29.09.2006
Don't let the sun catch you crying.
Foto by Mr. Cafeína
Shirley Horn Ft. Wynton Marsalis - Don't Let The Sun Catch You Cryin.mp3
Don't let the sun catch you crying/ Crying at my front door/ You done your daddy dirty/ And he don't want you around here no more/ Don't let the sun catch you crying/ Lying at my back door/ You done your daddy dirty/ And he don't want you around here no more/ You can cry, cry, cry/ Yes, and baby, you can wail/ Beat your head on the pavement/ Hey, till the man come,/ Land you in jail/ Don't let the sun catch you crying,/ Lying at my back door/ You done your daddy dirty/ And he don't want you around here no more/ You can cry, cry, cry/ Yes, and baby, you can wail/ Beat your head on the pavement/ Hey, till the man come/ Land you in jail.
Little night: when you
take me inside, take me
up there,
three pain-inches above the
floor:
all those shroud coats of sand,
all those can'thelps
all that still
laughs
with the tongue -
(Paul Celan)
E eu te amo mais, mais ainda, mais quando, pequenina noite, tu me colocas dentro e sobre, alguns dolorosos centímetros acima do chão, com todas aquelas mortalhas de areia, com todas aquelas inevitabilidades, com tudo o que ainda ri com a língua.
Desapego.
- A
Glaudarida e o
Rogério das favas trouxeram KitKats pra miiii-íiiiim.
- Ah, é? Que bom!
- Como eu sei que tu gostas, vou ser generosa dessa vez e te dar DOIS.
- Bah! DOIS? Muito obrigado!
- É. Vou ficar só com 34 pra mim.
Bom e de graça.
Criaturas do meu Brasil varonil,
há uma página do governo que disponibiliza TODA a obra do Machado e outras coisas maravilhosas da literatura, música e artes plásticas, com excelente qualidade. Só músicas de Bach, por exemplo, tem 277. Obras que já são de domínio público e que tem valor cultural inestimável. Contudo, devido ao reduzido número de acessos, a página corre o risco de sair do ar. Divulguem, usem, linkem. Não dá pra perder mais isso.
Areia movediça.
Quanto mais, menos. Por mais que, pior. Ainda que, nada.
28.09.2006
Aritmética
Então, porque você aprecia tanto liberdade que não é capaz de ver alguém à beira dela sem reconhecê-la; porque você sabe que uma pessoa livre é uma pessoa feliz - ou com mais chances de sê-lo -; porque você sente que é preciso ser livre principalmente dentro da cabeça, e pensar tudo, e sentir tudo, e tudo imaginar, sem medo, sem meias medidas; porque você percebe que liberdade às vezes até é um mal, mas um mal necessário: você propõe, você mostra, você ensina, você demonstra, você quase força.
E daí você fica sozinha, sozinha, sozinha, sozinha, sozinha, sozinha, sempre, sempre, sempre, sempre, irremediavelmente sozinha, porque a criatura apreendeu e absorveu tanto do seu entusiasmo que bateu as asas forte demais, foi parar longe, muito longe, longe demais.
É que você também explica que das coisas mais libertadoras da liberdade é ter-se preso por vontade. Mas essa parte parece que eles nunca entendem.
(sigh)
Pensamentos impuros.
Dida, o Maia.
Nosso querido leitor e comentador assíduo, bofe bem de carteirinha e mimoso nas horas vagas, DIDA MAIA está de aniversário. Tirante o fato de secar o Grêmio, ele é uma perfeição. Parabéns, querido. Quarenta e dois, é? Coisa linda. Homi nessa idade é um espetáculo. Beijos na patroa também que não tamos aqui pra apanhar de graça e respeitamos o BB das outras.
With Letter and clock.
Wax
to seal the unwritten
that guessed
your name,
that enciphers
your name.
Swimming light, will you come now?
Fingers, waxen too,
drawn
through strange, painful rings.
The tips melted away.
Swimming light, will you come?
Empty of time the honeycomb cells of the clock,
bridal the thousand of bees,
ready to leave.
Swimming light, come.
(Paul Celan, p.83, Poems of Paul Celan, Persea Books, 2002).
Scarlet books.
Vocês acham que é mimo demais a gente receber em casa, no recôndido do próprio lar, de presente, um livro absolutamente incrível de poesia de um senhor chamado Paul Celan? É, né? Tá, mas e se eu disser que veio com dedicatória, bilhete, letra linda e - pasmem e morram de inveja - com micro postitizinhos assinalando os preferidos
dela? Aí é de matar, fala a verdade.
Eu posso só dar sorte na vida com amigo, mas pótaqueparil, é sorte pra mais de metro.
E eu ainda arrumei sócia para uma grife de camisetas. Eita.
Way better than any work of fiction, 15. Little child.
Se eu acreditasse em coincidências, diria que é por isso que hoje é o dia dessa música. Mas eu não acredito.
LITTLE CHILD (Des'ree).
Little child, my eyes they see your pain/ My heart cries, when I hear you cry again/ Frail and small, can you believe fifteen years old?/ What is sad, he hasn't got far to go/ Yes, we'll cry, yes we'll cry/ Our hearts they feel no hate/ Babies scream, babies scream/ they'll never achieve their dreams/ Shall we dance? Yes we'll dance/ the sky may hear our song/ And maybe rain…/ 'cos it's been much too long/ Mother's die, leaving hungry mouths behind/ They can't hold on, when God wants them by His side/ It's up to me, it's up to you/ Visualize and pray, is what we musn't forget to do/ Dry land, open up and let me in/ Dry land, look what is happening/ You know, there is plenty, plenty,/ plenty of work to do/ This can't go down as another disaster in history…
27.09.2006
CHEGA DE BELEZA
Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.
Amor Feinho, Adélia Prado
Tudo. Nada.
Nunca a minha vida esteve tão longe e tão irreconciliável com o que eu gostaria que ela fosse. Nunca eu tinha olhado pra minha vida e tido tanta vontade de que ela fosse outra coisa. Nunca eu desejei tanto que absolutamente tudo fosse diferente. Nunca eu me senti tão triste e tão sem vontade de viver a vida que eu tenho. E parece ingrato, mimado e leviano dizer isso. E ter vergonha de sentir e de dizer ainda piora tudo.
Just do it.
Papai Noel não existe. Tampouco coelhinho da Páscoa. Assim, não adianta se comportar bem para ganhar brinquedo e ovos de presente. A distribuição é aleatória e injusta e não tem PROCON pra isso.
Da mesma forma não adianta entregar nas mãos de
Deus, do
destino ou do
acaso. Esses seres imaginários são tão ou mais perigosos para fins de consolo e atitudes do que os meliantes dantes referidos. Tudo da mesma gang de ficção inventada para deixar tudo como está pra ver como é que fica enquanto quem se atenta corre na frente e pega o melhor pedaço do bolo. Aquilo de dizer que
se for pra ser será, que
o que é seu está guardado e que
se ainda não deu certo é porque ainda não chegou no fim, é igualmente balela.
Acreditar nessas coisas só tem dois efeitos: 1) no Natal e/ou na Páscoa a gente vê as outras criaturas ganhando muito mais e fica tentando achar o que afinal fez de errado (e se culpa e se escabela e se acha desmerecedor); 2) a gente passa a vida esperando um trem que pode nem passar na nossa estação e quando vê, nem perna pra subir em trem tem mais.
Conselho: Compre seu brinquedo, adquira seus ovos e faça seu próprio acaso. Não tem erro. É mais difícil, claro. Se o sabor do ovo, o modelo do brinquedo ou o resultado do "acaso" não forem os esperados, não tem ninguém pra reclamar. Mas antes também não tinha, né? Ou você acha que se consolar dizendo "não era pra ser" ou "eu não merecia mesmo" traz algum alívio no meio da infelicidade?
Dormindo com o inimigo.
(JAIME VAZ BRASIL
in Zero Hora, 17.09.2006)
Até o momento, os indícios são de que o coronel Ubiratan Guimarães foi assassinado por sua ex-namorada. Situação rara, o homem vítima de crime passional. O contrário chega a ser tão corriqueiro, que pode até não dar notícia. Mas os números assustam: são mais de 2,5 mil mulheres mortas no Brasil, por ano, vitimadas por seus companheiros ou ex-companheiros. Mais de sete casos por dia. E a estatística contempla apenas casos comprovados.
Em que pese uma duvidosa paixão (do grego pathos: doença, sofrimento), a passionalidade da maioria desses crimes é premeditada e não deriva apenas - como se poderia pensar - de uma forte emoção momentânea. O homicida passional é geralmente narcisista. A raiz narc significa sono. Daí as palavras narcóticos e narcolepsia, por exemplo. Assim, o narcisista está enamorado de si e também "adormecido em si mesmo". Ao criar o próprio mundo fantasioso (sono para ele, pesadelo para ela), os regramentos desse mundo-umbigo trazem à tona o egocentrismo e os núcleos paranóides, expressos através do ciúme e condutas controladoras.
O perfil geralmente é de um homem com mais de 30 anos, ciumento ao extremo, possessivo e vaidoso. Não raro, está unido a uma mulher mais jovem. Se a paixão pode levar ao crime, é preciso entendê-la como a paixão-doença propriamente dita, com a carga de sofrimento inerente. (Lembremos que a paixão de Cristo significa o seu martírio.) Quando o potencial agressor se sente infidelizado ou abandonado, pouco importará se a infidelidade realmente aconteceu. Do mesmo modo que pensar-se apaixonado é o mesmo que estar apaixonado, pelo menos em atitudes.
O sentimento de abandono que é gerado pela separação pode, nesses caldos de cultura, ocasionar um movimento regressivo do psiquismo. Ou seja: o comportamento volta a ser regido com batutas de primeira infância, onde adormecer no colo da mãe representa - em tese - a maior das seguranças. Mas é exatamente lá que o abandono ilusório arma a trama e a cama do pesadelo: o bebê, ao não ver o rosto da mãe (ou cuidador) no seu campo visual, tende a ler isso como um abandono, pois não possui instrumentos psíquicos para compreender que o mundo existe além do que enxerga. Por isso, cria o seu próprio. E também com suas leis de sobrevivência, pois o bebê humano, se realmente abandonado, não sobrevive. A regressão do homicida chega a esse berço pré-verbal, e ali estende o lençol. Recria o mundo onde abandono e aniquilamento viram sinônimos. A sensação de ser destruído pelo abandonante está intimamente ligada aos crimes passionais. Assim, as reações às pequenas frustrações do cotidiano pode ser um preditor, como em uma regra de três: reagindo de tal forma em uma situação cotidiana simples, como agirá frente a um estressor real e maior?
Os homens agressivos e com maior ou menor potencial homicida costumam dar sinais deste comportamento com certa antecedência. Desde adolescentes. Por exemplo: um jovem acostumado a gritar com a própria mãe, como tratará a futura esposa? No mínimo, repetirá a conduta.
O aspecto machista não pode ser desconsiderado. Vale a lembrança de que Doca Street foi praticamente absolvido em seu primeiro julgamento (1979) e saiu do tribunal sob aplausos, pois a absurda tese da "legítima defesa da honra" saiu vencedora. Felizmente, pela última vez: a partir daquele caso esse tipo de tese não vingou mais. (E, no segundo julgamento, foi condenado.)
Ao contrário das mulheres das classes mais pobres, as de classe média ou alta não costumam acorrer na mesma proporção à delegacia da mulher, por dupla vergonha. Nisso, o fator financeiro também conta no par dominante-dominado: mulheres independentes tendem a tolerar menos as condutas agressivas e o ciúme exagerado.
Se, por um lado, o termo ciúme deriva de zelus, zelumen (zelo em si, cuidado), há que colocá-lo em um gradiente de quantidade. Como o fogo, pode ser muito útil ao homem, desde que na dose certa e com nosso controle sobre ele. Se o fogo assume o comando, o resultado é desastroso. O elemento é o mesmo, mas incêndio sempre é trágico, pois saímos de controladores para controlados.
Quando a mulher se encontra ameaçada pelo parceiro, não deve esperar passivamente que os atos agressivos se repitam. A cronicidade dos comportamentos violentos aumenta a chance de algo maior, ali adiante. É um indicador forte. Especialmente se acompanhado de ciúme exagerado e consumo de bebidas alcoólicas. Esse trio de fatores é de tirar o sono. Contudo, melhor perder o sono hoje do que a vida amanhã.
Queridos e queridas, ler este texto lindo do Jaime com MUITA atenção. A coisa é muito mais comum do que a gente pensa.
26.09.2006
Carniça
(este está há horas para ser publicado, mas e tempo para isso?)
Quando a Enron quebrou, por péssima gestão de seus administradores, as moças que lá trabalhavam posaram nuas para uma certa revista masculina – tida como mais classuda e “informativa” que as demais. Muito plausível que as moças da Enron tenham decidido tirar as roupas e colher, despidas, os louros da glória de sua beleza de fêmeas jovens e tenras, ainda mais quando o futuro era terrivelmente incerto. O curioso é que as moças da Enron não se prepararam especialmente para os cliques ousados: não se ouviu dizer que tenham feito dietas mirabolantes ou intensificado sua rotina de exercícios de modo a fazer inveja a um exército espartano. Elas simplesmente tiraram as roupas e mostraram toda a sua especial beleza de mulher comum. De onde se conclui, porque óbvio, que as moças da Enron foram interessantes desde sempre. Então, por que o súbito e inexplicável interesse em vê-las despidas?
Quando a Varig quebrou, por péssima gestão principalmente do Estado Brasileiro, as moças que lá trabalhavam posaram nuas para a mesma revista masculina – aquela, tida como mais classuda e “informativa” que as demais. Muito mais plausível ainda que as moças da Varig tenham decidido seguir o caminho das colegas da Enron: país tupiniquim, economia idem, pouquíssimos postos de trabalho, subemprego, aliados ao fato de que a empresa de aviação exige das suas comissárias de bordo um mínimo de 1,60m e pelo menos dez quilos a menos do que os dois últimos dígitos da altura – medidas consideradas de modelo/manequim até pouco tempo atrás e que passaram a ser consideradas medidas pré-modelares (ou medidas de modelo fora de forma) após o advento da curiosa numeração
triple zero. O curioso é que, assim como as meninas da Enron, as moças da Varig não se prepararam especialmente para os cliques ousados: não se ouviu dizer que tenham feito dietas mirabolantes ou intensificado sua rotina de exercícios de modo a fazer inveja a um exército espartano. Elas simplesmente tiraram as roupas e mostraram toda a sua especial beleza de mulher comum. De onde se conclui, porque óbvio, que as moças da Varig, até por conta de toda a mística erótica da figura da aeromoça, sempre foram interessantes. Então, por que o súbito e inexplicável interesse em vê-las despidas?
[clique aqui para ler o texto na íntegra]On and on and on.
O cérebro devia ter botão de
change disc ou, ao menos, de
pause. Na impossibilidade de ter algum desses, ajudaria ter como controlar o volume do som. Mas não. Toca sempre o mesmo disco, no
repeat, incessantemente, no volume máximo. Algumas cenas, inclusive, em câmera lenta, quadro a quadro, com zoom.
E eu aqui tentando puxar a flecha da tomada.
E também não tem. Nem flecha, nem tomada.
Way better than any work of fiction, 14. Cry me a river.
Clásicos dos clássicos, essa música é sempre um up.
CRY ME A RIVER (Mina).
now you say you're lonely/ you cried the whole night through/ well, you can cry me a river/ cry me a river/ I cried a river over you/ now you say you're sorry/ for being so untrue/ well, you can cry me a river/ cry me a river/ I cried a river over you/ you drove me/ nearly drove me out off my head/ while you never shed a tear/ remember, I remember/ all that you said/ told me love was too plebeian/ told me you were through with me/ and now you say you love me/ well, just to prove you do/ come on and cry me a river/ cry me a river/ I cried a river over you.
Mimos, carões e afagos na segunda à noite.
Não tem como não amá-los.
25.09.2006
Bem assim.
Oi queridinha, senta aqui no colinho da titia que eu vou te contar um segredinho. Presta atenção. Não interessa que tu não tenhas feito nada de errado, que tu tenhas te mantido atenta, olhado para os dois lados antes de atravessar a rua, feito a lição de casa, tratado da cabeça, decidido certo, escolhido bem. Não interessa que tu consigas ler nas entrelinhas, que a tua intuição seja boa, que tu enxergues os outros. Não interessa que tu tenhas dado tudo de ti, te esforçado o máximo, feito o melhor, apostado todas as fichas, mergulhado de cabeça, te comprometido, sido sincera, transparente, solidária, amado de verdade. Não interessam todas as certezas, os sinais, as intuições, todas as provas irrefutáveis, todos os indícios, todas as declarações, todas as intenções, todos os planos, todas as conversas, todas as afinidades, todos os detalhes, todo o milagre, a mágica, o inexplicável. Não interessa porra nenhuma disso. Conta, é, mas não decide patavina de coisa nenhuma. E depois, mesmo depois de tudo e do fim, depois do depois, depois, não assegura nada. Não garante o céu, o primeiro prêmio, o tylenol, o alívio, a certeza, o futuro. Não garante recomposição, cura, outra chance, justiça, redenção, recompensa, não garante que vá passar, que vá acontecer de novo (ou que não vá), não garante absolutamente nada. O que existe, ao fim e ao cabo, é o que já foi e o que é agora, bom e ruim, triste e alegre. O que sobra e o que é certo é tu. Tu e o que de ti conseguiste salvar. E só. Só isso. Só.
Tesouro da juventude.
Posso não ter aprendido mais porra nenhuma, mas ter amigos queridos, elegantes, sinceros, com sorriso branco e hálito puro, mimosos, amados, inteligentes, que me cuidam, que me amam, que me afofam, que se preocupam comigo e que são as coisas mais lindas do mundo, ahhhhhhhh, eu aprendi.
Milênios, milênios no ar.
Talvez amor eterno seja mesmo isso que disse o Chico, o amor que a gente ama e transmite aos outros naquilo que a gente se tornou, que foi capaz, que aprendeu, que soube amar. Talvez seja mesmo isso, escafandristas e psicanalistas mais tarde virão resgatar os nossos antigos amores como vestígios de estranhas civilizações habitadas e incorporadas por outros, amantes, filhos, amigos. O amor com o qual te amei talvez seja mesmo eterno, talvez fique mesmo para sempre em mim, nas palavras, no olhar, em alguma cicatriz, no gesto mimetizado, fragmentos de cartas, poemas, mentiras, retratos, nas coisas que deixaste impressas em mim, e talvez eu vá amar meus futuros amantes com o meu amor por ti incorporado, com todos os outros amores que vivi e eles, assim, talvez também amarão seus amores com o amor que um dia te amei e, quem sabe, seguiremos amando e ensinando a amar aos que virão com um tanto desse amor já eternizado, que um dia ousei amar e pensar, quiçá, fosse para sempre. E talvez seja.
"Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você."
Chico, Futuros Amantes.
Cursing upon a star.
Tomara que doa,
supure, inflame,
infeccione, coce,
arda, incomode,
dê cólicas,
entristeça, sangre,
inche, avermelhe,
gangrene, arruíne,
dê febre,
arrebente,
rasgue, dilacere,
enlouqueça.
Nem que seja daqui a muito tempo.
Antes arde do que tumba.
(Abenção, Leminski).
24.09.2006
Convite a energúmenas coisas.
From Brooklyn, over the Brooklyn Bridge, on this fine morning,
please come flying.
In a cloud of fiery pale chemicals,
please come flying,
to the rapid rolling of thousands of small bine drums
descending out of the mackerel sky
over the glittering grandstand of harbor-water,
please come flying,
Whistles, pennants and smoke are blowing. The ships are signaling cordially with multitudes of flags
rising and falling like birds all over the harbor, Enter: two rivers, gracefully bearing
countless litlle pellucid jellies
in cut-glass epergnes dragging with silver chains. The flight is safe; the weather is all arranged.
Tbc waves are running in verses this fine morning.
Please come flying.
Come with the pointed toe of each black shoe
trailing a sapphire highlight,
with a black capeful of butterfly wings and bon-mots,
with heaven knows how many angels all riding
on the broad black brim of your hat,
please come flying.
Bearing a musical inaudible abacus,
a slight censorious frown, and blue ribbons,
please come flying.
Facts and skyscrapers glint in the tide; Manhattan
is all awash with morals this fine morning,
so please come flying.
Mounting the sky with natural heroism,
above the accidents, above the malignant movies,
the taxicabs and injustices at large,
while horns are resounding in your beautiful ears
that simultaneously listen to
a soft uninvented music, fit for the musk deer,
please come flying.
For whom the grim museums will behave
like courteous male bower-birds,
for whom the agreeable lions lie in wait
on the steps of the Public Library,
eager to rise and follow through the doors
up into the reading rooms,
please come flying
We can sit down and weep; we can go shopping,
or play at a game of constantly being wrong
with a priceless set of vocabularies,
or we can bravely deplore, but please
please come flying.
With dynasties of negative constructions darkening and dying around you,
wilh grammar that suddenly turns and shines like flocks of sandpipers flying,
please come flying.
Come like a light in the white mackerel sky,
come like a daytime comet
with a long unnebulous train of words,
from Brooklyn, over the Brooklyn Bridge, on this fine morning,
please come flying.
(ELIZABETH BISHOP, Invitation to Miss Marianne Moore)
Clean
Não me ame com dor: não me traga dor em seus braços, em seus olhos, em seus regaços e reentrâncias, que dor já tenho é muita e amor com dor só rima em poesia pobre.
Não me ame com esperança: não traga planos pré-prontos tal casa pré-fabricada, para serem montados e implementados em tempo recorde, sem importar se o terreno é sólido ou pantanoso.
Não me ame com fome: não sou para ser carneada, assada, frita, refogada ou consumida.
Não me ame com paixão: não venha com o sangue em chamas pensando que vai encontrar algo que, ao fim e ao cabo, existe só na sua cabeça.
Não me ame com firmeza: não me segure, não me aperte, porque a imobilidade imposta assusta.
Não me ame com desvario: desvairar-se é bonito na poesia e enquanto dura, mas desvairar-se esvazia.
Me ame, sim, com lucidez e uma certa alegria. E só.
E, se o amanhã existir, saberemos.
22.09.2006
Ficha n.º 1.
Voltei só pra dizer que vi na
Marina que Débora Bloch e Olivier Anquier se separaram.
Aleph. Bom fim de semana.
Do não dito.
Que rosto terias se me encontrasses um dia numa esquina com uma árvore, uma moça passeando seu cachorro e um canteiro de sempre-vivas? Que cor trarias nos olhos, que estação seria então, entre meus lábios e os teus, qual seria a palavra até então indescoberta que não nos diríamos, cúmplices num silêncio de mãos estendidas, felizes com o re-sentido recém adquirido do mundo? E eu não te diria não. Nem tu dirias.
Way better than any work of fiction, 13. My world is empty without you.
The Supremes. E são mesmo. Momento soul seventy's da compilação, porque vamos combinar, uma black music tem mil e uma utilidades e faz maravilhas com leite moça, é ou não é?
MY WORLD IS EMPTY WITHOUT YOU (The Supremes).
My world is empty without you, baby/ And as I go my way alone/ I find it hard for me to carry on/ I need your strength/ I need your tender touch/ I need the love, my dear/ I miss so much/ My world is empty without you, baby/ From this old world/ I try to hide my face/ But from this loneliness/ There's no hiding place/ Inside this cold and empty house I dwell/ In darkness with memories/ I know so well/ I need love now/ More then before/ I can hardly/ Carry on anymore/ My world is empty without you, babe/ My mind and soul / Have felt like this/ Since love between us/ No more exist/ And each time that darkness falls/ It finds me alone/ With these four walls/ My world is empty without you, babe
Tim Maia. Atualizado.
Quando a gente acorda e não tem água é bem ruim. Quando a gente acorda, não tem água, liga para o zelador e ele diz que havia um comunicado nos elevadores e em todos os andares há uma semana avisando que ia faltar água devido à limpeza das caixas d'água e você passa por imbecil e ainda não pode reclamar, aí é MUITO ruim.
Atualização: Quando você acorda, não tem água, não pode nem reclamar que não sabia, passa por imbecil falando com o zelador e só lembra que era o dia da faxineira ir quando ela liga dizendo que não pode fazer nada porque não tem água, aí, meus filhos, aí é PÉSSIMO.
21.09.2006
M.O.R.R.A.
Se acaso você encontrar uma moça por aí cujo exclusivíssimo ringtone do celular seja Moon River, com Frank Sinatra e tudo (by Cafeína, ca-la-ro), trata-se de moi. Só pra constar.
Affff. Tô IN-SU-POR-TÁ-VEL.
Goiabada com queijo.
Genti, o que é a cantidadi di minero que tá entrano aqui no nosblogui?
Coslinda por dimais. Genti di Belzonti, Divinópolis, Juizdifora...
Adoro minero. Tejam à vontadi.
Way better than any work of fiction, 12. You look so fine.
Ai. Momento MORRA hiper sexy, sexy, sexy da compilação. É praticamente uma música pornô. É o máximo. Pornô chic, diga-se. E a letra? Quê que é isso? Bah. E eu queria taaaaanto...
YOU LOOK SO FINE (Garbage).
You look so fine/ I want to break your heart/ And give you mine/ You're taking me over/ It's so insane/ You've got me tethered and chained/ I hear your name/ And I'm falling over/ I'm not like all the other girls/ I can't take it like the other girls/ I won't share it like the other girls/ That you used to know/ You look so fine/ Knocked down/ Cried out/ Been down just to find out/ I'm through/ Bleeding for you/ I'm open wide/ I want to take you home/ We'll waste some time/ You're the only one for me/ You look so fine/ I'm like the desert tonight/ Leave her behind/ If you want to show me/ I'm not like all the other girls/ I won't take it like the other girls/ I won't fake it like the other girls/ That you used to know/ You're taking me over/ Over and over/ I'm falling over/ Over and over/ You're taking me over/ Drown in me one more time/ Hide inside me tonight/ Do what you want to do/ Just pretend happy end/ Let me know let it show/ Ending with letting go/ Let's pretend, happy end.
Feriado lindo. Lindo.
Carreteiro pelotense farroupilha da Ticcia.
Carreteiro mesmo, de verdade, como deve ser, é de charque. E como boa pelotense, a moça aqui tem mais que obrigação de fazer um carreteiro que preste, já que, como todo mundo sabe, Pelotas enriqueceu com as charqueadas e não pode ter coisa mais inútil no mundo que uma mulher que não saiba preparar um carreteiro. Faz parte do trivial básico mínimo indispensável da culinária riograndense.
Para quem não está muito familiarizado com a denominação, charque é uma, digamos (e que me desculpe o MTG), carne de sol. Mas eu não disse isso. Para todos os fins, charque é charque e não tem nada a ver com essas comidinhas de fresco que se consome de Santa Catarina pra cima. Não é à toa que o Gen. Bento Gonçalves da Silva queria dar um jeito de proclamar a independência. Mas enfim. De volta ao charque. O mais tradicional é o de costela, cousa mui linda, mas engraxa até detrás das orelhas. Portanto, a gente aconselha as moças preocupadas com a bitola da cintura a procurar charque de picanha, ou charque de vazio. Procurando, acha. Custa os óio da cara, mas tem.
A primeira providência é colocar o charque de molho de véspera, para tirar o sal em excesso. Aconselho muito enfaticamente a troca da água pelo menos umas duas ou três vezes. Feito isso, escorro a carne e deixo “pegando um ar”. Corto as cebolas em pedacinhos, amasso os dentes de alho, coloco um pouco de óleo na panela (de ferro, lógico, que sem panela de ferro não dá) e refogo com uma folhinha de louro. Junto a carne e sigo fritando. Vai soltar líquido. Continua-se fritando até o líquido evaporar e a carne ir dourando. Pode até pegar um pouquinho no fundo, a gente agradece. Aí é hora de juntar alguns temperos, como uma pitada de cominho, um tantinho de pimenta preta. Junto o arroz previamente lavado (mas não muito) e vou acrescentando-se água até que esteja cozido, mexendo de vez em quando. Só provo o sal quando o arroz está quase cozido, porque aí o charque já soltou o que tinha que soltar. Aí também é que se junta o temperinho verde. Mas pelamordedeus, não sequem o carreteiro até a desidratação, molhadinho é muito melhor. Serve-se com salada de tomate, cebola e alface e, querendo, ovo cozido picadinho por cima. E viva o Rio Grande do Sul.
Ingredientes: 500g de charque, 4 xícaras de arroz, 2 cebolas médias, 5 dentes de alho, 1 folha de louro, tempero verde.
20.09.2006
Alaspucha.
Gen. Bento Gonçalves da Silva
Mostremos valor, constância, nesta ímpia e injusta guerra. Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra.
Côsa pôca, que gaúcho é povo humilde.
Um feliz feriado de vinte de setembro pra ti também.
19.09.2006
Way better than any work of fiction, 11. Diamonds are forever.
Originalmente da trilha sonora de 007 - Os Diamantes são Eternos, cantada pela Shirley Bassey. A versão agora é David McAlmont (sim, um senhor, veja só, o que só torna a coisa mais inacreditável ainda). É o momento Marilyn, material girl total, da compilação. Luxo.
DIAMONDS ARE FOREVER (David McAlmont).
Diamonds are forever/ They are all I need to please me/ They can stimulate and tease me/ They won't leave in the night/ I've no fear that they might desert me/ Diamonds are forever/ Hold one up and then caress it/ Touch it, stroke it and undress it/ I can see every part/ Nothing hides in the heart to hurt me/ I don't need love/ For what good will love do me?/ Diamonds never lie to me/ For when love's gone/ They'll luster on/ Diamonds are forever/ Sparkling round my little finger/ Unlike men, the diamonds linger/ Men are mere mortals who/ Are not worth going to your grave for.
Separadas no nascimento.
Claudia Cardinale e Belly. Só falta o Henry Fonda mordendo a orelha da nossa diva.
Bem que Calexico falou.
Manual Prático Para Bofes Bem. Elegância e consideração fazem bem ao currículo.
Você conheceu uma mocinha, uma mocinha muito interessantezinha, muito linda, muito querida, muito tudo (na casa de amigos, num bar, pela internet, no supermercado, na fila do banco, na academia, etc.), achou que ia dar pé, que ia rolar, que tinha tudo pra dar certo, então a convida para sair. E vocês saem. Pra jantar, ir ao cinema, tomar chimarrão na Redenção, um chope, um passeio qualquer. E se conhecem. E você conclui que, bem, não era nada daquilo que você estava pensando. Não rolou, não teve química, não houve empatia, não pintou clima, não nada. A menos que ela seja uma completa vaca e tenha sido grosseira, mal educada, tenha lhe ofendido pessoalmente, ou tenha lhe agredido fisicamente, no dia seguinte,
é questão primária de elegância mandar um mail ou uma SMS dizendo que foi legal se conhecerem. Ponto. Isso. Só isso.
"Oi. Obrigado pela companhia. Foi legal te conhecer. Um beijo." Só isso. Não dói, não mata, não causa doenças crônicas, não transmite DST. Pura e simplesmente questão de educação.
Se rolou alguma coisa (beijo, abraço, pegação, lesco-lesco), então, nem se fala. Ainda que a intenção seja não vê-la novamente nem pintada de verde amarelo com a bandeira da Mangueira na mão, ter este gesto simplório e mínimo de consideração é obrigação inafastável.
O que você ganha com isso? Simples: não ser considerado um imbecil.
18.09.2006
Eita, eita, eita. Lindo.
Way better than any work of fiction, 10. Une very stylish fille.
Só mesmo
aquele moço para achar uma música deliciosa com algumas falas de Breakfast at Tiffany's.
Pra ouvir, ouvir, ouvir, ouvir, ouvir.
UNE VERY STYLISH FILLE (Dimitri from Paris)
"- I am a very stylish girl." (Mag Wildwood, a "mecenas" de Paul)
"- How do I look?" (Holly, na manhã que eles se conhecem, pronta para ir ao presídio visitar Sally Tomato.)
"- I must say I'm amazed!" (Frank/Paul)
Amanhã.
O problema é que amanhã é outro não-dia, é um desamanhã, é um exfuturo, é um reperder de esperança. O problema é que amanhã a desvida continua, o sol vai raiar mas a luz não vai vir e depois da tempestade sempre vêm os escombros e os restos. O problema é que tudo não vai ficar bem, não vai ser o que deus quiser, não vai passar, amanhã tudo isso vai continuar sendo tudo isso e a dor vai ser só um dia mais velha e a fé vai ser um pouco menor. O problema é o amanhã.
15.09.2006
Pigmentos
O mundo nos vêm em infinitas escalas de cinza: são cinzas-claros de manhãs frias e cinzas-escuros de noites sem fim. É cinza, eu sei, a luz do monitor refletida no meu rosto enquanto escrevo aqui e será cinza só um pouco diferente na sua face aí. Estamos todos unidos e ordenados, homogeneizados nessa ordem gris que não ordena coisa alguma a não ser a inexorável marcha rumo ao grande e cinzento nada que nos receberá quando tudo acabar. Porque até a terra do cemitério é cinza, saturada de ossos e pele sem vida micronizados até serem menores que pó e cinzas.
Por isso que não me conformo quando daqui do lado vais fazendo o piano cantar as histórias mais terríveis e lindas sobre a vida e de como ela é cheia de vermelho sangue e desesperadores amarelos, de dias de céu azul substituídos pelas mais brancas nevascas, de verdes olhos que me enxergaram e às vezes é só por isso - e só por eles - que existo.
Porque mais verdadeiras do que a própria verdade e eu sei, eu sinto, elas poderiam ser.
Mas como, como, COMO romper todos esses milhares de invólucros cinzentos que nos embalam vedam enrolam embolam, e se ao rompê-los todos e romper com tudo o que conheço não estiver a tua mão e a tua música a esperar, e se eu não tiver nem ao menos o cinza para preencher o vazio?
Pois não posso me libertar por ti, posso apenas por mim mesma e a verdade é que ainda não sei se mereço, ainda não sei se vale à pena.
Proposta.
Pandora
Um momento para perder meus olhos nos teus, um instante para duvidar que existes, um minuto para decorar a cor dos teus lábios e o cheiro das tuas mãos, um tempo para entender teus gestos felinos, umas horas para ouvir tua voz de poço profundo e água murmuriosa, uma noite para explorar os volumes e os líquidos do teu corpo, alguns dias para desvendar o mistério do teu sorriso guardado, uma semana para sonhar acordado e dormir confundidos, uns domingos para guardar as manhãs de café, beijo e banho, um mês para descobrir mais coisas insuspeitas e perfeitas, alguns anos para nos convencermos de que existe para sempre, o resto da vida para encontrar teus olhos nos meus.
Way better than any work of fiction, 9. Le temps de l'amour.
Pra alegrar a sexta-feira, uma música com um sabor de expectativa, de Paris, de paixão, de temps de l'amour.
LE TEMPS DE L'AMOUR (Françoise Hardy).
C'est le temps de l'amour, le temps des copains et de l'aventure/ Quand le temps va et vient on ne pense à rien malgré ses blessures/ Car le temps de l'amour c'est long et c'est court ça dure toujours on s'en souvient / On se dit qu'a vingt ans on est le roi du monde/ Et qu'éternellement il y aura dans nos yeux tout le ciel bleu/ C'est le temps de l'amour le temps des copains et de l'aventure/ Quand le temps va et vient on ne pense à rien malgré ses blessures/ Car le temps de l'amour ça vous met au coeur beaucoup de chaleur et de bonheur/ Un beau jour c'est l'amour et le coeur bat plus vite/ Car la vie suit son cours et l'on est tout heureux d'être amoureux.
GET OUT OF THIS GODDAM CAB!
Paul to Holly:
"You know what's wrong with you, Miss whoever-you-are? You're chicken. You've got no guts. You're afraid to stick out your chin and say, 'Okay. Life's a fact. People do fall in love. People do belong to each other.' Because that's the only chance anybody's got for real happiness. You call yourself a free spirit, a wild thing, and you're terrified somebody's gonna stick you in a cage. Well Baby, you're already in that cage - you built it yourself. And it's not bounded on the west by Tulip, Texas or on the east by Somaliland. It's wherever you go. Because no matter where you run, you just end up running into yourself."
O melhor é que depois disso ela sai do táxi, corre na chuva atrás do gato e... awnnnnn.
You got no mail.
A moça aquela que vocês conhecem está hoje sem acesso ao mail. Recados de amor, paixão, pedidos de casamento, propostas indecentes, aviso de depósito em conta corrente, boas notícias, pedidos de perdão, participação de nascimentos de bebês fofos, elogios, comunicado de chegada, solicitação de hospedagem, pelos comentários, plis. Ainda que criptografados.
14.09.2006
Não é sério
A revista se pretende séria e resolve fazer todo um artigo sobre a maternidade. Como é uma revisteca de famosos, a coisa não poderia ser muito, digamos, aprofundada. Mas ao mesmo tempo é uma revisteca que precisa zelar pela sua suposta
self-loaded imagem de mídia-informativa-supercolorida-para-pessoas-de-bom-gosto-num-ambiente-agradável-e-aconchegante, não é mesmo, minha gente?
Então você abre a *versã internéte* da cousa e descobre que puuuuxa, a cousa é mesmo uma COUSA! A chamada diz que
figurinhas globais revelam todo o lado não-róseo e nefasto da maternidade: a rejeição do próprio corpo (mas por quê? o corpo, coitado, tem que construir a criatura e expeli-la e ainda continuar intacto? ah, pára!), a falta de sexo (como assim? COMO ASSIM? parêntese do parêntese: ou essa gente não sabe o que é sexo ou eu não sei o que é, porque os conceitos nunca nunca combinam, é impossível isso), falta de liberdade (ninguém contou a elas que a criança é portátil e que possui um super avançado sistema de timers Tabajara que fazem com que a cria anuncie em veementes berros quando não está satisfeita e precisa de algo? oh não), enfim, todo um cipoal de desgraças que se abatem sobre a mulé artista-cool-intelectual-resolvida-parideira, esse tipo tão aclamado ultimamente. E daí,
surpriise, eles enxertam as
Motherns, que não têm nada a ver com o angu das estrias de Global Um ou com a repulsa ao próprio corpo experimentada por Global Dois.
É claro que a matéria seguinte só podia ser uma coisa de alta relevância, como
"Quem e onde: fulana e fulaninha causam furor ao aparecerem sem a calcinha". Para fechar com chave de ouro e não fugir muito da região anatômica, uma interessantíssima tour com
os galãs do pornô.
Esta Criada acha é que o povo anda assistindo muito pouco David Lynch.
No Focando.
Antoninho.
Conto escrito em 2003.
Way better than any work of fiction, 8. Una Musica Brutal.
Gotan Project me leva a Buenos Aires. É o que basta.
UNA MUSICA BRUTAL (Gotan Project).
Descubrimos vos y yo/ en el triste carnaval/ una música brutal/ melodías de dolor/ Despertamos vos y yo/ y en el lento divagar/ una música brutal/ encendió nuestra pasión/ Dame tu calor/ bébete mi amor.
Favas que contam.
Rogério tá de casa nova, com arquitetura
Cafeína.
Tá a coisa mais linda. A gente espera que ele escreva muito, muito, muito.
Ele é extraordinário, na real acepção da palavra.
13.09.2006
O que arde, cura?
Diziam os Antigos, desde sempre: "o que arde, cura; o que aperta, segura". E assim foram se criando gerações de pessoas ansiosas por suportar o seu quinhão de dor - ou ainda muito mais, numa equivocadíssima aritmética avessa -, certas de que isso geraria uma relação obrigacional onde elas, ardidas e apertadas (no mau sentido) seriam as credoras. E, ora, se ainda não veio a cura, se você ainda não está segura, é porque ainda não ardeu/apertou o bastante, e tome dor e ranger de dentes, na esperança de alcançar a graça almejada, como dizem os azulejinhos pintados em agradecimento em todo e qualquer santuário e grutinha onde tenha imagem de nossinhora.
Tão curioso é que o dito não traz nenhuma garantia. Não está seguro pelo Código de Defesa do Consumidor - que defende pouco e mal - ou por qualquer outro respaldo, nem mesmo 'la garantia soy yo'. Ainda assim, legiões continuam acreditando e se esforçando para apertar o máximo possível, enquanto ardem no limite da queimadura de terceiro grau. É força da crença, da idéia mítica da lei da compensação, da proporção áurea ou de qualquer outra conclusão lógica que seja torcida às raias do absurdo, única forma em que se sustenta a ciência, quando adequada, em prol do mero believismo. Pois quem disse que as gotas do seu sangue serão contadas em ouro, libra ou euro? Quem lhe afirmou que suportar o genro chato e mau caráter morando com você por quinze longos anos significaria que, cumprido o período, a filha divorciaria para ser livre e feliz ao cabo de tão triste tempo? Não faria muito mais sentido acreditar que a carne que arde fica queimada e que o que se aperta fica apertado, e não seguro?
Ah, mas os estranhos desígnios da humanidade! E todas as estranhas justificativas chanceladas pela tradição que usamos para fundamentar o que não tem qualquer fundamento.
O fato é que cada vez mais, a cura dispensa o ardor. Já a segurança, bem. Essa nunca existiu mesmo. Não importa o quanto você se aperte na calça que não lhe serve, no sapato um número menor, na cama muito curta ou na vestimenta que a mídia lhe diz, é único número aceitável para uma moça usar (quase sempre 36, 38 ou outra numeração de loja infantil). A roupa, a conta de banco, a vida apertada, elas não lhe seguram. Quer dizer, até seguram - a única segurança possível e lógica e cientificamente comprovada: você será infinitamente infeliz no espaço exíguo que escolheu para lhe confinar. Mas, bem, o máximo de segurança, é a escravidão, não é mesmo?
E nem fui eu quem disse, foi o Senhor Roberto Freire.
Pedro.
Este é o Pedro, obra de arte da Yara, a Yarinha, sabem? Ela é uma micro-mamãe que nos deu de presente essa coisa fofíssima e linda.
Obrigada, Yara. Pelo Pedro, por nos fazer acreditar nas grandes realizações da vida.
Beijos, parabéns, saúde.
Cão.
Lucien Freud
Oco, não ouso repetir. Pouco, quase nada, quase oco e o que acho em tuas sobras é tão pouco e tão muito que faz um arremedo de distância, um vão por onde consegue passar quase nada. Mas o quase é o que basta à minha esperança faminta e sarnosa, um abrigo parco e roto, triste e tosco, onde vivo, resignado cão à sombra do teu corpo.
Way better than any work of fiction, 7. We have all the time in the world.
Contraste total entre a letra e a interpretação. Quem Vê a letra antes acha que vai se deparar com uma musiquinha super up. E tóin.
WE HAVE ALL THE TIME IN THE WORLD (Fun Lovin Criminals).
We have all the time in the world/ Time enough for life to unfold all the precious things life has in store/ And we got all the love in the world/ And as time goes by you will find we need nothing more/ And every step of the way we'll find us / with the kiss of the world behind us/ And we got all the time in the world for love/ Nothing more, nothing less, only love /Only love, yeah baby.
Surpreendentemente.
Surpreende-me que a vida siga. Surpreende-me que a chuva caia ainda, que alguém coe café, que existam sorrisos ou lágrimas, que papéis se prestem à escrita, que a música continue tocando, que ainda existam livros à venda, que o cheiro de xampu seja o mesmo, que haja lugar vazio nas gavetas, que os automóveis andem pelas ruas. Surpreende-me que ainda existam ruas, que gatos se banhem ao sol, que os sapatos se sujem de lama, que o semáforo mude de cor, que alguém abra a janela, que uma nuvem desapareça, que os caixas automáticos funcionem direito, que pessoas vão trabalhar de ônibus, que o camelô venda despertadores, que existam pessoas sentadas nas calçadas, que ainda desprendam-se folhas das árvores. Surpreende-me que ainda existam essas mesmas árvores, como se nada tivesse acontecido. Triste não é a rastejância, é a memória das asas.
Porto Alegre, 9:05 AM.
Noite.
12.09.2006
Way better than any work of fiction, 6. Knowing me, knowing you.
Lembram do Abba? Então. Agora na versão hiper mega soft. Parece cream cheese.
KNOWING ME, KNOWING YOU - Evan Dando (Abba Cover).
No more carefree laughter/ Silence ever after/ Walking through an empty room, tears in my eyes/ Here is where the story ends, this is goodbye/ Knowing me, knowing you/ There is nothing we can do/ Knowing me, knowing you/ We just have to face it this time were through/ Breaking up is never easy, I know but I have to go/ Knowing me, knowing you/ It’s the best I can do/ / Mem’ries, good days, bad days / They’ll be with me always/ In these old familiar rooms children would play/ Now there’s only emptiness, nothing to say.
Prefácio, 11.09.
Jojo, momento sunflower fields forever.
Ele e eu. Eu e
ele. Sabem, né? Sorry, periferia.
Assim que Joelma nos mandar mais fotas, mostro como a Ana Roberta tava leeeeenda, já que a modéstia a impediu de mandar fotos dela mesma.
Você é fetichista?
11.09.2006
Tentaçã.
Vocês sabiam que a blasfema da
Denize anda fazendo
MOCHILAS?? É. De
JACARÉ! É.
Sabem quantas bolsas dela eu já tenho, sabem?? SETE. E acabei de pedir a
oitava.
Interdição. Eu sou caso de interdição.
Da atrofia.
Tenho medo da infelicidade branca e leve que não mostra os dentes, essa que veste o dia de um plástico transparente e lambe os nossos rostos sem que percebamos. Tenho medo da tristeza sem grito e sem desespero que nos cobre de nublado e ordinariza as cores. Tenho medo disso que invade manso e silencioso e quer estar despercebido para nos convencer que a vida é esse avesso de estar vivo, que é o contrário de viver, que é um esgar de alívio no meio da dor inderrogável. Tenho medo de ser alfabetizada pela descrença, pelo triste, pelo esquecimento. Tenho medo de ficar paralítica e embrutecer calada com os olhos vazios, pensando que espero a absolvição do tempo e um dia perceber que fui-me embora de mim.
Way better than any work of fiction, 5. Those little things.
Chique no último, Carla Bruni era top model e virou cantora cool, chique, blasé, moderninha, sexy. A música é Monsieur Gainsbourg, agora modernosa. A letra, mosfios, a letra é isso aí que vocês tão vendo. Pra não sobrar nada. Uma coisa T.O.M.A.
THOSE LITTLE THINGS (ces petits riens) (Monsieur Gainsbourg Revisited - Carla Bruni)
No, nothing but my best, not good enough for you/ 'Cause nothing much is still too much to feel/ Remember to forget, pretend you never knew/ To beat the best and you don't leave a clue/ No, nothing but the best was not enought for you/ You wouldn't buy my pretty lie was true/ But actting at the curtain fool is nothing new/ Those little things that never leave a clue/ If nothing but the best means nothing much to you/ Don't count on me, just count me out, please, do/ I'll never be your second best as others number two/ One litlle thing that just won't let you choose/ No, nothing but the best and nothing less will do/ It's more or less that loneliness I knew/ But you, you had me market initials black and blue/ Those little things that never laid a clue/ If nothing but the best means nothing much/ Don't count on me, just count me out, please, do/ I'll never be your second best as others number two/ One litlle thing that just won't let you choose/ One litlle thing that just won't let you choose/ One litlle thing that just won't let you choose.
Nós.
10.09.2006
O mais-que-perfeito
Ah, quem me dera ir-me
Contigo agora
Para um horizonte firme
(Comum, embora...)
Ah, quem me dera ir-me!
Ah, quem me dera amar-te
Sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar
Que não presumes...
Ah, quem me dera amar-te!
Ah, quem me dera ver-te
Sempre a meu lado
Sem precisar dizer-te
Jamais: cuidado...
Ah, quem me dera ver-te!
Ah, quem me dera ter-te
Como um lugar
Plantado num chão verde
Para eu morar-te
Morar-te até morrer-te...
(Vinicius de Moraes,
Montevidéu, 01.11.1958
in Para viver um grande amor)
08.09.2006
Bom fim de semana.
Boa viagem.
Enrascada ficava a sua avó.
Sim, você é uma diva. Sim, é possível que a cada pneu furado haja 30 candidatos a bons samaritanos prestativos, mas para o caso de você dar o azar de estar em uma garagem erma às duas da manhã ou aparecer só um idiota que não sabe distinguir uma chave de roda de um canivete suiço, é de muito bom alvitre que uma moça muderrrrna, independente e que se garante, saiba, sim, trocar um pneu.
Não tem nada de absurdo, difícil, tenebroso ou impossível. Nem requer tanta força assim.
1) Antes de mais nada, providencie luvas e deixe dentro do carro, junto ao estepe. As melhores são as de pano mesmo, mas de borracha também serve. Você não vai querer DESTRUIR as suas mãos com graxa e arranhões, believe me.
2) A primeira providência é pegar a chave de roda (a em cruz é melhor que a em L, mas pegue a que tiver, colega) e afrouxar os parafusos da roda (claro). Nada de macaco por enquanto. Parafuso a gente afrouxa no sentido anti-horário, mas normalmente eles estão MUITO apertados. Não se desespere. Esses nossos quilinhos servem para alguma coisa. Encaixe a chave de roda de forma a ficar paralela ao solo e pule sobre ela para afrouxar o parafuso. Não tenha dó, não vai quebrar, isso tudo é ferro, minha flor. Muito cuidado para o pé não escapar e você enfiar a chave de roda na canela, plis.
3) Feito isso nos quatro parafusos, é hora de pegar o estepe. Normalmente em carro médio ele fica no porta-malas, sob o carpete, atarrachado com um parafuso. O parafuso este de prender o estepe também se solta usando a chave de roda. Há carros, contudo, em que ele fica aparafusado EMBAIXO do carro. Aí é uma tristeza desgraçada. Ter que deitar embaixo do carro não tem condição. Por isso a tia aqui já recomenda que na hora de comprar um bólido reluzente, você leve em conta também a localização do estepe.
4) Depois disso é hora de encaixar o macaco (não ria, sua devassa). A superfície maior fica no chão, a menor com fenda encaixa na parte de baixo do veículo, onde tem a mesma saliência, só que ao contrário. Encaixada ali, hora de manivelar e o carro subir. O pneu tem de desencostar do chão, claro, ou você não vai tirar ele do lugar nem com banda de música. Tire o pneu e já coloque no porta-malas.
5) Encaixe o estepe no lugar e coloque os parafusos de volta. Apenas ajuste com a mão para deixar o pneu no lugar. Feito isso, desmanivele e tire o macaco, voltando à posição original. Aperte os parafusos no sentido horário com a chave de roda (recomendamos o mesmo procedimento do pulinho, para deixar firme).
6) Vá direto ao posto e calibre o pneu que acabou de ser trocado. Normalmente o estepe tem ar de menos e se você não fizer isso, pode acabar furando também o reserva. Se lá mesmo não tiver borracheiro, esta é a próxima providência. Nada de rodar dias com estepe e pneu furado no porta-malas e arriscar ter outro furo e ficar sem pai, sem mãe e sem estepe.
OBS.: Nunca troque pneu em subidas ou descidas e quanto menos irregular for o chão, melhor.
Way better than any work of fiction, 4. I wish you love.
A quarta música da compilação é I wish you love, com Rosemary Clooney. Tão percebendo o sobrenome? Pois é. É tia. Desse mesmo.
I WISH YOU LOVE (Rosemary Clooney).
I wish you bluebirds in the spring to give your heart a song to sing/ And then a kiss but more than this/ I wish you love/ And in July a lemonade to cool you in some leafy glade/ I wish you health and more than wealth/ I wish you love/ My breaking heart and I agree that you and I could never be/ So with my best, my very best, I set you free/ I wish you shelter from the storm/ A cozy fire to keep you warm/ But most of all when snowflakes fall/ I wish you love.
Nothing bad could happen to you there.
Eu não lembrava de que quando ele se muda para o prédio dela, ele estava voltando de Roma. E de que eles passeiam por NY. E eu tenho um casaco laranja parecido com aquele. E eles são tão cúmplices. E tão próximos. E eles invadem um a casa do outro e se olham pelas janelas. E ele tem a boca igual. E tem o gato. E o beijo. E a chuva.
Fiquei pensando que eu abriria a porta de casa com a Hilda no colo.
Do que fica sempre.
Calexico trazendo trufões, bebendo champanhe e selecionando as músicas que não tinham restrição médica. Clarinha dormindo na minha cama. Margarido mimoso comendo três pratos de arroz com lingüiça. Glau me ajudando no suflê de goiabada com calda de requeijão feito na hora e servido quentinho. Criada de Madame indo almoçar comigo mesmo pneumônica. O Bardo comendo até moranga que supostamente nem gostava. Calexico decidindo que o suflê este precisa de um nome à altura e batizando de Sinful Suflê. Café. Breakfast at Tiffanys. Trufões. Abracinhos. Chá. Clarinha brincando com Hilda, a gata. Margarido enchendo a minha pobre adega de vinho. Glau pedindo sanduíche pro dia seguinte. A Criada com febre me fazendo companhia até às duas da manhã. O Bardo querido dormindo no sofá.
Tudo isso sem Martec*rd, sem preço, sem classificação possível na escala de fofices inimagináveis, bênçãos a serem pagas nas próximas 5 encarnações.
Mas como O Inescrutável tem vias deletérias e padece de um sarcasmo digno de nota, cheguei no trabalho com um pneu furado. É Ele me lembrando que, apesar de eu ter esses amigos e só por isso não sucumbir, life goes on.
Só de teimosa, mesmo assim, não capitularei. Minha reserva de carinho é até à prova de pneu furado.
Aprovadíssimo.
Novo blog da Keiko.
Tá lindo, lindo, lindo. E leve. E solto.
Pronto pra voar.
Template do
Mr.Coffee. Aquele. Você sabe.
07.09.2006
Dicas de Criada
Pois o que acontece quando você descobre que o seu pedestal é de areia e que as demandas da vida real consomem toda a sua conta bancária, a sua beleza e a sua vontade de ser feliz?
Ein? Ein?
Ora, você fuça, fuça, fuça e descobre coisas para fazê-la feliz sem fazê-la falida!
Então, lá vão as Dicas de Criada - para você dar um sorriso Chanel pelo precinho de um Embelleze. Tá, bonita?
Neutrogena Body Care com Soja, fórmula para minimizar os pelos. A idéia é depilar e usar a loção - ao menos uma vez ao dia. Surpresa: funciona! Os pelinhos vão ficando cada vez mais desanimados. Se um dia eles não voltam mais, não sei. Mas espero.
Decontrator Rugas. As rugas desenrrugueiam mesmo. Quanto mais você usa, menos enrugada você fica. De verdade.
Shampoo e Sabonete de Enxofre Granado, para dermatite seborreica e seborréia sem dermatite. Cabelo caindo, coceiras de toda a ordem, nunca mais. Mas resseca a pele, estejam avisadas.
Queda de cabelo (aparentemente) sem solução: Shampoo Phytociane, da Phyto. É caro, mas vale cada centavo - ao menos se você é como eu, que acha que cabelo na cabeça (e não no pente ou no ralo do chuveiro) vale MUITO o investimento.
Lápis kajal para os olhos, Natura: um olhar de odalisca por meros reaizinhos. Macio e muito fácil de aplicar.
Ainda da Natura: Natura Pharma, vitamina C e elastinol em doses maciças. Você passa e a pele estica na hora. Esse não é baratinho, mas dá o efeito que nenhum La Prairie - dos meus bons tempos de fartura - conseguia. Com o uso reiterado, você consegue o efeito túnel-do-tempo (nem precisa explicar, não é?)
Removedor de maquiagem - a Criada humildemente recomenda os bifásicos, que tem para todos os bolsos e gostos. Desde os baratíssimos, como Avon e marcas próprias de farmácia, até o azulzinho da Lancôme. O removedor bifásico tira a maquiagem sem que a pessoa precise esfregar muito o algodão no rosto. Claro, precisa contar com o bom-senso da usuária. Mais vale usar mais removedor e algodão do que ficar esfregando freneticamente. E eles retiram base de longa duração, rímel à prova d´água e outras coisas que ficam lindas, mas grudam e entopem.
Empatados, com louvor, os sabonetes Effaclar, La Roche Posay, e Neutrogena Deep Clean. Se a sua pele é oleosa ou tende à oleosidade, aposte e confie. Vai dar certo.
No mais, não tem links porque estava muito complicado colocá-los. Essas coisas aí quem sabe fazer direitinho é a Madame.
(E Criada nova é fogo, viu. Mal entrei no trabalho novo já estou encostada. Uma ziquizira brava. Só a Madame mesmo para ter tanta paciência comigo.)
06.09.2006
Energúmenos motivos.
Wishful.
Eu queria voltar a ter 20 anos menos, duas semanas atrás. E queria meus olhos de volta, aqueles, sem fundo, e a impressão de que o mundo tinha implícito um outro dele, prestes a vir a ser. Eu queria sorrir sem querer chorar, andar sem pensar que não há nenhum lugar para onde eu possa ir, deitar sem sentir o corpo morrer, fechar os olhos sem me perder, não ter nas mãos a dor de desmantelar o que de melhor eu vivi.
Way better than any work of fiction, 3. Killing me Softly.
A música n.º 3 é Cassandra Wilson, minha gente, a voz dessa mulher é uma coisa estapafúrdia (adoro esse adjetivo - parece que a gente se estapeia de tão fúrdia, tão entendendo, enfim), cantando Killing me Softly, crássico dos anos 70 com a Roberta Flack. Só que agora, na compilação feita sob medida para esta que vos escreve, dá vontade de rolar pelas paredes fantasiada de lagartixa. Enjoy.
KILLING ME SOFTLY (Cassandra Wilson).
Strumming my pain with his fingers/ Singing my life with his words/ Killing me softly with his song/ Killing me softly with his song/ Telling my whole life with his words/ Killing me softly with his song/ I heard he sang a good song, I heard he had a style/ And so I came to see him to listen for a while/ And there he was this young boy, a stranger to my eyes/ I felt all flushed with fever, embarrassed by the crowd/ I felt he found my letters and read each one out loud/ I prayed that he would finish but he just kept right on/ He sang as if he knew me in all my dark despair/ And then he looked right through me as if I wasn't there/ But he just came to singing, singing clear and strong.
05.09.2006
Mais um motivo da rosa.
Teus olhos para mergulhar fundo, teus passos para caminhar junto e eu seria descoberta. Teus braços para delimitar o mundo, teu peito para me servir de escudo e eu me diria completa. Teu beijo para me deixar muda, tuas mãos para não me perder nunca e eu estaria repleta. Tua ausência para inundar tudo, teu nada para ecoar surdo e eu me resumo: deserta.
Tales from the Maid - A Peãzinha e Deuce Bigalow
Tudo vai andando sua marcha atropelada cheia de solavancos na vida da Peãzinha, e não há no horizonte problemas que se apresentem insolúveis - só os mesmos velhos de sempre. Há muito não acontecia da Peãzinha sentir-se tranqüila na sua profunda sozinhez branca-suja de interior de casca de ovo e isso é quase uma bênção redentora. É nesse exato momento que Aquele-que-joga-xadrez-com-o-universo pousa os olhos naquela Peãzinha esquecida no canto mais escuro e calmo do tabuleiro e resolve que a jogada kamikaze inclui precisamente a humilde pecinha.
É dessa forma – e não de qualquer outra – que o caminho da Peãzinha cruza o do ser gigoléfico (sim, O Infinitamente Enxadrista resolveu que os movimentos dinâmicos caberiam à pecinha que lhe representa – e não a qualquer outra) selando umas boas cem semanas do destino de ambos num contrato absolutamente hobbesiano, imundo e úmido: as parcas (porcas?) economias da Peãzinha pelo calor do corpo do Valete mais traiçoeiro. Assim foi que a Peãzinha tudo pagou e tudo comprou, ao que o Estranho Valete lhe retribuiu, aparentemente de forma generosa, com todo o Afeto Priápico Infinito que cabe e transborda dos perfeitos 76 quilos esculpidos em 190 centímetros. Sim, é generosa a natureza com os seus eleitos. Nem poderia ser diferente, quando só o que oferece é o que o olho nu vê.
[clique aqui para ler o texto na íntegra]Way better than any work of fiction, 2. The Child.
Segunda música da compilação,
The Child é
Alex Gopher featuring Billie Holliday, mosfios.
Releitura da clássica God Bless the Child,
sampleada, eletrônia e chiqueeeeeeeeeeeeeee.
THE CHILD (Alex Gopher feat. Billie Holliday).
What she's got is hard to find.
Eu andava assoberbada. Nesses tempos bicudos onde os valores da aristocracia já não valem um penny furado (eu disse pennY) e o lexotan precisa de receita em duas vias, é impossível ser uma madame
comme il fault sem os indispensáveis préstimos de uma criada de classe. Não se pode apertar um espartilho sozinha, por exemplo, nem ficar levantando toda hora para servir mais champagne. Mas a minha criada é muito mais que isso e faz maravilhas com leite moça, vocês terão a oportunidade de comprovar.
Ela é uma delícia.
A partir de hoje, ela tem uma coluna exclusiva, para o que quiser, 'cause
what she's got is hard to find.
Ouça a trilha que eu escolhi pra ela:
She's a Lady, Patricia Barber.
Pois não, Madame?
A vida pode ser difícil. Às vezes, ela é.
Nessas vezes, a pessoa precisa prescindir de tudo. Abandonar-se a si mesma na beira do caminho, como a cobra abandona a pele morta - por mais que AME aquela pele, ela sabe que é a pele ou ela toda. Dessa forma é que me resolvi a abrir a mão e deixar os anéis antes que com os anéis ficassem também os dedos.
A bem da verdade, lá ficaram os anéis, os colares, as pulseiras, os laliques, os Biedermeyer, o Steinway de cauda, os mármores, as taças de cristal boêmio, as porcelanas chinesas, o Cristal, a Veuve Cliquot, toda a coleção de Prada e os diamantes. Ficaram não, se foram. Junto com a alegria desvairada, pintada em tons malva-terrosos da última coleção da Shiseido, aquela cobertura tão fina, tão hi-tec, e que, sempre ali, jamais deixava a pele nua sê-la simplesmente. Assim é que se foi também a necessidade de estar sempre finamente coberta pela textura que me impingiram, e me vi forçada a respirar livre e demaquiada (desmascarada?) os verdadeiros ares de nosso tempo, sabendo a metais pesados, lixo, tristeza e solidão. Todos os rejeitos daquilo que não é considerado suficientemente digno para nosso consumo.
Criada como princesa e definida pelo poder de adquirir, somente após alcançar a não-existência dos que não maquiam, não brindam, não bebem, não promovem, não vendem, não compram, não sorriem, não mascaram, somente após esfolar as mãos tratadas em conserva de cremes La Prairie, percebi que dignidade está no que não se consome, que os restos, e lixos, e infelicidades e solidão é que trazem nossa verdadeira triste face estampada, aquela que encobrimos dia após dia sob miríades de camadas que compramos compulsivos, exaustos.
Hoje, tenho a sorte de atender à Madame. Que vocês já conhecem, claro, e que me conheceu assim que pousou aqueles percucientes olhos sobre minha intrigante figura de pobre-rica. E ela soube que ninguém seria mais feliz em limpar suas instalações com água sanitária e sapólio cremoso até que as mãos ficassem em carne viva, porque seria verdadeiro, seria sincero e no brilho dos metais do
toilette ou do piso encerado resplandeceria minha verdadeira face, rejubilando-se de pura alegria de ser simplesmente o que é: Sua Criada.
Ao seu dispor.
04.09.2006
Way better than any work of fiction.
Melhor que ouvir isso, só ouvir isso sabendo que
ele que acha que essa é a sua definição musical.
Atentem para os detalhes (capa inclusive).
A música seguinte é a que dá nome à compilação, She-Devil.
SHE DEVIL (Natalie Merchant / Indian Love Bride ©1998 )
look out she's coming at ya/ big dark eyes like Cleopatra/ the eyes of a femme fatale/ bet you get the ominous feeling/ a cold blooded creature in the dark is stealing toward you/ you best beware, take care/ she's better than a work of fiction/ half ingénue, half a vixen/ your little paper doll/ but brother she's a wicked sister/ subtle and sly, watch it mister/ and take my advice, stay away/ or number your days/ opiate clouds surround you/ an addiction to love has found you out/ half out of your mind/ fool, when I think about you/ I want to wrap my arms around you/ and tell you more than words can say/ she devil, she conquer/ she devil, you want her/ you're unaware tonight/ of the danger everywhere/ my poor little sleeping giant/ dreaming warm and silent/ where has your Delilah gone?/ why don't you wake and see through/ every way that she's deceived you/ how she moves within?/ see, everything the woman touches/ it withers and dies in her clutches/ why should your fate be/ any different from these?/ oh, well I've heard about you/ every word that's said about you/ the man in the silvery web/ he fell for the sweet persuasion/ of a black widow spider/ now nothing can save him/ it's just a matter of time.
Do que precisa ir embora.
Madrugada de sábado, lá pelas quatro e alguma coisa, zóinho estalam e você acha que se não consegue passar sua vida a limpo, pelo menos pode pôr um pouco de dignidade nas calcinhas, sutiãs e meias. Então você emborca as três gavetas em cima da cama e começa a olhar uma montanha de inutilidades e velharias.
Em um universo multicor de lingerie você vê coisa que até deus duvida. Calcinhas da época em que você era praticamente virgem (outra hora eu explico que raios vem a ser praticamente virgem). Calcinhas com dizeres no traseiro e que nem por um milhão de dólares eu confesso que dizeres são. Calcinhas furadas. Calcinhas que passaram a ser rendadas de tanto furo. Calcinhas puídas. Calcinhas rasgadas. Calcinhas intro-metidas. Calcinhas que não cabem nem na bunda que você tem em sonho. Calcinhas do tamanho de uma barraca de praia. Calcinhas que apertam na virilha, que apertam na coxa, que apertam na cintura. Calcinhas cujo elástico é apenas uma vaga lembrança de lastek. Calcinha de cores indeclináveis. E, lá no meio, bem no meio, as seis calcinhas que você realmente usa, as heroínas da resistência, e *a* calcinha para momentos sexy-descontrol-carão-nomercy que possivelmente ficará sem uso por mais uma década, já que nenhum homem propriamente dito tem alguma notícia do que seja uma lingerie na hora do pega pra capar.
E tem os sutiãs. Alguns já não vêem suas calcinhas pares desde o remake de Selva de Pedra. Sutiãs da época que meia taça era só pra café preto em rodoviária. Sutiãs que nem se juntar as duas partes cabe um peito. Sutiãs que já deram o que tinham que dar e não servem nem pra fabricar estilingue. Sutiãs que permitem fuga pela direita, fuga pela esquerda, fuga pelo centro e fuga pelas bordas. Sutiãs que são uma vergonha para a categoria. E os três sutiãs que cumprem o seu papel de amigo do peito.
E meias? Meu deus. Pra que uma pessoa guarda meia de nylon rasgada? Pink? Pra usar embaixo da calça jeans em dia frio? Não, né? Se me atropelam e me levam pro Pronto Socorro e lá me rasgam e dão de cara com uma meia pink, é capaz de eu morrer enquanto a equipe tenta se recuperar do ataque de riso. Pra quê guardar uma meia arrastão com furos de 30 cm? Verde menta? Fio 80 com tanta bolinha que parece mescla de lã? Um pé só de meia com joaninha? Meia preta que parece azul jeans de tão desbotada? Meia branca que de tão esgaçada caberia no Magic Johnson sem apertar? Meia furada? Meia listrada que faria inveja à Sônia Braga em Dancing Days? Não, não e não.
Desapego. Três sacolas de resto. Duas gavetas livres. Uma ida às compras. Mais seis calcinhas, três sutiãs básicos. Dois conjuntos mais tchans just in case. Duas meias de nylon natural finas, duas pretas, uma fumê. Uma fio 40 preta, uma marrom, mais uma fio 80 provavelmente só para inverno que vem e deu. Sobra ainda uma gaveta, vaziazinha, limpinha, cheirosinha, esperando cousas novas.
Quem dera que a vida fosse simples assim.
01.09.2006
Disque
para matar.
Então é setembro. Diliça, hein? E a meteorologia avisa que vem frio de renguear cusco nos próximos 5 dias. Que merda isso.
Nada como um dia após o outro com horas muito bem empregadas no meio. Médico da cabeça é o que há nesse mundo. Até fome eu tive. De arroz com lingüiça, pra vocês terem uma idéia.
Aquisição glamour: Box da Audrey Hepburn: Sabrina, A Princesa e o Plebeu e Bonequinha de Luxo. A semana que vem é a semana mundial do delineador. Pelo menos pra mim.
Eu não cogitava a possibilidade de que algum homem no mundo ficasse bem de lilás. Ele fica. E ele é meu amigo de verdade. E eu não estava errada de tê-lo amado tanto.
Acho que DJ de rádio que interrompe a música no meio devia ser morto à tamancada.
Ela me liga e fica quase uma hora ao telefone comigo. Quem não conhece a voz dessa mulé não sabe o bálsamo que é pra alma. E das coisas maravilhosas que ela diz sobre física quântica eu nem falo.
Em breve haverá uma novidade deliciosamente delícia neste blog.
Tenho cada vez mais bons amigos. Cada vez mais gente com quem eu fico à vontade e que me cuidam, que sei que posso contar, que me mimam e que eu sinto que gostam mesmo de mim. Se isso não quer dizer alguma coisa, eu não sei mais nada.
Guria muito querida.
Eu e a Jocieli (óia se ela não é a versão muito mais linda da Cléo Pires!).