos sem fundo, boca de dragão, tem fome de mundo, peito cheio de asas e tambores, seios plenos de promessas e está prestes a rebentar de luz e espanto.

Eu cheguei em minha vida sem que soubesse de onde vinda, nem porque demorei tanto. E então a vida me mandou flores.


(Este post é um oferecimento Impulse - Se algum desconhecido lhe oferecer flores, isto é Impluse.)
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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 15:32 de 07.11.2006
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Diferente.

Era uma vez uma menina que quando fez 15 anos ganhou do namorado (o primeiro namorado propriamente dito) um solitário daqueles, modelo tradicional, pira olímpica. Abre parênteses. Que namorado dá um solitário de presente para uma namorada de 15 anos? Não vem ao caso, claro, mas o fato é que não era um namoradinho, não, era um rapaz com nove anos mais, senhor do seu nariz, trabalhador, com um certo back ground e tals, muito romântico, etc, enfim, o protótipo do primeiro namorado perfeito. Fecha parênteses. O caso é que eu a moça nunca gostou do tal anel. Menos por causa do design, mais por causa do nome: solitário. Onde se viu ganhar de presente do namorado um anel chamado solitário, é ou não é? Passados muitos anos (muitos), o anel sempre (mal) guardado, a moça solitária, muitos namorados depois. Um dia ela viu o anel e resolveu mandar reformá-lo. Não queria mais um solitário, ou melhor, queria um solitário que não fosse solitário, que essa coisa de solidão, por mais nome que seja, não cai bem. Então pensou em dois aros, quase duas alianças, que fossem unidos pelo brilhante, que então, deixaria de ser solitário e passaria a ser um elo, uma ponte, um laço. E assim foi feito. E ficou bem lindo. E hoje foi para o dedo.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 14:40 de 07.11.2006
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Toniiiiiiiiiiinho, prestençãããããããããããão!


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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 00:36 de 07.11.2006
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06.11.2006

DOOOOOOOOOOOOIS lexotan.

A moça passa o dia todo lembrando que é hoje o dia de pagar o aluguel. Se martiriza porque o DOC ficou em casa. Chega em casa e o DOC não está. Então ela tem que voltar no trabalho, morta de cansada. Bota uma roupa, pragueja, esperneia, recita toda a lista de piores palavrões, amaldiçoa o dia em que nasceu. Pensa se não dá pra ser amanhã. Não, os filhodasputa da imobiliária cobram 10% de multa e isso é um jantar. Pior. Depois do vencimento só pode pagar no Banri cheio de fila sul. Mais palavrões. Pega a bolsa, as chaves do carro, desce no elevador lotado e quando chega na porta de saída do prédio tem uma visão mística do DOC, do valor, da taxa do banco... peraí... mas eu acho que eu paguei isso... será? Volta pra casa, olha na internet... e está pago. Há uma semana.

Eu sou caso pra internação.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 20:04 de 06.11.2006
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Há vagas.

Ando com vontade de cozinhar. Muita. Mas com nadica de vontade de limpar a cozinha. Tem me passado pavlova pelas idéias, escondidinho, pastelão de legumes, picadinho com farofa de ovo, ticciamisu, bolinho de batata e ando morta de vontade de comer frango de televisão de cachorro. Estão abertas as inscrições para degustadores e faxineiros de cozinha.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 15:56 de 06.11.2006
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Rosas.

Devias vir para ver os meus olhos tristonhos e quem sabe sonhavas meu sonho, por fim.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 15:23 de 06.11.2006
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Como se não bastasse.

"A quarta-feira (08 ) será outro dia de tempo ensolarado e temperatura amena no estado gaúcho, mas o amanhecer será frio em todas as regiões. As mínimas vão cair abaixo de dez graus na maioria das localidades gaúchas com valores entre 4 e 6 graus na fronteira com o Uruguai, de 7 a 9 graus na Grande Porto Alegre e entre 1 e 3 graus nas partes mais elevadas da Serra, onde pode gear. No Planalto Sul Catarinense, onde também é provável a formação de geada, os termômetros podem indicar marcas de até zero grau ou mesmo negativas nas áreas acima de 1.500 metros de altitude como o distrito do Cuzeiro em São Joaquim."

Aqui.

É o que eu digo sempre: primavera no RS, o inverno mais convidativo do conesul.
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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 11:56 de 06.11.2006
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Numeração esgotada.

E às vezes se chega a uma quase tristeza que por não ser tristeza propriamente dita pode até parecer felicidade, mas não. Quem nos dera que estar feliz fosse não estar triste, fosse só a ausência da tristeza, fosse só um quase, mas não. Há algo que perdemos quando ganhamos, há algo que conhecemos que não é nos dado esquecer, há algo para além de um quase que não nos deixa virar uma tristeza do avesso e vesti-la como se felicidade fosse. A felicidade não é uma roupa reversível. Ela é feita de outro tecido, outra trama, outra textura e está num outro armário. E o pior: pode não nos caber mais.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 11:23 de 06.11.2006
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05.11.2006

Blue sunday, pink nose, brown eyes, nº1.


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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 15:07 de 05.11.2006
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Blue sunday, pink nose, brown eyes, nº2.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 15:02 de 05.11.2006
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Blue sunday, pink nose, brown eyes, nº3.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 15:00 de 05.11.2006
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Blue sunday, pink nose, brown eyes, nº4.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 14:58 de 05.11.2006
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Horário de verão.



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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 02:09 de 05.11.2006
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03.11.2006

Bom final de semana.









Duncan Sheik - Embraceable You.

Embrace me, my sweet embraceable you/ Embrace me, you irreplaceable you/ Just one look at you/ My heart grew tipsy in me/ You and you alone/ Bring out the gypsy in me/ I love all the many charms about you/ Above all, I want my arms about you/ Don’t be a naughty baby/ Come with me, come with me do/ My sweet embraceable you/ I love all the many charms about you/ Above all, I want my arms about you/ So don’t you be, a naughty baby/ Come with me, come with me do/ My sweet embraceable you.

















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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 15:53 de 03.11.2006
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Conta - habilidades.

Meu canto cantado para minha própria coreografia, um teatro de absurdos reais e absolutos amores, um extremo de vida e rutilância, a travessia entre a ordinariedade das formigas e a voracidade dos predadores, um desapego de matéria e circunstância, isso te devo. E te devo as jóias engolidas, o sal nas pétalas, uma dor de esquina, tatuagens indeléveis na barriga, um gosto eterno de partidas.

Teus dias de altitude e asas, a cara branca e os olhos cegos, um rosto dilacerado, a bagunça nos teus armários, um gosto raro de vida que se inicia, teus princípios postos contrário, um sopro que sopra e não alivia, um eco incômodo numa casa vazia para sempre esperando o que tu te devias, isso me deves. E me deves o teu de ti que te mostrei e que negas alforria.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 14:09 de 03.11.2006
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Mães e filhas.


Becky e Rebecca (Marisa Peredes e Victoria Abril) / Eva e Charlotte (Liv Ulman e Ingrid Bergman).

Nas primeiras cenas de Tacones Lejanos (De Salto Alto, Almodóvar, 1991) eu captei qualquer coisa que me remeteu imediatamente a Höstsonaten (Sonata de Outono, Bergman, 1978 ). Quase não contive a emoção quando, mais tarde no filme, a própria Rebecca (Victoria Abril) fala desse filme.
A recomendação veemente é de ambos. Lindos.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 12:29 de 03.11.2006
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Eros e Psique.

...E assim vêdes, meu Irmão, que as verdades
que vos foram dadas no Grau de Neófito, e
aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto
Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade.
(Do Ritual Do Grau De Mestre Do Átrio
Na Ordem Templária De Portugal)

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.



(Fernando Pessoa, Presença, n.os 41-42, Coimbra, maio de 1934.)

Ouça aqui na voz de Maria Bethânia.


Porque em algum lugar há uma princesa adormecida e um infante que eu amo tanto que a procura mesmo sem saber.

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Coluna: Madame Butterfly
por Ticcia, às 09:24 de 03.11.2006
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01.11.2006

Da encantadora humanidade nossa.

O que há de mais encantador em alguém são os medos disfarçados, implícitos ou negados, admitidos num ato extremo de cumplicidade e desamparo. Ou os pecados gozosos, dolorosos, gloriosos, mortais, veniais, vergonhosos, claro, confessados e com convite subentendido a partilhar, elaborar, dividir a culpa que deixamos de sentir, rir juntos, aperfeiçoar, aprender requintes e nos absolvermos mutuamente. Ou os vícios inofensivos ou perigosos, ou as inseguranças, ah meu deus, que lindas são as inseguranças, aquelas medidas das potências tão menores e insuspeitas, que nos aproximam e nos deixam reconhecer por trás do personagem metálico e frio. O que há de mais encantador em alguém é sua própria humanidade admitida e compartilhada, sem receio de que o outro faça disso uma arma mortal, mas ao contrário, com o desejo quase descrente de encontrar o eco de um mesmo grito, a sede de uma outra sede igual, o reflexo familiar do outro lado do espelho.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 13:43 de 01.11.2006
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Desmentido não vende jornal.

Longe de defender quem quer que seja, mas profundamente irritada com essa mania que se tem de dar grande publicidade a uma suposta informação bombástica e depois mal comentar que a informação era falsa, queria registrar que a polícia acabou descobrindo a inexistência das transações indicadas pelo pseudo-laranja que teria transportado e entregue R$ 250 mil para comprar o dissiê anti-tucano a uma pessoa que identificou como ex-coordenador de comunicação da campanha de Aloísio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo - Hamilton Lacerda (afastado do cargo depois do escândalo).

"Uma pessoa me chamou, me fez uma proposta, que eu ia ganhar muito dinheiro, que não ia precisar trabalhar mais. Eu fui para ver o que era, eu peguei e aceitei e entrei nessa com eles", disse ele em entrevista à EPTV. Ramos se recusou a dizer quem teria encomendado a farsa.

Ver notícia aqui.

Vejam bem. Não tô dizendo que o PT não comprou o dossiê. Tô dizendo que o suposto homem que disse que teria entregue o dinheiro ao assessor do Mercadante foi pago para dizer isso e a imprensa mal divulgou. Capa da Veja, então, nem pensar, né?

Só pra constar.

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Coluna: Madame Pompadour
por Ticcia, às 09:32 de 01.11.2006
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Momento Commmmmmmmpre Batommmmmmmmm.



Eu tenho os dois livros da Faaaaaaaaaaal. Blé.
Você não tem? Pede pra ela.

Mais uma fota com a qualidade La Reina Madre produções.
Mais fotas do encontro? Aqui.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 08:50 de 01.11.2006
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